O que vi entre as dunas daquela enseada vazia
Passei o verão inteiro esperando a enseada esvaziar. Encontrei-a deserta, sim, mas o vento me trouxe uns gemidos atrás das dunas que precisei ir buscar.
Passei o verão inteiro esperando a enseada esvaziar. Encontrei-a deserta, sim, mas o vento me trouxe uns gemidos atrás das dunas que precisei ir buscar.
Estacionei no andar mais vazio do subsolo e perguntei se ela ainda estava segura. Ela assentiu. Entreguei o envelope com o dinheiro e pedi que apenas olhasse, nada mais.
Eu o vi pela primeira vez do outro lado da piscina, enquanto Marcos assinava papéis. Algo no jeito como ele me olhou me disse que aquela noite não terminaria como as outras.
Quando vi Mateo nos esperando na porta do quarto 412, entendi que meu marido não estava se gabando: aquilo ia acontecer de verdade.
Estávamos tomando vinho quando ela me disse: “Nunca te contei tudo sobre Punta del Este”. O que veio depois me deixou em silêncio por horas.
Pensei que todos dormiam quando entrei nu na piscina. Até ouvir a porta da cozinha e ver a silhueta dela se aproximando, sem pressa de desviar o olhar.
Quatro colegas, uma piscina, uma noite inteira. O melhor começo de férias que eu poderia imaginar.
Fui buscar água à meia-noite e a encontrei sozinha diante da máquina de lavar. Não me anunciei. Fiquei no batente, olhando, sem conseguir ir embora.
Quando Valeria pôs a mão na minha nuca e me empurrou para baixo, entendi que aquela noite ia cruzar uma linha sem volta.
Estávamos no quarto dela com vinho quando ela soltou a gargalhada. «Nunca te contei tudo sobre Búzios.» Eu soube que o que vinha ia me abalar.
Doze anos de amizade e um olhar que dizia tudo. Quando o casamento acabou, Valeria cruzou a porta da suíte e ninguém mandou ela ir embora.