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Relatos Ardientes

A fantasia que o deixou acabado no sofá

3.8(5)

Ontem olhei no rosto de Andrés e custou para não rir. Ele tinha aquela expressão de quem acha que já está tudo resolvido, que bastaram dois dias de beijos e jantares para as coisas voltarem ao lugar. Sorriu para mim do sofá com o controle da televisão na mão e os pés apoiados na mesinha, completamente tranquilo. Esse homem passa meses sem entender o que se passa na minha cabeça quando eu o olho.

Estávamos há uma semana fazendo as pazes. Ele fazia a parte dele. Eu fazia a minha. Perguntas sobre o trabalho, jantares preparados, beijos antes de dormir. Toda aquela arquitetura frágil que construímos quando queremos acreditar que as coisas funcionam. Eu mantinha a fachada e, por dentro, continuava acumulando.

Naquela noite desliguei a televisão sem lhe dizer nada. Ele ficou olhando a tela preta por um instante, depois olhou para mim. Me aproximei devagar e me sentei em cima dele, de pernas abertas, com o peso dos meus quadris sobre as coxas dele. Senti como ele ficou tenso imediatamente, antes de eu dizer qualquer coisa, antes de fazer qualquer coisa. O corpo dele sempre o trai. Esfreguei a buceta por cima da calça, me apertando contra o volume que já começava a crescer nele, mexendo os quadris em círculos lentos até sentir o pau endurecer debaixo do tecido.

—Tenho uma fantasia nova —eu disse baixinho, bem perto do ouvido dele—. Mas essa é diferente. Não é para você imaginar sozinho, à noite, quando acha que eu já dormi. É para agora. Para você ouvir enquanto me olha.

Vi como ele engoliu em seco. Afastei uma mecha da testa dele com um dedo e o sustentei com o olhar. Depois me afastei um pouco, para ficar de pé na frente dele. Abaixeei a calça de moletom bem devagar, sem tirar os olhos dos dele, até deixá-la amassada no chão. Eu não estava usando nada por baixo. Passei um dedo por cima, por aquela linha que vai de cima a baixo, abrindo os lábios com dois dedos para ele ver como tudo brilhava por dentro, como um filete espesso descia do clitóris até a entrada. Enfiei o dedo até a junta, tirei escorrendo e mostrei para ele, brilhante, sem dizer mais nada. Não era preciso. Depois aproximei do rosto dele e ele abriu a boca sem pensar. Limpei a língua com meu dedo e deixei ele chupar por alguns segundos, olhando enquanto fechava os olhos.

—É assim que eu estou —disse por fim—. Assim há o dia todo. Encharcada. Com a buceta inchada desde de manhã. Sem conseguir pensar em outra coisa.

Virei de costas. Abaixei-me devagar, com os pés afastados, deixando que ele visse tudo por trás: a buceta aberta, a bunda, cada centímetro. Fiquei assim por alguns segundos, deixando que ele olhasse, ouvindo a mudança no ritmo da respiração dele. Enfiei dois dedos, bem devagar, até o fundo, e os tirei fazendo um som úmido que encheu a sala. Depois comecei a falar.

—Hoje de manhã acordei tarde e fui para a academia sem tomar banho da noite anterior. Vesti os leggins pretos, de lycra fina que marca tudo, sem roupa íntima. Estava frio e eu não me importei. Fiquei duas horas lá: corrida, máquinas, peso livre. O tecido foi se grudando no corpo com o calor e o suor. A cada agachamento ele se enfiava entre os lábios da buceta, roçava o clitóris, me abria um pouco mais. Depois de um tempo eu já tinha a virilha dos leggins atravessada, uma mancha escura e brilhante que qualquer um podia ver se reparasse. Eu me sentia o tempo todo e gostava de saber disso.

Comecei a andar de um lado para o outro do quarto enquanto falava. Devagar. Olhando para o chão, como se estivesse pensando alto.

—Tem um homem na academia que eu não tinha visto antes. Ele usa uma camiseta cinza sem mangas e tem os braços grossos, os ombros largos, o pescoço de alguém que usa o corpo para trabalhar. Daqueles caras que ocupam espaço sem pedir licença. Desde o começo percebi que ele me olhava, e não olhava para o meu rosto. Olhava para a minha bunda quando eu me abaixava, olhava para os meus peitos quando eu me sentava na máquina, olhava para a mancha úmida entre as pernas toda vez que eu abria as coxas. Ele estava encostado na barra me observando fazer agachamentos e eu não abaixei os olhos. Abaixei até o fundo, consciente do que aparecia, abrindo um pouco mais os joelhos do que o necessário, e quando o olhei de lado ele continuava exatamente no mesmo lugar, com o pau marcado sob a bermuda.

Virei-me para Andrés. Ele tinha as mãos apoiadas nas coxas, os nós dos dedos brancos. Olhei a virilha dele: o pau duro empurrava o tecido, um volume grosso que nem tentava disfarçar.

—Fui para o vestiário. Não tinha ninguém. Soltei o cabelo em frente ao espelho e abri a buceta. Ouvi a porta se abrir atrás de mim. Não me virei. Os passos cruzaram o espaço, lentos, sem pressa, e pararam a menos de um metro. Houve um silêncio longo. Deixei ficar.

Ajoelhei no chão diante do sofá, na altura dos olhos dele, e continuei falando dali. Coloquei uma mão na coxa dele, perto da virilha, e a deixei parada.

—Ele me põe uma mão no ombro. Deixa ali um momento, sem apertar, como se me desse tempo para decidir. Depois me vira até ficar de frente para ele. Me olha de cima a baixo, sem disfarçar, como se estivesse calculando alguma coisa. No fim diz: “Você está se movendo desde que chegou como se quisesse que alguém prestasse atenção em você. Você está com a buceta encharcada, dá para ver do outro lado da academia”. Eu não o corrijo, porque não é mentira.

—Ele me empurra contra os armários. Com uma mão aberta nas minhas costas, sem violência, mas sem me perguntar também. Me inclina para frente. Abaixa meus leggins de uma vez até os tornozelos, sem tirá-los. Me deixa assim, com os pés presos pelo tecido, sem poder abrir mais as pernas do que o leggins permite. Fico quieta. O piso de cerâmica está frio sob os meus pés e o ar do vestiário dá para sentir na pele molhada da bunda. Ele passa dois dedos pela minha buceta de trás para a frente, bem devagar, juntando tudo o que tenho dentro, e me mostra na mão brilhante antes de enfiá-los na boca. “Você está com cara de quem quer foder”, ele diz. E então enfia esses mesmos dedos até o fundo, sem aviso, e os movimenta dentro fazendo círculos com a palma apertada contra o clitóris, tanto que minhas pernas tremem e eu preciso me segurar no armário para não cair.

Levantei do chão e me coloquei atrás do sofá, inclinada sobre Andrés, com os lábios perto da nuca dele. Passei a língua atrás da orelha dele, bem devagar.

—Ele pergunta: “Você sabe para que veio aqui?”. Eu não respondo. Ele puxa meu cabelo, não com brutalidade, mas com firmeza suficiente para não deixar dúvida. Inclina minha cabeça para trás. Com a mão livre abaixa a bermuda e tira a rola e a põe na minha frente. É grande, mais grossa do que eu esperava, tensa e escura na ponta, com uma gota espessa pendendo da glande. Ele me olha. Espera. Passa a mão por todo o comprimento, de cima a baixo, e esfrega na minha boca, deixando-a brilhante. Diz: “Abre. Põe a língua para fora”.

—E eu abro. E ponho a língua para fora. E ele a apoia por cima, plana, quente, pesada, e a deixa ali alguns segundos para eu sentir o gosto antes de enfiá-la.

Dei a volta no sofá e fiquei de pé na frente de Andrés. Olhei nos olhos dele e continuei. Apoiei uma mão no peito dele, sentindo o coração bater aos golpes.

—Ele enfia devagar até a metade. Me enche a boca. Ele toma o tempo dele. Depois, de repente, até o fundo. Quando toco o fundo, os olhos se enchem de lágrimas sem querer, escapa um som abafado da garganta, a baba me escorre pelo queixo. Ele para um segundo, me olha, passa o polegar no meu lábio para me limpar, e enfia de novo. Ele segura minha cabeça com as duas mãos e começa a marcar o ritmo. Não pergunta se eu posso. Não para para ver como eu estou. Ele fode a minha boca como se fosse mais uma buceta, entrando e saindo até o fundo, tocando a campainha da garganta a cada investida, me obrigando a engolir a saliva que se acumula. Enfia o pau na minha garganta e o deixa ali três, quatro segundos, olhando a veia do meu pescoço inchar. E eu, Andrés, eu tenho a mão entre as pernas o tempo todo. Eu estou me tocando enquanto ele me come inteira. Eu não quero que ele pare.

Inclinei-me para ele e baixei a voz quase até um sussurro.

—Ele tira da boca num puxão. Um fio de saliva pende do meu lábio até a ponta do pau dele. Limpa meu queixo com o polegar, devagar, me olhando o tempo todo. Me vira e me põe de quatro no chão de cerâmica. Levanta minha bunda com as duas mãos, abre as nádegas com os polegares, fica olhando a buceta aberta. Faz uma pausa. Uma pausa muito longa. Passa a língua inteira do clitóris até o outro buraco, sem pressa, chupando tudo o que encontra, e me deixa ali um tempo, com a boca colada, me comendo sem dizer nada. E depois dá uma palmada aberta na minha bunda, tão forte que o som rebate nas paredes do vestiário. Silêncio. Outra palmada, do outro lado. A pele fica ardendo. Depois ele diz: “Pede. Com todas as palavras”.

Baixei a voz ainda mais. Quase não havia som.

—E eu peço para ele, Andrés. Em voz alta. Com palavras claras, sem rodeios, sem vergonha. Eu digo: “Fode comigo. Enfia tudo. Arrebenta a minha buceta. Me trata como uma puta”. Eu digo assim, com essas palavras exatas, porque naquele quarto a vergonha não existe. Só existe o que eu preciso e o que ele decide me dar.

Afastei-me para o outro lado do quarto. Continuei de costas, com a voz mais calma do que de costume.

—Ele enfia de uma vez. Sem me dar tempo. De uma vez até o fundo. Grito. Não de dor, embora doa um pouco no começo, porque é grosso e não foi delicado. Grito de algo que não sei como chamar, de algum lugar lá dentro que se abre e não tinha nome. Sinto como ele me estica por dentro, como me alcança até o fundo, como me bate contra alguma coisa que faz minha visão escurecer. Ele me agarra pelos quadris e começa a se mover. Me arrebenta com a própria cintura, tirando-a quase inteira e voltando a me afundar até o talo. O som das coxas dele contra a minha bunda enche o vestiário, um respingo úmido e ritmado que se mistura com os meus gemidos. Ele me chama de “vadia”. Me chama de “puta suja”. Diz “essa buceta agora é minha”, diz “olha como você chupa o meu pau”. Não com raiva, com calma, como se estivesse descrevendo algo que nós dois reconhecemos como verdade naquele momento. E eu gozo pela primeira vez sem que ele me toque em outro lugar, apertando o pau dele por dentro com espasmos, deixando tudo encharcado até os ovos dele.

Houve silêncio no quarto. Andrés não tinha dito nada desde que eu comecei a falar. Olhei a virilha dele: a mancha já se espalhava pela calça.

—Continua por muito tempo. Mais do que eu esperava. Ele muda minha posição quando quer, sem avisar. Me levanta, me vira, me encosta de costas nos armários frios e levanta uma perna minha sobre o ombro. Enfia de novo assim, me olhando no rosto enquanto me fode, vendo a minha cara de idiota cada vez que ele chega ao fundo. Depois me joga no chão e senta em cima de mim. Ele me monta, com todo o peso, cravando em mim enquanto chupa meus peitos, enquanto morde os mamilos até me fazer gritar. Tira o pau da minha buceta e o esfrega no meu rosto, brilhando da minha gozada, e me enfia de novo. Gozo por dentro duas vezes, a segunda com a língua dele dentro da minha boca. Em algum momento ele começa a sussurrar coisas no meu ouvido. Coisas que ninguém nunca me disse, que eu não sabia que queria ouvir. Ele descreve o que eu sou naquele momento, com detalhes, com precisão, sem suavizar nada. Diz o que é a minha buceta, o que é a minha boca, o que sou eu desde que entrei pela porta. E eu quero ser exatamente isso. Não existe nada fora daquele quarto. Não existe nada antes nem depois. Só isso.

Voltei para o sofá. Ajoelhei novamente, à altura dele, e o olhei de perto. Passei o dorso da mão por cima da calça, roçando o pau dele.

—Quando está prestes a acabar pela última vez, ele me empurra para o chão. Ajoelha sobre mim, com os joelhos nas laterais da minha cabeça. Se toca depressa com as duas mãos, sobre o meu rosto, e me diz para abrir a boca e pôr a língua para fora. Ele me agarra pelo queixo para eu olhá-lo. Goza em mim com um gemido longo. Jatos grossos e quentes, na boca aberta, na língua, na bochecha, no pescoço, no decote. Ele toma o tempo dele, sem pressa, sacando as últimas gotas com a ponta contra meu lábio, me obrigando a lamber a glande limpa. Quando termina, se põe de pé, fecha a calça e vai embora. Não diz nada. Não fecha direito a porta do vestiário.

—E eu fico ali. No chão frio de cerâmica, com as pernas ainda tremendo, com o tecido dos leggins enroscado nos tornozelos, com o rosto pegajoso e a buceta escorrendo a gozada de outro por dentro da coxa. Enfio os dedos entre as pernas e gozo sozinha, esfregando o clitóris depressa, com dois dedos até o fundo, com o sêmen dele ainda saindo de mim, com o cheiro dele ainda em cima de mim, com o eco da voz dele ressoando dentro da minha cabeça. Levo a mão à boca e chupo os dedos limpos. E sorrio sozinha no silêncio do vestiário vazio.

***

Pareei. Fiquei imóvel no centro do quarto.

Andrés estava há um tempo sem se mexer. Tinha o rosto branco, a boca entreaberta, o olhar de quem acabou de voltar de algum lugar muito distante. Vi a mancha escura se espalhando pela coxa da calça dele, larga, úmida, ainda crescendo. Ele havia gozado na calça sem se tocar, só de me ouvir. As mãos tremiam um pouco, apoiadas nas coxas como se precisasse se agarrar em algo.

Vesti a calça com calma. Amarrei o cordão com cuidado, sem pressa. Peguei meu celular da mesinha e o enfiei no bolso do moletom. Sentei ao lado dele no sofá, passei um braço pelos ombros dele com suavidade e dei um beijo curto na bochecha.

—Coitadinho —eu disse, com a voz que uso quando quero que ele se sinta seguro—. São coisas que eu invento, você sabe como eu sou. Fantasias estranhas que às vezes tenho. Não significam nada, sabe? Só quis dividir com você porque você é a minha pessoa favorita no mundo.

Apertei o ombro dele uma vez e me levantei sem dizer mais nada.

Deixei-o ali, sozinho, no sofá com a televisão desligada e o silêncio da casa ao redor. Com o gosto das minhas palavras ainda na cabeça e a certeza errada de que tudo ia bem entre nós. De que era uma fantasia e nada mais.

***

Entrei na cama. Apaguei o abajur. No escuro, com a mão entre as pernas, com dois dedos se mexendo devagar dentro de uma buceta que já fazia horas que não descansava, pensei que talvez um dia isso deixasse de ser só um relato que eu me contava. Que talvez na próxima terça eu levasse aqueles leggins pretos para a academia. Que talvez, quando alguém me olhasse tempo demais do outro lado do espelho, eu não abaixasse os olhos.

Dormi antes de Andrés subir as escadas, com os dedos ainda dentro e o cheiro da minha buceta na mão.

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