Vesti-me de mulher e saí à procura de um desconhecido
Nunca tinha saído para a rua vestida assim. Naquela manhã, com a casa só para mim, decidi que era o dia de cumprir a fantasia que me tirava o sono.
Nunca tinha saído para a rua vestida assim. Naquela manhã, com a casa só para mim, decidi que era o dia de cumprir a fantasia que me tirava o sono.
Eu o conhecia desde o ensino médio como o mais macho da sala. Ontem ele me viu transformada em outra e, no dia seguinte, sua mensagem não deixava dúvidas.
Toda manhã é igual: abro os olhos com o corpo em chamas e a cama revolta, sabendo que nenhum travesseiro vai bastar para acalmar o que eu realmente peço.
Disquei o número que ele me deu na estrada sem saber seu nome. Em duas horas ele estaria na minha porta, e eu já tinha colocado a peruca loira e os saltos mais altos.
Durante quatro dias, o papelzinho com seu número queimou no meu bolso. Toda noite eu lembrava daquela umidade escorrendo e soube que ia ligar.
Nunca o vi pessoalmente. Só precisei das minhas palavras, de um altar de velas e da certeza de que um homem pode se ajoelhar diante de alguém que nunca lhe devolverá o gesto.
“E não te importa que ela tenha pau?”, soltou o primo antes de nos apresentar. Respondi que primeiro queria conhecê-la. Na mesma noite, terminei de joelhos aos pés dela.
Ele me ofereceu dinheiro para se ajoelhar. O que eu não disse é que, uma vez no chão, seria eu quem decidiria quanto cada centímetro lhe custaria.
Eu achava que só assistiria à filmagem do filme mais sujo da Europa. Não me avisaram sobre as duas poltronas nem sobre a mulher ao meu lado.
Os pés dela estavam inchados pelo jogo e ela tinha um sorriso de quem sabia de tudo. Eu só queria me ajoelhar e mostrar até onde estava disposto a ir.
A bunda oferecida dela, o chicote ainda sem uso na minha mão e ela implorando que eu começasse. Mas o prazer do amo é outro: fazê-la esperar até que medo e desejo se confundam.
Quando a anestesia passou e ele abriu os olhos, já estava nu, algemado a uma cadeira e cercado por quatro mulheres que esperavam por esse momento havia um mês.
Sou uma travesti de armário. Passei meses obedecendo aos seus e-mails quando ele me escreveu que viria à minha cidade, e eu soube que naquela tarde ele faria comigo tudo o que me tinha ordenado.
Ela sempre fora quem empunhava a coleira. Naquela noite, acorrentada ao potro, descobriu que até as rainhas acabam ajoelhadas diante de uma ama mais cruel.
Ele me conheceu quando eu era um garoto tímido. Anos depois, abri a porta vestida e maquiada, e vi em seus olhos que já não restava nada do amigo que ele pensava conhecer.
Quero colocar a peruca, me maquiar e me entregar a um desconhecido que tenha lido minhas histórias. Uma única noite, sem compromissos, antes que seja tarde.
Quando fecho a porta, abro a gaveta, pego o perfume que ele escolheu para mim e me transformo em quem eu realmente sou. Só ele sabe.
Maquiei-me por vinte minutos, coloquei a peruca castanha e abri a porta do hotel quando bateram. Esperei por aquele momento por anos sem saber que o esperava.
Marcos assinou o contrato sem ler. Quando o trancaram sob a privada do Clube Ónix, já era tarde demais para se arrepender.
Depois de meses em cativeiro, o último que Valeria esperava era que a própria Sofia pedisse para ser algemada. Mas foi assim que começou aquela primeira noite.