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Relatos Ardientes

O que ouvi naquela noite do corredor

Trabalhava havia vinte anos na hotelaria e achava que já tinha visto de tudo. Os turnos da madrugada no Gran Palace têm essa particularidade: entre onze da noite e seis da manhã, o tempo anda de outro jeito. Os hóspedes que ficam são sempre os mais interessantes. Os que chegam tarde vêm com uma intenção muito específica.

Nessa noite eu estava sozinha na recepção, conferindo a agenda do dia seguinte, quando ouvi o salto. Aquele ritmo seco, confiante e regular sobre o mármore do saguão, o som de alguém que sabe exatamente para onde vai. Levantei os olhos e a vi.

Devia ter uns trinta e cinco anos, embora os carregasse com uma desenvoltura que dificultava calcular a idade. Vestido vermelho justíssimo, ombros de fora, uma pequena clutch dourada que segurava com dois dedos. Mascando chiclete com uma cadência preguiçosa, os olhos percorreram o lobby antes de pousarem em mim, me avaliando em menos de dois segundos.

— Boa noite — disse, usando o tom profissional que eu vinha aperfeiçoando havia duas décadas —. Em que posso ajudá-la?

— Em bastante coisa, linda — respondeu. Tinha uma voz grave e rouca para alguém tão jovem, o tipo de voz de quem está acostumado a chamar atenção —. Estou procurando o senhor Ricardo Fuentes. Quarto quarenta e dois.

Consultei o sistema. Nas observações da reserva havia uma nota sucinta: "É permitido o acesso de uma acompanhante ao quarto." Em cinco anos naquele hotel, aprendi a ler esse tipo de observação sem piscar, sem mudar a expressão, sem perguntar nada que não fosse estritamente necessário.

— Claro. Seu nome para o registro?

— Valentina — respondeu, com um sorriso de canto que não chegava completamente aos olhos.

A acompanhei até os elevadores. Os saltos marcavam cada passo sobre o mármore com uma precisão quase musical, e meus sapatos baixos não faziam nenhum som. O contraste me pareceu estranhamente incômodo, como se eu fosse o elemento silencioso e irrelevante naquela cena.

Dentro do elevador, o espaço era reduzido. Ela se encostou na parede espelhada e me olhou direto, sem o desconforto que a maioria das pessoas sente ao dividir um cubículo pequeno com um desconhecido. Me olhou como se já soubesse há muito tempo coisas sobre mim que eu mesma ignorava.

— Faz muito tempo que você trabalha aqui? — perguntou.

— Cinco anos neste hotel. Vinte na indústria.

Ela soltou um assobio baixo, quase imperceptível. — Vinte anos sendo uma menina boazinha — disse, e, embora não houvesse malícia no tom, a frase me atingiu de um jeito que eu não esperava.

Não respondi.

O elevador abriu no quarto andar. A acompanhei até a porta do 42 e bati duas vezes com os nós dos dedos.

Ricardo abriu: uns cinquenta anos, barba feita impecavelmente, cabelo grisalho, o robe do hotel entreaberto sobre uma camisa escura. Lançou um olhar rápido para mim e então desviou os olhos para Valentina com um sorriso que deixava claro que eu já tinha deixado de existir.

— Finalmente você chegou — disse.

— O bom é o que se faz esperar — respondeu ela, passando por ele com a naturalidade de quem entra na própria casa.

Antes que a porta se fechasse por completo, Valentina virou a cabeça na minha direção. Só um instante, o tempo exato para que os olhos dela encontrassem os meus. — Também atendo mulheres — disse, em voz baixa —. Caso um dia você fique curiosa. Tenho a língua treinada para fazer chorar as que se acham frias.

A porta se fechou com um clique seco.

Fiquei no corredor por três ou quatro segundos, olhando para a madeira sem me mover, com o meu sexo de repente consciente de si mesmo por baixo da saia.

***

Desci para buscar o champanhe que Ricardo tinha pedido por telefone interno. No bar de serviço, o ambiente era outro mundo: louça, vapor da cozinha, o garçom do turno com três pedidos em cima. Perguntei se ele podia subir com o pedido até o 42.

— Impossível — me disse sem diminuir o passo —. Tenho que atender o terceiro agora mesmo.

Peguei eu mesma o balde de prata com gelo e a garrafa e subi de novo.

O quarto andar estava silencioso quando saí do elevador. O carpete abafava qualquer som, e a iluminação do corredor era aquela luz quente e baixa que os hotéis de categoria usam para sugerir intimidade. Segui até a porta do 42 com os nós dos dedos prontos para bater.

E então ouvi.

Um gemido. Baixo, controlado, atravessando a madeira sem dificuldade. Depois, a cama: aquele rangido rítmico que só pode ter uma interpretação.

Parei.

Não sei exatamente o que me fez ficar em vez de bater. Talvez a curiosidade. Talvez vinte anos de noites tranquilas acumulando uma tensão que eu nem sabia que existia. O fato é que não ergui os nós dos dedos. Fiquei imóvel, com o balde nas mãos, ouvindo.

O ritmo da cama era lento no começo, exploratório. Ricardo soltou um som grave vindo do fundo da garganta, o tipo de gemido que um homem emite quando algo começa a passar do que ele consegue conter em silêncio. Valentina respondia com gemidos curtos e precisos, uma cadência que soava ao mesmo tempo calculada e genuína, como alguém que conhece exatamente o efeito de cada nota, mas também está sentindo tudo aquilo.

E então a ouvi falar, mais alto, sem nenhum filtro, como se soubesse que eu estava ali.

— Assim, papi, me mostra essa rola… olha como ela endurece pra mim… enfiA na minha boca, vai, até o fundo.

O rangido da cama parou e veio outro som: úmido, ritmado, inconfundível. Valentina estava chupando ele. Ouvi o estalo da saliva, o jeito como ela engasgava e recomeçava, aquele ruído concreto de uma boca engolindo uma pica até a garganta e ficando ali um segundo antes de recuar. Ricardo soltou um grunhido longo, vindo das profundezas, o som de um homem tendo o cérebro esvaziado pela língua.

— Que delícia você é, puta — ele ofegou —. Chupa tudo, não deixa nada.

— Mmmh… você tem uma rola linda, grossa do jeito que eu gosto. Deixa eu chupar devagarinho, assim, tá vendo como escorre? Toda molhada da minha saliva. Me fode a boca, Ricardo. Me pega pelo cabelo e mete como se fosse uma buceta.

Tenho que bater na porta. Deixar o balde e descer.

Não me mexi.

Senti calor no pescoço. Um calor que descia, que se instalava entre as pernas com uma insistência impossível de discutir. Coloquei o balde no carrinho de serviço ao lado da parede e encostei as costas na madeira da porta. Só para ouvir melhor, disse a mim mesma. Só mais um instante.

O som da mamada se intensificou. Ouvi Ricardo empurrar o rosto dela, o barulho molhado ficou mais brusco, mais fundo, aquelas ânsias contidas da garganta que se abre para receber tudo o que metem nela. Valentina gemia com a boca cheia, e esses gemidos vibravam contra a carne dele como uma tortura calculada.

— Chega, chega, vou gozar — ofegou Ricardo —. Ainda não.

— Calma, papi. Vem, me come agora. Olha como a minha buceta ficou molhada de te chupar. Me pega por trás e me mete de uma vez, sem enrolar.

Ouvi o rangido da cama recebendo o peso dos dois. Depois o som mais obsceno de todos: o barulho molhado de uma pica entrando numa xana encharcada, de uma vez só, até o fundo. Valentina gritou, um grito agudo, real, sem nenhuma polidez profissional no meio.

— Ai, sim! Assim, inteira, ai… olha como você tá me enfiando!

Desabotoei o primeiro botão da minha camisa.

Vinte anos de carreira impecável.

O ritmo da cama começou. Pancadas secas, ritmadas, a cabeceira batendo na parede com um compasso firme e constante que preenchia o corredor inteiro apesar da madeira. E por baixo, aquele som inconfundível de carne contra carne, da coxa dele chocando contra a bunda dela, da buceta dela engolindo a rola e devolvendo-a repetidamente.

Desabotoei o segundo botão. Depois o terceiro. Enfiei a mão dentro do sutiã e apertei o mamilo, que estava tão duro que doeu ao toque.

— Me fode forte, Ricardo, me fode como uma cadela, vai mais forte que eu não quebro. Me pega nos peitos. Isso. Isso. Aperta forte, me deixa marcada.

— Que buceta gostosa, olha como aperta a minha rola, não afrouxa nunca esse xoxota…

— É tudo seu esta noite, é seu, me fode, me arrebenta…

Fechei os olhos. Meus dedos encontraram a barra da saia. Levantei-a devagar, sem pensar, como se outra pessoa estivesse fazendo aquilo. O corredor estava completamente vazio. Não havia ninguém no mundo naquele momento além de mim, da porta do 42 e daqueles sons que chegavam direto ao meu corpo.

Me toquei por cima da calcinha e o contato foi uma descarga que percorreu do baixo ventre aos ombros. A calcinha estava encharcada, grudada nos lábios, e eu podia sentir meu próprio cheiro subindo até o nariz.

Afastei o tecido para o lado. Os dedos afundaram na carne quente de uma buceta que fazia anos não me pedia nada com tanta urgência. Procurei o clitóris devagar, para cima e para baixo, e quando o encontrei precisei morder o lábio para não soltar um gemido.

Lá dentro, o ritmo mudou. A cama freou por um segundo e ouvi a voz de Valentina, mais baixa, quase ronronando.

— Agora vira. Me põe de bruços e me segura pelo cabelo. Quero que você me coma assim, com a cara no colchão. E cospe no meu cu, papi, cospe bem, que depois eu deixo você meter também.

Ouvi o cuspe. Ouvi o gemido gutural de Ricardo. Ouvi o som mais grave, mais lento, de uma rola começando a forçar a entrada de um cu apertado, milímetro por milímetro, enquanto Valentina gemia com uma mistura de dor e triunfo.

— Devagar, devagar… assim, ai, sim, um pouquinho mais… mete tudo, vai, já tá, já entrou inteiro. Agora me come o cu como deve ser. Forte. Sem parar.

Os golpes recomeçaram, desta vez mais profundos, mais brutais. A cabeceira repicava contra a parede como um batimento descontrolado. Ricardo rosnava a cada investida, e Valentina soltava uma ladainha obscena de "isso, isso, isso, assim, papi, assim, arrebenta, não para, me come toda".

Eu me tocava no corredor, com dois dedos já dentro e o polegar no clitóris, acompanhando o mesmo compasso da cama do 42. Podia sentir os músculos internos se apertando ao redor dos meus próprios dedos, contraindo e relaxando como se tivessem vida própria. A outra mão continuava dentro do sutiã, massageando meu peito, puxando o mamilo entre os dedos até doer.

— Estou quase gozando, Ricardo, estou quase gozando, não para agora, não para… ai, ai, AI.

Valentina soltou um grito agudo que deve ter sido ouvido nos quartos dos dois lados. Ricardo respondeu com um rugido gutural que foi crescendo até se romper em ofegos curtos e animalescos.

— Dentro ou fora? — conseguiu rosnar ele.

— Dentro, no cu, deixa tudo dentro, papi, me enche, me enche, ai, sim, sim, goza tudo dentro de mim…

O clímax dela foi o meu também. Ouvi o último impulso, aquela pancada seca e profunda, e o gemido rouco de Ricardo se esvaziando. E, no mesmo instante, meu próprio orgasmo subiu dos joelhos até a nuca, silencioso e devastador, enquanto eu mordia o lábio inferior com tanta força que senti gosto de ferro na boca. Minhas pernas tremiam. Minha buceta latejou ao redor dos dedos com contrações longas, sustentadas, cada uma puxando a anterior sem me deixar respirar.

Lá dentro, a tempestade ia chegando lentamente ao fim. Ouvi Valentina rir baixinho, satisfeita, aquele tipo de risada que sai depois de um bom orgasmo. Ouvi Ricardo respirar como se tivesse corrido dez quadras.

Fiquei encostada na madeira, com a saia ainda levantada, os dedos brilhando e pegajosos, sem me mover.

***

Me recompondo em menos de dois minutos. Duas décadas de gestão de situações imprevistas ensinam a voltar ao modo profissional numa velocidade que às vezes surpreende até a própria pessoa. Limpei os dedos com um lenço do bolso, ajeitei a roupa, abotoei a camisa de baixo para cima, alisei a saia com as palmas das mãos. Ainda sentia a buceta pulsando, inchada, ainda sentia o sêmen alheio como se fosse meu. Peguei o balde.

Bati duas vezes.

Ricardo abriu com o cabelo ligeiramente despenteado e o robe mal amarrado, mas com a expressão tranquila e satisfeita de quem acabou de consumar exatamente o que queria. Me olhou com aquela distração amistosa que os homens têm nesse estado. — Você demorou — disse, sem hostilidade real —. Obrigado.

Por trás dele consegui ver, no espelho do corredor interno da suíte, Valentina jogada de bruços na cama revirada, nua, um fio branco escorrendo entre as nádegas. Ela me olhou daquele espelho. E sorriu.

Tomou o balde. A porta se fechou.

Desci para o lobby.

***

Vinte minutos depois ouvi os saltos. Aquele ritmo inconfundível sobre o mármore. Valentina atravessou o saguão rumo à saída parecendo absolutamente impecável: o batom vermelho intacto, a clutch dourada na mão, aquela postura de quem termina um dia de trabalho bem feito e sabe disso.

Parou diante do balcão.

Deixou um cartão de visita sobre o mármore. Um retângulo branco com o nome e um número de telefone, sem mais explicações.

— Caso um dia você queira algo diferente do champanhe — disse.

Ela enfiou a mão na clutch e tirou algumas notas. Deslizou-as até mim com a naturalidade de quem já fez esse gesto milhares de vezes.

— Isso por quê? — perguntei.

— Pela atenção — respondeu. E no sorriso dela havia algo que me disse que ela sabia de tudo. Que sabia desde o começo, desde o exato momento em que me deixou sozinha naquele corredor —. Você foi uma plateia perfeita, boneca. As portas de hotéis quatro estrelas são mais finas do que a gente imagina. E as mulheres que se tocam do lado de fora também podem ser ouvidas. A respiração muda quando você goza, sabia?

Senti o rubor subir até as orelhas.

— Na próxima vez — acrescentou, inclinando-se levemente sobre o balcão, tão perto que senti o perfume misturado com um leve rastro de sexo recente —, em vez de se tocar contra a porta, você entra. Eu te deito na cama, abro suas pernas e chupo essa buceta até você me pedir por favor para parar. E faço de graça, boneca. Com mulheres como você eu não cobro. Cobro para trabalhar.

Ela piscou para mim, mandou um beijo no ar e saiu pela porta giratória sem olhar para trás.

Fiquei sozinha com o silêncio da recepção, o cartão dela na minha mão, as notas sobre o balcão, a calcinha ainda úmida grudada no corpo e a certeza de que, naquela noite, eu tinha cruzado algum limite do qual não tinha nenhuma pressa de voltar.

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