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Relatos Ardientes

Vi minha esposa com outro: a fantasia que se realizou

Falávamos sobre essa possibilidade há anos. No começo era só uma insinuação no escuro, uma daquelas fantasias sussurradas para ver se o outro reagia com repulsa ou com curiosidade. Aos poucos, a conversa foi tomando forma. Camila era direta: se fôssemos fazer aquilo, faríamos direito. E quando ela me disse que tinha estado trocando mensagens com alguém, que parecia a pessoa certa, senti o chão se mover sob os meus pés.

Não de medo. De expectativa.

Isso se concretizou numa sexta-feira de outubro. Camila vinha falando com aquele homem havia semanas, olhando o perfil dele, garantindo que fosse alguém de confiança. Eu sabia de tudo desde o início. Era parte do combinado. Quando ela confirmou o encontro, tudo me pareceu irreal, como se estivéssemos planejando algo que nunca chegaria a acontecer de verdade.

Naquele dia eu não consegui me concentrar em nada. Trabalhei em frente ao computador com a mente em outro lugar, repassando mentalmente cada possível reação que eu poderia ter. Eu sentiria um ciúme insuportável? Me arrependeria assim que começasse? Camila travaria na última hora e acabaríamos os dois em silêncio, sem conseguir nos olhar? A cabeça é cruel quando tem tempo livre e nenhum lugar para ir.

Cheguei em casa às seis. Camila já estava se aprontando.

Fiquei observando-a da porta do banheiro enquanto ela se maquiava. Tinha colocado um vestido preto justíssimo que eu conhecia bem, mas naquela noite ele tinha outra intenção. Por baixo, usava um conjunto de renda preta que havia comprado naquela mesma semana: um corpete que levantava seus peitos até fazê-los saltar no decote e uma calcinha minúscula que mal cobria seu cu. Ela me olhou pelo espelho sem dizer nada, com aquele sorriso dela que mistura cumplicidade e descaramento na mesma expressão. Abri uma garrafa de vinho e servi dois copos seguidos antes de ela terminar de se arrumar.

— Você está bem? — perguntou, já pronta, aparecendo na sala de jantar.

— Sim — eu disse. Não era totalmente mentira.

— Podemos cancelar. — Ela não dizia isso para me dar uma saída. Dizia porque era verdade.

— Não quero cancelar — respondi, e eu falava sério.

Saímos às nove. O ponto de encontro era um bar pequeno no centro, uma dessas cavernas com luz baixa e música discreta onde ninguém presta atenção em ninguém. Diego chegou dez minutos atrasado. Era um homem de uns trinta e cinco anos, moreno, de ombros largos e uma forma de se mover que transmitia calma. Nada de exagerado. Não era o tipo que tenta impressionar desde o instante em que entra pela porta.

Nos cumprimentamos com um aperto de mão. Ele comigo, depois com Camila, e aí notei uma coisa: quando ele olhou para ela, não desviou o olhar dos olhos dela. Aquilo me disse mais sobre ele do que qualquer conversa.

Pedimos algo para beber e ficamos quase uma hora conversando. Diego tinha viajado bastante, tinha opiniões sobre coisas que não eram o tempo nem o futebol e sabia ouvir. Camila relaxou na hora, e eu também, embora ainda carregasse aquele nó estranho no estômago, sem saber se era nervosismo ou excitação ou as duas coisas misturadas na mesma dose.

Quando Diego foi ao banheiro, Camila pôs a mão no meu joelho e a subiu devagar até os dedos dela roçarem o volume que já começava a marcar na calça.

— Você está duríssimo — ela sussurrou, apertando com a palma—. Vamos continuar?

— Sim — eu disse.

E era só isso de que precisávamos.

***

O quarto do hotel era discreto e limpo, com uma luminária de chão ao lado da cama que projetava uma luz quente. Camila entrou direto no banheiro. Diego e eu ficamos de pé por alguns segundos, e ele me disse que eu tinha uma esposa muito elegante. Disse isso com naturalidade, sem nenhuma insinuação estranha, e eu agradeci.

— Eu sei o que isso significa — acrescentou —. Se em algum momento você quiser parar, a gente para.

Não soube o que responder. Fiz um gesto com a cabeça que queria dizer algo entre «obrigado» e «entendido».

Quando Camila saiu do banheiro, o quarto mudou. Não foi uma mudança dramática, mas estava ali: o ar ficou mais denso, a música do corredor pareceu mais distante, e nós três ficamos em silêncio por um momento que durou mais do que deveria.

Ela se aproximou de mim primeiro.

— Tem certeza? — disse no meu ouvido, tão baixo que Diego não podia ouvir.

— Sim. Aproveita — respondi. Segurei o rosto dela e a beijei devagar, sem pressa. Foi um beijo diferente dos de sempre. Mais carregado. Enfiei a língua até o fundo e senti o corpo dela tremer contra a minha boca. Quando nos separamos, ela me sorriu.

— Olha o que eu faço por você — disse, e passou a mão por cima da minha calça, apertando meu pau sem disfarce —. E olha como você fica por minha causa.

Ela se virou e caminhou até Diego.

***

Sentei no sofá do canto. Não tinha planejado exatamente onde me colocar, mas aquele ângulo me dava visão completa da cama sem ficar em cima deles. Cruzei os braços, depois os afastei. Não sabia o que fazer com as mãos.

Diego e Camila se olharam por um instante antes de ele pôr a mão na cintura dela. Foi um gesto lento, quase formal, e então ele se inclinou e a beijou. Não foi um beijo hesitante. Foi direto, seguro, com uma mão nas costas dela e a outra subindo até o cabelo. Camila respondeu imediatamente, abrindo a boca contra a dele e deixando ele enfiar a língua até o fundo. Vi Diego agarrar a nuca dela e mantê-la ali, sem deixar que se afastasse, e como ela respondia se apertando contra o corpo dele.

Aí meu coração disparou. E outra coisa também.

Não de nojo. Era outra coisa. Ver minha esposa beijando outra pessoa com aquela entrega, aquele abandono total, me produziu um curto-circuito que eu não sabia classificar. O ciúme estava ali, mas era de uma variedade estranha, quase inofensiva, misturado com algo que puxava para o outro lado com a mesma força. Ajustei o volume na calça sem pensar. Estava duríssimo.

Diego baixou as alças do vestido com calma. Camila ergueu os braços para que ele o tirasse, e ficou parada diante dele com o conjunto de renda preta, os peitos saltando do corpete e os mamilos já marcando contra o tecido. Ela ficou assim por um segundo, deixando ser vista. Diego passou os dedos pelo decote, bem devagar, e abaixou uma das taças para libertar um peito inteiro. Abaixou-se, meteu-o na boca e chupou o mamilo enquanto desabotoava o corpete pelas costas.

Camila me olhou por um segundo antes de ele a virar para a cama. Nesse segundo me pareceu que ela sorria. O corpete caiu no chão. A calcinha ficou esticada contra o cu dela, já com uma mancha de umidade no meio que dava para ver de onde eu estava sentado.

Ela se deitou sem ninguém pedir. Diego desabotoou a camisa sem pressa e, quando a tirou, Camila o olhou de uma forma que me pareceu completamente nova. Um olhar de apreciação sem disfarce. O mesmo que eu já tinha visto nela quando assistia a um filme e aparecia alguém de quem ela gostava, mas ampliado, sem filtro. Depois ele baixou a calça e a cueca de uma vez, e o pau saltou para fora, duro e grosso, apontando para a cara dela. Camila abriu ligeiramente os lábios e engoliu em seco. Vi isso acontecer.

— Vem — disse ela, estendendo a mão.

Diego subiu na cama e se acomodou de joelhos ao lado do rosto dela. Camila virou a cabeça e, sem dizer uma palavra, agarrou o pau dele com a mão, olhou-o por um segundo como se estivesse calibrando e o colocou na boca até a metade. Diego soltou um gemido curto, surpreso. Ela começou a chupá-lo com vontade, tirando e colocando de novo, babando, enquanto ele segurava o cabelo dela para trás a fim de ver o rosto dela.

Me ajeitei no sofá e decidi parar de tentar entender o que sentia. Abri a calça e tirei meu pau, que já estava queimando dentro da roupa. Camila me viu fazer isso e, sem soltar o pau de Diego, sustentou meu olhar enquanto continuava chupando. Vi a língua dela se enrolar na ponta, depois descer pela lateral, depois engoli-lo inteiro até engasgar um pouco. Os olhos dela se encheram de água, mas ela não parou.

— Que boca você tem, porra — murmurou Diego, com a voz rouca.

Depois de um tempo ele a virou suavemente, a fez deitar de barriga para cima e se ajoelhou entre as pernas dela. Baixou a calcinha devagar, puxando pelos lados, e a deixou de lado na cama. Camila abriu as pernas sem que ele precisasse pedir. Tinha o cu depilado, brilhante, já encharcado de desejo.

Diego se acomodou de barriga para baixo entre as coxas dela e começou a beijá-las com lentidão, subindo desde o joelho. Camila fechou os olhos. Eu sei quando ela está realmente curtindo alguma coisa e quando está atuando, e aquilo era o primeiro. Ela pôs uma mão no cabelo dele, sem apertar, e soltou um som que ficou preso na garganta. O quarto ficou em silêncio, salvo por isso.

Quando ele finalmente passou a língua no cu dela, Camila arqueou o corpo inteiro e soltou um gemido longo, como se esperasse aquilo havia anos. Diego a comeu com calma, lambendo de baixo para cima, insistindo com a ponta da língua no clitóris, depois descendo e enfiando a língua nela. Agarrou as coxas dela e as abriu mais, enterrando o rosto. Ela começou a mover os quadris contra a boca dele.

— Ai, Deus, assim, assim — ofegava, com a voz quebrada —, não para, vai...

Eu segurei meu pau e comecei a me masturbar devagar, sem tirar os olhos deles. Nunca a tinha visto falar assim na cama. Nem uma vez em todos aqueles anos.

O tempo ficou elástico.

Não sei quanto tempo aquilo durou. Diego subia e descia devagar, chupando o clitóris dela, enfiando dois dedos e curvando-os dentro dela, e Camila ia amolecendo na cama como se estivessem tirando dela um peso que carregava sem perceber. Em algum momento ela começou a tremer, com as coxas apertando a cabeça dele, e gozou com um grito que saiu do peito, mordendo o lábio para conter, sem conseguir. Vi-a jogar a cabeça para trás e agarrar o tecido acolchoado com as duas mãos.

Então Diego se levantou, com a boca e o queixo brilhando do suco dela, pegou a camisinha na mesa de cabeceira — ele a tinha deixado ali quando chegamos, com uma praticidade que me pareceu estranhamente reconfortante — e a colocou olhando para Camila, que o observava sem desviar os olhos, ainda respirando forte.

Agora não tem mais volta.

Eu pensei exatamente isso naquele momento, do mesmo jeito que havia imaginado centenas de vezes. Mas agora era real, e a frase não me causava angústia. Era só uma constatação.

Ele se posicionou sobre ela. Camila envolveu os ombros dele com os braços, fechou os olhos e ergueu os quadris. Diego segurou o pau pela base e foi entrando devagar, empurrando aos poucos, e Camila abriu a boca em um O mudo quando o sentiu entrar inteiro. O primeiro som que ouvi dela foi pequeno, contido, mas tinha uma profundidade que eu nunca tinha escutado em todos os anos em que estivemos juntos. Não foi algo exagerado. Foi genuíno, e isso foi o mais impactante de tudo.

— Que grande você é, meu Deus — ela sussurrou, e eu ouvi cada palavra do sofá.

Diego encontrou um ritmo tranquilo no começo. Lento, constante, entrando até o fundo e saindo quase inteiro, com os olhos fixos nela. Camila manteve os olhos fechados nos primeiros minutos e depois os abriu e o encarou diretamente. Não olhou para mim. Achei certo. Ela estava onde devia estar. Eu continuava me sacudindo devagar, aguentando, sem pressa, ouvindo o som úmido do pau entrando e saindo do cu da minha mulher.

Diego baixou o rosto e mordeu um peito dela, depois o outro, e chupou os mamilos alternadamente enquanto continuava fodendo-a. Camila enterrou as unhas nas costas dele e cravou os calcanhares na bunda dele, puxando-o contra si a cada investida.

— Mais forte — pediu ela —. Me come mais forte.

Diego atendeu. Apoiado nas mãos, ergueu um pouco o corpo e começou a metê-la com mais força, com golpes secos que faziam a pele estalar no choque. Camila começou a gemer sem se conter, de boca aberta e olhos semicerrados, olhando para ele de baixo.

***

Em algum momento eles mudaram de posição. Diego a virou de lado, levantou uma perna dela apoiando-a no ombro, ficou atrás e continuou dali com um ângulo melhor. O pau entrava e saía à vista, molhado, brilhante, e de onde eu estava dava para ver perfeitamente como o cu de Camila se abria para recebê-lo a cada vez. Ela esticou o braço para trás e o agarrou pela cintura, como se quisesse controlá-lo ou retê-lo. Os sons eram mais frequentes agora, roucos, e eu tinha os punhos apoiados nos joelhos com mais força do que percebia, o pau duro entre os dedos.

— Isso, assim, não para, não para — repetia ela, com a voz cortada a cada empurrão.

Diego se abaixou e mordeu o pescoço dela por trás, agarrou um peito com a mão e apertou forte, beliscando o mamilo. Camila gritou. Depois ele baixou a mão para o ventre e dali para o cu, e começou a esfregar o clitóris com dois dedos enquanto continuava a comer ela por trás.

Ela gozou outra vez, tremendo inteira, apertando-se contra ele, com um gemido longo que durou quase um minuto. Diego não parou. Nem por um segundo.

Depois veio a última mudança.

Diego disse algo no ouvido dela e Camila se mexeu sem hesitar. Ficou de quatro na cama, com as costas longas, os ombros baixos e a bunda levantada, oferecendo-se. Diego agarrou as nádegas dela com as duas mãos, separou-as, cuspiu na mão e espalhou a saliva pelo pau. Quando se colocou atrás e começou, a mudança foi imediata. Mais força, outro ângulo, um ritmo que foi subindo sem pausa e sem consideração. Ele a enfiou inteira de uma vez e Camila soltou um uivo contra o colchão.

— Ai, puta, assim, me come, me come, não para — gritava, com o rosto enterrado no travesseiro —, vai, mais forte, me arrebenta.

Os sons de Camila já não eram contidos. Os golpes secos do corpo de Diego contra a bunda dela enchiam o quarto. Ele puxou o cabelo dela, agarrou a cintura com a outra mão e a cravou até o fundo a cada investida. A cama se movia. Eu me masturbava cada vez mais rápido, de boca aberta, sem conseguir olhar para outra coisa.

Nunca tinha ouvido ela assim. Não era uma reclamação: era uma descoberta. Havia uma parte dela que eu não tinha alcançado, não porque não tivesse querido, mas porque é preciso algo específico para chegar lá, e naquela noite eu tinha isso diante de mim, em tempo real. Ouvi-la dizer aquelas coisas, vê-la pedir daquele jeito, foi quase mais intenso do que vê-los.

— Vou gozar — ofegou Diego, com a voz rouca —, vou gozar dentro.

— Isso, isso, vai, termina dentro — ela respondeu, empurrando a bunda para trás para se encontrar com cada investida —, goza já, vai.

A voz dela se quebrou em algum ponto, com um grito cortado que se perdeu contra o travesseiro, tremendo inteira enquanto gozava pela terceira vez, e alguns instantes depois Diego também terminou, enterrando-se até o fundo e ficando ali, apertando os quadris dela com os dedos brancos de força enquanto esvaziava a porra dentro da camisinha. Eu gozei quase ao mesmo tempo, sem barulho, sobre a própria mão, mordendo o lábio para não gritar. Ficaram imóveis por alguns segundos, ambos ofegantes, e então ele se afastou devagar, com cuidado. O pau saiu brilhante, com a camisinha carregada pendendo.

***

— Que mulher — disse Diego, se erguendo e tirando a camisinha com cuidado —. Não lembro da última vez que estive com alguém tão entregue. Você fode muito bem.

Camila riu da cama, ainda de bruços, o rosto enterrado nos braços cruzados, com a bunda ainda marcada pelos dedos dele.

Ficamos os três em silêncio por um momento e então Diego foi ao banheiro. Camila se sentou, me procurou com o olhar e atravessou o quarto sem se cobrir, ainda com os seios vermelhos das mordidas e o cu inchado. Envolveu meu pescoço com os braços e apoiou a cabeça no meu ombro. Viu minha mão e o pau ainda de fora e sorriu devagar. Abaixou-se, passou a língua pela ponta para me limpar e o colocou na boca por um segundo antes de subir de novo para me beijar. Não disse nada durante quase um minuto inteiro.

— Obrigada — me disse por fim, com a voz muito baixa.

Eu a abracei.

— Como você está? — perguntei.

— Bem. Muito bem. Toda fodida. — Ela riu baixinho contra o meu pescoço —. E você?

Levei um momento para responder, não porque eu não soubesse a resposta, mas porque queria dar a certa.

— Melhor do que eu esperava — disse. E era a verdade exata.

Todos os medos que eu vinha arrastando havia semanas tinham desaparecido em algum momento daquela noite, e eu não saberia dizer quando. Eles estavam ali e depois não estavam mais. O que ficou no lugar foi algo mais leve, algo que ainda não tinha nome, mas que parecia sólido.

Diego saiu do banheiro, se vestiu com a mesma calma com que tinha chegado e nós três nos cumprimentamos com um aperto de mão. Combinamos de repetir. Não foi uma dessas promessas vazias que se fazem por cortesia na despedida. Dizemos aquilo porque era o que nós três queríamos.

No táxi de volta, Camila apoiou a cabeça no meu ombro e entrelaçou os dedos nos meus. Se inclinou e sussurrou no meu ouvido que ainda sentia ele dentro dela, e apertou minha mão contra a coxa. Nenhum de nós falou até chegar em casa. Não era necessário. Naquela noite tínhamos aberto uma porta que havia anos esperava ali, e nós dois sabíamos que ela não ia se fechar.

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