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Relatos Ardientes

Minha capitã me entregou ao amo do vestiário

Levantei do chão do vestiário com movimentos lentos, quase desajeitados. Os joelhos tremiam e minhas costas ardiam com uma pulsação surda, ainda marcadas pelo arnês grosso que Renata tinha tirado há apenas um minuto. Eu tinha os pulsos avermelhados pela tira de couro preto com a qual ela me imobilizara, e o cabelo, antes preso e cheirando a baunilha, grudava no meu rosto por causa do suor e das lágrimas já secas.

Renata me observava do banco, com o agasalho do clube e os braços cruzados. Aos trinta, continuava imponente: alta, musculatura definida, o rabo de cavalo preto esticado, a pele ainda brilhando pelo esforço da partida e por tudo o que viera depois. Seu olhar era frio, mas havia nele um lampejo de satisfação que eu conhecia bem demais.

O vestiário cheirava a linimento, a grama molhada e a corpo. Do lado de fora, no corredor, ainda se ouviam as vozes das últimas companheiras recolhendo suas bolsas, sem suspeitar de nada do que acontecia atrás da porta que Renata trancara assim que entramos. Essa era a parte mais difícil para mim: a fronteira tão fina entre a jogadora aplaudida nas arquibancadas e a mulher que acabava de joelhos sobre os azulejos.

— Fica em pé de vez — disse, com a voz rouca e baixa. — E nem pense em deixar uma única gota no chão. Amanhã tem treino às oito. Lembra de uma coisa: em campo você obedece às minhas ordens. Na cama, obedece às do Andrés. Se falhar em qualquer um dos dois lugares, paga do mesmo jeito.

Assenti sem olhá-la. A vergonha queimava minhas bochechas, mas entre as pernas eu sentia um calor traidor que não podia negar. Eu tinha gozado contra o banco mais de uma vez, e a lembrança desses orgasmos ainda me fazia tremer. Me coloquei de pé com dificuldade. Renata soltou minhas mãos, mas sem suavidade: puxou a tira e deixou novas marcas em meus pulsos.

— Se veste. E não toma banho aqui — ordenou. — Quero você chegando em casa cheirando a mim.

Obedeci em silêncio. Vesti a calcinha ensopada e os shorts do uniforme com as mãos ainda trêmulas.

***

Nos treinos seguintes, Renata exerceu seu poder com a precisão de quem manda há anos. Quando eu ia para cima de uma rival e metia um cruzamento perfeito, ela me premiava em voz alta diante de todas.

— Essa é a minha canhota! — gritava, e me dava minutos extras nos rachões.

Mas, quando eu errava um passe ou perdia a bola, o castigo vinha sem trégua. Séries intermináveis até as pernas deixarem de responder. Broncas públicas que me afundavam diante do time.

— Isso é o melhor que você sabe fazer, novata? — ela cuspia. — Parece que aguenta melhor de joelhos do que em pé.

E à noite, as mensagens para Andrés: “Hoje errou três passes. Cuida disso”. Nessas noites ele me recebia no apartamento com a mão pesada e pouca paciência, enquanto Renata observava de joelhos de um lado, sussurrando no meu ouvido para eu aprender de uma vez, que minha ascensão dependia de satisfazê-lo.

O mais inquietante era que eu tinha começado a esperar por aquelas mensagens. A jogar pensando nelas. Cada vez que a bola escapava um pouco longa, uma parte de mim já calculava a noite que me esperava, e eu não sabia se o que sentia no estômago era medo ou algo mais sujo que eu não ousava nomear.

A transferência de Renata caiu como um terremoto no clube. A goleira absoluta assinou com o rival, o time do qual Andrés era torcedor desde criança. O comunicado oficial falou em “motivos pessoais e novos desafios”. A verdade era mais simples e mais crua: ele queria sua capitã em seu território, brilhando sob as luzes do estádio que adorava, sabendo o que acontecia depois em cada vestiário.

Renata se despediu do time com um discurso breve. Mas, ao terminar, seus olhos cravaram os meus como uma promessa silenciosa.

— Vem se quiser continuar com a minha proteção — me disse, quando ninguém ouvia. — Ou fica e vê as veteranas te engolirem sem mim.

***

Passei várias noites sozinha no meu apartamento, revendo na cabeça o peso daquelas mãos e a firmeza daquele arnês. Sem Renata, meus minutos em campo diminuíram até quase nada. As veteranas me encurralavam no vestiário, me deixavam de fora das conversas, me faziam sentir que eu sobrava. E o medo de perder a promoção me corroía por dentro.

No fim, cedi. Liguei para ela com a voz trêmula.

— Preciso seguir você, capitã — disse. — Não consigo sem sua proteção. Nem sem ele.

A primeira noite no novo apartamento de Andrés foi um ritual de posse absoluta. Renata e eu de joelhos no centro da sala, completamente nuas, as mãos para trás. Ele nos percorreu com o olhar como um treinador inspeciona suas jogadoras antes de um clássico.

Renata, trinta anos e a calma de quem já conhece cada passo: pele morena com marcas tênues de sinais antigos, o rabo de cavalo solto caindo pelas costas, o corpo arqueando-se na direção dele por instinto, o olhar baixo, mas com um resto de autoridade que nunca perdia de todo.

Eu, ao contrário, era puro nervo: a respiração acelerada, os olhos vidrados, as coxas cerradas tentando esconder o óbvio.

Andrés se aproximou devagar. Tomou um seio de cada uma e os comparou em voz alta, sem pudor.

— Olha isso, Renata — disse. — Você já sabe o que é se render. Ela ainda está aprendendo.

Baixou as mãos. Com Renata, encontrou prontidão, como sempre. Comigo, custou mais, até que sua insistência me venceu. Eu me odiava pela forma como meu corpo respondia, e ao mesmo tempo não queria que ele parasse.

— Uma sabe obedecer de memória — murmurou. — A outra ainda se fecha quando eu entro. Mas as duas estão aqui pelo mesmo motivo.

***

Renata virou minha mestra além de capitã. Ela me ensinava como me ajoelhar, como respirar, como parar de lutar contra o que ele pedia.

— Relaxe a garganta — dizia, com a mão firme na minha nuca. — Não resista. Faz isso como uma boa submissa.

No começo eu me engasgava e as lágrimas me saltavam aos olhos. Depois aprendi. Aprendi rápido, porque cada acerto significava uma noite sem castigo, e cada erro significava o contrário.

Algumas semanas depois, errei um passe decisivo numa partida. Custou um gol contra e nos custou dois pontos. Renata me levou direto para o apartamento de Andrés naquela mesma noite, sem me deixar nem tomar banho.

— Essa jogou como uma principiante, Andrés — disse, esfregando-se enquanto ele me amarrava com a tira de sempre.

O castigo foi longo. Cada golpe arrancava um grito meu, e cada grito parecia agradar ainda mais aos dois. Renata participava sem descanso, lambendo minhas lágrimas enquanto sussurrava no meu ouvido para eu sentir bem a lição, para aprender a não falhar, para entender que meu futuro inteiro dependia daquilo.

Não sei em que momento deixei de distinguir dor de prazer. Só sei que gozei do mesmo jeito, e que essa foi a parte que mais me humilhou. Quando tudo terminou, fiquei largada no tapete, com a respiração entrecortada, enquanto eles falavam de mim em voz baixa como se eu não estivesse ali. Renata contava a Andrés que jogo teríamos no fim de semana, qual era a rival, o que eu precisava melhorar. Meu corpo, ainda sensível, não passava de mais um assunto da conversa deles.

E o pior é que eu gostava de estar ali. De ser incluída, ainda que daquela forma. Naquela noite entendi que já não se tratava só de futebol nem de promoção. Eu tinha me tornado viciada naquela sensação de pertencer a alguma coisa, ainda que essa coisa me deixasse marcas que demoravam dias para desaparecer.

***

Renata brilhou no novo time. Defesas impossíveis, clássicos vencidos, liderança incontestável. Seu nome começou a aparecer na imprensa esportiva. Eu, ainda presa ao clube anterior, afundava um pouco mais a cada semana: as veteranas me assediavam, o treinador quase não me dava minutos, e a promoção com que eu tanto sonhara se afastava.

A decisão era inevitável. Liguei para ela de novo, com a voz quebrada.

— Quero ir com você — disse. — Já não consigo sem sua proteção. Nem sem ele.

As negociações da transferência foram tensas. Renata pressionou o treinador do time de Andrés com uma insistência que não admitia um não.

— Eu quero ela no meu onze — repetia. — Ela é minha, dentro e fora de campo.

A transferência foi fechada em uma semana. Assinei com o clube dela. Naquela mesma tarde, depois do primeiro treino, comemoramos no vestiário vazio do novo estádio.

Renata me amarrou a um banco com as correias do time, o corpo esmagado contra a madeira fria.

— Isso é por ter me seguido — disse, colocando o arnês. — Se rende de vez. Aqui dentro e lá fora, você é minha.

Ela entrou devagar no começo, saboreando cada um dos meus gemidos abafados. Depois investiu com força, e o som bateu de volta nos armários enquanto eu gozava sem controle sobre o chão do vestiário. Ela terminou com um rosnado grave, apertando o arnês contra o corpo, e me deixou tremendo, vencida, sem um grama de resistência.

***

A última sessão daquele mês foi a mais intensa de todas. Andrés nos colocou de joelhos, uma ao lado da outra na sala do apartamento dele, como goleira e atacante antes de um clássico.

— Essa é a minha vitória — dizia, alternando entre as duas, uma mão em cada rabo de cavalo para nos arquear. — As duas melhores do futebol, rendidas para mim.

No fim, nos colocou de joelhos uma de frente para a outra. Renata me beijou fundo, e nesse beijo compartilhamos o fim da noite, aceitando as duas o que já não podíamos negar.

O preço da glória saiu caro e permanente. Esconder as marcas sob o uniforme virou rotina: hematomas que doíam quando eu me sentava no banco, a pele sensível roçando no tecido a cada movimento. No vestiário, trocávamos de roupa com cuidado, fingindo normalidade enquanto o corpo ainda pulsava lembrando.

Renata continuava sendo a capitã brilhante. Eu subia como a estrela em ascensão que sempre quis ser. Mas nós duas sabíamos a verdade que ninguém nas arquibancadas imaginava: toda sexta-feira nos ajoelhávamos na mesma sala, os corpos oferecidos, as vidas entregues em partes iguais ao prazer e ao castigo.

E aceitávamos. Porque a glória, no fim das contas, sempre tem um preço.

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