Entrei na clínica sabendo que não poderia sair
Sofía tinha trinta e oito anos, um filho de dez e um corpo que sentia que não lhe pertencia. Não dizia isso em voz alta, é claro, mas pensava nisso toda manhã diante do espelho do banheiro, enquanto Andrés dormia e Lucas montava legos no quarto dele. Era loira de tintura, com o cabelo quase sempre preso, porque solto lhe parecia demais. Media um metro e sessenta e quatro e fazia mais de uma década que não subia numa balança com vontade real de saber o número.
O marido a amava. Era isso que mais a pesava: ele a olhava de verdade, sem piedade nem compaixão, com uma atenção que a Sofía parecia incompreensível. Como podia amá-la assim, com tudo aquilo, quando ela mesma não conseguia se olhar sem virar o rosto? E pior: como era possível que ele continuasse comendo ela com vontade de verdade, enterrando a pica até o fundo, gemendo colado ao ouvido dela como se ela fosse a mulher mais desejável do planeta?
Aquela manhã, depois de deixar Lucas na escola, caminhou três quarteirões sem rumo. O bairro estava tranquilo àquela hora, com os comércios meio abertos e o sol ainda baixo no horizonte. Foi então que o viu: um cartaz plastificado pregado na grade de um local vazio. As letras eram grandes, vermelhas, quase agressivas.
«CENTRO INTEGRAL ARMONÍA — Transformação real. Disciplina total. Resultados garantidos.»
Embaixo, em letra menor: «Programa de um ano. Método intensivo. Sem saída antecipada. Vagas limitadas.»
Sofía o fotografou com o celular. Não porque fosse ligar. Só para não o perder.
Ligou naquela tarde do banheiro, com a torneira aberta para que ninguém a ouvisse. Atendeu uma mulher de voz uniforme, sem inflexões, que disse se chamar Elena. Explicou o programa com uma calma que a Sofía pareceu inquietante: um ano na fazenda do centro, sem visitas presenciais, com uma videochamada semanal para a família. Método baseado em disciplina extrema, inspirado em dinâmicas de dominação e submissão. Compromisso total: uma vez assinado o contrato, não havia saída antecipada.
—Dominação? Tipo BDSM? —perguntou Sofía, quase sem voz.
—É a base do método —respondeu Elena—. O corpo obedece quando não tem outra opção. Não é para todo mundo, mas os resultados falam por si. Vou enviar o material informativo para este número. Tome o tempo que precisar.
Sofía desligou com as mãos frias.
O material chegou em minutos: uma pasta compactada com vídeos e um documento de dez páginas. Abriu os vídeos primeiro, sentada na cama, com os fones de ouvido. O que viu lhe revirou algo no estômago que não soube descrever com precisão se era nojo, medo ou uma curiosidade que preferia não nomear.
Mulheres numa sala de treino enorme, com os pulsos presos a barras de metal enquanto pedalavam em bicicletas ergométricas. Uma delas chorava e pedalava ao mesmo tempo, com os peitos nus balançando no ritmo das pernas e o suor escorrendo pela barriga até se perder entre as coxas abertas sobre o selim. Outra corria numa esteira com o torso nu e uma instrutora atrás marcando o ritmo com uma vareta fina sobre os ombros e sobre a bunda sempre que ela afrouxava. Uma terceira estava suspensa por um arnês que lhe abria as pernas de par em par, com eletrodos presos às coxas e outro pequeno colado diretamente no clitóris, e cada descarga que recebia fazia todos os músculos se contraírem ao mesmo tempo e soltava um gemido meio entre a dor e outra coisa que Sofía reconheceu e preferiu não reconhecer.
Sofía pausou o vídeo. Respirou. Percebeu que a calcinha estava úmida.
Deu play de novo.
As mesmas mulheres, semanas depois, meses depois: de pé, retas, com corpos que pareciam esculpidos. Sorrindo de um jeito que Sofía não soube classificar. Não era o sorriso dos anúncios. Era outra coisa. Algo mais quieto, mais próprio.
Fechou a pasta e guardou o celular embaixo do travesseiro.
Nessa noite, durante o jantar, Lucas falou por vinte minutos sobre um vídeo de construção de pontes que tinha visto na aula. Andrés fez perguntas com interesse genuíno. Sofía serviu a sobremesa e calculou o momento.
—Encontrei uma clínica —disse, quando Lucas foi ao banheiro—. Para emagrecer. É um programa de um ano, numa fazenda. Sem visitas, só videochamadas semanais. Depois que começa, você não pode sair até terminar.
Andrés a encarou fixamente.
—Como?
—O que você ouviu.
—Um ano?
—Um ano.
Ele pousou o garfo no prato com mais cuidado do que o necessário.
—E o que fazem lá?
Sofía demorou um segundo.
—Disciplina intensiva. Exercício, dieta, rotina. É extremo.
Não disse nada sobre os arnêses. Não disse nada sobre os eletrodos. Não disse nada sobre o clitóris nem sobre a calcinha molhada. Não sabia por quê, mas sentia que, se dissesse, ele racionalizaria tudo em duas frases e ela não queria que ninguém racionalizasse aquilo ainda.
Lucas voltou do banheiro e a conversa morreu.
Mais tarde, com o menino dormindo, Andrés sentou-se na beira da cama e perguntou em voz baixa:
—Por que essa? Por que não algo mais normal?
—Porque o normal não funcionou —disse Sofía—. Eu tentei. Muitas vezes tentei. E cada vez que eu fracassava era pior que a anterior.
Ele não respondeu de imediato. Olhava para as próprias mãos.
—Um ano sem te ver, Sofi. Sem o Lucas te ver.
—Tem videochamadas.
—Não é a mesma coisa.
—Não. Mas é o que tem.
Andrés se deitou, encarando o teto. Sofía esperou. Conhecia aquele silêncio: era o que precede uma decisão que já foi tomada, mas ainda não foi dita.
—Se você acha que vai te fazer bem —disse por fim—, eu vou aceitar. Mas preciso que me prometa uma coisa.
—O que você quiser.
—Que você me avisa se em algum momento sentir que alguma coisa está errada. Qualquer coisa.
—Eu prometo.
Ele assentiu sem se mover. Sofía apagou a luminária.
No escuro, ficou imóvel por um longo minuto, escutando a respiração de Andrés ao lado. Um ano. Trezentas e sessenta e cinco noites sem tocá-lo, sem sentir o peso dele por cima, sem a pica dele abrindo o seu cuzinho. A ideia apertou alguma coisa entre as pernas dela antes que ela pudesse pensar em palavras. Virou de lado e apoiou a mão aberta no peito nu dele. Desceu devagar, pelo ventre, até a cintura da calça do pijama, e dali seguiu sem perguntar.
Encontrou-o já meio duro, pesado na palma. Fechou os dedos em volta e apertou.
—Andrés —sussurrou.
Ele virou o rosto para ela. Na penumbra, quase não se viam os olhos.
—O quê?
—Me fode —disse Sofía, e a palavra saiu mais rouca do que esperava—. Agora. Como se fosse a última vez. Me fode forte, Andrés, quero levar alguma coisa sua dentro de mim para o ano que vem.
Andrés não respondeu com palavras. Segurou o rosto dela com as duas mãos e a beijou na boca aberta, com a língua entrando desde o primeiro segundo. Sofía o beijou de volta com fome, mordendo o lábio inferior dele, chupando-o, enquanto continuava massageando a pica por cima do tecido. Num movimento, baixou o pijama até as coxas e libertou a rola, que pulsou dura e quente contra a barriga. Sofía se sentou sobre os quadris dele, ainda com a camisola, e se esfregou devagar, deslizando o cuzinho já encharcado por toda a extensão da pica, molhando-a com o próprio fluxo.
—Tira isso —ele suspirou, puxando a camisola.
Ela a puxou pela cabeça e a jogou no chão. Andrés agarrou os peitos dela com as duas mãos, apertou forte, e depois pegou os mamilos entre o polegar e o indicador e torceu os dois ao mesmo tempo. Sofía gemeu e arqueou as costas. Adorava quando ele se esquecia de tratá-la com cuidado. Inclinou-se para a frente e aproximou o peito direito da boca dele. Andrés o chupou inteiro, sugando o mamilo com uma sucção longa, puxando-o com os dentes até fazê-la soltar um gemido que ela mesma teve de abafar contra o ombro dele para não ser ouvido no corredor.
—Chupa ela —disse Sofía, deslizando para trás, descendo pelo corpo de Andrés aos beijos, arrastando a boca pelo peito, pelo estômago, até que a pica dele ficou colada à sua bochecha—. E depois me chupa você também. Eu quero tudo.
Ela enfiou a rola na boca sem preliminares. Tomou-a inteira até o fundo, sentindo a ponta bater na garganta, e começou a chupá-la com a boca aberta e as duas mãos: uma em volta da base e a outra em concha sobre os ovos, apertando-os em ritmo. Andrés enroscou os dedos no cabelo dela, agarrou sua nuca e começou a mover a cabeça no ritmo que queria. Sofía deixou, com os olhos marejados e a saliva escorrendo pelo canto da boca, engolindo a pica até ela escapar e voltando a afundá-la na boca com mais vontade a cada vez.
—Vem cá —rosnou ele, puxando o cabelo dela para cima—. Fica de lado. Quero comer teu cu enquanto você continua me chupando.
Sofía obedeceu sem pensar. Virou-se e apoiou os joelhos aos lados da cabeça dele, com a bunda suspensa sobre o rosto dele e a boca de novo ao redor da pica. Andrés segurou suas bochechas com as duas mãos, abriu-as, e afundou a língua no seu cuzinho de uma vez. Sofía gemeu com a boca cheia. Ele lambia tudo, de cima a baixo, chupando os lábios inchados dela, enfiando e tirando a língua do buraco, e depois subiu para o clitóris e ficou ali, chupando-o com a ponta da língua em círculos apertados, até Sofía ter de tirar a pica da boca porque não conseguia se concentrar.
—Assim, meu amor, assim, não para —ela suspirou, movendo os quadris contra o rosto dele—. Chupa meu clitóris, chupa com força, você está me fazendo gozar.
Andrés enfiou um dedo no cuzinho dela, depois dois, e começou a movê-los rápido lá dentro enquanto continuava chupando o clitóris. Sofía sentiu o orgasmo subir desde o ventre como uma onda fechada, agarrou-se aos lençóis e gozou apertando o rosto dele contra o seu sexo, molhando o queixo dele, gemendo baixo mas longo. Tudo se contraiu nela, coxas, barriga, esfíncter, em ondas que não queriam terminar.
Ainda tremendo, virou-se e subiu nele de novo. Agarrou a pica dele com a mão e a guiou sozinha até a entrada do cuzinho. Sentou-se devagar, deixando-se empalar centímetro por centímetro, sentindo como a rola lhe abria caminho por dentro até a bunda ficar apoiada contra os quadris dele.
—Toda —sussurrou—. Toda dentro. Eu quero tudo.
Começou a se mover para cima e para baixo, com as mãos apoiadas no peito de Andrés, cavalgando-o com vontade de vaca no cio. Cada vez que descia, a pica chegava até o fundo e batia num ponto que a fazia cerrar os dentes. Andrés agarrou sua cintura com as duas mãos e a ajudou a se mover, erguendo-a e abaixando-a, empurrando os quadris dela para dentro sempre que ela se deixava cair.
—Que gostosa você é —ele disse, com a voz quebrada—. Olha como você me chupa com o cu. Não vai embora, Sofi. Um ano. Não vai embora.
—Cala a boca e me fode —ela respondeu, e se abaixou para morder o pescoço dele.
Andrés a virou num só movimento e a deixou de barriga para cima sobre o colchão. Agarrou suas duas pernas atrás dos joelhos e as levantou até apoiá-las nos ombros. Depois se ajeitou, segurou a pica, enfiou-a de novo e começou a comê-la de verdade: estocadas longas, profundas, que faziam a cama ranger contra a parede. Sofía mordeu o dorso da mão para não gritar. Andrés a acertava forte, fazendo o púbis dela bater contra o dele, com a pica entrando e saindo inteira a cada vez.
—Mais forte —pediu Sofía entre os dentes—. Me arrebenta. Me deixa marcada.
Ele segurou o pescoço dela com uma mão, sem apertar de verdade, só apoiada, e enfiou a rola até o fundo com um impulso que lhe tirou o ar. Depois outro. Depois outro. Sofía sentiu o segundo orgasmo chegando, menor mas mais agudo, e gozou com a boca aberta e os olhos fechados, apertando a pica dele por dentro com o cuzinho contraído em espasmos.
—Dentro —ela implorou, quando sentiu ele acelerar, com a respiração entrecortada—. Andrés, meu amor, goza dentro de mim, quero levar isso comigo pra viagem toda.
Andrés não precisou de mais nada. Deu mais três estocadas, curtas e selvagens, e gozou com um rosnado abafado contra o ombro dela, esvaziando-se dentro do cuzinho em jatos longos que Sofía sentiu baterem nas paredes. Ele ficou ali, encaixado até o fundo, tremendo, respirando na curva do pescoço dela, enquanto o gozo lhe escorria por dentro.
Depois, se deixou cair para o lado. Sofía fechou as pernas e apertou, para não perder uma gota sequer. Sentiu o sêmen morno se filtrando lentamente entre as coxas.
Andrés procurou a mão dela no escuro. Apertou-a.
—Um ano —disse, baixinho.
—Um ano —ela repetiu.
E ficaram assim, respirando iguais, até adormecerem.
***
A semana seguinte foi estranha. Sofía ligou para Elena, assinou o contrato em PDF e não contou a ninguém mais. Nem à mãe, nem à irmã. Arrumou uma mala pequena seguindo a lista que lhe enviaram: roupa esportiva, sem acessórios, sem celular próprio. O centro fornecia um aparelho para as chamadas semanais.
A despedida foi numa terça-feira, às sete da manhã, na porta de casa. Lucas ainda tinha o cabelo achatado de dormir.
—Pra onde você vai, mãe?
—Pra um acampamento —disse Sofía, ajoelhando-se para ficar na altura dele—. Para adultos. Vou ficar um ano, mas te ligo toda semana, e quando eu voltar a gente faz aquela viagem que você quer, a do parque aquático enorme.
Lucas franziu a testa.
—Um ano é muito?
—É bastante. Mas passa rápido quando a gente está ocupado.
O menino a abraçou com os braços totalmente estendidos, como se tentasse alcançar toda a sua costa. Sofía fechou os olhos e apertou por um segundo a mais do que era necessário.
Andrés a beijou na têmpora, sem dizer nada. Apertou sua mão por um momento e a soltou.
O carro do centro era um Renault cinza sem logotipos, com um motorista que não falou durante o trajeto inteiro. Sofía dormiu a maior parte da viagem, ou algo parecido com sono: os olhos fechados, a mente ainda acelerada. Entre as pernas, bem fraquinho, ainda pulsava o eco da noite anterior.
***
A fazenda apareceu depois de quase vinte minutos de estrada de terra. Era maior do que Sofía imaginara: um complexo de prédios baixos rodeados por pradarias, com um perímetro de arame alto e câmeras a cada cinquenta metros. Nada de placas. Nada que indicasse o que era aquele lugar por fora.
Elena a esperava na entrada. Era alta, com o cabelo escuro preso num coque apertado, e tinha esse tipo de postura que parece aprendida. Sorriu, mas o sorriso não mudou nada em seus olhos.
—Bem-vinda, Sofía. Este é o começo.
Fez com que ela entrasse e começou o tour.
A academia era o primeiro lugar. Uma sala ampla com pé-direito alto, iluminada por luzes frias que não deixavam sombras. Os aparelhos de exercício eram, em sua maioria, padrão, mas entre eles havia estruturas que Sofía reconheceu dos vídeos: barras horizontais com fixações de couro, sistemas de polias com arnêses ajustáveis e, ao longo de uma parede inteira, ganchos de metal em diferentes alturas com cabos e correias pendendo. Num canto, fechado com vidro, um quartinho cheio de equipamentos que ela não soube identificar, com algo que se parecia suspeitamente com uma mesa ginecológica no centro e uma fileira de vibradores industriais pendurados na parede.
Seguiram para o refeitório. Mesas de aço, cadeiras sem encosto, bandejas compartimentadas com as porções já medidas. Sem talheres de metal: só plástico.
No corredor entre o refeitório e os quartos, Sofía viu uma porta sem janela com uma placa que dizia simplesmente «Sala de correção». Quis perguntar. Não perguntou.
—Quantas pessoas há no programa? —perguntou, em vez disso.
—Dezesseis no momento —respondeu Elena—. Os grupos não se misturam entre si durante as primeiras semanas. Depois o regime muda.
—E os instrutores?
—Você os conhecerá amanhã.
O quarto era a última parada. Uma porta de metal com um painel numérico em vez de fechadura. Dentro: uma cama estreita com lençol branco, uma janela com grades externas voltada para os campos, uma escrivaninha vazia e um armário com outra fechadura. O teto tinha uma câmera no canto, a luz vermelha piscando sem pausa.
Elena apontou para um gancho na parede, perto da porta.
—Aqui fica pendurado o uniforme. Troca-se toda manhã às cinco e meia. As luzes se apagam às dez. O aparelho de chamadas está na gaveta da escrivaninha: ativo às quartas-feiras entre sete e oito da noite.
Sofía olhou para a câmera.
—Isso grava o tempo todo?
—O tempo todo —confirmou Elena, sem ênfase—. Descanse hoje. Amanhã o programa começa.
Ela saiu. A porta se fechou com um som surdo, definitivo, e o painel numérico piscou duas vezes em vermelho.
Sofía se sentou na beira da cama. O colchão era firme, quase duro. As paredes eram brancas, sem nenhum adorno. Pela janela, entre as grades, via-se a grama se estendendo até a cerca de arame e, além dela, o campo aberto, e além disso nada.
Já estou dentro.
Pensou isso com uma clareza estranha, sem pânico. Era um fato simples, como uma equação fechada: ela tinha assinado, tinha entrado no carro, tinha cruzado a porta, e agora a porta estava selada atrás dela. Tinha tomado a decisão com as informações disponíveis, e essa decisão tinha consequências reais. Um ano. Trezentos e sessenta e cinco dias. Cinquenta e duas chamadas com Lucas.
As imagens dos vídeos voltaram sem que ela as chamasse: a mulher pedalando com os pulsos presos e os peitos à mostra, a vareta marcando o ritmo nas costas e na bunda, os eletrodos colados no clitóris, a contração involuntária dos músculos e aquele gemido meio abafado. E depois as mesmas mulheres, de pé, transformadas, com aquele sorriso quieto que não se parecia com nenhum outro.
Sofía se deitou sobre o lençol sem desfazer a cama. Sentiu, outra vez, o eco morno do sêmen de Andrés ainda entre as coxas. Apertou as pernas para retê-lo um pouco mais. A luz do teto era branca e uniforme. A câmera piscava no canto.
Vai valer a pena?
Ela não tinha como saber. Só sabia que, pela primeira vez em muito tempo, tinha tomado uma decisão que lhe pertencia completamente, sem pedir permissão a ninguém. Nem mesmo à versão de si mesma que se olhava no espelho com nojo toda manhã.
Às dez, as luzes se apagaram sozinhas.
Sofía permaneceu no escuro, ouvindo o silêncio dos campos, e esperou.