Saí do armário como trans e um homem me esperava
Cheguei à porta dele com uma mochila, sem família e sem volta. Ele voltava do trabalho às cinco e meia, e eu só queria ser a mulher que sempre soube que era.
Cheguei à porta dele com uma mochila, sem família e sem volta. Ele voltava do trabalho às cinco e meia, e eu só queria ser a mulher que sempre soube que era.
Há anos cobro para dormir com desconhecidos. Nunca pensei que seria eu a acabar implorando para voltar a vê-la.
Ninguém sabia a minha verdade. Eu ia aos jogos só pelas pernas dele, até que naquela tarde ele ergueu os olhos e sustentou meu olhar como se soubesse tudo.
A regra era simples: máscara no rosto, nem uma palavra. O que Marcos não sabia é quem estava de joelhos na minha sala.
Eu nunca tinha pagado por sexo, muito menos com uma trans. Mas naquela madrugada, com o carro abastecido e a cabeça cheia de tesão, dei uma volta a mais.
Eu esperava mentiras na noite em que o confrontei. Não esperava ficar molhada imaginando-o de joelhos, transformando-se no que sempre quis ser.
Quando o técnico consertou meu computador, pensei que tudo tinha acabado. Não sabia que ele já conhecia Marina, meu segredo mais bem guardado, e pretendia usar isso contra mim.
Marisa passeava pela casa com um vestido justo, sem imaginar que naquela noite a nora transformaria o jantar em algo que nenhum deles esqueceria.
Eu vinha escondendo há anos a mulher que gritava sob minhas mãos. Nessa noite, uma viúva e sua empregada descobriram quem mandava de verdade naquela casa.
De pé diante deles, só com o conjunto de renda rosa, esperei a ordem. A sacola com o vestido pesava nas minhas mãos, e eu já tremia antes de tudo começar.
Cresci ouvindo-a através da parede, odiando cada homem que passava pela cama dela. Nessa madrugada, com a casa em silêncio e a seleção na TV, foi ela quem encurtou a distância.
Eu achava que meu segredo estava seguro entre estas paredes, até ouvir a janela dele se fechar com força e saber que alguém tinha acabado de ver quem eu sou de verdade.
Fugíamos havia quatro dias quando nos alcançaram. Minha avó se despiu entre a lama e a noite, e eu soube que aquela loucura era nossa única saída para continuar vivos.
Bastou uma carta mais baixa que a dele para que aquela gaiola rosa deixasse de ser uma brincadeira e se tornasse minha nova realidade por dois meses inteiros.
Ela podia embaçar uma cidade inteira com seu desejo, mas naquela noite foi Renata quem fechou o cadeado, guardou a chave no bolso e sorriu como uma carcereira apaixonada.
Tranquei o vestiário, abri a maleta e deixei de ser Tomás. Nessa noite, no clube, eu não imaginava que meu próprio chefe ia abrir a porta.
Minha família foi viajar e eu me vi sozinha com uma lingerie vermelha, um app anônimo e um estranho que topou me foder em cinco minutos.
Eu escrevi achando que ninguém jamais leria. No dia em que minha mãe abriu aquele caderno, tudo entre nós deixou de ter volta.
As amigas da minha irmã batiam à minha porta com qualquer desculpa. O que eu jamais imaginei foi quem acabaria na minha frente às três da madrugada.
Eu abri a porta do apartamento dele com a minissaia mais curta que tinha e vi o olhar dele se quebrar ao subir por minhas pernas.