A tarde em que me arrumei para um desconhecido
Meu nome é Bianca quando me visto assim, embora esse nome não conste em nenhum documento meu. De vez em quando, a mesma febre volta em mim: sobe o descaramento por dentro, uma tesão que não se cala sozinha e que não baixa até eu deixá-la sair. Não é algo que eu decida. Ela vem, toma conta de mim inteira e exige ser atendida. E naquela tarde, quando voltei do trabalho com o céu já alaranjado, soube que era hora de me render outra vez.
Eu adoro essa etapa secreta, a do armário e do espelho, a da mulher que ninguém imagina que vive em mim. Joguei a bolsa na entrada, me despi sem pressa e entrei no banho com um plano claro na cabeça. Raspei o corpo inteiro, centímetro por centímetro, com cuidado especial na região do ânus por ser tão delicada e porque eu queria ficar perfeitamente lisinha ali. Passei a mão pelas minhas pernas para conferir que não ficasse nem um único fio, e a pele respondia lisa, pronta.
Saí do banheiro e fiquei andando nua pelo apartamento, deixando o ar me secar enquanto passava creme no corpo todo. Cheirava a coco e a algo doce. Quando já estava completamente seca, comecei o ritual de verdade: uma tanga preta justíssima, um sutiã preto de renda, meia-taça e fecho na frente, que levantava o pouco que eu tenho e fazia parecer muito mais. Uma cinta-liga violeta, ainda sem meias. Sandálias finas de tirinhas que afinavam meu tornozelo.
Na frente do espelho, pintei os lábios de um vermelho intenso, delineei os olhos com mão firme e ajeitei uma peruca de cachos longos que caía até a metade das costas. Me olhei. Já não era eu. Era ela, era Bianca, e ela estava pronta para abrir a porta.
Tenho que confessar o motivo de tanta produção. Havia semanas eu trocava mensagens com um homem. Mensagens longas, fotos pela metade, promessas. Nessa mesma manhã, finalmente os dois tínhamos nos animado para algo além de palavras: ele viria à minha casa. Fui eu quem o convidou, com uma ousadia que agora me parecia alheia, e a hora se aproximava sem remédio.
Eu estava nervosa. Não, eu estava apavorada. Não sabia o que esperar, não sabia o que ia fazer quando o tivesse na minha frente, se a voz ia sair ou se eu ia ficar muda, igual a uma idiota. Para me acalmar, decidi me arrumar ainda mais. Tirei do armário um vestido mini preto, aberto nas laterais quase até a cintura, e o deslizei por cima da lingerie. O espelho me devolveu uma mulher que parecia saber exatamente o que queria. Tomara que eu soubesse.
E então tocaram a campainha.
Tudo se mexeu dentro de mim, uma mistura de medo e de excitação adiantada que me deixou com as pernas bambas. Por um segundo pensei em não abrir, em ficar parada e deixar que ele se cansasse e fosse embora. Mas o telefone vibrou: estou lá fora, abre? Não havia volta. Respirei fundo, fui até a porta sentindo cada passo e a abri.
Ele me percorreu de cima a baixo com o olhar, devagar, sem disfarçar.
—Oi, amor. Como você está linda —disse, e a voz saiu rouca.
Não consegui responder nada. Só sorri e baixei os olhos com aquela coqueteria que surge sozinha quando a gente se sente desejada. Saí da frente para deixá-lo entrar e o convidei a sentar no sofá. Me sentei ao lado dele, tão perto que sentia o calor do corpo dele, e ele logo pôs a mão na minha coxa e começou a me acariciar.
Aquele toque me acendeu de uma vez. A mão dele era grande e quente, subia e descia pela minha perna nua com uma calma que me desesperava. Fiquei quieta, me deixando levar, mordendo o lábio para não soltar um gemido cedo demais.
—Quero te ver andando —murmurou de repente—. Levanta. Anda pra mim.
A ordem me excitou ainda mais, se é que isso era possível. Me senti uma mulher de verdade, uma fêmea sexy com um público de uma pessoa só. Levantei e caminhei o mais devagar e o mais provocante que consegui, exagerando o balanço dos quadris, sentindo o olhar dele cravado na minha bunda. Dei algumas voltas pela sala, como uma modelo numa passarela particular, e por fim parei na frente dele, com as pernas abertas, num convite mudo para que me tocasse onde quisesse.
Ele não fez cerimônia. Agarrou minhas nádegas com as duas mãos e me puxou para perto.
—Você me agrada muito —disse contra minha barriga, enquanto ia levantando meu vestido devagar, revelando a cinta-liga, a tanga, tudo o que eu tinha preparado para ele—. Senta na minha frente. Quero te mostrar uma coisa.
Sentei na beirada do sofá, diante dele, com o coração disparado.
—Quer ver o que eu tenho aqui dentro? —perguntou, levando a mão ao zíper da calça.
Eu estava tão quente que não pensava em outra coisa. Assenti sem hesitar. Ele abriu o zíper devagar, saboreando minha impaciência, e tirou um pau enorme, muito maior do que eu tinha imaginado, grosso e duro. Olhei para aquilo e senti uma mistura de respeito e de vontade louca de tê-lo dentro de mim. Mais do que medo, o que eu senti foi uma expectativa enorme, uma urgência de prová-lo inteiro.
Desci aos poucos até me ajoelhar entre as pernas dele. Pus as duas mãos sobre ele e comecei a acariciá-lo de cima a baixo, sentindo-o pulsar contra as minhas palmas. Levei a boca até lá, mas ainda não cabia. Comecei pela ponta, beijando-a, lambendo-a, abrindo a mandíbula o máximo que podia para meter o que coubesse.
Enfiei mais do que aguentava e senti que ia me engasgar, mas resisti alguns segundos antes de tirá-lo tossindo e tentar de novo. Uma e outra vez, ganhando um pouco mais a cada tentativa. Segui assim por um bom tempo, com saliva escorrendo pelo meu queixo, até que quase inteiro começou a entrar sem tanto esforço.
E enquanto eu mamava nele, pensava no que viria depois. Se minha boca tinha conseguido domar aquilo, minha bunda ia ter que fazer o mesmo com todo aquele animal. Só a ideia já me fazia apertar as coxas.
—Fica de quatro —ordenou, afastando-se e me olhando com um sorriso torto—. Vou te mostrar o que é um macho de verdade.
O ânus se contraiu sozinho só de imaginar. Subi no sofá, fiquei de quatro e desci a tanga até as coxas. Peguei o lubrificante que tinha deixado por perto, passei bastante e, com os dedos, me abri sozinha para ele, oferecendo-me sem pudor.
Ele se posicionou atrás. Primeiro passou a ponta entre minhas nádegas, deslizando de cima a baixo, roçando sem entrar, e esses roçadelas me davam um prazer elétrico que me fazia arquear as costas. Eu queria mais. Empurrei para trás, procurando, pedindo sem palavras.
—Calma —ele riu—. Já vai.
Encostou a cabeça na minha entrada e começou a pressionar devagar. Entrou alguns centímetros e parou, me deixando sentir a ardência e a dilatação. Depois mais um pouco, e outra pausa. Eu respirava fundo, relaxando, aceitando cada pedaço daquela carne dura. Demorou, mas ele soube esperar. E quando meu corpo finalmente cedeu, ele me colocou tudo, até o fundo, todo o comprimento e toda a grossura.
Soltei um gemido longo que nem reconheci como meu.
Começou o vai-e-vem, lento no início, ganhando ritmo aos poucos. Ele me comia gostoso demais, com a segurança de quem já estava muito acostumado com aquilo, de um homem que já tinha domado muitas como eu e sabia exatamente como. Foi me mudando de posição sem tirar tudo. Colocou uma perna minha sobre o ombro e entrou mais fundo. Me virou de lado e me socou daquele ângulo. Me dobrou de bruços contra o sofá e me cravou sem trégua, com todo o peso sobre mim.
Depois me ergueu pelo tronco e me sentou sobre ele, deixando o próprio peso me afundar até o fundo. Eu me agarrava ao encosto, montando nele, completamente perdida. Gritava, gemia, dizia coisas que depois não lembraria. Meus olhos reviravam e minha cabeça ia para outro mundo, para algum lugar que só existe nesses minutos em que a gente deixa de ser pessoa e vira puro corpo e puro desejo.
—Isso, assim —ele ofegava, marcando o ritmo com as mãos nos meus quadris—. Não para.
Eu não parei. Não teria conseguido nem se quisesse.
Ele acelerou até o impossível, me fodendo cada vez mais forte, até sentir o corpo inteiro tenso e explodir dentro de mim em vários jatos mornos. Foi uma loucura. Senti o pau dele inchar a cada descarga, pulsando dentro de mim, esvaziando-se uma e outra vez. Perdi a conta de quantas vezes ele gozou. Meu corpo recebeu tudo, agradecido, como se fosse para isso que eu tivesse me arrumado tanto.
Ele ficou quieto por alguns segundos, respirando contra minha nuca. Depois saiu devagar.
Me virou de frente para ele e, sem dizer nada, aproximou-se do meu rosto. Entendi a ordem antes mesmo de ele falar. Abri a boca e o recebi de novo, limpando-o com a língua, beijando-o, chupando-o devagar até que, inacreditavelmente, ele ficou duro outra vez. E então gozou uma segunda vez, dessa vez no meu rosto.
Adorei me sentir assim, marcada, lambuzada, com o rosto e a boca cheios dele. Senti-me mulher por inteiro, uma mulher capaz de fazer um homem gozar daquele jeito, duas vezes, sem ele mover quase um dedo. Fechei os olhos e aproveitei aquele instante como um troféu.
Terminamos e ficamos um tempo largados no sofá, recuperando o fôlego, com as pernas enroscadas. Não conversamos muito. Não era preciso.
Quando ele se vestiu para ir embora, inclinou-se e me deu um beijo numa nádega, como uma assinatura, como uma promessa.
—Te ligo —disse da porta.
E ele cumpriu. Mas essa segunda vez, quando ele me procurou de novo e me tomou de novo igual ou melhor do que naquela tarde, é outra história. Uma que também vale a pena contar.