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Relatos Ardientes

A troca que quatro casais não soubemos parar

Durante anos nós o mencionamos entre brincadeiras, com a leveza de quem flerta com a beira de um precipício sem intenção real de saltar. As longas conversas depois do jantar, as taças esvaziadas devagar e as confidências disfarçadas de risos nervosos faziam aquela ideia voltar à mesa vez após vez. O famoso «jogo das chaves». Ninguém se atrevia a transformar a fantasia em ato. Até aquela noite.

Não saberia dizer quem acendeu o pavio, mas foi Tomás quem falou em voz alta. Fez isso com uma naturalidade desarmante, como se estivesse propondo pedir outra garrafa.

—E se a gente parasse de falar e simplesmente… jogasse?

O silêncio que se seguiu foi breve, mas denso. Depois vieram as risadas. E então os olhares. Alguns eram cúmplices, outros curiosos. Alguns queimavam.

Éramos quatro casais que nos conhecíamos havia tempo, e essa familiaridade era justamente o que tornava a ideia perigosa. Tomás sempre havia sido o primeiro a cruzar linhas, com aquela maneira de falar de sexo que só incomoda quem tem algo a esconder. Carla, sua mulher, era puro magnetismo: pele morena, sorriso voraz, um corpo de seios pequenos e firmes que se movia como se soubesse que você estava olhando.

Minha cunhada Mariana tinha vindo com Andrés, um pai do colégio, separado como ela, forte e de sorriso fácil. Mariana tinha aquela mistura de doçura e provocação que transformava cada gesto seu em um desafio: rosto bonito, curvas generosas, uma risada que parecia um convite. Bruna e Diego eram, em aparência, os mais reservados de todos. Mas Bruna tinha um corpo que desafiava qualquer descrição, com um peito enorme que ela mesma convertia em motivo de piadas. E, por fim, Elena, minha mulher, que continuava deslumbrante como se o tempo lhe devesse respeito. E eu, que naquela noite não imaginava até onde tudo aquilo iria nos levar.

O vinho fez o resto. As inibições começaram a cair uma a uma, como roupas jogadas no chão. Andrés, com a calma de quem já havia cruzado esse limiar antes, propôs que, antes de qualquer sorteio, estabelecêssemos as regras. Nada de improviso.

—A primeira coisa é que isso seja consensual —disse—. Preservativo sempre. E, se alguém não quiser algo, se respeita e pronto.

Bruna soltou uma gargalhada e brincou que devia haver mais regras no celular, e entre risadas tudo ficou claro. Andrés, que era o convidado com menos peso no grupo e ainda assim conduzia a organização, propôs algo mais antes do sorteio: uma rodada de reconhecimento.

—Os homens se sentam em círculo —explicou—. Cada uma delas passa por todos, com carta branca. Falar, beijar, perguntar… o que quiser. Para ir esquentando.

Ninguém se opôs. Pelo contrário.

***

Alguém colocou música baixa e a rodada começou. Bruna foi a primeira a se aproximar de mim. Sentou-se no meu colo sem rodeios e senti o calor do corpo dela atravessar a roupa. Ela me olhou nos olhos e perguntou direto:

—Por que você quer brincar?

Minha resposta foi um olhar que desceu sozinho para o decote dela, para aquele peito transbordante que parecia querer escapar do vestido. Sua risada foi deliciosa. Ela se inclinou e me beijou com uma mistura de jogo e fome, e, ao fazer isso, apertou o corpo contra o meu rosto. Perdi-me por um instante em seu volume e em sua ousadia, antes que chegasse a vez da próxima.

A seguinte foi Elena. Seu beijo foi diferente. Um beijo de amor, sim, mas também de fogo contido.

—Isso é uma loucura —sussurrou contra meus lábios.

Perguntei em voz baixa se ela queria ir para casa.

—Nem morta —respondeu.

E o sorriso dela me fez tremer mais do que qualquer carícia.

Depois veio Carla, alegria desatada. Acomodou-se sobre mim, me beijou demoradamente, com língua e com vontade evidente.

—Isso é uma loucura de verdade —disse, e ainda assim não se afastava.

O vestido leve dela mal resistia às minhas mãos quando se posaram em suas costas, e depois mais embaixo, naquele traseiro que tantas vezes eu havia imaginado e que agora estava ao alcance dos meus dedos.

E, por fim, foi a vez de Mariana. Perguntei, quase sem voz:

—Como é que a gente faz isso?

—Carpe diem, cunhado —respondeu.

Ela cruzou as pernas sobre as minhas, a voz era um ronronar e o olhar dela não tinha nada de fraternal. Eu não deveria estar fazendo isso, pensei, exatamente quando ela guiou minha mão até o calor que escondia sob o vestido. O mundo ficou mais lento naquele instante. Quase me faltou o ar.

***

Quando a rodada terminou, já não éramos os mesmos. Algo tinha mudado no ar. As respirações estavam irregulares, os olhares nervosos. Como se todos soubéssemos que havíamos cruzado um limiar e não havia mais volta.

Em vez de chaves, alguém escreveu os nomes das mulheres em papeizinhos dobrados. As regras eram simples: você não podia sair com a sua própria parceira, cada homem tiraria um nome, e o resto se decidiria sozinho.

Tomás foi o primeiro. Tirou um papel, abriu, leu e sorriu: Elena. Senti algo estranho se mexer no peito. Minha mulher se virou para mim e sustentou meu olhar por apenas um segundo antes de pegar a mão de Tomás. Ele a puxou com confiança e a fez girar sobre si mesma, como quem avalia o que acabou de ganhar. Eles riam, sim, mas havia algo mais escuro brilhando em seus olhos. Foram embora entrelaçados.

Diego foi o seguinte. Leu o nome de Mariana. Ao passar por mim, ela me lançou um sorriso incendiário. Não consegui evitar deslizar a mão pela coxa nua dela e parar justamente no limite. Senti-a tremer. Inclinei-me e sussurrei em seu ouvido:

—Que azar o meu…

Ela piscou para mim, me beijou de leve e desapareceu pelo corredor com Diego.

A casa era ampla. Quartos, um sótão cheio de almofadas, sofás, cantos discretos: tudo parecia disposto para ser invadido por aquela festa inesperada. Andrés foi o terceiro e tirou Carla. Ela pareceu surpresa e encantada ao mesmo tempo. Aproximou-se acariciando-lhe o braço sem pudor, apalpando o músculo como quem testa a tensão de uma corda antes de puxá-la.

E então, por eliminação, sobramos Bruna e eu.

***

Ela me olhou como se já soubesse exatamente o que vinha. Aproximei-me com a intenção de dizer algo, de quebrar o gelo, de brincar de falsa cortesia.

—Onde vamos?

A resposta dela não deixou espaço para ambiguidades.

—Para onde for. Mas não quero falar.

O ar ficou espesso entre nós dois. Meus dedos tremiam de vontade de tocá-la, de percorrer a curva generosa de seu peito, de prender suas ancas com as duas mãos. Bruna não esperou. Pegou-me pela nuca e me beijou como se o tempo fosse acabar naquele mesmo instante. Empurrei-a com suavidade contra a parede do corredor. Seus lábios eram selvagens, sua língua dançava com a minha, vibrante e impaciente. Senti-a estremecer quando minhas mãos desceram por seus lados, apertando suas ancas, apalpando tudo o que encontravam pelo caminho. Por baixo do tecido, o corpo dela ardia.

Ela arfava e ria ao mesmo tempo. Pegou-me pela mão e me puxou pelo corredor até um quartinho, alheio, e justamente isso o tornava ainda mais morboso. Bruna me empurrou sobre a cama e começou a se despir devagar. Seus movimentos eram precisos, sensuais, decididos. Tirou o vestido e depois o sutiã, deixando ambas as peças caírem com uma calma que era pura provocação. Seu corpo era abundante, rotundo, e eu não sabia por onde começar. Ela percebeu e sorriu com uma mistura de ternura e perversão.

—O que você está esperando? —sussurrou.

Inclinei-me sobre ela. Minha boca buscou sua pele, minhas mãos se encheram de curvas, eu queria devorar cada centímetro de um corpo que até aquela noite havia sido completamente alheio. Ela se arqueava sob minhas carícias, soltava gemidos curtos, pedia mais sem palavras. O suor começava a brilhar sobre sua pele.

Nossos corpos se entrelaçaram com uma naturalidade feroz. Deixamo-nos levar sem freio. Bruna era tudo o que eu havia imaginado, e bem mais. Tinha um poder estranho, suave e selvagem ao mesmo tempo. Ela me guiava, me empurrava, me prendia. Estava molhada e me dizia ao ouvido coisas que eu não sabia que precisava ouvir. Cada sussurro era uma nova permissão para ir mais longe. O quarto se encheu de ar, de calor, de pele contra pele.

Enquanto isso, em outros cantos da casa, os murmúrios se misturavam aos arfares. No sótão, consegui imaginar Elena sobre Tomás, com os cabelos soltos, gemendo como se estivessem sozinhos no mundo. No quarto de hóspedes, Mariana ria enquanto Diego se perdia entre as pernas dela com fascínio. E Carla, sempre tão desinibida, se rendia sob Andrés, admirando cada músculo com a devoção de quem contempla uma escultura.

E eu não trocaria a minha sorte por nada. Deitados, com a respiração ainda alterada, Bruna me acariciou o peito com os dedos.

—Quero que isso dure mais —disse, com um sorriso carregado de intenção.

Inclinei-me e a beijei de novo. Meus dedos voltaram a buscar o sexo dela como se já não pudessem estar em nenhum outro lugar, e ela abriu as pernas com um suspiro longo que me confirmou que a noite estava longe de terminar.

***

No caminho para casa, na noite quente, Elena e eu quase não falávamos. Mas no olhar que trocamos, em seus dedos entrelaçados sobre minha coxa, havia algo novo. Ou talvez algo muito antigo que finalmente tivesse se soltado.

—Você se divertiu? —ela me perguntou sem rodeios.

Assenti, devagar.

—E você?

Ela sorriu, e o silêncio dela disse tudo. Depois, com os olhos fixos na estrada e aquele sorriso que ainda não havia sumido do rosto, acrescentou:

—Vamos jogar de novo?

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