Espero meu macho caminhoneiro até a madrugada
Ele me ligou no fim da tarde para avisar que chegaria tarde. Naquela altura, eu já tinha começado a me preparar: a peruca, a maquiagem, o plug. Só faltava ele.
Ele me ligou no fim da tarde para avisar que chegaria tarde. Naquela altura, eu já tinha começado a me preparar: a peruca, a maquiagem, o plug. Só faltava ele.
Cruzei olhares com ele na lanchonete da área de serviço. Soube que ele ia me seguir até o banheiro, e soube que dali eu não sairia igual a como entrei.
Quando entrei no táxi rumo aos arredores, ainda podia desistir. Não desisti, e horas depois me arrependeria com os pulsos amarrados à cabeceira da cama dele.
Eles eram um tio e seu sobrinho, dois brutamontes da academia que vinham me olhando havia semanas. Naquele domingo, algo no ar mudou para sempre.
Eu o vi na varanda do porto: alto, barbudo e de costas largas. Marcos me olhou de relance e soube que nós dois pensávamos a mesma coisa.
Morávamos na mesma quadra e fingíamos ter esquecido os jogos de infância — até uma volta de bicicleta no inverno fazer minha mão ir parar onde não devia.
Fazia meia hora que eu o olhava de soslaio quando ele me falou. Atrás das rochas, nenhum dos dois tinha intenção de voltar a se vestir no resto da tarde.
Resolvi uma crise na aduana e o cônsul me convidou para sua residência. Não imaginei o que me esperava no fundo do jardim, nem o que viria depois.
Conversamos por meses no chat antes de nos vermos ao vivo. Quando o vi na entrada do teatro, soube que aquela noite não terminaria como eu planejava.
Naquela tarde de sexta-feira, com a segunda taça de vinho na mão, Valeria me olhou diferente e começou a me contar o que fazia nos fins de semana.
Eu estava ali, com o balde de champanhe nas mãos, ouvindo cada gemido, cada rangido da cama. E não fui capaz de me afastar.
Cheguei ao apartamento deles com vontade de beber cerveja e matar o tempo. Saí com a bunda dolorida, a boca com gosto de porra e um sorriso que não conseguia esconder.
Ela entrou na sala andando devagar, com o rosto pálido e um gesto de dor ao se sentar que não dava para disfarçar. Levei dias para arrancar a verdade.
Éramos dois sócios casados, um utilitário esportivo caro e duzentos quilômetros pela frente. Eles tinham vinte anos e uma atitude que mudou tudo.
Éramos dois na cama, a luz baixa, suas pernas sobre as minhas. Eu disse que vinha pensando havia semanas em algo que não sabia como pedir.
Saí antes do amanhecer com o corpo pronto e uma única ideia: cruzar a estrada depois de me entregar a quantos motoristas parassem.
Eu descia de madrugada até o colchão no chão onde ele dormia, me cobria com os lençóis e ficava ali até acabar. Quase nunca nos pegavam.
Quando Bruno apagou o baseado e me olhou daquele jeito, eu soube que a noite terminaria de um jeito bem diferente de como tinha começado. E nenhum dos dois se arrependeu.
Lá fora, a neve caía sem parar. Dentro, do outro lado da parede, alguém gemia. E eu tinha minha tia dormindo ao meu lado, com o roupão mal fechado.
Mal saímos do estacionamento, ela desabotoou o botão da calça e sussurrou: procura um terreno baldio, um beco, qualquer coisa. Não posso chegar assim em casa.