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Relatos Ardientes

Quando entreguei o controle a ele pela primeira vez

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Eu passava semanas remoendo a mesma pergunta: por que aquela ideia me perturbava daquele jeito? Não perturbava no sentido de mal-estar, mas no contrário: aquele frio na barriga que aparece quando algo te atrai mais do que você gostaria de admitir. Eu me pegava me masturbando pensando nisso, com dois dedos enterrados na xoxota até os nós, mordendo o travesseiro para não gritar, imaginando-me amarrada, imaginando uma mão alheia decidindo quando e como eu ia gozar.

Foi um vídeo que eu vi por acaso numa noite, navegando tarde da madrugada. Não era pornografia barata, mas algo mais lento: uma mulher vendada, completamente imóvel, com as mãos amarradas para trás, e um homem que a observava como se tivesse todo o tempo do mundo. O que me marcou não foi o que acontecia visualmente. Foi a expressão dela. Aquele foco total, aquela entrega. A forma como seus lábios se entreabriam quando ele, sem dizer uma palavra, passava dois dedos pela boca dela e ela os chupava como se a vida dependesse disso.

Comecei a ler. Fóruns, blogs, relatos. Quanto mais eu lia, mais coisas reconhecia em mim mesma que passavam havia anos sem nome. Eu terminava cada noite com a mão enfiada na calcinha, os dedos encharcados, gozando em silêncio com a boca apertada contra o antebraço.

***

Conheci Marcos num curso de escrita criativa, de todos os lugares possíveis. Ele era cinco anos mais velho que eu, professor do ensino médio, com o hábito de ouvir antes de falar. O que me chamou atenção não foi o físico dele, embora fosse atraente de um jeito discreto, sem esforço. Foi que, quando alguém no curso dizia alguma coisa superficial, ele esperava e depois fazia uma pergunta que ia direto ao cerne.

Primeiro viramos amigos. Depois, amantes. E foi durante uma conversa às duas da manhã, com uma garrafa de vinho quase vazia entre nós, que eu disse em voz alta pela primeira vez.

— Tem uma coisa que faz tempo que eu quero conversar com você — comecei.

Marcos deixou o copo sobre a mesinha e me olhou sem pressa.

— Fala.

Levei quase dez minutos para chegar ao ponto. Dei voltas, recomecei três vezes de lugares diferentes. Ele não me interrompeu uma única vez. Quando finalmente disse o que queria dizer — que me atraía a ideia de entregar o controle, de ele tomar as decisões dentro de uma cena, de me amarrar, de me comer como quisesse, de decidir se ia me deixar gozar ou não — houve um silêncio.

Não foi um silêncio constrangedor.

— Faz tempo que eu penso a mesma coisa — disse ele. — Faz meses que eu tenho vontade de te pegar pelo cabelo enquanto te fodo e não sabia se era algo que você ia querer.

Senti um puxão no baixo ventre, aquela contração que eu já conhecia. Minha calcinha ficou úmida só de ouvi-lo falar assim.

***

O que veio depois não foi o que eu esperava. Não houve pressa nenhuma para começar. Marcos propôs que a gente conversasse por vários dias antes de fazer qualquer coisa. No começo, achei exagerado. Depois entendi que era o mais sensato.

Fizemos o que ele chamou de negociação: uma conversa em que cada um colocava na mesa seus limites, suas curiosidades e seus medos. Eu tinha um caderno e anotei tudo como se fosse uma aula.

— Limites rígidos não são negociáveis — explicou. — São coisas que, em nenhuma circunstância, vão acontecer. Limites flexíveis são coisas que te deixam nervosa, mas que você poderia explorar se houvesse confiança suficiente e tudo fosse feito com cuidado.

— E se no meio de tudo eu quiser parar? — perguntei.

— Para isso existe a palavra de segurança. Usamos o sistema do semáforo: verde para «está tudo bem, continua», amarelo para «estou chegando no meu limite, diminui o ritmo», e vermelho para «para, a cena termina agora mesmo».

— E se eu disser «para» ou «não» como parte do jogo?

Marcos sorriu.

— Não vale. Só vale a palavra de segurança. Dentro da cena, você pode dizer o que quiser, resistir, protestar, implorar para eu não gozar dentro de você, o que for. Mas a palavra de segurança anula tudo na hora, sem perguntas, sem consequências. E eu sempre vou te perguntar se você está bem. Sempre.

Passamos duas horas naquela noite. Falamos de coisas que eu nunca tinha verbalizado com ninguém: do que me dava medo, do que me despertava curiosidade, do que me parecia completamente estranho e não me interessava explorar. Eu disse que queria que ele metesse na minha boca até o fundo, que queria que ele me comesse por trás com calma, que queria que me fizesse pedir permissão para gozar. Quando terminamos, eu me senti estranhamente aliviada, como se tivesse resolvido algo que há muito tempo estava emperrado.

— Quando a gente começa? — perguntei.

— No sábado, se você quiser. E começamos simples. Uma única coisa.

***

O sábado chegou com uma calma que eu não esperava de mim mesma. Eu tinha passado a semana com aquele nível baixo de antecipação que se instala no peito e não vai embora. Me peguei várias vezes durante a semana pensando naquela conversa, repetindo mentalmente o que tínhamos combinado, me perguntando se eu seria capaz de soltar o controle de verdade quando chegasse a hora. Gozei três vezes naquela semana pensando na voz dele me dizendo o que fazer.

Cheguei ao apartamento dele às oito. Marcos me recebeu na porta, e a primeira coisa que fez foi me perguntar como eu estava, como eu me sentia, se ainda queria continuar. Não como formalidade, mas de verdade, esperando a resposta.

— Nervosa — admiti. — Mas quero, sim.

— Ótimo. Repete a palavra de segurança.

— Amarelo para diminuir, vermelho para parar.

— Ótimo. — Ele fez uma pausa. — Quando a gente entrar no quarto, os papéis mudam. Sou eu quem decide. Mas, se em qualquer momento você precisar sair disso, vermelho, e voltamos a ser nós dois. Entendido?

Eu assenti.

— Preciso que você diga em voz alta.

— Entendido.

***

O quarto estava diferente. As luzes estavam baixas, sem a luminária da escrivaninha acesa. Havia uma vela sobre a cômoda, longe de tudo. Música instrumental muito suave ao fundo, quase imperceptível.

Marcos ficou atrás de mim e falou perto do meu ouvido.

— Hoje à noite você não vai tomar nenhuma decisão. Isso é tudo o que você precisa lembrar. Você não decide quando se mexer, não decide quando me tocar, não decide o que acontece. Você só sente. E, se eu te disser para abrir a boca, você abre. Se eu te disser para abrir as pernas, você abre. Está claro?

— Está.

Algo naquelas palavras me relaxou de um jeito que eu não tinha previsto. Como se o peso de ter que pensar no que fazer desaparecesse de uma vez. Como se toda aquela energia que eu normalmente gasto calculando e controlando encontrasse, de repente, um lugar onde simplesmente pudesse existir sem fazer nada.

O que veio depois foi lento e deliberado. Marcos tinha um lenço de seda que usou para cobrir meus olhos. Não estava amarrado, não naquela primeira vez, mas não ver mudava tudo. Os sons ficaram mais nítidos. O roçar da roupa dele, o calor que eu sentia quando ele se aproximava antes de me tocar, a diferença de temperatura entre as mãos dele e o ar do quarto.

— Mãos atrás das costas — disse.

Não houve dureza na voz dele, só clareza. E eu obedeci.

Ele começou me despindo. Botão por botão, sem pressa, deixando o tecido cair no chão. Tirou meu sutiã e eu senti o frio do quarto endurecer meus mamilos antes mesmo de ele tocá-los. Quando finalmente o fez, foi com a ponta da língua: um toque mínimo, tão suave que quase me fez gritar de frustração. Depois chupou um deles por completo, com a boca aberta, quente, enquanto apertava o outro entre dois dedos até um gemido escapar de mim.

— Quietinha — disse. — Ainda não.

Ele puxou minha saia e minha calcinha ao mesmo tempo para baixo. Mandou eu dar um passo para sair da roupa. Eu estava nua, de olhos vendados, com as mãos atrás das costas, e ele completamente vestido na minha frente. Eu podia sentir o ar tocando o quanto eu estava ensopada entre as pernas.

— Você está pingando — disse baixinho, passando dois dedos pelos meus lábios de baixo. Depois os levou até a minha boca. — Chupa.

Abri a boca e ele enfiou os dedos até minha língua. Chupei meu próprio gosto enquanto ele girava os dedos devagar, sem me deixar fechar a boca.

— Verde? — perguntou.

— Verde — respondi, com a voz rouca.

Ele continuou. Cada vez que eu fazia um movimento instintivo — virava a cabeça, tensionava os braços, buscava o contato dele antes que ele oferecesse — ele parava um instante e esperava até eu voltar à posição que ele tinha indicado. Ele não explicou, não precisou explicar. Eu entendi que aquilo fazia parte da dinâmica.

Ele me fez ajoelhar. Ouvi o som do cinto sendo desabotoado, o zíper descendo, a roupa caindo no chão. Depois senti a mão dele na minha nuca, me guiando, e a rola dura pressionando contra meus lábios.

— Abre a boca.

Eu obedeci, e ele a empurrou para dentro devagar, um centímetro de cada vez, me deixando sentir cada milímetro. Estava dura, grossa, quente contra minha língua. Quando chegou ao fundo da minha garganta, ele parou. Não se mexeu. Só me deixou ali, com a boca cheia, sentindo a pulsação dele dentro de mim.

— Chupa.

Comecei a me mover sobre ele, com as mãos ainda atrás das costas, sem enxergar, guiando-me só pela respiração dele e pela pressão da mão na minha nuca. Eu o engolia e o puxava para fora, saliva escorrendo pelo meu queixo, e de vez em quando ele empurrava um pouco mais fundo e me fazia engolir, até meus olhos se encherem de lágrimas por baixo da venda.

— Isso. Assim mesmo. Você é incrível chupando meu pau.

Ouvir aquilo me fez apertar as coxas. Eu estava tão molhada que podia sentir meus fluidos escorrendo pela parte interna das pernas.

Ele tirou o pau da minha boca justamente antes de gozar. Ouvi a respiração dele se aprofundar, se controlando.

— Ainda não — disse, mais para si do que para mim.

A tensão foi se construindo de um jeito diferente do que eu conhecia. Não era urgência, era concentração. Cada sensação amplificada pela escuridão da venda, pelo fato de eu não saber exatamente o que viria depois. A antecipação tinha um sabor próprio, algo parecido com impaciência, mas mais imóvel, mais denso.

Quando ele me levou até a cama e pediu que eu me deitasse de costas, percebi que eu não tinha pensado em mais nada nos últimos vinte minutos. Sem o ruído de preocupações na cabeça. Sem a lista mental de pendências que normalmente me acompanhava para todo lado. Só aquilo, só aquele momento, só o calor das mãos dele e a espera pelo que vinha a seguir.

Ele abriu minhas pernas com calma, uma e depois a outra, me deixando exposta. Senti o hálito dele primeiro, quente sobre a xoxota encharcada, e depois a língua. Ele começou devagar, uma lambida longa de baixo até o clitóris, e outra, e outra, até eu estar levantando os quadris em busca de mais e ele me segurando com as mãos abertas sobre a virilha para me manter quieta.

— Fica quieta — disse, com a boca ainda colada em mim. — Não se mexe.

Ele chupou meu clitóris com os lábios fechados, sugando, enquanto enfiava dois dedos e os curvava lá dentro. Eu gemia sem conseguir me calar, o corpo todo tremendo, sentindo que estava prestes a gozar.

— Marcos, eu vou...

Ele parou na hora. Tirou os dedos. Levantou a boca.

— Ainda não — disse. — Sem permissão, não.

Quase chorei de frustração. Um gemido longo, choroso, escapou de mim, com os quadris ainda procurando algo que já não estava lá.

— Verde? — perguntou.

— Verde. Verde. Por favor.

— Por favor o quê?

— Por favor, me come.

Ouvi ele rir baixinho. Depois senti o peso dele subindo entre minhas pernas, a cabeça da rola passando pelos meus lábios de baixo, se molhando com o que eu estava pingando. Ele entrou só com a cabeça e esperou.

— Assim?

— Toda. Mete tudo.

Ele empurrou de uma vez, até o fundo, e o gemido que escapou de mim eu não consegui controlar. Ele me preencheu por completo, senti como me abria, como me esticava, como se acomodava dentro de mim. Ficou parado um instante, aguentando, e depois começou a se mover.

A voz dele era firme.

— Vou te foder até você esquecer seu nome. E você não vai gozar até eu mandar.

Ele começou a me estocar, primeiro com calma, depois mais forte. Cada porrada ia até o fundo, me arrancando quase inteira e me preenchendo de novo num só movimento. A cama rangia debaixo de nós. Eu tentava mexer as mãos, esquecendo que elas tinham que ficar atrás das costas, e ele prendia meus pulsos contra o colchão, acima da minha cabeça.

— Quietinha. Aguenta.

Ele me comia num ritmo que já não era lento nem deliberado; era uma necessidade dos dois. Eu sentia o clitóris roçando contra o púbis dele a cada estocada, a fricção exata, e sabia que não aguentaria muito mais.

— Por favor — arfei. — Por favor, deixa eu gozar.

— Não.

Ele continuou, acelerando o ritmo. Os sons dos nossos corpos se chocando enchiam o quarto, misturados aos meus gemidos entrecortados e à respiração áspera dele contra meu pescoço.

— Por favor. Por favor. Marcos, por favor...

— Aguenta.

Fechei os punhos sob as mãos dele, apertei as coxas em volta de seus quadris, mordi o ar tentando não gozar. Eu estava à beira, tão à beira que doía.

E então ele sussurrou no meu ouvido, com a voz quebrada:

— Agora. Goza pra mim.

Foi como abrir uma comporta. Gozei em ondas, o corpo todo se convulsionando debaixo dele, gritando sem me importar com quem pudesse ouvir. Senti minha xoxota apertando a rola dele, sugando em espasmos, e ele continuou empurrando, mais forte, mais fundo, até rosnar contra meu pescoço e gozar dentro de mim, quente, em jatos longos que me preencheram.

Ele ficou dentro de mim por um tempo, respirando pesado contra meu ombro, sem sair. Eu sentia a rola dele ainda pulsando, sentia o esperma morno escorrendo quando ele finalmente se afastou para o lado.

***

Teve um momento, algum tempo depois, em que senti que estava chegando a um limite. Não era dor, não era medo. Era saturação de sensações, algo intenso demais para processar de uma vez. Marcos tinha me colocado de bruços, com a cara afundada no travesseiro e a bunda levantada, e estava me chupando entre as nádegas com uma calma que me deixava louca, me preparando com a língua e com dois dedos encharcados de saliva. Lembrei da palavra.

— Amarelo — disse.

Marcos parou na mesma hora. Não houve dúvida, não houve «tem certeza?» nem um segundo de hesitação. Ele simplesmente parou.

— O que você precisa? — perguntou. Voz normal, sem o tom da cena.

— Um instante. Estou bem, só preciso de um instante.

Ele se sentou ao meu lado. Tirou a venda e esperou. Não falou, não me pressionou, não perguntou se eu queria continuar ou parar. Só ficou ali. Quando eu disse que podíamos seguir, mas mais devagar, ele voltou ao papel com uma naturalidade tão grande como se nunca tivesse saído dele. Terminou me levando de novo com a boca, chupando meu clitóris até eu gozar pela segunda vez naquela noite, gemendo contra o travesseiro.

Depois eu entendi que isso era tão importante quanto todo o resto. Que a pausa não quebrou nada. Pelo contrário: havia algo naquela pausa que me confirmava que eu podia confiar nele de um jeito que não se constrói com palavras.

***

Quando acabou, Marcos apagou a vela e acendeu o abajur da mesa de cabeceira. Luz fraca, suficiente para ver. Trouxe água para mim e se deitou ao meu lado sem dizer nada por um longo tempo. Eu ainda estava com as pernas bambas, a xoxota latejando, sentindo o gozo dele escorrendo entre minhas coxas.

— Como você está? — perguntou, por fim.

— Estranha. Bem. Estranha e bem.

Ele sorriu.

— É normal. O corpo processa coisas. Leva o tempo que precisar.

Conversamos por quase uma hora. O que eu tinha sentido em cada momento, o que eu tinha gostado, o que me tinha deixado desconfortável, embora não o bastante para parar. Marcos ouviu tudo com a mesma atenção que tinha no curso de escrita, anotando cada coisa que eu dizia, sem interromper, sem defender nada.

— O amarelo que você disse, foi exatamente quando? — perguntou.

Expliquei para ele.

— Na próxima eu levo isso em conta.

Aquela frase, «na próxima», me pareceu a mais importante de toda a noite.

***

Houve coisas que eu entendi depois, com dias de distância. Que a submissão não é o que parece de fora. Não é passividade nem fraqueza. Exige uma presença e uma confiança que não se constroem de uma hora para outra. Que o prazer nessa dinâmica não vem da restrição em si, mas daquele estado de concentração total, da consciência mais aguçada que se ativa quando o controle externo liberta a mente da necessidade de gerenciar tudo.

Também entendi que Marcos tinha tanto cuidado nesse papel quanto eu. Que a responsabilidade de quem domina é enorme: estar atento, ler sinais, manter a segurança da outra pessoa o tempo todo. Que não existe dominação sem cuidado, que as duas coisas são inseparáveis em qualquer dinâmica que valha a pena.

Levei tempo para dar nome a tudo. Meses, na verdade. Fomos explorando devagar, acrescentando elementos um de cada vez, sempre com aquela conversa prévia que Marcos insistia em não pular. Aprendi a chupar o pau dele de joelhos enquanto ele me puxava pelo cabelo. Aprendi a deixar que me amarrasse os pulsos na cabeceira e a gozar uma e outra vez até perder a conta. Aprendi a deixar que me comesse pelo cu devagar, com lubrificante e paciência, até eu pedir que ele enchesse com mais força. Aprendi a conhecer meus próprios limites com uma clareza que eu antes não tinha. A dizer o que eu queria sem rodeios. A confiar que pedir para algo parar não quebra tudo, mas torna tudo mais sólido.

Uma noite, meses depois, perguntei como ele tinha aprendido tudo aquilo.

— Errando — disse. — E lendo muito. E tendo conversas desconfortáveis com pessoas de quem eu gostava.

— Qual foi o maior erro?

Ele pensou um instante antes de responder.

— Achar que eu sabia o que a outra pessoa queria sem perguntar. Isso é a única coisa que não tem conserto. O resto dá para conversar e corrigir. Mas, se você não pergunta, mais cedo ou mais tarde alguma coisa quebra.

Eu anotei isso mentalmente, como anotei tantas outras coisas nesses meses. Uma dessas frases que não se parecem com nada do mundo lá fora, mas que, dentro desse espaço específico, têm um peso que eu não encontro em outro lugar.

***

Ainda rio quando me lembro de como cheguei até tudo isso: uma tela escura, numa noite de terça-feira, e aquela expressão de concentração no rosto de uma mulher que eu não conhecia e que, no entanto, me ensinou algo sobre mim mesma que eu levaria anos para descobrir sozinha.

O desejo nem sempre tem a forma que a gente espera. Às vezes ele aparece nos lugares mais inesperados, com a cara de algo que assusta um pouco no começo, e a única forma de saber se ele é o que você pensa que é é falar dele em voz alta. Com a pessoa certa, no momento certo, sem pressa.

O resto é só aprender. Devagar, com cuidado, com alguém em quem confiar. Com alguém que saiba quando amarrar suas mãos e quando soltá-las, quando te fazer implorar e quando te deixar gozar.

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