A aula de moto que terminou na praia nudista
Subi na moto sem saber pilotar e desci dela transformado em outro. Mas o que realmente me mudou aconteceu depois, na areia, longe dos olhares... ou pelo menos foi o que pensei.
Subi na moto sem saber pilotar e desci dela transformado em outro. Mas o que realmente me mudou aconteceu depois, na areia, longe dos olhares... ou pelo menos foi o que pensei.
«Venha às onze à zona norte do estacionamento. Nada de palavras.» Uma nota anônima, uma máscara de freira e uma mulher que talvez não fosse a dele esperando junto ao carro.
Marcos e Nadia só tinham feito isso com a gente. Nessa noite, vendados e com os vizinhos a caminho, descobririam até onde estavam dispostos a ir.
Coloquei o vestido azul escolhido por Nadia, sem nada por baixo, e subi ao convés sabendo que naquela noite não haveria uma única linha que eu não estivesse disposta a cruzar.
Mal fechei a porta, uma silhueta ruiva se pendurou no meu pescoço e me beijou como se o tempo não tivesse passado. A recepção mal tinha começado.
Durante anos nós falamos disso entre risadas e taças, sem coragem. Numa noite, alguém escreveu nossos nomes em papéis, e ninguém quis parar.
Quando Lucía cruzou a sala e se sentou no colo dele sem me olhar, eu soube que naquela noite eu só ia assistir — e que era exatamente o que nós dois queríamos.
Minha esposa sonhou que eu estava com outra mulher enquanto ela assistia. Dias depois, no hotel, essa fantasia deixou de ser sonho.
Nando me deixou a calcinha enrolada num tornozelo e, enquanto Bruno me segurava contra o sofá, entendi que naquela noite eu era a mercadoria que os dois queriam estrear.
Nunca pensei que ver outro homem olhando para minha namorada nua, com as pernas abertas sobre a areia, seria a coisa mais excitante que eu sentiria na vida.
Abri os olhos no meio da escuridão da sala, e ela estava no batente da porta, mordendo o lábio, olhando exatamente para aquilo que eu não conseguia esconder.
Há meses nós o chamávamos para nossa casa depois de cada jantar. Desta vez quisemos mais: dois dias trancados com ele, sem relógio, sem vizinhos, sem freio.
Eu usava o vestido vermelho e nada por baixo. Ele caminhava atrás com o telefone ligado. Cada olhar que ficava em mim acabava arquivado na galeria dele.
Apaguei a luz da lavanderia e olhei para a janela panorâmica do C. Eram três e quinze da madrugada. A garota em frente tinha voltado. E não tinha voltado sozinha.
Subi no catamarã para me perder do mundo por um instante. Nunca imaginei que terminaria nua, cercada, e que seria eu a não querer que parasse.
Quando entrei na cabana, havia apenas trinta homens de terno e uma taça me esperando. Demorei pouco para entender para que me haviam pago tanto.
Subimos a escada enferrujada e ouvimos os gemidos atrás da cortina. Eu não conseguia parar de olhar, nem de sentir meu melhor amigo colado ao meu ombro.
Por trás da duna, achávamos que ninguém nos via. Eu tinha dois dedos dentro de Sofia quando a morena do aparelho virou a cabeça, sorriu e caminhou até nós.
Desceu para o restaurante sem calcinha e sem sutiã. Dizia que não sabia o que estava acontecendo com ela, mas eu começava a entender: naquele dia, iria cruzar todos os limites.
A cerveja tinha nos deixado carinhosos e o terraço parecia vazio. Até eu ver o brilho de uns binóculos nos mirando do morro.