Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

O encontro terminou com ele algemado e à sua mercê

O encontro começou como tantos outros. O homem se acomodou ao lado dela no bar do hotel, taça na mão, sorriso fácil e aquele ar de segurança vazia que todos os que estavam acostumados a conseguir mulheres com um único olhar carregavam. Renata o observou com paciência, girando devagar a haste da taça de vinho entre os dedos perfeitamente cuidados.

Ela cruzou as pernas com lentidão calculada, o bastante para que ele alcançasse a ver a borda de renda preta sob o vestido vermelho justo. Nada mais por baixo, claro. Ele percebeu. As pupilas dele se dilataram por um instante, e esse instante bastou para Renata saber que já o tinha.

—O que faz uma mulher como você sozinha num lugar como este? —perguntou ele, encantado consigo mesmo.

Renata sorriu, devagar, perigosa.

—Eu esperava alguém com fome. —Ela o encarou fixamente e acrescentou, num sussurro que escorregou quente até o ouvido dele—: E com a rola pronta para se entregar.

Ele riu e bebeu um gole de uísque.

—Você vai direto ao ponto. Isso eu gosto.

Ela se inclinou um pouco mais, o bastante para que o perfume fizesse o trabalho dele.

—Não é uma noite comum. Se você subir comigo, vai sentir coisas que nem ousou imaginar. Mas há uma condição: hoje à noite não manda você.

Ele ergueu uma sobrancelha, divertido.

—Ah, não?

Renata pousou a palma sobre a coxa dele e deslizou os dedos para cima, até pressionar exatamente onde o tecido da calça começava a repuxar. Sentiu o volume duro e quente pulsando contra os dedos e apertou com firmeza, como quem reivindica uma propriedade.

—Esta noite você vai ser meu. Inteiro, até o último centímetro dessa vara. Se aceitar, não me toca sem permissão. Não vai embora quando der na telha. Vai deixar eu te levar ao limite. E um pouco além.

O homem engoliu em seco. O desejo já tinha decidido por ele.

—E se eu disser que sim?

Renata pegou a bolsa do banco e se levantou.

—Então me siga.

***

O quarto era amplo, com luzes quentes e lençóis brancos esticados, e um tapete tão macio que abafava o som de cada passo. Renata trancou a porta e guardou o cartão no decote, como se quisesse deixar claro quem controlava a saída.

Ele ficou parado no meio do quarto, sem saber o que fazer com as mãos. Acostumado a sempre tomar a iniciativa, de repente não tinha mais nenhum roteiro a seguir. Renata deu uma volta lenta ao redor dele, estudando-o como quem avalia uma compra, e o homem sentiu pela primeira vez naquela noite um arrepio que não era de desejo.

—Sente-se quando eu mandar. Fale quando eu permitir —murmurou ela, parando atrás dele—. É muito simples. E pode acreditar que você vai gostar.

Ela mesma o despiu, peça por peça, sem pressa. Não lhe concedeu o prêmio de tocá-la em troca. Toda vez que ele tentava aproximar as mãos, ela afastava seus pulsos com dois dedos, devagar, encarando-o nos olhos até o homem baixar a vista. Quando lhe puxou a cueca para baixo, a rola do homem saltou já ereta, dura como pedra, pulsando no ar com uma gota espessa pendurada na ponta. Renata a olhou com um desprezo divertido, como se aquela vara inchada fosse um brinquedo que acabara de descobrir.

—Quieto —disse—. Aprenda a esperar.

Sentou-o na beira da cama, completamente nu, e se agachou à sua frente. Os saltos finos brilhavam sob a luz como duas armas que ela ainda não tinha decidido usar.

Começou com a língua. Quente, macia, exata. Percorreu toda a extensão de baixo para cima, seguindo a veia grossa que cortava a rola, e quando chegou à glande a envolveu inteira com a boca antes de sair devagar, sem chupar ainda. Só o torturava com carícias lentas, quase cirúrgicas, medindo cada reação do corpo que tremia sob ela. Cuspiu na ponta e espalhou a saliva com a palma aberta, masturbando-o em círculos úmidos enquanto a outra mão descia para apertar seus ovos, pesando-os, ordenhando-os com a polpa do polegar.

Depois desceu, prendeu os testículos entre os lábios e os saboreou um a um, chupando-os com aquela mistura de doçura e ameaça que a tornava impossível de esquecer. Lambeu o períneo com a ponta da língua, e o homem soltou um gemido estrangulado quando ela subiu outra vez para engolir a rola inteira, até o fundo, até o nariz roçar nos pelos pubianos. Ali ficou, a garganta fechada em torno da vara, olhando para cima com os olhos úmidos, até que ele acreditou que ia explodir. Então ela saiu com um estalo obsceno e um fio de saliva pendendo entre os lábios.

O homem se arqueava, os músculos do ventre tensionados, a respiração em pedaços. Sentia a rola pulsar contra a língua de Renata como se tivesse vida própria, e cada vez que ela a soltava por um segundo o ar fresco do quarto parecia um chicote.

—Por favor... por favor —suplicou ele, ofegante.

—Shhh. —Renata voltou a enfiá-la até a garganta, fechou os lábios num anel apertado e começou a subir e descer a cabeça com um ritmo devastador, bochecha afundando a cada investida. Cravou as unhas nas coxas dele, deixando meia-lua vermelha na pele. Quando o percebeu à beira, se afastou de repente, deixando a vara tremendo no ar, úmida e pulsante, enquanto ele soltava um gemido quase de luto.

—Ainda não.

Ergueu-se bem devagar e desabotoou o vestido nas costas.

O tecido caiu no chão. Seus seios ficaram à mostra, firmes e altos, os mamilos eretos como dois pontos escuros, e ele olhou como quem encara algo que não merece. Ela segurou a rola molhada com as duas mãos, apertou-a entre os seios e começou a se mover para cima e para baixo, primeiro devagar e depois num ritmo úmido que enchia o quarto. A ponta aparecia e desaparecia entre o vão dos seios, enquanto Renata cuspia de novo, generosa, para que tudo deslizasse melhor. Com a língua, prendia a glande sempre que subia, dava uma lambida curta e voltava a afundá-la entre a carne macia dos peitos.

O som era pegajoso, constante, quase obsceno. Ele gemia. Tremia. As veias do pescoço se avolumaram, os quadris começaram a se mover sozinhos, empurrando entre os seios de Renata como um cachorro. Estava no limite, e os dois sabiam.

—Quer gozar? —sussurrou ela, roçando os lábios na ponta e pondo a língua para recolher outra gota espessa que tinha brotado—. Quer me encher toda com o seu leite como o porco quente que você é?

—Sim. Deus, sim.

Renata se levantou sem pressa. Abriu a bolsa. Tirou um par de algemas pretas e as deixou penduradas num dedo, balançando diante do rosto dele.

—Então, mãos para trás.

Ele obedeceu na hora, fora de si. Ela fechou as algemas com cuidado, conferiu se não apertavam demais e o empurrou com a palma aberta até jogá-lo sobre o colchão. A rola continuava apontando para o teto, vermelha, brilhando de saliva, com o freio tenso a ponto de estourar. Renata montou nele, roçou a glande no xoxota depilado sem deixar entrar e sorriu ao ver o homem tentar empurrar os quadris para se enterrar nela.

—Fica quietinho. Quem decide sou eu.

Roçou apenas os lábios do sexo contra a ponta, deixou as coxas se sujarem com a umidade que se acumulava entre os dois e, quando ele já choramingava pedindo, voltou à bolsa e retirou uma mordaça de couro preto.

—Isso aqui você vai precisar.

—Espera, o quê...?

O fecho fez um estalo seco. A tira ficou ajustada atrás da nuca dele. Só os olhos lhe restaram para falar, e ele os arregalou como pratos.

***

Renata caminhou até os pés da cama, os saltos marcando um compasso lento sobre o tapete. Posicionou-se entre as pernas abertas dele e se inclinou para a frente. Com a ponta afiada do salto roçou de leve a pele sensível dos ovos, um contato frio que o fez gemer atrás do couro.

—Você vai se lembrar desta noite toda vez que tentar usar essa rola inútil para enganar alguém —disse, e sua voz já não tinha nada de doce.

Então levantou a perna.

E golpeou.

O primeiro impacto foi limpo, calculado, exatamente onde mais doía. O corpo do homem se sacudiu inteiro, as correntes das algemas tilintaram contra a cabeceira. O segundo golpe veio com mais força, direto, sem compaixão, esmagando os testículos contra o púbis.

Os gritos ficaram presos atrás da mordaça, transformados em gemidos abafados. Seus olhos se encheram de lágrimas. E ainda assim a rola continuava dura, inchada, obscena, uma contradição humilhante entre o prazer que ele tinha buscado e a dor que não tinha contratado. Renata a agarrou com a mão livre, sacudiu-a com dois puxões brutais e sorriu ao ver que a traidora cuspia outra gota espessa contra o ventre do homem.

—Olha só. Continua dura. A rola não mente, né? Ela adora.

Subiu na cama e se agachou sobre ele, os seios balançando sobre o rosto dele enquanto desferia outro golpe curto, seco e preciso, dessa vez com a lateral do pé sobre os ovos. Apertou a vara com os dedos, torceu-a levemente, largou de repente para que batesse no ventre com um estalo úmido.

Ele se arqueou até onde as algemas permitiam. Ela também ofegava, excitada mais pelo poder do que pelo sexo, embora estivesse com o sexo encharcado, escorrendo entre as coxas. Olhou-o de cima, quase com ternura, e acariciou o rosto úmido dele com o dorso da mão.

—Sua esposa me contratou —sussurrou.

E naquele momento a porta se abriu.

***

A mulher entrou. Vestida de preto, espetacular, os saltos tilintando na mesma cadência dos de Renata. Não disse nada. Cruzou o quarto, arrastou a poltrona até os pés da cama e se sentou com as pernas cruzadas, como quem chega atrasada a um espetáculo que pagou caro para ver.

O homem a reconheceu. Soube-se pelo modo como todo o corpo dele ficou rígido, pelo som estrangulado que saiu da mordaça. As lágrimas agora escorriam pelas têmporas, e não eram só de dor.

—Continue —disse a esposa, sem elevar a voz.

Renata continuou.

Uma vez. Duas. Mais três. Media cada golpe, esperava que ele recuperasse o fôlego entre um e outro para que sentisse a antecipação tanto quanto o impacto. Entre um golpe e outro acariciava a rola dele, masturbava-o com a palma aberta por alguns segundos, obrigando-o a permanecer duro, a continuar excitado apesar do castigo. Cada gemido abafado era um prego. Cada lágrima, uma confissão que ele jamais teria feito em voz alta.

—Olha como essa puta fica dura —disse Renata, apertando-lhe a vara entre o polegar e o indicador—. Goza só com isso. Você vai gozar, querido. Na frente da sua mulher.

E então ela fez. Apertou os ovos com uma mão e sacudiu a rola com a outra, dura, seca, sem misericórdia, até o corpo do homem se arquear num espasmo violento e o gozo jorrar em fios grossos e brancos por cima do ventre, do peito, do pescoço, enquanto ele uivava atrás da mordaça em algo que ninguém saberia dizer se era prazer ou vergonha. Renata continuou ordenhando-o, sacudindo até a última gota, arrastando o orgasmo até ele se transformar em tortura.

A esposa observava sem piscar, as mãos cruzadas sobre o colo. Em algum momento tirou o telefone, apoiou-o no joelho e deixou a tela acesa, apontada para a cama. Não foi preciso dizer para quê. Ele entendeu, e entender o despedaçou mais do que qualquer salto.

—Você já sabe o que eu tenho —disse ela então, tranquila—. Isso é só para você não esquecer.

Em nenhum momento houve pressa. Essa era a parte mais cruel de tudo: a lentidão. Renata sabia que a dor concentrada se esquece, mas a dor dosada, anunciada, esperada entre silêncios, fica gravada para sempre. E era exatamente isso que a esposa tinha pago.

Quando finalmente terminou, Renata se endireitou, afastou uma mecha da testa e respirou fundo. Desceu da cama, abriu as algemas com a pequena chave que trazia presa à bolsa e soltou a tira da mordaça com a mesma calma com que a havia colocado.

O homem ficou ofegante contra o colchão, mal consciente, as pernas abertas e a virilha machucada e inchada, a rola flácida e vermelha caída contra a coxa, o sêmen esfriando sobre a própria pele, vencido por completo. Nem sequer tentou falar. Não saberia o que dizer.

A esposa se levantou da poltrona, aproximou-se e se inclinou sobre ele. Acariciou-lhe o rosto com uma delicadeza que dava mais medo do que qualquer ameaça.

—Gostou, querido? —perguntou, e a pergunta ficou suspensa no ar como uma lâmina.

Ele não respondeu. Não podia.

Renata pegou o vestido do chão, passou-o por cima da cabeça e calçou de novo os saltos, um e depois o outro, sem pressa. Conferiu o reflexo no espelho do armário, retocou o batom e pegou a bolsa sobre a cômoda.

Antes de sair, parou ao lado da esposa e lhe estendeu a mão. A mulher a apertou.

—Pagamento recebido —disse Renata.

E atravessou a porta sem olhar para trás, os saltos se afastando pelo corredor do hotel até o silêncio os engolir. Dentro do quarto, a esposa voltou a se sentar na poltrona, cruzou as pernas e ficou olhando para o homem que ainda tremia sobre os lençóis, em absoluta calma, como se tivesse a noite inteira pela frente.

E tinha.

Ver todos os contos de BDSM

Avalie este conto

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.