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Relatos Ardientes

Meu primeiro patrulhamento acabou em castigo e submissão

Decidi que, se fosse sair para brincar de vigilante, a primeira coisa era proteger meu nome real. Não por paranoia, mas por bom senso. Em uma cidade onde toda semana aparecia alguém novo ostentando poderes, a linha entre ídolo, negócio e ameaça tinha ficado borrada, e eu não pensava em dar aos curiosos uma forma fácil de chegar à minha casa.

Fora isso, meu plano era ridículo. Eu não tinha treinamento, não tinha experiência e nem sequer tinha um traje de verdade. Só tinha um segredo que me queimava por dentro havia meses: depois de uma noite estranha, acordei diferente, mais forte, com a visão afiada e uma capacidade impossível de controlar a água como se ela fosse uma extensão do meu corpo.

Não contei para ninguém. Nem para a minha família, nem para as minhas amizades, nem para o homem com quem eu passava semanas brincando de esticar uma corda que eu não sabia se queria cortar ou se queria que me apertasse mais. Continuei fingindo normalidade, usando meus velhos hábitos e sorrindo como se não sentisse aquela corrente viva sob a pele cada vez que abria uma torneira ou começava a chover.

Dois meses depois, a empolgação me venceu. Naquela noite caía uma chuva espessa e morna, o centro estava meio vazio e eu passara o dia inteiro com a fantasia cravada na cabeça. Eu não queria só ajudar. Queria sentir algo. Queria me provar. Queria sair ali fora com o corpo vibrando e descobrir até onde eu aguentava.

Me tranquei no quarto com a desculpa de que estava cansada. Na verdade, me troquei depressa, escolhendo peças que me dessem mobilidade e, ao mesmo tempo, me fizessem sentir mais provocante do que eu deveria. Uma saia branca curta, botas pretas, um top ajustado azul-claro, luvas claras e uma maquiagem escura ao redor dos olhos que fazia as vezes de máscara improvisada.

Quando me olhei no espelho, soube que eu não parecia uma heroína. Parecia uma fantasia mal contida. Uma mulher adulta brincando com o perigo porque precisava que alguma coisa a sacudisse por dentro.

Não vesti nada especial por baixo da saia. Só uma calcinha fio-dental que eu já estava usando e que, com aquela roupa, me deixava exposta demais. Me cobri com um casaco longo, abri a janela e usei a água da chuva para amortecer a queda do segundo andar. Aterrissei de leve, com o coração disparado e um sorriso idiota grudado na boca.

A cidade noturna me recebeu com poças brilhantes, néon refletido no asfalto e o rumor distante dos carros. Entrei num beco estreito, deixei o casaco escondido e fiquei com meu uniforme improvisado. Com um simples gesto, mantive a chuva escorrendo pelo meu corpo sem me encharcar, como se uma pele líquida me cobrisse inteira.

Subi por cornijas baixas e sacadas usando a pressão da água para me impulsionar. Lá de cima, eu via avenidas vazias, persianas meio fechadas, terraços escuros. Não encontrava crimes nem monstros. A única coisa que encontrava era minha própria respiração se tornando cada vez mais densa.

Sentia o vento subir pelas minhas coxas nuas, entrar por baixo da saia, roçar minha bunda através do tecido mínimo da calcinha. Cada salto me fazia notar o balanço dos meus seios sob o top. Cada movimento me lembrava que eu tinha saído quase nua, à noite, debaixo de chuva, esperando um confronto. Aquilo começou a me excitar de um jeito que eu não quis admitir no começo.

Parei numa sacada baixa para recuperar o fôlego. Ali, longe de olhares diretos, enfiei a mão sob a saia para ajeitar a calcinha, que tinha entrado entre as nádegas. No instante em que roçei o tecido úmido contra meu cuzinho, percebi que não era só a chuva que me deixava molhada.

Porra.

Eu mesma tinha me deixado quente. Tão quente que minhas pernas tremiam. Olhei para baixo, para a rua quase vazia, e senti uma fisgada de putaria ao imaginar alguém levantando a vista e me vendo ali em cima, com a saia levantada e a máscara escorrendo de suor.

Eu devia ter descido. Devia ter respirado e voltado para casa. Em vez disso, tirei uma luva com os dentes e apertei a palma contra meu sexo por cima da calcinha, esfregando devagar no começo, depois com mais fome. Com a outra mão, belisquei meus mamilos através do top e me escapou um suspiro tão nítido que me assustou ouvir a minha própria voz.

Enfiei dois dedos por baixo do tecido e os deslizei entre meus lábios inchados. Eu estava encharcada. Não úmida: encharcada de verdade, quente, escorregadia, necessitada. Abri mais as pernas e comecei a me foder com os dedos enquanto a chuva me batia no pescoço e na testa.

Perdi a concentração e a minha camada de água se desfez. O top colou nos meus seios, marcando os mamilos duros. A saia branca ficou transparente sobre minhas coxas e a calcinha se desenhou como um convite obsceno. Ainda assim, continuei. Enfiava os dedos e os puxava de volta rápido, depois esfregando o clitóris com a ponta molhada enquanto mordia o lábio para não gemer alto demais.

—Ah... isso... —sussurrei para mim mesma, me inclinando contra a grade.

A sensação de estar tão exposta me excitou mais ainda. Esfreguei com mais força, enfiando um terceiro dedo, arqueando o corpo até minhas pernas falharem. O orgasmo me pegou de repente, duro e desordenado, com um espasmo que subiu do ventre até a garganta. Gozei tremendo, soltando um gemido quebrado enquanto o prazer me fazia fechar as pernas e encharcar ainda mais a mão.

Fiquei ofegante, com os dedos pegajosos e a cabeça enevoada. A queda veio logo em seguida, junto com o cansaço e a vergonha. Eu já tinha me feito passar bastante vergonha por uma noite. Pensei em voltar para casa.

Então eu os vi.

Três homens avançavam pela calçada da frente, carregando uma bolsa de ferramentas e olhando para todos os lados com aquela desajeitação de quem acredita que não está sendo observado. Pararam diante de uma joalheria fechada. Um se abaixou junto ao vidro. Outro vigiou a esquina. O terceiro tirou algo metálico da bolsa.

A excitação mudou de forma dentro de mim. A adrenalina voltou. Voltou a ideia idiota de que aquela era a minha chance de estrear.

Desci da sacada usando a água para amortecer o salto e parei atrás deles. Endireitei as costas, pus as mãos na cintura e tentei soar segura.

—Acabou. Hoje à noite vocês não vão roubar nada. Tem uma nova vigilante na cidade.

Os três se viraram ao mesmo tempo. De cima, me haviam parecido comuns. Do chão, eram enormes. Adultos corpulentos, de cara dura, daqueles que já distribuíram golpes vezes demais. Me encararam em silêncio por alguns segundos, descendo o olhar pelo meu corpo molhado sem disfarce.

Um deles deu uma gargalhada.

—E isso aqui é o quê? —disse—. Uma heroína ou uma puta fantasiada?

—Olhem bem para ela —acrescentou outro—. Veio assim porque queria ser vista.

O terceiro me percorreu com um sorriso lento, nojento de tão tranquilo.

—Você não veio impedir ninguém. Veio ser usada.

Na hora senti meus mamilos endurecerem outra vez sob o top encharcado. Odiei que eles percebessem. Odiei mais ainda que uma parte de mim estivesse curtindo aquele olhar sujo, aquela análise fria, como se me despisse antes de tocar.

—Cala a boca e se joga no chão —eu disse, embora minha voz saísse menos firme do que eu queria.

Não obedeceram. Um deles se moveu com uma rapidez que eu não esperava e agarrou meu braço, torcendo-o para as costas. A dor me fez suspirar ofegante. Outro se aproximou pela frente e prendeu meu queixo entre os dedos, obrigando-me a olhá-lo.

—Com essa sainha, essa máscara e essa cara de safada, você não dá ordens —murmurou—. Você recebe.

Me debati, tentei usar a água, mas a surpresa partiu minha concentração. Senti a mão do segundo homem subindo minha saia de uma vez, deixando minha bunda quase nua sob a chuva. A calcinha me entrou ainda mais entre as nádegas. Quis dar uma joelhada nele, e dei: acertei a virilha com toda a força que consegui.

Ele se encolheu com um rosnado, mas não caiu de vez. O que me segurava apertou mais meu braço e me obrigou a me inclinar. O terceiro, que até então não tinha interferido, chegou por trás e apalpou uma das minhas nádegas com a palma aberta, me dando um tapa seco que me fez estremecer.

—Assim eu gosto mais —disse—. Lutando um pouco.

Ergui água de uma poça para acertá-lo no rosto e consegui afastá-lo. Aproveitei o movimento para me livrar por um instante e recuar, mas o homem à minha frente agarrou meu top. Puxou com tanta força que o tecido cedeu. Meus seios ficaram à mostra de repente, pesados pela chuva, com os mamilos tensos e escuros pelo frio e pela excitação.

Os três olharam. Nenhum fingiu pudor. Eu quis me cobrir, mas o primeiro ainda controlava um dos meus braços.

—Caralho —soltou um deles em voz baixa—. Você queria atenção mesmo.

—Não me toquem —disse, embora já estivessem me tocando.

O da frente apertou um dos meus seios com a mão inteira, forte, sem qualquer delicadeza. Gemer contra a minha vontade. O filho da puta sorriu assim que me ouviu.

—Escuta isso. A vadia está se molhando.

Ele desceu uma mão até meu púbis e pressionou o tecido da calcinha bem sobre meu sexo. Não foi um roçar leve. Foi uma pressão firme, possessiva, conferindo. Quando percebeu o quanto eu estava molhada, soltou uma risada rouca e mostrou a umidade nos dedos para os outros.

—Tá vendo? Não é medo.

Meu rosto queimou de vergonha. Meu sexo também queimou. Era humilhante, sujo, demais. E, ainda assim, meu corpo respondeu com outro pulso de calor entre as pernas.

—Por favor... —comecei, sem saber se implorava para pararem ou se pedia outra coisa.

—Não diz “por favor” ainda —disse o que me torcia o braço—. Primeiro aprende a ficar quieta.

Me empurraram contra a persiana metálica da loja vizinha. A superfície fria grudou nos meus mamilos e arrancou um gemido de mim. O terceiro separou minhas pernas com o joelho e desceu minha calcinha até a metade da coxa. Senti o ar úmido direto no meu sexo, aberto e exposto. Fechei as pernas por reflexo. Ele as abriu de novo com um tapa na parte interna da coxa.

—Quietinha.

Aquela ordem me atravessou com uma violência que me desestabilizou. Não era só medo. Era uma resposta física, instantânea, como se algo dentro de mim quisesse obedecer. Fiquei imóvel por um segundo a mais, e eles perceberam.

—Isso —disse o da mão áspera na minha nuca—. Agora sim.

O homem da frente enfiou dois dedos de uma vez no meu sexo. Entraram fácil por eu estar tão molhada. Soltei um gemido alto, envergonhado, e tentei afastar o quadril. Ele segurou com a outra mão e começou a me foder com os dedos sem qualquer suavidade, cravando-os até o fundo e puxando-os de volta cobertos de fluido.

—Olha ela —zombou—. Veio salvar a cidade, diz. E na verdade só precisava que abrissem as pernas para ela.

—Não... ah... não é isso...

—Então aperta menos o seu sexo quando eu meto os dedos.

Não consegui responder. Porque era verdade. Meu corpo o estava apertando. Estava quase sugando os dedos dele. Cada investida me fazia tremer, e a mistura de medo, exposição e vergonha me deixava a um passo de perder o controle.

O que estava atrás me agarrou pelo cabelo e me obrigou a jogar a cabeça para trás. Depois cuspiu na minha boca aberta pelo suspiro ofegante. O gesto me atingiu mais fundo do que um tapa. Indigno, brutal, dominador. E, em vez de me quebrar, me fez dobrar os joelhos de puro tesão.

—Engole —ordenou.

Engoli.

Os três ficaram em silêncio por uma fração de segundo. A mensagem tinha ficado clara até para mim: eu tinha cruzado uma linha. Não era a vigilante controlando a cena. Era a mulher presa, excitada e envergonhada que estava descobrindo o quanto a excitava ser mandada.

—Boa garota —murmurou o que me segurava.

Esse elogio me machucou mais do que qualquer puxão. Senti o clitóris pulsar descontrolado. O homem entre minhas pernas retirou os dedos e me deu duas palmadas úmidas no sexo. Depois esfregou o clitóris com o polegar, rápido e cruel, enquanto o outro continuava me mantendo contra a persiana.

—Diz o que você é —ele me falou.

—Não...

A mão no meu clitóris aumentou o ritmo até se tornar insuportável.

—Diz.

—Uma... ah... uma idiota.

Levei uma tapa na bunda tão forte que queimou até a cintura.

—De novo.

—Uma puta —soltei por fim, destruída de vergonha—. Uma puta que saiu assim para ser vista.

—Agora sim nos entendemos.

O que me tocava o sexo ergueu uma das minhas pernas e a apoiou numa caixa de ferramentas caída ao lado da persiana. A posição me abriu mais. Sem parar de me esfregar, ele me mostrou três dedos brilhando com a minha própria umidade e os enfiou inteiros, me esticando de uma vez. Gritei. Senti meu sexo se abrir, resistir e ceder ao redor da mão dele.

—Porra, como ela aperta —disse, meio rindo.

—Então prepara direito —respondeu outro atrás de mim—. Já que queria patrulhar, que aprenda a servir.

Quis dizer não. Quis de verdade. Mas o polegar continuava moendo meu clitóris enquanto os dedos me abriam e fechavam por dentro, e a cena tinha me transformado num feixe de nervos quentes. A única coisa que saiu da minha boca foi um gemido trêmulo.

—Ouviram ela? —disse o primeiro—. Isso não é uma recusa.

Então ele me beijou, mas não foi um beijo doce nem sequer atrapalhado. Foi uma invasão. Enfiou a língua até quase me fazer engasgar, usando minha boca como usava meu sexo: à força, certo de que eu ia ceder. E eu cedi. Gemendo contra a boca dele, chupei a língua sem querer, e isso só serviu para atiçá-los mais.

Me fizeram girar. Fiquei de frente para eles, com as costas apoiadas na persiana, os seios à mostra, a saia amassada na cintura e a calcinha pendurada num tornozelo. Um segurou meus pulsos acima da cabeça. Outro se ajoelhou entre minhas pernas e abriu os lábios do meu sexo com dois dedos para me olhar.

—Tá escorrendo.

Sem me dar tempo de reagir, ele meteu a língua. Uma lambida longa, dura, da entrada até o clitóris. Arqueei tanto que bati a nuca no metal. Ele fez de novo, agora mais devagar, me abrindo com os dedos e enterrando o rosto entre minhas pernas como se quisesse me devorar inteira.

—Não... não faz isso... —eu disse, e soou exatamente como uma súplica para que ele não parasse.

Ele chupou meu clitóris e quase me desmontou. Os dedos dele voltaram a entrar ao mesmo tempo em que a língua me atingia em cima com uma precisão selvagem. Eu me retorcia, puxando os pulsos presos, com as pernas tremendo e a boca aberta. Toda vez que tentava fechá-las, o terceiro me dava uma palmada na coxa.

—Aberta.

Obedeci.

O orgasmo veio rápido demais. Senti o ventre contrair, o sexo apertar os dedos do homem ajoelhado e um calor insuportável se espalhando pelas pernas. Gozei na boca dele com um gemido escandaloso, tremendo inteira. Ele não se afastou. Continuou lambendo enquanto eu tremia e tentava fugir do excesso.

—Olha como ela goza —ouvi, ao longe—. E ainda queria bancar a durona.

Eu estava tão sensível que qualquer contato doía. Ainda assim, um deles me pôs de joelhos puxando-me pelo cabelo. A água da rua se misturou aos meus joelhos ralados no asfalto. O homem que me tinha beijado se colocou diante do meu rosto e acariciou meu lábio inferior com dois dedos úmidos de mim.

—Abre.

Abri a boca.

Ele enfiou dois dedos até a garganta, primeiro devagar, depois mais fundo. Salivei na hora. Ele me observou com uma calma terrível, usando minha boca enquanto o outro me segurava pelo cabelo para eu não desviar o rosto.

—Isso. Assim você aprende quem manda.

A humilhação me fez gemer ao redor dos dedos dele. Tirei-os cobertos de saliva. Ele me deu um tapinha na bochecha como prêmio e, sem me dar tempo, me pôs de pé outra vez.

—Vira de costas.

Apoiei as mãos na persiana. Ninguém precisou me empurrar. Eu mesma abri as pernas, tonta, molhada, rendida. Ouvi um deles baixar o zíper atrás de mim e senti o calor do corpo se aproximando da minha bunda.

Ele roçou a entrada do meu sexo com a ponta antes de entrar. Só esse toque já me fez suspirar ofegante. Ele estava muito duro, mais grosso que meus dedos, que os deles, que qualquer coisa que eu tivesse sentido assim naquela posição brutal e pública. Foi me entrando devagar, me esticando centímetro por centímetro, enquanto eu me agarrava ao metal e tentava não perder o equilíbrio.

—Respira —ordenou—. Se relaxar, entra melhor.

Eu fiz isso. E quando ele finalmente me cravou até o fundo, eu gritei. Não de dor limpa, embora houvesse dor. Gritei pela plenitude selvagem, pela forma como ele me abriu e me preencheu e deixou claro, sem palavras, que meu corpo estava sendo usado no ritmo dele e não no meu.

Ele ficou parado um segundo, enterrado até o fundo. Depois começou a me socar. Forte. Seco no começo, depois mais solto graças ao quanto eu estava molhada. Cada golpe estampava meus seios na persiana, fazia meu ventre vibrar, arrancava gemidos que eu já nem tentava mais esconder.

O homem à minha frente agarrou minha mandíbula para me obrigar a olhá-lo enquanto me fodiam.

—Olha para mim quando gozar de novo.

Ele beliscou um mamilo até me fazer gemer mais alto. O outro, que me penetrava, me deu uma nalgada brutal e depois passou a mão pela marca ardida antes de continuar me cravando com ainda mais força.

—Porra, como ela aperta —rosnou atrás de mim—. A heroína tem um sexo viciado em castigo.

Eu já não tinha ar para negar. Só podia me mover para trás, encontrando as investidas dele, com o rosto queimando de vergonha por o quanto minha excitação era óbvia. O homem da frente enfiou uma mão entre minhas pernas e começou a esfregar meu clitóris de novo, exatamente onde eu estava mais sensível.

—Não... espera... assim não...

—Assim sim.

Eu me quebrei. O segundo orgasmo veio mais violento que o primeiro, disparado pela mistura exata de penetração, dor e aquela carícia implacável no clitóris. Senti meu sexo pulsando descontrolado ao redor da rola que me comia, e o homem atrás soltou uma risada rouca ao perceber.

—Ela está gozando em cima de mim. Olha isso.

Gozei gemendo contra o rosto de quem me segurava, com saliva no canto da boca, chuva no cabelo e o corpo inteiro virando um tremor obsceno. Eles não pararam por isso. O de trás continuou me socando até ficar mais errático, mais pesado, e por fim se enterrou com um rosnado grave. Senti a descarga quente dentro de mim, profunda, e minhas pernas perderam a força.

Me seguraram antes que eu caísse. Eu mal conseguia pensar. Mal conseguia lembrar que devia detê-los.

E então aconteceu alguma coisa que me devolveu um pedaço de lucidez. Ao longe, soaram sirenes.

Os três também ouviram. O que estava dentro de mim saiu xingando e se afastou. O da frente largou meu rosto. O terceiro deu dois passos na direção da bolsa de ferramentas. Aquela pequena brecha bastou para minha vergonha se transformar em raiva.

Eles não só tinham me reduzido. Tinham presumido que, por eu ter gostado, podiam ir embora sem consequências.

Ergui as mãos. A chuva que ainda restava nas poças, nas bordas dos telhados, nos bueiros e nas próprias roupas deles respondeu ao meu chamado. Dessa vez não falhei. Eu estava vazia, sim, mas também furiosa.

Colunas de água subiram pelas pernas deles como serpentes líquidas e se fecharam ao redor dos torsos, dos braços, das gargantas. Vi os três se debatendo, tossindo, procurando ar. Um tentou vir na minha direção. Fechei os dedos e o redemoinho o jogou de joelhos. Outro tentou sacar algo do cinto. A água imobilizou o pulso dele.

—Fiquem quietos —eu disse, e agora sim soei como alguém dando ordens.

Manter os três submetidos quase partiu minha cabeça de esforço, mas eu já não ia soltá-los. Envolvi os corpos inteiros até não sobrar margem, controlando a pressão o suficiente para que se rendessem e acabassem desacordados sobre o chão molhado. Caíram pesados, derrotados, ainda respirando.

Me aproximei cambaleando para verificar. Tinham pulso. Ainda estavam vivos. Ao lado deles, a bolsa de ferramentas parecia de repente ridícula, quase infantil, perto de tudo o que acabara de acontecer.

As sirenes estavam bem mais perto. Eu continuava nua da cintura para cima, com a saia torta, as pernas manchadas de chuva, saliva e sêmen escorrendo pela parte interna da coxa. Meu corpo doía e, pior ainda, continuava sensível, vivo, eletrizado pelo que tinha acontecido.

Peguei uma camisa escura de um deles e a vesti como pude. Não cobria muito, mas era melhor que nada. Recolhi a calcinha do tornozelo, embora não me preocupasse em subi-la. Não havia tempo. Liguei para a emergência de um telefone que encontrei largado e dei a localização com a voz entrecortada antes de desligar.

Quando saí correndo pelo beco, eu já não me sentia uma estreante ingênua. Também não me sentia uma heroína triunfal. Eu me sentia outra coisa: uma mulher adulta que tinha descoberto, da forma mais brutal possível, que o perigo não só a excitava, como também podia devorá-la se ela baixasse a guarda.

***

Voltei ao esconderijo onde tinha deixado meu casaco e encontrei o espaço vazio. As caixas tinham desaparecido. O casaco também. Fiquei imóvel, ofegante, com a camisa masculina colada ao corpo e o sexo ainda pulsando pelos golpes e pelos orgasmos.

A situação era absurda. Eu teria de voltar para casa assim, semidespida, marcada e cheirando a sexo, por baixo de uma camisa que não era minha. Eu devia me sentir derrotada. No entanto, enquanto me apoiava por um segundo na parede para recuperar o fôlego, senti outra vez aquele calor abaixo do umbigo, profundo e traidor.

Não era simples excitação. Era a memória física de ter sido forçada a obedecer e, depois, de ter retomado o controle com as mãos ainda trêmulas. Essa mistura me deixou diante de uma verdade impossível de ignorar: eu não tinha me assustado só com o ataque. Tinha me assustado por reconhecer o quanto a dominação, a humilhação, a ordem seca e o castigo no corpo tinham me deixado com tesão.

Me toquei sem pensar, por cima da camisa, entre as pernas inchadas. Eu estava tão sensível que bastou roçar o clitóris e minhas pernas fraquejaram. Tirei a mão na hora, respirando fundo.

—Não aqui —sussurrei para mim mesma.

Mas minha cabeça já não obedecia por completo ao que eu considerava decente. Enquanto voltava a andar, lenta e atenta, soube que aquela noite não me deixaria dormir. Não por medo de ser reconhecida. Não pelas sirenes. Não pelo desastre da estreia.

O que não me deixaria dormir seria lembrar cada ordem, cada mão, cada tapa na bunda, cada vez que meu corpo se abriu embora meu orgulho quisesse resistir. E também lembrar o momento exato em que os tive aos meus pés, submetidos à minha vontade, depois de terem me tratado como uma escrava.

Entendi então que meu primeiro patrulhamento não tinha me ensinado só a lutar. Tinha me mostrado o tipo de escuridão que eu carregava dentro de mim. Uma que não desapareceria por ser negada. Uma que, mais cedo ou mais tarde, voltaria a me procurar em outra noite de chuva, com uma roupa melhor, mais controle e muito menos ilusões.

Porque eu já sabia algo que antes apenas suspeitava: em mim conviviam a mulher que gostava de dar a ordem e a que se arrepiava ao recebê-la. E essa mistura, suja e perigosa, acabara de nascer por completo num beco molhado.

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