Ela ditava as regras e nós só obedecíamos
—Eu ponho as regras, vocês seguem — disse ela, e nenhum dos quatro ousou contradizê-la. Três meses de isolamento nos deixaram à mercê dela.
—Eu ponho as regras, vocês seguem — disse ela, e nenhum dos quatro ousou contradizê-la. Três meses de isolamento nos deixaram à mercê dela.
Havia uma porta fechada ao lado do quarto de Bárbara. Abri por curiosidade, sem saber que naquela mesma tarde eu terminaria amarrado lá dentro.
As correias apertavam quanto mais eu puxava. Eu estava amarrada, vendada e encharcada na minha própria cama quando a porta do quarto se abriu e ouvi duas vozes.
Quando a anestesia passou e ele abriu os olhos, já estava nu, algemado a uma cadeira e cercado por quatro mulheres que esperavam por esse momento havia um mês.
Nem precisei ler as cláusulas. Eu sabia o que queria: morar com ele, fazer o que me desse na telha com o corpo dele e, quando ele morresse, ficar com tudo.
Eu a observava dobrar lençóis com aquelas leggings clarinhas e rezava para que ela não percebesse o volume no meu short. Até que um dia ela virou a cabeça e perguntou por que eu a olhava assim.
Fechei a porta, beijei-o sem permissão e entendi que não iria embora até conseguir exatamente o que tinha ido buscar, com a sala inteira ouvindo.
Ele tinha terno caro e um olhar que intimidava todos na mesa, mas não conseguia parar de olhar meus pés. E eu sabia exatamente o que faria com isso.
Ela calçava 36, tinha pés brancos e perfeitos, e naquela tarde de sangria decidi que precisava levá-los à boca, mesmo na frente de todo mundo.
Ele passou dez minutos espiando meus pés no ponto de ônibus. O que não imaginava era que eu o levaria ao meu andar e o colocaria de joelhos antes do anoitecer.
Toda noite acordo encharcado de suor com a mesma cena: dona Vilma trancando a porta, calçando as luvas e prometendo que dessa vez não haveria risos.
O espelho me devolvia uma noiva perfeita. Ninguém imaginava o que me obrigariam a fazer no quarto 131 antes de subir no carro dos noivos.
Eu a mantive enjaulada ao lado da mesa, de quatro, enquanto meus amigos comiam e jogavam as sobras no chão metálico. Era só o começo.
Amarrada na jaula, Renata ainda se julgava intocável, certa de que seus escravos dariam a vida por ela. Darío sorriu: mostraria quanto valia aquela lealdade.
Naquela semana eu tinha me comportado como uma insolente, e ele me advertiu: veríamos se eu continuaria tão arrogante quando o tivesse de frente, de joelhos.
Ela sempre fora quem empunhava a coleira. Naquela noite, acorrentada ao potro, descobriu que até as rainhas acabam ajoelhadas diante de uma ama mais cruel.
Ninguém ao meu redor desconfia, mas o dia inteiro eu obedeço ordens que só existem na minha cabeça… e cada vez desejo mais que se tornem reais.
Quando o aquecimento da cabana apagou, meu marido me lembrou que as regras dele não se quebram só porque faz frio. Naquela noite entendi o que significava pertencer a ele de verdade.
Quando a porta do elevador se fechou atrás da minha cunhada, meu filho entendeu que a mentira que contou à mesa não sairia de graça.
“A paciência é uma virtude”, ele disse sem erguer os olhos do café. E eu, que estava havia um mês sem permissão para terminar, soube que o teste começava ali.