Meu submisso me esperava amarrado quando voltei do trabalho
Segurei a tarde inteira pensando no instante exato em que cruzaria a porta daquele quarto e ele entenderia, de novo, para que estava ali.
Segurei a tarde inteira pensando no instante exato em que cruzaria a porta daquele quarto e ele entenderia, de novo, para que estava ali.
Ele entrou no quarto e encontrou as gavetas vazias de renda e cheias de roupa de homem. Nessa noite, soube que já não decidia mais nada por si mesma.
Eu caçava esse momento havia anos em aeroportos e trens, mas nunca imaginei que uma desconhecida me deixaria adorar seus pés descalços em pleno voo.
Senti os pés descalços dela sobre meu ombro no escuro. Então uma voz me perguntou se eu gostava do cheiro das meias dela, e só soube responder que sim.
Eu só ia tocá-lo por um instante, por pena. Não imaginei que aquele velho de mãos enormes acabaria me dando ordens enquanto eu obedecia sem resistir.
Durante anos me exibi na janela sem que ninguém importasse, até a noite em que atravessei a rua descalça para me ajoelhar diante do único homem que se atreveu a me olhar de verdade.
Ele me ofereceu o dobro do salário de qualquer outro. O que não estava no contrato era tudo o que a mão dele apertando meu ombro estava me exigindo.
Quando se olhou no espelho, já não se reconheceu: peruca loira, corset vermelho, saltos. E ela, fumando no sofá, o esperava com um sorriso que ele jamais tinha visto.
Muita gente me pergunta de onde vem meu fetiche por luvas de borracha. Quase ninguém conhece a resposta. Começou numa sexta-feira, no quarto da minha tia, com a porta trancada.
A loja ficou vazia de repente, e ao espiar os provadores Diego não imaginou que naquela tarde alguém o observaria enquanto ele olhava sem permissão.
Eu vinha cuidando daquele emprego como ouro. Naquela manhã, a sós com ele antes de abrir, descobri o quanto eu gostava que me dissessem o que fazer.
Eu tinha escrito que seria minha primeira vez submetido. Não imaginei que o primeiro gesto ao abrir a porta seria uma bofetada e a ordem de me ajoelhar.
Não deixei você levantar a cara até entender que, enquanto estiver atrás de mim, minha boceta e minha boca pertencem a você, e você fará com elas o que eu mandar.
Cada passo fazia o metal escondido sob sua saia soar. Vera aprendeu a viver encharcada, à beira, esperando a próxima agulha que ele cravaria em sua carne.
Ele sabia que ia perder antes de começar. Mas se render de cara não lhe dava nada: o prazer estava em resistir, em obrigar o outro a arrancar a vitória a dentadas sob a lua cheia.
Quando fechamos a porta do quarto, deixamos de ser o casal certinho que todo mundo conhece. Lá dentro não há limites, só os que criamos para quebrá-los.
O recepcionista me entregou um pacote sem remetente. Dentro, um plugue de metal e uma nota com a letra dele: «Para o nosso encontro, quero que você o use».
Ele me disse que aquela espera não se pagava com dinheiro. E eu, em vez de descer do táxi, fiquei para descobrir com o que ele queria que eu pagasse.
Cheirou a flor que não deveria existir e seu corpo deixou de obedecer. Entre as árvores, alguém a observava e esperava o instante exato para se aproximar.
Estávamos há duas semanas sem nos tocar. Naquele dia, com a casa finalmente vazia, descobri que o cheiro do corpo adormecido dele podia me transformar em outra mulher.