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Relatos Ardientes

A loira que me transformou em mascote da Rainha

A luz fria da aurora infiltrava-se pelos vitrais emplomados do Grande Salão. Não trazia calor, mas a clareza crua de um interrogatório. O ar cheirava a fumaça velha, a sangue seco e ao gosto químico do iodo que ainda queimava na garganta do prisioneiro.

Adrián pendia inerte no arreio de couro fixado ao Pilar dos cães. Sua pele, antes morena, agora era acinzentada, quase translúcida. A respiração saía quebrada, em um assobio áspero. Entre as coxas, a gaiola de aço da castidade brilhava sob a luz pálida da alvorada. Um cateter estriado seguia cravado em sua uretra lacerada, lembrando-lhe a quem pertencia. Seu pau, aprisionado dentro do metal, levava semanas sem conseguir endurecer por completo. Cada tentativa de ereção se chocava contra as grades, cada gota de sêmen retido apodrecia dentro de seus testículos inchados e arroxeados, pendendo como figos maduros sob a gaiola.

A alguns metros, em um sofá de veludo verde-escuro, a guarda Lía dormia. A cabeça lhe caía para um lado, a boca entreaberta. Mesmo no sono, sua mão direita continuava agarrada ao pomo da adaga regulamentar.

O silêncio foi quebrado pelo estalo metálico dos ferrolhos.

A Rainha Aldonza entrou, e a atmosfera do salão pareceu se inclinar na direção dela. Vestia um traje de veludo carmesim bordado com fio de ouro e pérolas brancas costuradas à mão. O decote quadrado realçava sua figura sem lhe tirar um único grau de autoridade. Mas o detalhe que a definia estava embaixo, nos pés. Não calçava sapatos de corte nem plataformas pesadas. Usava umas sandálias quase planas, de couro ocre e mostarda, gastas, com as dobras marcadas pelo uso. As unhas, pintadas de vermelho agressivo, apareciam entre as tiras. Aldonza gostava de amaciar o couro até que ele se rendesse ao seu pé. Assim como dobrava o reino. Assim como dobrava os homens.

Um passo atrás vinha Selene, a nova tenente. Uma visão que contrastava com a escuridão gótica de sua Rainha. Loura até o divino, com a cabeleira presa num rabo de cavalo alto que balançava com precisão militar. Usava uma armadura leve de couro endurecido e rebites de prata, ajustada como um espartilho tático, com um decote profundo que deixava entrever o ventre definido e a curva firme de duas tetas altas que empurravam contra o couro como se quisessem escapar. Suas sandálias de gladiadora trançavam as panturrilhas até a metade da coxa. Salto sólido, cinco centímetros, suficiente para ecoar na pedra sem perder agilidade. Os pés, expostos pelas correias, tinham arcos perfeitos e uma pedicure impecável. Na mão esquerda levava enrolado um longo chicote de couro preto.

O som dos saltos de Selene despertou Lía. A guarda piscou contra a luz, viu sua soberana à sua frente e empalideceu. Levantou-se num salto, alisando o uniforme amarrotado, e fez uma reverência apressada.

Aldonza parou a alguns metros do sofá. Não gritou. A decepção fria sempre era mais aterrorizante que a fúria.

—A negligência, Lía, é o primeiro passo para a traição —murmurou a Rainha, com voz de seda sobre lâminas—. Enquanto você dorme, o castelo apodrece. Acha que meus muros são vigiados com os olhos fechados?

Lía engoliu em seco, incapaz de erguer o olhar das sandálias gastas de sua monarca.

—Perdoai-me, minha Rainha. O cansaço da purga…

—Silêncio —cortou Aldonza com um gesto mínimo da mão de unhas vermelhas—. Quero tomar o desjejum aqui, no meu salão, contemplando o que possuo. Vá às cozinhas. Bandejas de prata. Uvas glaceadas, figos, queijo fresco, pão quente, o melhor vinho. E, se demorar demais, dormirá pendurada no arreio ao lado da mascote, com uma pica de madeira enfiada no cu até aprender a manter os olhos abertos.

Lía fez outra reverência profunda e saiu quase correndo, as botas soando com urgência.

Aldonza se voltou lentamente para o fundo do salão, onde Adrián continuava pendurado. Um sorriso torto, desprovido de calor, desenhou-se em seus lábios pintados.

—Selene, querida —ronronou—. Parece que nossa besta de carga cochilou no berço. Acorde-a. Tire-a daí.

—Como ordenar, minha Rainha.

A loura caminhou até o pilar. O contraste era de tirar o fôlego: a perfeição de Selene diante da carne suja e azulada de Adrián. Com movimentos precisos, retirou o peso que pendia dos testículos do prisioneiro, afrouxou a coleira e desfez os nós do arreio. Sem o suporte, o peso morto do escravo despencou de uma vez. Os joelhos bateram na pedra, os ombros estalaram, e a base da gaiola atingiu a pelve. O cateter se deslocou uma fração de milímetro e um relâmpago de fogo atravessou-lhe as entranhas, subindo do pau enjaulado até a boca do estômago. Um grito surdo, animal, escapou-lhe.

Ficou encolhido no chão, tremendo. A língua, seca como lixa colada ao céu da boca. A desidratação o consumia por dentro.

—Está com sede —constatou a Rainha, com frieza clínica—. A febre precisa de líquidos ou os rins vão falhar e a diversão acabará depressa. Hidrate-o, Selene. Mas faça isso segundo nossos costumes.

Selene esboçou um sorriso deslumbrante. Caminhou até uma pequena fonte lavrada numa lateral do salão, tomou um cálice de prata incrustado de rubis e o encheu até a borda. Voltou e parou exatamente diante do rosto de Adrián, que jazia colado ao chão. Suas sandálias de gladiadora ficaram a centímetros da boca do prisioneiro.

—Água, besta —disse, com a voz melódica ressoando na imensidão do salão—. Beba.

Adrián, movido pelo instinto, tentou erguer a cabeça em direção à taça. Mas Selene, com um movimento fluido, inclinou o cálice não para a boca dele, e sim sobre o próprio pé direito.

A água caiu em cascata sobre o peito do pé nu da tenente, escorreu pelas tiras de couro e gotejou até a pedra. Adrián entendeu na hora. A humilhação era absoluta, calculada ao milímetro. Mas a sede era um tirano mais forte que a dignidade. Com um gemido, lançou a boca rachada para a frente e começou a chupar e lamber o peito do pé de Selene. Agarrou as gotas geladas que deslizavam pela pele impecável, lambeu as tiras cruzadas, sugou o líquido preso entre o couro e a carne. Para ele, aquela pouca água era maná. O alívio lhe arrancou lágrimas. Tornou-se um cão sedento, sorvendo cada gota entre os dedos perfeitos da loura, ignorando a dor lancinante em sua uretra para conseguir um pouco mais.

—Isso, porco —sibila Selene de cima—. Mama meus dedos como se fossem a última rola que vai chupar. Mete o polegar inteiro na boca. Mais fundo. Chupa bem, como uma puta faminta.

Adrián obedeceu. Abriu os lábios gretados e enfiou o dedão do pé de Selene até a garganta. Sugou-o com avidez, a língua áspera envolvendo a falange, buscando cada resto de umidade entre os dedos. Selene apertou o polegar contra o palato do escravo, brincando com ele, sentindo como a língua se retorcia por baixo. Depois o tirou devagar e o apoiou nos lábios machucados de Adrián, besuntados de saliva.

—Agora os outros —ordenou, e lhe ofereceu a sola inteira.

O prisioneiro passou a língua por toda a sola do pé da tenente, chupando entre um dedo e outro com o desespero de um moribundo. Selene foi vertendo mais água, bem pouca de cada vez, obrigando-o a lamber cada vez mais superfície. O couro ocre das tiras encharcava-se de saliva e água misturadas, e Adrián lambia tudo, a pele, o couro, a pedra fria onde caíam as gotas que escapavam. Seu pau, embora preso no aço, teve um solavanco obsceno dentro da gaiola. O cateter o castigou com uma pontada elétrica por tamanha insolência. Ainda assim, a própria humilhação o excitava, e a excitação, aprisionada, virava nova tortura.

—Olha só, minha Rainha —riu Selene, vendo o escravo agitar os quadris por instinto—. A besta fica excitada enquanto mama meus pés. A gaiola está espremendo o pau dele e mesmo assim o desgraçado quer gozar.

—É o que os homens são, querida —respondeu Aldonza do trono, cruzando as pernas com lentidão calculada—. Cães. Goza-se neles com o que quer que se jogue em cima.

Selene o observava de cima, imóvel, deixando a língua áspera do escravo limpar seu calçado até não restar uma única gota.

***

Quando o cálice ficou vazio, as portas se abriram de novo. Lía empurrava um carrinho carregado de bandejas de prata. O aroma de pão recém-assado, figos doces e vinho temperado encheu o ar. O estômago vazio de Adrián roncou.

—Excelente —murmurou Aldonza—. Tire as algemas dele, Selene. Não quero metal arranhando o mobiliário. E o coloque na posição. Meu trono é confortável, mas um desjejum informal pede um suporte adequado para minha convidada.

Selene tirou uma chave do cinto e abriu as algemas que prendiam os pulsos do escravo às costas. Ao ser libertado, os ombros de Adrián estalaram com uma dor paralisante e o sangue voltou a correr pelos dedos entorpecidos em um formigamento agônico.

—De quatro. Junto à mesa baixa —ordenou Selene, fazendo o couro do chicote estalar de leve. Não foi preciso mais nada.

Adrián, gemendo, rastejou até a mesa de carvalho onde Lía arrumava o desjejum. Apoiou as palmas e os joelhos esfolados nas lajotas frias, paralelo ao móvel. Manteve a cabeça baixa. A coleira pesava no pescoço e a gaiola pendia perigosamente perto do chão entre as coxas.

Aldonza se acomodou no trono e cruzou as pernas, deixando uma sandália ocre suspensa no ar com arrogância. Selene, com graça felina, aproximou-se do escravo, virou-se de costas e sentou sobre ele.

O primeiro impacto do peso lhe arrancou um suspiro abafado. A coluna cedeu ligeiramente. Selene não era pesada, mas o couro endurecido de sua armadura, os rebites de prata, as armas e, sobretudo, a concentração do peso sobre as vértebras lombares, impunham uma opressão sufocante. Ajustou as pernas, apoiou as solas na pedra e distribuiu o peso. Adrián tornou-se um banquinho humano perfeitamente estável.

Não era uma dor que rasgava a carne, não era o fogo do ferro em brasa. Era uma tortura sustentada. A humilhação física de ser transformado, literal e figuradamente, em um móvel.

Aldonza e Selene conversavam com vozes cristalinas que ressoavam nas abóbadas. Falavam da temperatura do vinho, da textura dos figos, dos impostos das províncias do sul, da estética das novas armaduras. Cortavam queijos, descascavam frutas, brindavam com taças de prata. As risadas claras flutuavam como sininhos.

E, embaixo, sustentando a tenente, Adrián precisava permanecer absolutamente imóvel. O estômago roncava. O suor frio lhe perlava a testa. Braços e coxas tremiam pela tensão isométrica. Se os cotovelos cedessem um milímetro, se as costas se arqueassem para aliviar a pressão, o corpo de Selene se desestabilizaria.

Quando isso acontecia, ela não o espancava. Simplesmente ajustava a postura. Cruzava as pernas, mudava o peso de uma nádega para a outra para recuperar o conforto. E esse era o verdadeiro inferno.

Cada vez que Selene se movia sobre suas costas, a pele e os músculos de Adrián se esticavam e contraíam. Esse movimento microscópico era transmitido à pelve. A gravidade fazia o cadeado e a base da gaiola oscilarem milimetricamente. Esse balanço bastava para que o cateter estriado, cravado na uretra, se deslocasse uma fração. As estrias de aço frio roçavam contra o tecido inflamado, em carne viva, banhado em ácido. Uma pontada elétrica lhe atravessava desde a base do ventre até a garganta.

Mordia os lábios até quase sangrar para não gritar. Um gemido, uma queixa, arruinariam o desjejum apaziguado de sua monarca, e ele sabia que o castigo seria voltar ao pilar ou, pior, ordenar a Lía que lhe colocasse o peso de chumbo.

Meia hora depois, Aldonza largou o cacho de uvas sobre o prato de prata e cravou os olhos escuros em sua tenente. Passou a ponta da língua pelo lábio superior, um toque mínimo, e bebeu um longo gole de vinho.

—Selene, estou com a xana molhada desde que a vi lamber seus pés —disse com a mesma naturalidade com que pediria mais pão—. E não vou esperar até a noite. Venha cá.

Selene se ergueu das costas de Adrián com um movimento fluido. A ausência súbita do peso foi quase tão dolorosa quanto sua presença; os músculos tremeram sem controle. Mas antes que ele pudesse desabar, a voz cortante de Selene o pregou ao chão.

—Você não se mexe, besta. Continua sendo mobiliário.

A loura aproximou-se do trono. Aldonza ergueu a saia de veludo carmesim sobre os quadris, deixando à mostra as coxas pálidas, arredondadas, sem roupa íntima. A xana da Rainha, depilada e brilhante, se abria rosada entre as pregas, já reluzente de excitação. Recostou-se no trono, abriu as pernas escancaradas e deixou uma sandália pendendo sobre o apoio do braço.

—Come —ordenou a Selene—. E faça bem devagar. Que a mascote ouça como eu fico quando gozo.

Selene se ajoelhou entre as coxas de sua Rainha com a elegância de um ritual ensaiado mil vezes. Soltou o rabo de cavalo e a cabeleira loura caiu como uma cortina de ouro sobre os quadris de Aldonza. Enterrou a boca na xana da monarca sem mais preâmbulos e começou a lamber com uma língua larga, longa, plana, de baixo para cima, do períneo ao clitóris. Aldonza soltou um suspiro grave, um gemido de prazer contido, e agarrou o rabo de cavalo desfeito de Selene, enredando os dedos no cabelo dourado.

—Isso, puta loura. Mama meu clitóris. Chupa como eu te ensinei.

Selene fechou os lábios em torno do clitóris inchado da Rainha e o sugou, movendo a ponta da língua em círculos rápidos. Um de seus dedos, com a unha impecável, penetrou na xana de Aldonza. Depois dois. Três. Tirava-os brilhantes de fluido, tornava a enfiá-los com um estalo úmido que ressoava entre as abóbadas do salão. A Rainha se retorcia no trono, apertando o rosto da tenente contra seu sexo, montando-lhe a boca sem nenhum pudor.

Adrián, tremendo sob a mesa, não conseguia fechar os olhos. A cena estava a apenas um metro dele. Via o rabo de cavalo louro se agitando entre as coxas da Rainha, ouvia as lambidas úmidas, os gemidos roucos de Aldonza, o chapinhar obsceno dos dedos de Selene entrando e saindo daquela xana encharcada. Seu próprio pau, morto de dor dentro da gaiola, tentou outra vez inchar. As grades lhe cravaram no prepúcio e as bolas inchavam ainda mais, arroxeadas e prestes a estourar. O cateter arranhou sua uretra por dentro. Um fio fino de líquido pré-seminal, misturado com sangue, escorreu pelo aço e caiu no chão entre seus joelhos.

Aldonza viu a humilhação do escravo e soltou uma gargalhada gutural enquanto a língua de Selene continuava trabalhando.

—Olha, olha como a besta baba —arquejou a Rainha—. Está caindo leite pela gaiola sem poder se tocar. Continua, Selene, mais rápido, mama minha xana mais rápido, quero gozar na frente dele, quero que ele veja o que nunca mais vai ter.

Selene acelerou. Os três dedos entravam e saíam da xana da Rainha num ritmo brutal, curvando-se para dentro, golpeando o ponto exato. A língua não se desgrudava do clitóris, chicoteando-o, esmagando-o, sugando-o. Aldonza arqueou as costas, fechou as coxas ao redor da cabeça loura de sua tenente e explodiu em um orgasmo longo, rouco, animal. Molhou o rosto de Selene, encharcou-lhe o queixo, a mandíbula e o pescoço. A loura continuou lambendo, engolindo os espasmos, até a última contração de Aldonza cessar.

A Rainha se ergueu, ofegante, com as faces coradas. Olhou para baixo, para a criatura babando sob a mesa. Fez um gesto seco para Selene.

—Dê-lhe de comer, querida. Que ele lamba o que sobrou. Eu não desperdiço.

Selene se levantou com o rosto brilhante, besuntado pelos fluidos da Rainha. Caminhou até Adrián, abaixou-se diante dele e agarrou-lhe o queixo. Aproximou a boca a menos de um dedo da dele. O escravo sentiu o cheiro do sexo de Aldonza, doce, denso, íntimo, misturado ao hálito quente de Selene.

—Abre a boca, porco —sussurrou—. Limpa o que eu tirei da tua Rainha.

Adrián abriu os lábios rachados. Selene cuspiu dentro de sua boca todo o fluido que guardara. Depois passou a língua pelo rosto do escravo, obrigando-o a lamber dela o queixo, a mandíbula, tudo o que lhe tinha escorrido do orgasmo de Aldonza. Adrián lambia com desespero, com a fome do castigo eterno, engolindo cada gota, sentindo o gosto descer pela garganta seca. Seu pau enjaulado deu outro solavanco impossível e as bolas murcharam de puro suplício. Teria dado um braço para gozar. Não podia. Nunca podia.

—Bom cão —disse Selene, dando-lhe um tapa leve na bochecha como se faz com um animal bem treinado.

Ergueu-se, refez o rabo de cavalo e voltou a se sentar nas costas do escravo como se nada tivesse acontecido, para terminar a taça de vinho que a esperava sobre a mesa.

Aldonza mastigava lentamente um bago de uva glaceada e bebia pequenos goles de vinho escuro. Seus olhos pousaram na composição que tinha diante de si. Como monarca obcecada pela estética do poder, a cena a fascinava. A perfeição loura de Selene, o cabelo captando a luz, a postura ereta na armadura, a beleza intocável. E abaixo, servindo de assento, a anatomia destruída de Adrián: um homem reduzido a pele suja, pescoço aprisionado pelo ferro, genitais encerrados, humilhado, silencioso, quebrado. A divindade descansando sobre a miséria. Para Aldonza, aquela era a verdadeira imagem do poder de sua Coroa.

***

O desjejum se prolongou por mais uma hora agonizante. Quando por fim Aldonza limpou os lábios manchados de carmesim com um guardanapo de linho e assentiu, Lía se apressou a recolher as bandejas.

Selene se levantou com graça. Com o desaparecimento do peso, a coluna do escravo estalou e um alívio doloroso o invadiu, seguido de um gemido surdo quando a gaiola se acomodou pela gravidade. Adrián deixou-se cair de lado, exausto, os braços estendidos sobre a pedra.

Aldonza se ergueu. O veludo arrastou um sussurro opulento. Olhou para o prisioneiro com uma mistura de tédio e cálculo.

—Leve a mascote para passear pelos corredores internos —decretou—. Faça-a se mover. Os músculos atrofiados não me servem para os jogos desta noite. Exercício, mas lembre-a de qual é o lugar dela. E, se cruzar com alguma serviçal, faça-a lamber a xana da que você escolher. Que as criadas se acostumem a besta servir a todas as minhas mulheres, não só às de sangue azul.

Selene se virou. Um sorriso radiante e frio como gelo desenhou-se em seu rosto de anjo. Olhou para Adrián como se olha para um cão de presa que precisa sair. Puxou a corrente de aço da coleira, enrolou dois elos na mão enluvada e ergueu com autoridade seca.

Os dentes da coleira morderam o pescoço do escravo, que se viu obrigado a se levantar depressa. Antes que pudesse ficar de pé, um puxão descendente deixou claro o seu papel.

—De quatro, besta —ordenou a loura com voz de cristal—. Os cães da Rainha não andam sobre duas pernas.

E assim começou o passeio.

Selene avançou até as portas duplas que ligavam o salão aos corredores internos. Seu passo era elegante, rítmico, seguro. O clac, clac, clac das sandálias ressoando na pedra tornou-se o metrônomo do sofrimento de Adrián. O escravo rastejava atrás, arrastando os joelhos e as palmas que começavam a se esfolar nos mosaicos.

A biomecânica do engatinhar era uma tortura feita sob medida. Cada vez que avançava um joelho, os quadris basculavam. O movimento agitava a gaiola entre as pernas, o cateter roçava contra o tecido em carne viva. O fogo, que havia adormecido um pouco com a imobilidade, reacendeu-se com a fricção. Uma queimadura surda, um ardor agudo e lancinante que o acompanhava a cada metro. Os testículos inchados pendiam entre as coxas, batendo contra a parte interna delas a cada movimento, e cada solavanco o fazia apertar os dentes.

Mas a espada tinha dois gumes. A Rainha tinha acertado: os músculos, abarrotados de ácido lático depois da noite no arreio, precisavam de movimento. O engatinhar contínuo, embora doloroso, alongava os isquiotibiais e bombeava sangue para as panturrilhas entorpecidas. Era uma clemência profundamente condicionada. Sobreviver ao preço da fricção uretral.

Se se atrasasse um só segundo, se a dor o fizesse hesitar, a corrente se esticava no mesmo instante. A inércia do corpo de Selene puxava a coleira, os dentes de metal se cravavam na traqueia, cortavam-lhe o ar e ameaçavam esmagar a laringe. Adrián se via forçado a acelerar, a ignorar a dor, ofegando para manter a folga da corrente e poder respirar.

E depois havia a destruição psicológica.

Os corredores não estavam vazios. À medida que Selene passeava com sua mascote, cruzavam com o pessoal de serviço. Criadas com cestos de roupa, guardas em armadura, copeiros e escravos de menor posto paravam e se encostavam às paredes para dar passagem à tenente. Todos baixavam o olhar diante dela em sinal de respeito, mas os olhos inevitavelmente se desviavam para a criatura que rastejava atrás. Viam Adrián, completamente nu, coberto de hematomas, com os joelhos ensanguentados, uma coleira de espinhos no pescoço e os genitais expostos no aço reluzente da gaiola. Viam a baba pendendo da boca pelo esforço de respirar, a submissão absoluta nos olhos derrotados.

No terceiro corredor, Selene parou diante de uma moça da cozinha, uma jovem morena de quadris largos e peitos generosos sob o vestido de linho áspero. A moça tremeu e baixou a cabeça.

—Você —disse a tenente—. Levanta a saia e senta contra a parede. Minha Rainha ordenou que a besta sirva às mulheres do castelo. Eu escolho esta.

A moça arregalou os olhos, incrédula, mas obedeceu na mesma hora. Escorou-se na parede, ergueu o vestido até a cintura e abriu as pernas. Debaixo, não usava nada. Sua xana, morena e peluda, ficou à altura do rosto de Adrián. Selene deu um puxão brutal na corrente e empurrou a nuca dele contra a virilha da serviçal.

—Come a xana dela, porco. E faça direito, para ela gozar na tua cara. Se em cinco minutos eu não ouvir essa garota gemer, arranco teus dentes com o pomo do chicote.

Adrián não hesitou. Tirou a língua ressecada e a mergulhou entre as coxas da moça. Lambeu os lábios externos, subiu até o clitóris, chupou, mordiscou de leve, desceu de novo, meteu a língua inteira dentro da xana e a retorceu. A garota soltou um gemido tímido, apertou as palmas contra a parede e começou a ofegar. Selene, segurando a corrente, sorria. A moça sabia a suor e a especiarias de cozinha. O cheiro era denso, animal. Adrián lambia com o desespero de um condenado, chupando o clitóris da serviçal com a mesma boca que minutos antes tinha limpo o fluido da Rainha. O pau enjaulado pulsava nele, sangrava pelo cateter, e cada pulsação era uma descarga de fogo. Os corredores encheram-se dos suspiros da moça, cada vez mais altos, mais urgentes, até que a garota teve um espasmo, agarrou-se ao cabelo do escravo e gozou no rosto dele, molhando-lhe o queixo, a boca e o nariz.

—Boa besta —disse Selene, satisfeita, e puxou a corrente—. Pronto. A moça já pode voltar a lavar.

A serviçal se deixou cair contra a parede, trêmula, o rosto vermelho, incapaz de encarar alguém. Os outros criados que tinham visto a cena se apertavam contra as colunas, alguns excitados, outros pálidos, todos aprendendo a lição do dia: ninguém estava a salvo do capricho da Coroa.

Selene retomou o passeio. Adrián engatinhou atrás com o rosto encharcado, misturando o fluido da moça com as próprias lágrimas, com a baba, com o suor. A corrente continuava marcando o ritmo. Os saltos continuavam soando na pedra. Clac, clac, clac.

Ele era conduzido não como prisioneiro, não como homem castigado, mas como uma mascote exótica e quebrada, arrastando-se atrás de uma deusa loura e inalcançável cujos saltos marcavam impiedosamente o ritmo de sua condenação sob a sombra eterna da Coroa.

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