A rainha subjugada na masmorra da confraria
O trajeto até a adega foi um desfile silencioso de vontades quebradas. Vera caminhava com o peso de quem já havia vencido a guerra, suas botas ressoando contra o chão de terra do Recinto com uma autoridade que não precisava de palavras. Atrás dela, a corrente que prendia Nadia e Tobias tilintava num ritmo metálico, lembrança constante de tudo o que haviam perdido.
Nadia, apesar da humilhação, mantinha a mente acesa como uma brasa na escuridão. Seu intelecto de caçadora trabalhava a todo vapor, analisando cada ângulo, cada possível dor, tentando erguer um muro psicológico que a protegesse do que estava por vir. Sabia que Vera não era como os guardas: a ruiva apreciava o processo técnico da destruição.
Ao cruzarem o umbral, o ar se tornou denso, saturado de couro velho, óleo mineral e suor rançoso. Nadia não se abalou ao ver a cena. As paredes estavam revestidas com uma coleção quase cirúrgica de chicotes, chibatas de fibra de vidro e mordaças de aço que brilhavam sob a luz amarelada de um único refletor. O centro do aposento era dominado por um potro de madeira maciça, cujos veios haviam escurecido após anos de uso. Não era uma masmorra para castigar, mas para apagar identidades.
Sem dizer uma palavra, Vera segurou-a pelo pescoço e a forçou contra a madeira fria do potro. Com eficiência mecânica, imobilizou-a: os pulsos presos em algemas de ferro, o pescoço encaixado no cepo superior, a cabeça obrigada a olhar para baixo. Depois ancorou seus pés aos suportes, esticando-lhe o corpo até que cada tendão protestasse contra a tensão. Rasgou de um puxão seco o tecido que cobria suas nádegas, deixando sua bunda e sua boceta completamente expostas, à mostra, com as nádegas separadas pela própria posição do potro.
—Eu sempre soube que você acabaria em minhas mãos, morena —sussurrou Vera, rompendo o silêncio com uma voz carregada de satisfação profissional—. As rainhas sempre caem. E eu adoro recolher os pedaços. Veja que bunda bonitinha você tem, tão apertadinha. Vai ser uma pena quebrá-la.
Nadia, com o rosto pressionado contra a madeira, virou a cabeça o suficiente para cravar nela um olhar de ódio puro.
—Faça o que tiver de fazer —cuspiu, com um último lampejo da caçadora brilhando nas pupilas.
Vera soltou uma risada seca e, sem aviso, encaixou-lhe uma mordaça de couro rígido, apertando as correias até sua mandíbula estalar.
—Você sabe que eu odeio gritos. São pouco profissionais —sentenciou, desaparecendo nas sombras atrás de sua presa.
Nadia fechou os olhos, preparando-se para o fogo da chibata. Os segundos passaram. O silêncio era absoluto, quebrado apenas pelo latejar descontrolado do próprio coração. O suor escorria por suas costas, mas o golpe não vinha. A expectativa começou a ser mais lacerante que a própria dor. De repente, ouviu passos irregulares arrastando-se pelo chão.
Vera reapareceu em seu campo de visão, mas não trazia uma arma. Trazia Tobias pela coleira.
O homem era um trapo. Seu rosto inchado e arroxeado pela surra que Darko lhe dera era a própria imagem da derrota. Tobias, que certa vez vendera a alma a Nadia por pura devoção, agora olhava para o chão com olhos de cordeiro prestes a morrer. Vera parou-o bem diante do potro, obrigando-o a testemunhar a absoluta vulnerabilidade de sua antiga ama.
—Cão de merda, diga quem manda —latiu ela, puxando a corrente com uma violência que fez suas vértebras estalarem.
Tobias ergueu os olhos devagar. Olhou para Nadia, presa e amordaçada, e depois para Vera. Em sua mente fragmentada pelo trauma ocorreu uma epifania sombria: lealdade não era um compromisso, mas um instinto dirigido àquele que empunhava o chicote. Nos olhos da ruiva viu a mesma maldade absoluta que havia nos de Darko, uma força da natureza contra a qual não era possível lutar.
—A senhora... a senhora manda —sussurrou, com a voz quebrada pela submissão total.
Descobrira a verdade do Recinto: quem segura a coleira tem razão. Nadia, por trás da mordaça, soltou um gemido de fúria sufocada. Ver seu último aliado reconhecer outra como dona foi um golpe mais profundo que qualquer marca na pele. Era o fim de seu pequeno universo de poder. Vera sorriu, acariciando a cabeça de Tobias como se ele fosse um animal domesticado, enquanto seus olhos se cravavam nas costas nuas da morena.
***
A atmosfera tornou-se elétrica. Vera, num movimento brusco, deu um tapa em Tobias que ressoou seco contra as paredes de chapa. Sem lhe dar tempo para se recuperar, agarrou-o pelos cabelos e obrigou seus olhos humilhados a se fixarem nas pupilas gélidas da dominadora.
—Eu sou sua ama, e isso é a única coisa que seu pequeno cérebro precisa processar —sibilou—. O resto da sua existência é ruído.
Atirou-o contra o concreto frio com absoluto desprezo. Tobias bateu no chão, mas não houve queixa.
—Beije meus pés, lixo —ordenou.
Naquele instante, algo terminou de se quebrar e de se soldar ao mesmo tempo dentro dele. Sentiu um espasmo de excitação violenta sob a frieza de sua jaula de castidade: amava o peso do poder da ruiva sobre si. Com uma devoção que beirava o religioso, começou a lamber e beijar o couro de suas botas, subindo por sua pele com uma urgência patética. Em sua cabeça, Vera era agora o sol ao redor do qual orbitava toda a sua vida. Quebrado e arruinado, ele só desejava uma mão dura que o tratasse como o desperdício que sentia ser.
Nadia, da imobilidade do potro, sentiu uma pontada de orgulho perverso. Apesar de tudo, analisou Tobias com olhos clínicos: seu trabalho de meses o transformara no escravo perfeito. Moldara uma argila tão maleável que agora servia a outra dona com a mesma intensidade. É perfeito, pensou, embora a ironia de estar presa enquanto sua criação florescia lhe amargasse a boca.
Vera afastou-se com indiferença até uma mesa de metal onde repousava uma maleta de couro preto. Retirou uma seringa cheia de um líquido âmbar e, sem aviso, enterrou a agulha no braço de Tobias.
—Isto é para fazer seu motor funcionar a mil rotações —murmurou. Em seguida, tirou uma pequena chave dourada e libertou a jaula de castidade, que caiu no chão com um tilintar definitivo.
O pau de Tobias, comprimido durante semanas sob o aço, saltou para fora inchado, vermelho, pulsando. A droga correu por suas veias como fogo líquido, dilatando suas pupilas e transformando sua respiração num ofegar animal. O membro ficou duro como uma barra em questão de segundos, já brilhando com seu próprio líquido pré-seminal. Vera apontou para ele com a ponta da chibata e sorriu.
—Olhe só, cão. Veja que pica fica quando eu deixo. Esse pau já não é seu, é meu. E hoje vou lhe emprestar um buraco para você usá-lo.
Virou a chibata e apontou para a bunda exposta de Nadia.
—Quero que você coma ela —ordenou com frieza administrativa—. Quero ver como você arrebenta a bunda dessa estúpida. Enfie até os colhões, sem lubrificante, sem piedade. É hora de ela entender que é aqui que sua vida acaba para sempre.
Tobias hesitou por um segundo. No fundo de sua psique ainda restava um resíduo de respeito, ou talvez de terror, pela mulher que primeiro o possuíra. Olhou para Nadia, em dúvida. A resposta veio na forma de um golpe seco na mandíbula.
—Faça, cão! —rugiu a dominadora—. Foda-a como a puta que ela é.
Ele voltou a olhá-la. Vê-la assim, reduzida a um corpo imobilizado, com a cabeça presa, as nádegas separadas e o cu rosado apontado para o teto pela tensão do potro, fez sua virilidade reagir com uma violência que o assustou. Não sabia se era a substância em seu sangue ou a realização de uma fantasia proibida: profanar sua antiga ama, um sonho que poucos dias antes parecia impossível. Levantou-se, tremendo, com o pau apontado para a frente como uma lança, e posicionou-se atrás dela. Agarrou-lhe os quadris com as duas mãos, cravando os dedos na carne, e abriu sua bunda com os polegares para enxergar bem o que iria estrear.
Os olhos de Nadia se arregalaram sob o suor. O pânico, pela primeira vez, perfurou sua armadura de frieza. Aquele território jamais havia sido reivindicado por ninguém: o último bastião de sua integridade física. Sua bunda era virgem. Sentir o calor do corpo excitado de Tobias, o cheiro de suor e droga, a glande pulsante deslizando entre suas nádegas e procurando o orifício revirou-lhe as entranhas. Ainda assim, cerrou os dentes atrás da mordaça. Aguente, ordenou a si mesma. Se quisesse recuperar a liberdade algum dia, teria de sobreviver à demolição da própria carne.
***
O ar saturou-se de um zumbido elétrico. Tobias, impelido pelo frenesi químico, cuspiu sobre o cu de Nadia e esfregou a ponta do pau contra o pequeno anel enrugado. Ela contraiu cada músculo, tentando fechar a última porta de sua dignidade, apertando o esfíncter com todas as forças. Mas ele empurrou, apoiando o peso do corpo, e a glande começou a forçar a entrada. Sentiu a carne ceder milímetro a milímetro, uma pressão abrasadora que parecia rasgá-la por dentro. A coroa do pau atravessou o anel com um estalo úmido e a penetrou de uma vez. Um grito surdo e agonizante ficou preso no couro da mordaça enquanto ele mergulhava até os colhões com uma estocada bestial que a fez bater violentamente contra a madeira.
—Assim, cão —ofegou Vera de um lado, com a chibata apoiada no próprio ombro—. Enfie até o fundo. Faça-a sentir cada centímetro. Enfie até as tripas.
Tobias obedeceu como um autômato drogado. Retirou o pau quase até a borda, deixando à mostra o brilho da bunda aberta de Nadia esticada ao redor da glande, e voltou a enterrá-lo com uma estocada seca. As nádegas da morena estalavam contra os quadris do homem a cada investida, produzindo um som carnudo que ressoava na adega. Ela arfava, babando ao redor da mordaça, com lágrimas de raiva escorrendo pelo rosto. A dor subia por sua coluna em ondas: era como se um ferro quente lhe abrisse o intestino a cada empurrão.
—Veja como a rainhazinha chora —zombou Vera, aproximando-se e segurando-lhe o queixo—. Seu maldito rímel de puta está escorrendo. E o pior ainda está por vir. Está sentindo esse pau na bunda, Nadia? É seu cão fiel que está arrebentando você. Sua criatura. Sua obra-prima. Não está orgulhosa?
Naquele momento de máxima vulnerabilidade, Vera surgiu diante dela segurando uma máquina de raspar que ronronava metalicamente.
—Você não é mais nada, Nadia. Apenas uma cadela. E minhas cadelas andam raspadas —sentenciou.
Sem a menor delicadeza, afundou as lâminas em sua testa. As mechas escuras, que sempre haviam emoldurado sua beleza fria e calculista, começaram a chover sobre o chão imundo, misturando-se ao suor e à poeira. Nadia sacudia a cabeça desesperadamente, num movimento instintivo para salvar o último vestígio de sua identidade, mas o cepo a mantinha imóvel. Cada passada da máquina era um lembrete de que seu status estava sendo apagado para sempre.
Tobias, alheio a tudo, investia com uma cadência brutal. Agarrou-lhe a cintura para obter melhor apoio e mudou o ritmo, agora cravando o pau em sua bunda com estocadas curtas e rápidas que a faziam ranger contra a madeira. A mente de Nadia era um turbilhão de agonia: a dor lancinante da bunda violada misturava-se à humilhação de sentir o crânio ficar nu, ao nojo de ouvir o chapinhar obsceno do próprio corpo sendo perfurado. Sua vontade gritava para que resistisse, mas o corpo começou a traí-la. A droga não apenas tornava Tobias mais resistente; as estocadas eram tão rítmicas e profundas que roçavam por dentro suas paredes internas, e aquela fricção constante começou a irradiar um calor traiçoeiro em direção à sua boceta. Sentiu, horrorizada, a vulva umedecer, os lábios incharem, o clitóris pulsar entre as pernas abertas. A dor inicial começou a se transformar em excitação involuntária. Seus gritos, antes de puro sofrimento, começaram a ganhar gemidos roucos que denunciavam um clímax forçado. Um fio transparente já escorria pela parte interna de sua coxa.
—Veja só —murmurou Vera, deslizando dois dedos por sua boceta encharcada e mostrando-os diante de seu rosto, brilhantes—. Você está pingando, puta. Está gostando que arrebentem sua bunda. É uma safada fingida, Nadia. Uma safada de merda que banca a durona enquanto se molha como uma vadia.
Ao terminar de raspá-la, desligou a máquina e observou com desprezo o couro cabeludo arroxeado e os olhos revirados pelo prazer indesejado. Com um gesto seco, tirou o controle remoto da coleira e apertou o botão.
Uma descarga de alta voltagem percorreu a coluna de Nadia, arqueando seu corpo com uma violência que quase rompeu suas amarras. O prazer evaporou instantaneamente, substituído pelo cheiro de carne queimada e por um grito de agonia pura. Todos os seus músculos se contraíram, apertando a bunda ao redor do pau de Tobias com tanta força que o homem gemeu como um animal.
—Ninguém lhe deu permissão para sentir prazer, cadela —sibilou Vera, dando-lhe um tapa que lhe virou o rosto—. Que patética você está, com a bunda cheia de pau e a boceta pingando. Você me lembra tanto sua irmã...
Nadia, tremendo pelo choque, ergueu os olhos enevoados. Pensou em Carla, a mulher altiva que vira sair da adega poucas horas antes.
—Mas não se preocupe, um destino menos... definitivo espera por você —continuou a ruiva, com uma zombaria cruel—. Sua irmã já deve estar sentindo o abraço da máscara. Se entrar naquela escuridão, nunca mais voltará. Perderá até a lembrança do próprio nome.
Um frio glacial lhe encheu o estômago. Sabia perfeitamente o que significava a máscara de anulação sensorial projetada por Adrián: a morte em vida, o enterro da alma num corpo que continua respirando. Se Carla sofresse aquilo, a linhagem estaria oficialmente exterminada.
—Você, por outro lado, tem potencial físico —disse Vera, percorrendo-lhe o corpo com a chibata enquanto Tobias continuava se movendo atrás dela, agora com estocadas mais lentas, porém mais profundas, quase metódicas—. Belos peitos. Boa bunda, embora depois desta noite ela fique um pouco frouxa. Você será minha égua. Vai aprender a puxar uma carroça, a obedecer ao estalo do chicote, a abrir as pernas sempre que um macho se puser atrás de você e a esquecer que um dia teve mãos para qualquer coisa que não fosse engatinhar.
O ódio nos olhos de Nadia misturou-se a um terror genuíno. Cercada pelo próprio cabelo cortado, com o pau de seu antigo escravo perfurando-lhe a bunda, com a boceta inchada e escorrendo contra sua vontade, sob a sombra da ruiva, compreendeu que sua queda não tinha fundo. Sua única esperança era que sua mente fosse forte o bastante para não se quebrar como a de sua irmã.
***
O ambiente tornou-se sufocante, carregado do cheiro metálico de sangue e do fedor de sexo. Tobias, levado ao limite pelo frenesi de profanar sua antiga dona, acelerou o ritmo. Cravava as unhas em seus quadris, afundava-se até que os colhões batessem contra a boceta encharcada de Nadia e respirava como uma fera. Percebeu os testículos se retesarem, a pressão subindo desde o fundo. Vera percebeu e sorriu.
—Vamos, cão. Encha essa bunda. Despeje todo o seu leite lá dentro. Faça-a saber como é ter um macho dentro dela.
Com uma última estocada que fez a estrutura do potro ranger, Tobias retesou-se da cabeça aos pés. O pau inchou dentro de Nadia, pulsando, e começou a liberar jorro após jorro de sêmen quente contra as paredes do intestino da morena. Ela soltou um grito que rasgou o último fiapo de compostura ao sentir o calor invasivo enchê-la por dentro, onda após onda. Tobias continuou se movendo durante longos segundos, esvaziando-se dentro dela, até cair sobre suas costas como um peso morto, ofegando contra sua nuca. Quando finalmente se retirou, o pau saiu com um ruído úmido, e um fio espesso de sêmen escorreu da bunda aberta de Nadia, deslizando pelo períneo e pingando no chão. O rastro da violência era evidente: o cu vermelho, inchado, incapaz de se fechar completamente, continuava expelindo o sêmen do homem.
Vera fez um gesto seco para que ele se posicionasse diante do rosto da morena. Com um movimento brusco, desabotoou a mordaça, deixando sua boca livre, embora seus lábios tremessem pelo choque. Um fio de saliva pendia do canto de sua boca.
—Limpe —ordenou, com a voz transformada num chicote de desprezo—. Com a língua. Tudo. Cada gota. E depois engula.
Nadia cravou os olhos no pau flácido e sujo do homem que ela própria treinara para ser um cão submisso e que agora lhe exigia a humilhação máxima. A glande brilhava, misturando sêmen, saliva e resíduos de sua própria bunda. O cheiro provocou-lhe ânsias. Num último ato de rebeldia, cerrou os dentes e selou os lábios, fixando um olhar de ferro na dominadora. Vera não se abalou; pelo contrário, um sorriso predatório curvou-lhe a boca. Caminhou calmamente até as costas de sua presa, desenrolando um chicote de couro trançado.
—Quando ela abrir a boca, enfie até a garganta —instruiu Tobias—. Faça-a engasgar com ele.
Então começou a tempestade. O primeiro golpe do chicote estalou contra as costas de Nadia, erguendo uma vergão instantâneo. Ela apertou a mandíbula com tanta força que as gengivas começaram a sangrar, recusando-se a dar a Vera o prazer de sua rendição. Lágrimas quentes sulcaram-lhe as faces, mas seu silêncio era sua única arma. A ruiva apreciava o desafio: cada golpe era mais preciso, mais técnico, procurando os pontos em que a dor era mais aguda. Um golpe cruzou o mamilo esquerdo. Outro abriu uma linha vermelha sobre suas nádegas. Mais um afundou entre suas coxas, roçando sua boceta inchada.
O castigo escalou até que um golpe magistral envolveu suas costelas. O ar abandonou seus pulmões e um guincho involuntário escapou de sua garganta. Naquele microssegundo de fraqueza, Nadia abriu a boca para recuperar o fôlego e Tobias, por puro instinto de obediência, enfiou o pau sujo até o fundo. A glande bateu contra sua úvula. O sabor de sêmen misturado ao resíduo amargo da própria bunda explodiu em sua língua. Sentiu a garganta fechar-se num espasmo de ânsia, a saliva brotar em jatos pelos cantos da boca, o nariz encher-se de muco pelo esforço. Tobias, com a mão em sua nuca raspada, segurava-a e entrava e saía de sua boca, fodendo-lhe o rosto com estocadas curtas.
O nojo foi o estopim. Por puro reflexo, com a fúria de uma fera acuada, Nadia fechou a mandíbula com força hidráulica. Os dentes afundaram na carne macia do prepúcio e o homem soltou um berro que ressoou por toda a adega. Tentou recuar, debatendo-se e puxando a cabeça para trás, mas ela o mantinha ancorado pelo pau, disposta a arrancá-lo se fosse preciso para recuperar um grama de orgulho. Sentiu o gosto metálico do sangue inundar sua boca.
—Estúpida! —rugiu Vera, perdendo por um instante sua calma profissional.
A ruiva lançou um golpe seco e potente diretamente contra seu estômago. O impacto foi tão certeiro que provocou uma contração violenta, obrigando-a a soltar sua presa. Tobias aproveitou para escapar e caiu no chão, rolando e segurando a virilha ensanguentada enquanto soluçava como uma criança.
—Veado de merda... se você voltar a enfiar esse pau na minha boca, eu o arranco com uma mordida e engulo —bramiu Nadia, com a voz rouca e carregada de orgulho selvagem, cuspindo sangue e sêmen sobre o concreto.
Vera não esperou. Deu-lhe um tapa tão violento que sua cabeça bateu contra o cepo. Quando recuperou a visão, seus olhos, cercados de hematomas e sem a moldura dos cabelos, encararam a ruiva com um desprezo tão profundo que o ar pareceu esfriar. Estava raspada, ferida, com a bunda destruída e escorrendo, derrotada, mas sua mente ainda era um campo de batalha que Vera não conseguira conquistar por completo.
***
Com uma frieza técnica que beirava o desumano, Vera pegou uma mordaça de argola de aço. Cobriu-lhe o nariz, obrigando-a a abrir a boca em busca de oxigênio, e, naquele segundo de asfixia, enfiou o aro metálico entre seus dentes, travando sua mandíbula numa abertura permanente e humilhante. A língua de Nadia ficou exposta, uma aba rosada à vista de todos, incapaz de conter a saliva que começou a cair em fios grossos sobre seu peito.
—Levante-se, inútil —latiu para Tobias, que ainda se contorcia—. Faça-se limpar. Ele é seu dono agora, Nadia.
Depois começou a equipar sua nova besta de carga. Separou-lhe as nádegas e inseriu um plug enorme, preto, com uma espessa cauda de cavalo saindo da extremidade. O cu de Nadia, já destruído por Tobias, esticou-se ao redor da base grossa do plug com um estalo úmido. Um gemido abafado escapou de sua boca aberta. O cinto de aço selou sua virilha, pressionando a base do plug para que não se movesse e comprimindo também os lábios de sua boceta. Pinças dentadas morderam seus mamilos inflamados, arrancando-lhe um espasmo, e ficaram ligadas por fios com pequenos guizos que tilintavam a cada tremor. Por fim, calçou-lhe botas rígidas em forma de casco: ao ficar de pé, Nadia foi obrigada a sustentar todo o peso nas pontas dos pés, com a cauda de cavalo pendendo de sua bunda, balançando entre as coxas a cada movimento.
—Segure-a firme —ordenou.
Tobias segurou-a com uma força reforçada pela adrenalina enquanto Vera liberava os ferrolhos do potro. Nadia tentou lutar, mas seus braços foram forçados para trás num imobilizador que unia pulsos e cotovelos, deixando o peito exposto e os peitos apontados para o teto. Finalmente, a ruiva retirou a mordaça de argola e a substituiu por uma brida com embocadura de ferro.
O horror materializou-se quando ela a enganchou a uma carroça pesada por meio de tubos metálicos ancorados ao cinto e cordas de náilon que lhe rodeavam os ombros. A poderosa caçadora agora era um animal de tração.
—Puxa! —gritou Vera, subindo na carroça e estalando a chibata sobre suas nádegas já marcadas.
Nadia, afundada no chão, chorava em silêncio por trás da embocadura de ferro. Não conseguia respirar; a brida dificultava cada inspiração. Ao terceiro estalo, o instinto de sobrevivência se impôs à dor. Sabendo que a ruiva não pararia até quebrar seu corpo ou seu espírito, usou até o último grama de força nas pernas. As botas arranharam o concreto. A carroça começou a se mover, centímetro a centímetro, com os ombros sangrando sob as cordas. Uma descarga elétrica maciça brotou da coleira e a fez desabar novamente.
—Puxa! —rugiu Vera outra vez, estalando o chicote junto aos seus ouvidos.
Para domar uma mulher como Nadia, primeiro era preciso demolir a arquitetura de seu orgulho físico. Não haveria descanso, trégua ou silêncio. Apenas o peso da carroça, a dor dos cascos e o ritmo implacável de uma dona que não aceitava menos que a submissão absoluta. Banhada em suor e lágrimas, Nadia começou a trotar de forma irregular. A cada passada, o plug se movia dentro de sua bunda, roçando as paredes já em carne viva, e as pinças de seus mamilos sacudiam-se, tilintando como um carrilhão obsceno.
***
Durante duas horas intermináveis, seu mundo reduziu-se ao baque das botas contra o chão, ao tilintar humilhante dos guizos e ao estalo do chicote que lhe lembrava, sempre que a carroça pesava demais, que ela já não era uma pessoa. O orgulho é um combustível que se esgota quando o corpo se parte.
Ao terminar o percurso, Vera conduziu-a a uma adega secundária, mais estreita, com fileiras de jaulas de aço projetadas para que o ocupante jamais conseguisse ficar completamente de pé. Desenganchou a carroça, retirou-lhe a cauda de cavalo com um único puxão —o plug saiu com um estalo úmido, deixando o cu de Nadia boquiaberto, incapaz de se fechar— e, sem olhá-la nos olhos, trancou-a.
—Foda-a quanto quiser. Ela é toda sua, cão —sentenciou antes de fechar a grade com um estrondo metálico que selou o destino de ambos naquela noite.
Nadia, ainda com a brida, tentou articular um insulto, mas de sua garganta saiu apenas um grunhido abafado. Antes de recuperar o equilíbrio sobre as botas, sentiu o impacto de Tobias contra seu corpo. O homem lançou-a contra o concreto com uma violência que lhe arrancou o pouco ar que restava. Apoiou um joelho em suas costas para imobilizá-la e abriu suas pernas de um puxão.
—Chore o quanto quiser, não vou parar —sibilou ele em seu ouvido, com um rancor que ela não reconheceu.
Em sua mente, a imagem de Nadia como uma divindade ou ama havia se desintegrado, substituída pela de uma criatura que merecia cada grama de sofrimento. Já não havia respeito, apenas a fome de cobrar uma dívida de humilhação que ele considerava justiça. O pau, endurecido outra vez pela droga que ainda corria em suas veias, procurou cegamente a boceta da morena e afundou de uma estocada. Nadia gritou através da embocadura. Era a primeira vez que um macho a penetrava pela frente em anos, e acontecia no pior momento, com as paredes internas já castigadas e sensíveis. Tobias moveu-se sobre ela como um animal, fodendo sua boceta num ritmo brutal e cego, esmagando seus peitos contra o chão frio, mordendo sua nuca raspada. Quando gozou dentro dela pela segunda vez naquela noite, mal parou por um instante antes de retirar o pau encharcado e guiá-lo novamente para a bunda destruída. Enfiou-o com uma facilidade obscena, deslizando pelos restos de sêmen que ainda saíam dali, e recomeçou.
A noite transformou-se num ciclo infinito de dor e ofegos. Boceta, bunda, boca, boceta, bunda, boca. Tobias não lhe dava trégua: usava-a como um brinquedo que esperara a vida inteira para estrear. Gozou em seu rosto, enfiou o pau nela enquanto chorava, colocou-a de quatro e montou-a como um cão monta uma cadela no cio, agarrando-lhe os quadris e puxando-a para trás para cravá-lo até o fundo. Cada gozada que despejava dentro dela era mais uma assinatura sobre seu novo status. Quando o primeiro rastro de luz acinzentada penetrou pelas frestas, Tobias desabou num canto da jaula com o pau ainda meio duro, brilhando de fluidos, e caiu num sono pesado e animal.
Nadia ficou sozinha, encolhida em posição fetal sobre uma poça morna de sêmen e saliva. As lágrimas finalmente transbordaram de suas pálpebras, molhando o metal frio da embocadura. Estava raspada, ferida, usada por todos os buracos e presa pelo mesmo homem que acreditara ter domesticado. Sua boceta ardia. A bunda, incapaz de se fechar completamente, continuava expelindo fios brancos que esfriavam em suas coxas. Enquanto o silêncio era rompido apenas pelos roncos de seu algoz, uma pergunta dilacerante repetia-se em sua mente: como era possível que a caçadora tivesse acabado sendo a presa mais humilhada de todas?
***
A luz áspera do amanhecer não trouxe esperança, mas o retorno do pesadelo. Nadia despertou com o corpo entorpecido e a alma fragmentada, sentindo novamente a invasão de Tobias, que já a montava por trás. Ele acordara com o pau duro e, sem lhe dar explicação, enfiara-o em sua bunda, aproveitando que ela ainda estava aberta e escorregadia. Desta vez não houve luta; o esgotamento extremo e uma traiçoeira onda de endorfinas fizeram-na desistir. Sob as correias que ainda a mantinham imobilizada, seu corpo respondeu com uma submissão biológica que a envergonhava: sentiu a boceta umedecer novamente apesar do nojo, os mamilos feridos se retesarem contra o chão, cada estocada arrancar-lhe, a contragosto, um gemido de prazer animal. Aquela plenitude animal, aquela aceitação passiva de ser fodida até o fundo pelo macho que a engravidara durante toda a noite, era o primeiro passo de sua dissolução como ser humano. Quando ele gozou dentro dela pela enésima vez, ela não chorou. Limitou-se a respirar devagar, deixando o sêmen quente enchê-la.
Vera surgiu entre as sombras, observando com a satisfação de um escultor que vê sua obra tomar forma. Ao ver Nadia deixando-se fazer, com as nádegas erguidas para receber melhor as estocadas, soube que o espírito da caçadora estava finalmente sepultado sob os escombros da carne. Tirou-a da jaula, deixando Tobias rugindo de frustração atrás das grades, com o pau ainda ereto e pingando, e conduziu-a a um estábulo onde o ar cheirava a carvão e carne queimada. Amarrada a um poste, Nadia sentiu o terror primordial que gela o sangue ao ver a ruiva retirar do fogo um ferro incandescente. Na ponta do metal, uma marca em brasa brilhava com uma luz demoníaca: o selo definitivo da confraria.
—Não... piedade... —tentou implorar, mas os sons perderam-se na embocadura de ferro, transformados em gemidos lastimosos.
Vera não hesitou. Com precisão cirúrgica, pressionou o ferro contra a coxa de Nadia. O chiado da pele queimando encheu o estábulo, seguido por um cheiro acre que a fez convulsionar. A dor não foi apenas física: foi um raio que incinerou seu passado e suas pretensões de grandeza. Durante uma eternidade de três segundos, o fogo reivindicou sua alma, e seu sistema nervoso desabou num desmaio misericordioso.
Despertar foi como um golpe de água gelada que a devolveu à agonia. Quando Vera ergueu a mão, Nadia não tentou se defender; simplesmente fechou os olhos e baixou a cabeça num gesto de submissão absoluta, esperando o golpe.
—Você já não é Nadia. Agora é uma égua —sibilou a ruiva em seu ouvido, apontando para o ferro que ainda fumegava—. Se esquecer, o fogo fará você se lembrar. Faltam poucos dias para o leilão, e você e seu garanhão serão vendidos como animais de carga. E, no palco, diante de todos os compradores, seu cão vai foder você para demonstrar que sua bunda aguenta qualquer pau que enfiarem nela.
Nadia assentiu freneticamente. A dor na coxa era uma lembrança constante. Foi levada a uma sala onde outras escravas, autômatos sem rosto, trataram seu ferimento com unguentos frios, lavaram o sêmen seco de suas coxas, aplicaram um creme calmante no cu inflamado e outro na boceta abusada, mas não conseguiram curar o terror instalado em seus olhos. Agora ela reagia com espasmos a qualquer ruído brusco; seu instinto de resistir fora devorado pelo pânico puro.
Ao ser devolvida à jaula, encontrou Tobias esperando por ela, também transformado: os braços presos às costas, suas próprias botas de casco, uma brida na boca e, desta vez, sem jaula de castidade. O pau pendia pesado entre suas pernas, já começando a inchar outra vez ao vê-la chegar.
—Todos os dias ele receberá sua dose para possuí-la com todo o seu ser —sorriu Vera enquanto fechava a grade—. Quatro vezes por dia, no mínimo. Pela frente e por trás. E você estará sempre pronta, com a bunda aberta e a boceta molhada, porque, se falhar com ele, a chibata fará você se lembrar. Deveria me agradecer por eu ter lhe dado um macho tão vigoroso, com esse pau sempre duro para você.
Nadia chorou em silêncio, aceitando seu destino. Quando Tobias avançou sobre ela, já não o viu como um agressor, mas como sua única realidade. Caiu de joelhos e abriu a boca por reflexo, para que ele lhe enfiasse o pau e lubrificasse a glande com sua saliva. Depois virou-se, apoiou as mãos atadas contra o chão frio, arqueou as costas e ofereceu a bunda. Ele era seu macho e ela, sua égua: um ecossistema de dois animais humanos presos numa caixa de aço, fodendo em ciclos regulares por instruções de outra pessoa. Sentiu o homem penetrá-la novamente, até o fundo, e desta vez o próprio corpo respondeu com um gemido longo, resignado, quase agradecido. Vera lançou-lhes um último olhar antes de se retirar, e as sombras da adega engoliram seus gemidos, deixando apenas o som rítmico de carne batendo contra carne, o chapinhar úmido do sêmen já acumulado lá dentro e o tilintar das correntes.