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Relatos Ardientes

As gêmeas idênticas que me dominaram as duas

Gêmeos idênticos costumam seguir um de dois caminhos. O primeiro é buscar se diferenciar a qualquer custo: se vestem de forma distinta, escolhem escolas separadas, marcam a própria individualidade como se a vida dependesse disso. O segundo é o oposto, e é o que importa nesta história. Há quem decida ser uma só pessoa repartida em dois corpos, e aprende muito cedo que essa simetria pode virar uma arma.

Renata e Romina pertenciam ao segundo grupo. Nasceram numa casa modesta de um bairro tranquilo de Córdoba, filhas de uma mãe viúva que fazia turnos duplos num ateliê têxtil e de um pai que nunca conheceram além de fotos amareladas. A mãe, exausta e prática, as criou com a mesma roupa de liquidação, o mesmo corte reto que ela mesma fazia com tesouras de cozinha, o mesmo gesto cansado ao olhá-las. «Vocês são uma só», repetia. «O que acontece com uma acontece com a outra».

Na escola, já brincavam de se trocar. Renata, a que chorava fácil e pedia licença para tudo, virava Romina quando precisava se defender das gozações. Romina, a que respondia com palavras cortantes, se transformava em Renata quando convinha agradar às professoras. Ninguém as distinguia. Nem os professores, nem os colegas, nem mesmo a mãe nos dias de mais cansaço. Elas sabiam disso e usavam. Era o primeiro poder que compartilhavam.

Só aos dezoito descobriram algo mais profundo, mais perigoso. Uma era pura doçura; a outra, lâmina. Uma conquistava com a voz trêmula e os olhos baixos; a outra, com a agressividade de quem empurra contra uma parede e morde. Resolveram se revezar com um mesmo rapaz do bairro, um garoto de vinte anos que trabalhava no mercadinho da esquina. Renata transou com ele primeiro, mansinha, por cima dele, rebolando devagar, deixando-o gozar dentro com um gemido tímido e as bochechas vermelhas. Duas horas depois Romina o esperava nua no mesmo quarto, com a mesma cara; cravou as unhas no peito dele, cuspiu na boca dele e o obrigou a chupar sua buceta até ele gozar no rosto dela. Deixou marcas de mordidas nos mamilos e nas coxas dele. No dia seguinte, Renata mostrava as marcas e dizia chorando: «caí da bicicleta, amor», e o rapaz acreditava. Homens eram ferramentas, brinquedos compartilhados. «O que eu dou, a outra recebe», diziam no escuro do quarto que dividiam, se tocando em camas separadas para adormecer. «O que eu tiro, a outra perde».

***

Quando tinham vinte anos, a mãe morreu de infarto. Ficaram sozinhas no apartamento pequeno, sem herança além de dívidas e do hábito de serem indistinguíveis. Decidiram que jamais se separariam. Se inscreveram juntas no curso de Psicologia da universidade pública, porque entender a mente alheia lhes dava vantagem. Usavam a mesma conta, o mesmo perfil nas redes, a mesma agenda. Quando uma saía com alguém, a outra estudava seus gostos, suas fraquezas, seus medos. Preparavam o terreno como caçadoras pacientes.

Damián apareceu quando elas tinham vinte e quatro anos. Viram-no numa festa da faculdade: alto, tímido, de sorriso fácil, daqueles que coram quando recebem elogios. Renata se aproximou primeiro. Foi doce, vulnerável, perfeita, e o conquistou em semanas com beijos suaves e confissões sussurradas. A primeira vez que transou com ele fez isso devagar, na cama de solteiro, por cima dele, com os seios pendendo perto da boca para que ele os chupasse. Disse «eu te amo» enquanto ele enchia sua buceta de leite e chorou um pouco de alegria contra o pescoço dele. Romina, trancada no banheiro com a porta aberta um centímetro, ouvia tudo enquanto se tocava em silêncio, fazendo anotações mentais.

—Ele é submisso por natureza —disse à irmã naquela mesma noite, enquanto se maquiavam diante do mesmo espelho—. Quando você acaricia os ovos dele, ele já endurece na hora, mas baixa o olhar, como se pedisse permissão para gozar. Ele gosta de ser guiado, mas se envergonha de admitir isso. Podemos quebrá-lo e reconstruí-lo do nosso jeito.

O plano nasceu ali, entre cremes e escovas de dentes. Não era vingança nem maldade gratuita: era completude. Renata precisava amar e ser amada com ternura. Romina precisava dominar, humilhar, possuir. Damián seria a ponte perfeita entre as duas metades. Seduzi-lo-iam, o quebrariam, o moldariam até que ele não pudesse existir sem elas. Tinha três fases, desenhadas com paciência cirúrgica.

Durante seis meses, enquanto Renata construía o relacionamento «oficial», Romina trabalhava nas sombras. Vasculharam juntas o celular de Damián numa noite em que ele adormeceu, e leram suas buscas: «namorada dominante», «feminização», «obediência», «viado obrigado a chupar pau», «corno humilhado». Guardaram capturas de tela numa pasta criptografada. «Não vamos improvisar», diziam diante do espelho, se maquiando de forma idêntica. «Quando ele cair, que caia tão fundo que nunca consiga se levantar sozinho».

***

A primeira fase chegou no dia exato em que Renata «tinha uma prova final e não podia vê-lo». Romina vestiu a mesma roupa, o mesmo perfume, o mesmo corte liso até os ombros. Tudo idêntico.

Damián chegou naquela tarde com o sorriso de sempre. Ela —ou foi o que ele pensou— o recebeu com um beijo suave nos lábios. A mesma blusa branca levemente transparente que ele tanto gostava, sem sutiã por baixo, os mamilos marcando escuros sob o tecido. Levou-o ao sofá entre risos adolescentes, sentou-se de pernas abertas sobre ele e começou a lamber-lhe o pescoço como Renata fazia sempre. Mas havia algo diferente na forma como o tocava: mais segura, mais exigente. Enfiou a mão por dentro da calça sem perguntar, apertou o pau dele por cima da cueca até ficar duro como pedra e sussurrou no ouvido: «que pau gostoso que você tem, seu idiota». Quando ele tentou assumir o controle como de costume, empurrá-la para trás para desabotoar a blusa, uma mão firme segurou seu pulso e o levou para cima da cabeça.

—Hoje quem manda sou eu —disse ela com voz baixa, quase rouca.

Damián sorriu, achando que era um jogo novo. Gostava quando Renata ficava brincalhona. Mas o jogo não parou onde sempre terminava. Ela o empurrou de costas, arrancou a camiseta com uma força que ele não reconhecia na namorada e baixou a calça até os joelhos com um puxão. O pau saltou duro, pingando na ponta. Ela o agarrou com a mão, apertou forte, agachou-se e cuspziu um fio grosso de saliva de cima. Depois o enfiou inteiro na boca, até o fundo, até Damián sentir a garganta dela se fechando ao redor da glande. Chupava devagar, olhando nos olhos dele, com uma crueldade nova. Quando ele começou a ofegar, ela o tirou de repente com um estalo, deu dois tapinhas suaves no rosto dele com o pau ensalivado e sorriu.

—Ainda não, meu amor. Quando eu disser.

Damián franziu a testa, confuso. Ela nunca falava assim. Mas antes que pudesse processar, ela já tinha tirado a saia e a calcinha num único movimento. Tinha a buceta depilada, brilhante, a fenda já aberta de tesão. Sentou-se sobre ele sem preliminares, sem as carícias suaves às quais ele estava acostumado, e o enfiou inteiro de uma vez só, numa descida longa que arrancou dele um gemido gutural. Começou a foder duro, possessiva, apoiando as mãos no peito dele, cravando as unhas até fazer riscos vermelhos. Subia e descia batendo as nádegas nas coxas dele, apertando a buceta ao redor da rola como um punho.

—Olha a minha buceta entrando e saindo —ordenou—. Olha como eu ordenho teu pau.

Damián obedeceu, hipnotizado. Quando tentou protestar pelo ritmo bruto, ela tampou a boca dele com a palma e se inclinou até roçar o nariz no dele.

—Shhh. As boazinhas ficam quietinhas quando estão sendo usadas. Você agora é meu putinho. Se mexe quando eu mandar.

A frase bateu em cheio no cérebro dele. Ela continuou sugando seu pau até fazê-lo tremer. Quando sentiu que ele ia gozar, levantou-se de repente, apertou os ovos dele com a mão para cortar o orgasmo e encostou a buceta no rosto dele.

—Chupa. Tira o leite de dentro de mim.

Damián nunca tinha feito aquilo. Nunca. Mas abriu a boca e pôs a língua para fora, e ela esfregou a buceta no rosto dele até gozar com um gemido longo, apertando a cabeça dele contra o púbis, sufocando-o entre as coxas. Depois montou de novo no pau dele e se deixou encher de porra com um suspiro longo, quase entediado, como se o orgasmo dele fosse mera formalidade.

Quando terminaram, ela não se aninhou contra ele. Levantou-se com o leite escorrendo pela coxa, pegou o celular de Damián da mesa, desbloqueou —sabia a senha, claro— e começou a gravar um vídeo curto: ele nu, suado, com marcas vermelhas no peito, o pau ainda brilhante de fluidos, o rosto besuntado.

—Sorri pra câmera —ordenou—. E diz: «obrigado, senhora, por me foder como eu mereço».

Damián congelou.

—O que… o que você está fazendo, amor?

O sorriso que recebeu não era o de Renata. Era afiado, cruel, triunfante.

—Renata não está aqui. Sou Romina. E agora eu tenho um vídeo lindo seu me implorando para te comer mais forte enquanto você dizia «sim, senhora» e chupava minha buceta cheia do teu próprio leite. Muito útil para o que vem aí.

O mundo dele desabou em três segundos.

***

Os dias seguintes foram um carrossel de terror e excitação doentia. Romina mandava mensagens do mesmo número que Renata usava, a qualquer hora. Capturas do vídeo congeladas no momento mais humilhante. Áudios com a própria voz dele suplicando «me come mais forte, senhora, sou sua putinha».

«Se você não aparecer na minha casa às oito com a roupa que eu indicar, isso vai para o grupo da faculdade, para o seu chefe e para a sua família. Entendeu?»

A primeira ordem foi simples: meias pretas até a coxa, uma tanga de renda vermelha, uma camiseta justa de Renata sob um sobretudo longo. Quando chegou, tremendo, Romina o recebeu vestida exatamente igual de sempre, com o mesmo delineado perfeito.

—Ajoelha e beija meus pés para me cumprimentar —disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Damián obedeceu. Não tinha opção. Beijou os dorso dos pés, os tornozelos, os dedos um por um enquanto ela o olhava de cima com desprezo. Depois ela o obrigou a abrir a boca e cuspiu dentro.

—Engole. Esse vai ser teu café da manhã daqui pra frente.

Nessa noite ela o ensinou a chupar um pau usando um consolador grosso. Fez ele praticar até a máscara borrar com os engasgos, até fios de saliva pendurarem do queixo, até Romina, satisfeita, apertar a garganta dele contra o látex e dizer «assim, boneca, essa é a boca de uma puta profissional». Depois sentou-se no sofá com as pernas abertas e obrigou-o a comer sua buceta ajoelhado durante uma hora, corrigindo o ritmo da língua com puxões de cabelo. Quando finalmente gozou, encharcou o rosto dele e proibiu que se limpasse. Damián dormiu naquela noite no chão, ao lado da cama, com a buceta alheia secando nas bochechas.

As sessões viraram rotina, e cada ordem era calculada para erodir sua identidade peça por peça. Primeiro, a lingerie feminina sob o traje de escritório, «pra você sentir que já não é homem nem no trabalho». Depois, a depilação completa do corpo, incluindo ovos e cu, as unhas pintadas, a regra de não gozar sem permissão. Romina colocou um anel de silicone apertado na base do pau que o impedia de acabar por mais duro que ficasse por horas. Ensinou-o a fazer o gozo sair «como uma putinha, em gotas, sem gemer». Enfiou os dedos no cu dele pela primeira vez numa tarde de terça-feira, depois um plug pequeno, depois um maior, depois o consolo. Quando finalmente o fodeu com um arnês, Damián chorou de bruços contra o travesseiro enquanto gozava sem se tocar, e Romina recolheu o leite dos lençóis com um dedo e o colocou na boca dele para que ele chupasse.

—Queremos que ele odeie o que fazemos com ele —explicava a Renata enquanto as duas revisavam as fotos novas do cu aberto dele— e que ao mesmo tempo precise disso mais do que de ar.

Porque o mais enlouquecedor para Damián era que, ao mesmo tempo, continuava vendo «Renata». Continuava sendo doce, carinhosa, tímida na cama. Pedia permissão para chupar o pau dele, corava quando ele abria as pernas, dizia «eu te amo» com aquela voz suave que o deixava louco enquanto ele lambia sua buceta devagar e ela gozava com suspiros de virgem. Partida em dois, ele não sabia como conciliar a namorada que fazia amor com ternura infinita com a dona implacável que o comia com arnês e o mandava chupar consolos. E não podia contar isso a ninguém: contar a Renata seria contar à mesma pessoa que o estava aniquilando.

O pior era que Renata, em algumas noites, depois de transar com ele como sempre, lambia o sêmen do umbigo dele com delicadeza e sussurrava: «você é o amor da minha vida, Dami». E Romina, três horas depois, mandava um áudio: «amanhã às dez, de tanga rosa, você vai chupar dois paus novos pra mim, entendeu, putinha?». A mesma voz. A mesma boca. A mesma saliva que o tinha beijado com amor.

***

A terceira fase chegou numa noite em que Romina o levou mais longe.

—Hoje você vai trabalhar, boneca.

Vestiu-o por completo: peruca longa castanha idêntica ao cabelo das irmãs, maquiagem profissional, corpete, meia arrastão, minissaia, saltos altos. Por baixo, uma tanguinha mínima que mal cobria o pau preso para trás com fita. Olhou-o no espelho e sorriu.

—Você está linda. Ninguém vai notar que você não é uma de nós. Nem mesmo com o pau preso entre as pernas dá pra perceber.

Levou-o a um hotel discreto no centro. Um cliente esperava no quarto 304: um homem gordo, de terno caro e olhar faminto, por volta dos cinquenta, com a barriga transbordando o cinto. Romina negociou o preço na porta, colocou um maço de notas na mão de Damián e sussurrou no ouvido dele:

—Se você não fizer ele gemer alto o bastante para eu ouvir do corredor, eu mando tudo para a Renata. Quero que ela veja a puta que você é de verdade. E lembra: ele goza na tua boca e você engole tudo, nem uma gota pra fora.

Damián entrou com as pernas tremendo. O homem não disse uma palavra. Fechou a porta, sentou-se na cama e abriu o zíper. Tirou um pau grosso, escuro, já semiduro. Fez um gesto com dois dedos.

—Vem, gostosa. De joelhos.

Damián chorou em silêncio enquanto se ajoelhava entre as pernas abertas do sujeito, com o corpete apertando as costelas, a peruca escorregando um pouco. Abriu a boca. A rola entrou inteira até a garganta e o homem segurou-o pela peruca para empurrar até o fundo, até os olhos dele lacrimejarem e fios de saliva escorrerem sobre o corpete. «Isso, putinha, chupa gostoso». Damián chupou os ovos dele, lambeu o pau da base à ponta, enfiou-o de novo até engasgar. Chorou mais alto quando o homem levantou sua saia, arrancou a tanguinha, cuspiu no cu dele e o fodeu dobrado sobre a cama, com os saltos ainda nos pés, metendo com força até fazê-lo gemer fino, como mulher. Damián gritou no travesseiro e gozou contra os lençóis sem se tocar enquanto o sujeito o cravava até o fundo, numa humilhação tão absoluta que ele se sentiu livre. Quando o homem acabou, virou-o de frente, fez sentar no chão e abrir a boca. Despejou a porra sobre sua língua em jatos grossos, alguns nos lábios pintados, outros pelo queixo. Damián engoliu tudo. Cada gota. Mostrou a língua vazia ao cliente como Romina lhe ensinara.

—Boa menina —disse o homem, e deu um tapa de leve em sua bochecha.

Do outro lado da porta, Romina ouvia de olhos fechados e uma mão dentro da própria calça.

As semanas viraram meses. Cinco clientes por semana, às vezes mais. Paus de todos os tamanhos, todas as idades. Ensinaram-no a foder de joelhos, de quatro, por cima, com dois paus ao mesmo tempo, um na boca e outro no cu. Aprendeu a dizer «papai» sem vergonha, a implorar por mais leite, a lamber solas de sapato, a tomar o gozo alheio de um copo como se fosse champanhe. O dinheiro crescia numa conta que só as gêmeas administravam. «Não é pela grana», esclarecia Romina enquanto contava notas sobre a cama, com Damián ajoelhado aos pés, a boca ainda brilhando de porra alheia. «É para ele entender que o corpo dele já não lhe pertence. Que cada peso que ganha é porque nós o vendemos». Renata assentia, corada e excitada ao mesmo tempo, tocando a buceta com dois dedos por cima da calcinha. «E quando ele não puder mais parar… contamos a verdade».

***

A noite da verdade foi num sábado qualquer. Damián chegou exausto, com a maquiagem borrada pelas lágrimas contidas, a peruca torta, o corpete apertando as costelas, três gozos de três clientes diferentes secando no cabelo e no decote. Entrou no apartamento que agora os três compartilhavam, porque fazia meses que não existia mais «a casa dele»: tudo era delas.

As luzes estavam baixas. Na sala, sobre a mesa, repousava uma coleira de couro preto com uma argola prateada, desta vez com uma plaquinha gravada: «Propriedade de R&R». Ao lado, um envelope com os extratos da conta onde se acumulava o dinheiro dos seus «trabalhos». O suficiente para entender que sua vida anterior já não existia.

Renata e Romina estavam sentadas no sofá, vestidas exatamente iguais: blusa branca, saia lápis, salto agulha, cabelo liso, delineado felino. Idênticas, como sempre. Damián parou na porta, ofegante.

—Ajoelha —disse a da esquerda. Voz suave, quase terna. Renata.

Ele caiu de joelhos no tapete por puro reflexo. As pernas tremiam.

A da direita se levantou, caminhou devagar, tomou seu queixo com dois dedos e o obrigou a encará-la.

—Olha bem. Olha para nós duas. Vê alguma diferença?

Damián negou com a cabeça, os olhos vidrados. Nunca havia conseguido distingui-las, nem mesmo agora.

—Nunca houve —disse Romina, com aquele sorriso afiado—. Nunca houve confusão. Nunca houve erro. Desde o primeiro dia em que Renata te beijou naquela festa, nós duas sabíamos exatamente o que íamos fazer com você.

Renata se aproximou pelo outro lado, agachou-se diante dele e acariciou sua bochecha com o dorso da mão, como quem consola uma criança.

—Eu te amo, Damián. De verdade. Foi por isso que te escolhemos. Porque você é doce, porque se entrega, porque precisa ser guiado, e porque consegue suportar o que Romina precisa te dar. Somos uma só pessoa. Eu sou a parte que te quer com ternura. Ela é a parte que te usa sem piedade. E você é a ponte que nos completa.

Romina se inclinou e falou no ouvido dele, rouca:

—Cada vez que Renata chupava teu pau devagar e dizia «eu te amo», eu estava olhando do outro quarto, me tocando na buceta. Cada vez que eu te comia o cu com o arnês até você chorar, ela sabia de tudo. Compartilhávamos as fotos, os áudios, cada passo do plano. Compartilhávamos também a cama depois, sabia? Quando terminávamos com você, a gente comia a buceta uma da outra falando de como você tinha se comportado naquela noite. Até o cliente de hoje: fui eu que contatei, mas Renata conferiu o perfil dele e disse «esse vai quebrar ele bonito».

Damián soluçou, um som quebrado, sufocado. Tentou falar e só saiu um gemido.

Renata pôs um dedo nos lábios dele. Depois esse mesmo dedo desceu, passou pela própria buceta por cima da saia e voltou até a boca dele, empurrando-o para dentro. Damián chupou por reflexo, engolindo o gosto dela.

—Shhh. Você não precisa dizer nada. Só precisa aceitar o que já sabe: você não consegue viver sem nós. Sem mim, te falta o amor. Sem ela, te falta o castigo que faz você se sentir vivo. E nós também não estamos completas sem você. Você é a nossa criação. Nosso brinquedo. Nossa extensão.

Romina pegou a coleira, abriu-a com um clique seco e a fechou no pescoço dele. Prendeu uma guia fina na argola.

—A partir de hoje não há mais segredos. Você mora com a gente. Dorme aos pés da cama. Quando uma quiser ternura, chama Renata e você deixa ela fazer amor com você como uma menina apaixonada. Quando a outra quiser usar você, chama Romina e você vem engatinhando de boca aberta. E quando as duas quiserem você ao mesmo tempo… —olhou para a irmã com cumplicidade— uma senta na tua cara e a outra te monta no pau, ou a gente enche teus buracos com dois consolos e te obriga a olhar a gente se beijando por cima de você. Você já sabe como isso termina.

Renata se ajoelhou ao lado dele e beijou sua testa com doçura infinita.

—E o dinheiro é nosso. O que você ganha com esse corpo que já não te pertence vai para a conta das duas. Você não precisa de dinheiro. Precisa de donas.

Damián fechou os olhos. As lágrimas escorriam pelo rosto, misturando-se à maquiagem borrada. Não havia raiva nem resistência. Só uma aceitação profunda, quase religiosa. Romina puxou suavemente a guia e ele engatinhou para frente, até ficar entre as pernas das duas.

As gêmeas ergueram as saias ao mesmo tempo, com o mesmo gesto. Nenhuma usava calcinha. Duas bucetas idênticas, depiladas, brilhantes, se abriram diante do rosto dele. Damián não soube qual era qual, e já não importava.

—Diz —ordenou uma das duas.

Damián engoliu em seco. Voz trêmula, mal audível:

—Sou de vocês. Das duas. Para sempre.

—Boa menina —murmurou Renata, acariciando-lhe o cabelo enquanto empurrava o rosto dele contra a buceta da irmã. Romina apertou a nuca dele com as duas mãos e ele pôs a língua para fora, obediente, e começou a lamber. Depois as gêmeas se revezaram. Depois abriram sua boca entre as duas, encheram-na com os dedos molhados de fluidos, riram quando ele engasgou. Terminaram gozando as duas no rosto dele ao mesmo tempo, de mãos dadas, olhando uma nos olhos da outra, ofegantes com o mesmo gemido idêntico.

As gêmeas se olharam por cima da cabeça encharcada dele. Sorrisos idênticos, triunfantes, completos. O plano havia terminado, não com destruição, mas com fusão. Damián já não era Damián: era a terceira peça que as tornava uma só entidade indivisível, uma só alma repartida em três corpos que nunca mais se separariam.

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