A inquilina que tomava banho com a porta aberta
A porta do banheiro estava entreaberta, saía vapor, e ela não se cobriu. Sustentou meu olhar como se toda a cena tivesse sido planejada para mim.
A porta do banheiro estava entreaberta, saía vapor, e ela não se cobriu. Sustentou meu olhar como se toda a cena tivesse sido planejada para mim.
Acordei com uma única ideia fixa entre as pernas e um nome na boca. Naquela manhã, Pamplona inteira me cheirava a sexo, e eu só queria encontrá-la.
Aos quarenta e um, eu achava que o desejo havia se apagado, até um homem me pegar no colo e eu sentir, pela primeira vez em anos, que alguém realmente me via.
Abri a porta só com um robe no corpo. Quando o vi no hall, soube que aquele sábado de fevereiro seria lembrado por um motivo bem diferente do calor.
Ela saiu do banheiro, me viu meio vestido, com o uniforme, e soltou: “você tem umas pernas fortes”. Foi aí que eu soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
Atravessei o portão do jardim dela às nove da noite pensando só em confessar o que sentia. Saí de lá com um vídeo que ia mudar nós dois.
Passei semanas fingindo que estava tudo bem, até que naquela noite um homem me olhou como meu marido havia parado de me olhar, e eu decidi não resistir.
Naquela primeira noite, Vega atravessou o corredor descalça, entrou na alcova principal e se sentou na cama king. O que faziam na cama estreita do bairro já não exigia esconderijo.
A porta tinha ficado entreaberta. Quando me ergui sobre a mesa, vi meu irmão mais novo olhando do corredor. Ele não ousava entrar.
Estávamos morando juntos havia meses quando, certa tarde, ela me viu tenso diante do computador e disse algo que eu jamais esqueci: “Vem, tira um tempo pra relaxar” .
Desci para a sala depois da meia-noite e vi os dois, nus, sobre o sofá. Minha mãe virou a cabeça e não havia vergonha, só irritação.
Abrir a porta naquela noite foi a decisão mais difícil da minha vida. Do outro lado havia um homem alto, sorridente, pronto para tomar o que eu já não podia dar à minha mulher.
Cheguei primeiro ao quarto, de boné e óculos, e me sentei na beirada da cama sem saber o que ia fazer quando aquele desconhecido tocasse a porta.
Levanto de propósito a saia mais um dedo a cada manhã, esperando que alguma mulher mais velha me olhe com essa mistura de censura e desejo que aparece em todas as minhas fantasias.
Eles eram jovens, abertos e queriam algo diferente. O que não sabiam é que naquela noite no hotel eu também descobriria uma parte de mim que vinha escondendo havia anos.
Voltávamos da praia para o camping quando uma garota pediu carona no meio do caminho. Eu não sabia que naquela noite descobriria outra coisa.
Lorena me disse naquela tarde, com uma calma que me deixou sem palavras, que a irmã dela precisava de companhia e que não se importaria que fosse eu.
Eu andava de pernas abertas, carregado de uma dor que não sabia aliviar. Quando ela entrou no meu quarto e perguntou o que acontecia, percebi que não havia mais volta.
Apaguei a luz, tranquei a porta com a chave e, pela primeira vez, me deixei fantasiar sem censura. O que descobri naquela noite mudou a forma como me vejo no espelho.
Uma proposta entre risadas, diante da TV da cabana, abriu uma porta que minhas irmãs e eu nunca mais conseguiríamos fechar.