A nômade do oásis guardava um segredo sob a túnica
A tempestade de areia levou toda a caravana. Só ele restou, vagando entre dunas, até uma figura escura surgir no horizonte para salvá-lo.
A tempestade de areia levou toda a caravana. Só ele restou, vagando entre dunas, até uma figura escura surgir no horizonte para salvá-lo.
De dia, era o ajudante perfeito do ateliê; de noite, experimentava renda diante do espelho. Uma foto bastou para revelá-lo.
Aceitei o jogo só por uma noite: um vestido, uma peruca e um nome que não era o meu. Jamais imaginei que a garota do espelho me devolveria o olhar como se me esperasse.
Faltava pouco para fechar quando o sininho tocou. Entraram ele e ela, pediram renda preta e, sem saber, me ofereceram a tarde com que eu vinha fantasiando sozinha havia meses.
Há meses eu repito a mesma cena na cabeça durante a volta para casa. Hoje, quando o assento ao lado foi ocupado, quase perdi o fôlego.
Quando a janela do sótão cedeu ao vento, ele já não viu a criada que servia seu café: viu a mulher ensopada que sustentava seu mundo inteiro.
O roupão de papel mal me cobria. Quando as mãos quentes dele desceram pelas minhas costas, eu soube que aquela sessão não terminaria como eu imaginava.
Servi chá para ele relaxar, mas logo percebi que o trabalho não era a única coisa que o deixava tenso. E naquela noite resolvi fazer algo a respeito.
Subi as escadas mal conseguindo andar, com o vestido cheirando à noite inteira. Eu não sabia que minha mãe estava acordada, me esperando no corredor.
A caixa estava fechada havia meses no fundo do armário. Abri por curiosidade e, uma hora depois, tinha o celular gravando tudo o que meu corpo era capaz de sentir.
Baixei as persianas, desliguei o celular e, pela primeira vez, não parei para pensar no que era certo. Só segui o que meu corpo me pedia havia semanas.
Poucas vezes mando fotos: é perigoso. Mas aquele garoto me passou confiança, e entre meias pretas e mensagens de madrugada virei protagonista da fantasia dele.
Tinham se passado oito anos desde a última vez que eu me despi diante daquela câmera. Nessa noite voltei a ligá-la, e do outro lado ele ainda me esperava.
Nessa manhã não havia ninguém em casa para me ouvir. Só o espelho, meus saltos e a voz de um homem que vivia dentro da minha cabeça.
O grande desgraçado tinha usado o próprio corpo dela como inspiração, e agora ela tremia diante da tela sem saber se o que sentia era raiva ou desejo.
Eu tinha terminado todo o trabalho, não havia ninguém no andar e o calor me deixava inquieta. Naquela tarde, decidi brincar com fogo sobre a mesa.
São três da manhã, os lençóis roçam minha pele nua e sua lembrança não me deixa em paz. Confesso o que faço quando você não está para fazer isso.
Quando desci do carro vestida de marinheira, os seis amigos dos meus irmãos assobiaram, sem ainda saber qual era o meu segredo nem o que eu faria pelo homenageado.
Depilei-me inteira, vesti a calcinha preta e pintei os lábios de vermelho. Faltava uma hora para ele chegar, e eu já tremia sem nem tê-lo visto.
«Desce às nove. Bem tomado banho, depilado e sem roupa íntima. Hoje a gente vai te usar nós dois.» Desliguei o telefone com as mãos tremendo e comecei a contar as horas.