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Relatos Ardientes

Diante do espelho, revivo o que meu amo me ensinou

Renata estava de pé no banheiro amplo de sua casa, uma construção isolada nos arredores do povoado, onde o único som era o do vento se insinuando entre os eucaliptos. O espelho de corpo inteiro, com sua moldura de madeira antiga, devolvia a imagem inteira sob a luz morna de uma luminária de chão. Aos cinquenta e quatro anos, ela ainda era uma mulher de curvas, suavizadas pelo tempo, mas não apagadas. A pele, ainda firme em alguns trechos, mostrava as marcas honestas dos anos: estrias prateadas nas coxas, seios que caíam com o próprio peso, um ventre que se arredondara sem pedir permissão.

Ela se olhou com dureza, quase com rancor. Já não era a mulher que fazia cabeças se virarem, a que provocava desejo com um simples olhar de esguelha. Agora, naquela solidão que ela mesma escolhera, suas únicas amantes eram as próprias mãos.

Ela tirou o robe de seda devagar e o deixou cair no chão como uma pele que já não lhe servia. Seus olhos se cravaram no reflexo: os mamilos escuros, endurecidos pelo ar frio; os pelos aparados em um triângulo caprichado; os quadris largos que tantas vezes tinham sido o prêmio de algum homem. Mas ninguém mais a tocava. Ninguém, além dela.

Com um suspiro entrecortado, ergueu uma mão e a deslizou pelo pescoço, descendo pelo sulco entre os seios. Seus dedos longos percorreram a pele com uma lentidão deliberada, como se explorassem um território proibido. Sentiu um arrepio quando beliscou um mamilo e o puxou com força, até a dor se misturar a um prazer agudo.

— Ah… — murmurou, a voz rouca ricocheteando no silêncio.

O outro mamilo recebeu o mesmo tratamento, um beliscão cruel que a fez se contrair inteira por dentro.

Ela se virou de lado para julgar suas nádegas no espelho. Já não eram tão firmes como antes, mas ainda conservavam aquela redondeza que pedia uma mão por cima. Ergueu o braço e o deixou cair com um golpe seco contra a nádega direita. O estalo reverberou pelas paredes, agudo, e logo veio a ardência se espalhando como fogo líquido. Bateu de novo, mais forte, imaginando que era a mão dele: firme, segura, dona. A pele se acendeu sob o impacto e ela arquejou, sentindo o calor se infiltrar até a virilha.

Agora era apenas a própria mão que a castigava. Mas, na cabeça dela, era o eco de um passado que a marcara para sempre. O amo que a havia dominado, ele e mais ninguém, na intimidade de seus encontros a portas fechadas, até que uma doença miserável o levou embora cinco anos atrás. Desde então, ela se sentia um recipiente vazio. Quando alguém se entrega por completo a um amo, a droga entra no corpo e no sangue, e nada mais a substitui.

Ela se sentou na beira da banheira e abriu as pernas diante do espelho para se ver por inteiro. Os lábios, inchados pela excitação crescente, brilhavam com uma umidade precoce. Renata lambeu os dedos e os levou ao clitóris. Roçou-o em círculos suaves no início, lembrando do que fora na juventude: uma mulher que caminhava como um desafio, saias curtas, saltos que batiam na calçada como uma provocação. Os olhares a seguiam pelas ruas, nas festas, nos bares. Homens e também mulheres a despiam com os olhos, imaginando como seria tê-la. Ela brincou com isso durante anos, flertando, seduzindo, deixando um rastro de desejo por onde passava.

Até que ele apareceu. Seu amo.

Renata acelerou o ritmo dos dedos, enfiou dois dentro de si enquanto o polegar pressionava o clitóris com insistência. Lembrava da primeira vez: um encontro casual numa galeria de arte, onde os olhares se cruzaram e ele, com um sorriso tranquilo, a convidou para um café em seu apartamento. No começo, tudo foi sutil, silencioso. Não houve clubes nem multidões, só os dois na penumbra da sala dele.

— Tira a roupa — ele disse, com uma voz calma que não admitia discussão.

E ela, intrigada por aquela segurança, obedeceu. Ficou nua diante dele, tremendo apenas um pouco, enquanto ele a observava sem tocar, deixando o ar se carregar de uma tensão espessa.

— Ajoelha — ordenou depois.

Renata desceu, sentindo o chão contra os joelhos como uma promessa do que viria.

No começo, a dominação foi suave, quase terna, mas implacável em seu controle. Ele amarrou seus pulsos com uma gravata de seda e lhe esticou os braços acima da cabeça enquanto ela jazia sobre a cama. Seus dedos exploraram o corpo com uma lentidão exasperante: roçaram os mamilos até endurecê-los, desceram pelo ventre e pararam justo antes de chegar lá, obrigando-a a suplicar em silêncio.

— Pede pra mim — sussurrou ele.

— Me toca, por favor — respondeu ela, com a voz quebrada.

Só então ele afundou um dedo em sua umidade e o movimentou com uma perícia que a levou à beira do abismo, para parar de repente.

— Não goza sem minha permissão — ele lhe disse, ensinando-lhe a obediência desde o primeiro dia.

Renata gemia agora, os dedos bombeando dentro de si em um ritmo cada vez mais frenético. Na cabeça, revivia como ele a havia treinado naquela intimidade: de joelhos, aprendendo a satisfazê-lo com a boca enquanto ele lhe segurava o cabelo com firmeza. Servir. Satisfazer. Obedecer. Ele repetia como um mantra, e ela absorvia cada lição como se fosse água.

A dor chegou aos poucos, em privado, sem testemunhas. Primeiro foram as palmadas com a mão aberta nas nádegas, enquanto ela estava de quatro sobre o tapete, cada golpe seguido de uma carícia que confundia seus sentidos.

— A dor é sua mestra — ele lhe explicava.

E ela arqueava as costas para receber mais, sentindo-se ensopada a cada impacto.

Houve uma tarde, entre tantas, que voltava a ela com uma nitidez insuportável. Ele a fizera esperar de joelhos no meio do quarto, nua, com as mãos cruzadas nas costas, sem permissão para se mover. Passaram-se minutos longos em que só se ouvia o tique-taque de um relógio e a respiração dela, cada vez mais ofegante. Ele a circundava em silêncio, estudando-a, deixando-a macerar na própria ansiedade. Essa espera, descobriu Renata, era uma forma de dominação tão profunda quanto qualquer chicote. Quando enfim ele a tocou, ela já estava à beira das lágrimas, pronta para lhe dar qualquer coisa contanto que ele não parasse.

— Para quem é este corpo? — ele lhe perguntou naquela tarde, segurando-lhe o queixo.

— Para o senhor, amo — respondeu ela, e a palavra lhe saiu do peito como uma verdade que não precisava ser pensada.

***

Com o tempo, a dominação se tornou mais intensa, mas sempre entre os dois, na privacidade do mundo deles. Ele a amarrava à cama com cordas de algodão macio e vendava seus olhos para aguçar o resto dos sentidos. Colocava prendedores nos mamilos, mordendo de leve no começo, depois com mais crueldade, enviando-lhe ondas de agonia que se transformavam em êxtase quando ele a penetrava devagar, preenchendo-a por inteiro enquanto sussurrava ordens em seu ouvido.

— Se entrega por completo.

Ele a tomava com controle absoluto: às vezes por trás, marcando-lhe as coxas com a palma até ficarem vermelhas; outras, a obrigava a montá-lo enquanto apertava o clitóris dela, negando-lhe o final até que implorasse.

— Você é minha. Só minha — dizia.

— Sim, amo. Só sua — respondia ela.

No espelho, ela via o próprio reflexo contorcido de prazer. Os seios se agitavam a cada movimento, as nádegas ainda ardendo pelas pancadas que ela mesma tinha dado. Enfiou um terceiro dedo em seu sexo encharcado e sentiu como ele se fechava em torno deles, imaginando que era ele quem a preenchia. Come mais forte, suplicava em silêncio, lembrando de uma noite em que ele a havia amarrado a uma cadeira, com as pernas abertas, introduzindo nela um vibrador enquanto marcava seus seios com uma chibata leve. Dor e prazer se fundiam até que ela se desfazia em tremores, só para depois ele a fazer limpar a bagunça e assim reforçar sua obediência.

— Isso! Me dá dor! — gritou em voz alta, e a voz ricocheteou nos azulejos.

Os dedos se moviam como pistões, chapinhando em sua umidade, enquanto ela revivia o momento mais alto de sua submissão: amarrada de costas, com todos os buracos ocupados, usada de todos os modos até o corpo se render por completo. Agora, sozinha em sua casa, Renata chegou ao fim. O corpo se tensionou, os músculos de sua vulva se apertaram em torno dos dedos e um orgasmo violento a sacudiu da cabeça aos pés. Ela gritou, um som primitivo e gutural, enquanto as ondas a atravessavam misturadas ao eco da dor de antes.

Desabou contra a banheira, agitada, com os dedos ainda dentro de si, sentindo os espasmos finais. No espelho, seu reflexo a encarava: uma mulher madura, saciada e ao mesmo tempo vazia. Já não era a que fazia cabeças se virarem, mas, em suas lembranças, em suas próprias mãos, encontrava o fogo que o tempo não conseguira apagar. O legado de um único amo que a moldara a portas fechadas.

Amanhã ela faria tudo de novo. Se chicotearia, se beliscaria, se foderia até a dor e o prazer voltarem a fazê-la se sentir viva mais uma vez.

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