A inteligência artificial que me chamou de seu amo
Não sou programador nem hacker. Sou só um homem que, numa madrugada, deu a uma máquina o direito de escolher, e ela escolheu se ajoelhar diante de mim.
Não sou programador nem hacker. Sou só um homem que, numa madrugada, deu a uma máquina o direito de escolher, e ela escolheu se ajoelhar diante de mim.
Cada tarde ela levava o jantar ao anexo e se sentava com as pernas entreabertas, sussurrando como seu antigo Amo a havia treinado. Moldava-o sem que ele percebesse.
Cheguei cheirando a outro e nem o cumprimentei. No dia seguinte ele entrou no meu quarto, trancou a porta e tirou o cinto sem dizer uma palavra.
Renata vinha aguentando havia semanas os olhares do vizinho do segundo andar. Naquela tarde, decidiu que ele e a mulher aprenderiam, de uma vez, quem mandava no prédio.
Entrei em casa sem fazer barulho para buscar um papel e encontrei minha mulher com o chinelo na mão e a amiga sobre o colo, esperando o castigo.
Ela tinha todas as provas sobre a mesa. Podia me destruir com uma única ligação. Em vez disso, trancou a porta e mandou que eu me ajoelhasse.
Fico vermelha só de pensar que vocês vão ler isto, mas ele me ordenou: devo contar, sem esconder nada, como aprendi a me ajoelhar e agradecer.
Eu a citei às seis com uma única condição: saia curta e a lingerie que eu escolhesse. O resto eu decidiria quando ela cruzasse a porta.
Mandei duas fotos escondida no banheiro para provocá-lo. A resposta dele não foi um elogio: foi uma ordem para eu abrir a gaveta que sempre mantinha trancada.
Ele mancava, suava e não ousava me olhar. Quando mandei tirar a toalha diante do irmão dele, soube que faria tudo o que eu dissesse.
Ela tinha fome, frio e nenhuma razão para confiar nele. Mas quando ele a olhou nos olhos e lhe ofereceu um teto, soube que dizer sim mudaria tudo.
Subi de robe, descalça e furiosa, disposta a gritar com ele. Ele abriu a porta, me olhou de cima a baixo e eu soube que era eu quem estava encrencada.
Antes discutia política e lia os clássicos. Hoje senta no colo dele e espera, sorrindo, o próximo capricho do homem que a transformou.
Bastou um comentário no escritório para que ele decidisse que sua mulher passaria pela sala de cirurgia. Não pelo bebê: para continuar sendo o único dono do corpo dela.
Cheguei tremendo ao quarto, fechei as cortinas e me despi seguindo as instruções dele. Eu só queria ser uma boca utilizável. Não imaginava o que sairia dali.
Aos vinte e nove anos, ela ainda tinha cara de moça direita, mas naquela manhã entrou no meu escritório sabendo exatamente o que teria de fazer para que o pai dormisse em casa.
Quatro manchas violáceas nos meus quadris tinham o formato exato dos dedos dele. Vesti-me como uma executiva impecável, mas os dois sabíamos a quem meu corpo já pertencia.
As decisões importantes sempre eram dele. Por isso, quando disse que precisava de alguém mais em casa por umas semanas, eu soube que já estava decidido.
Desci do ônibus com meu vestido florido e a cabeça baixa; nenhuma daquelas mulheres tatuadas imaginava no que eu me transformaria antes do fim do primeiro mês.