A aposta que acabei pagando de joelhos por uma semana
Quando soube qual seria a prenda, fiquei muda. Não por incapacidade, mas porque ele me expunha com um homem que conhecia metade da cidade. Ainda assim, cheguei pontualmente no primeiro dia.
Quando soube qual seria a prenda, fiquei muda. Não por incapacidade, mas porque ele me expunha com um homem que conhecia metade da cidade. Ainda assim, cheguei pontualmente no primeiro dia.
Eu estava havia um mês na recepção quando a festa de sexta-feira mudou tudo: uma mão sob a mesa, uma decisão impensada e uma segunda-feira que deixou de ser trabalho.
A árvore que crescia entre nossos quintais era só a desculpa. O que eu realmente queria estava do outro lado daquele muro, e aprendi a pulá-lo sempre que ele saía.
Voltei para casa ainda acesa pela noite anterior, sem imaginar que uma conversa na cozinha me desmontaria mais do que qualquer carícia.
Ele só tinha feito seu trabalho de médico. Ela entrou sem bater, fechou a porta e lhe disse que aquela noite não vinha falar do filho doente.
O pedido vinha de um garoto tímido, amigo do meu sobrinho. Levei semanas para responder e um mês para admitir que queria ele na minha cama.
Quando Camila saiu do quarto fantasiada de diabinha, com um tridente na mão, eu soube que naquela noite não dormiríamos virgens.
Nunca tinha ficado com uma mulher. Quando abri a porta e a vi parada ali, soube que naquela noite algo em mim mudaria para sempre.
Lucía e Marcos começaram a transar na nossa frente como se fosse a coisa mais natural do mundo. E eu nem consegui me mexer.
Reconheci o sobrenome assim que ela o disse. Dois anos antes, eu tinha transado com a tia dela, e agora ela me encarava com os mesmos olhos escuros e a mesma boca pequena.
Ela nunca tinha estado com ninguém. Eu era seu primo. O que começou como uma reunião de família terminou de madrugada quando ela sussurrou que me esperou a noite toda.
Passamos de cliente e prostituto a algo que não tinha nome. Numas férias na praia, ela rompeu os tabus que carregara a vida inteira.
Faziam meses que eu não a via. Quando a vi na entrada do restaurante com a barriga redonda e aqueles olhos escuros, entendi que eu ainda a desejava tanto quanto antes, talvez mais.
Quando a tempestade apagou as luzes e os trovões sacudiam as paredes, ela se encolheu contra mim. Fazia anos que não sentia o calor de ninguém. Isso mudou tudo.
Trinta candidatas, um reitor com poder demais e eu com trinta e oito anos e toda a experiência do mundo. Achei que daria conta. Me enganei pela metade.
A cada janeiro, eu voltava ao mesmo balneário. Ela o dirigia, eu reservava sempre o mesmo quarto. Ninguém suspeitava de nada.
Quando ela trancou a porta do escritório, entendi que as pastas de documentos eram só uma desculpa que nenhum dos dois queria desmentir.
Ele era mais velho que meu pai, tinha as mãos de alguém acostumado a conseguir o que queria e me olhava como se soubesse exatamente o que eu estava pensando.
Eu estava andando sozinha quando Ernesto se debruçou pela janela do ônibus e me chamou pelo nome. Eu devia ter seguido em frente, mas algo na voz dele me fez parar.