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Relatos Ardientes

Ela esfregou de joelhos e entendeu o que era a submissão

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Valeria terminou de limpar a louça do café da manhã e a colocou no escorredor com aquela precisão que já era pura rotina. Desde que as semanas difíceis tinham passado, suas mãos se moviam com outra cadência na cozinha: mais deliberada, mais consciente do detalhe. Não era medo. Era outra coisa que ela ainda não sabia nomear direito.

Andrés continuava na sala, com o jornal aberto sobre os joelhos. Ela saiu com a bandeja: café recém-passado, torradas com manteiga, o copo de suco que ele preferia nos fins de semana. Ele levantou os olhos pelo tempo suficiente para sorrir para ela.

—Bom dia. Sempre tão atenta.

—É sábado —disse ela, acomodando a bandeja sobre a mesinha—. Gosto que os sábados comecem bem.

Sentaram-se de frente para a janela. O sol entrava oblíquo e aquecia o chão de madeira. Conversaram sobre coisas pequenas: o tempo que finalmente prometia melhorar, o livro que ela estava há semanas sem terminar, uma possível viagem que Andrés tinha mencionado na noite anterior. Valeria o escutava e pensava em como a textura daquelas manhãs tinha mudado. Antes, custava a ficar quieta, sempre com a cabeça em outro lugar. Agora, simplesmente estava.

Quando terminaram, Andrés deixou a xícara sobre a bandeja e falou sem preâmbulos.

—Hoje, quando terminar de limpar o banheiro, quero que você esfregue o chão da cozinha e o do banheiro sem rodo. De joelhos, com o pano.

Valeria o olhou. Não havia tensão na voz dele, nem na postura. Ele disse aquilo com a mesma calma com que poderia ter pedido mais café.

—Fiz algo errado? —perguntou, embora já desconfiasse da resposta.

—Não. Não é castigo. —Andrés a encarou com aquela tranquilidade que às vezes a deixava nervosa justamente por não ser fria—. Quero que faça isso para demonstrar sua entrega. Para lembrar o que significa obedecer quando não há uma razão clara por trás. Não porque você falhou, mas porque sim.

Valeria demorou um segundo. Pensou em perguntar por que era necessário, em dizer que o chão já estava limpo, em negociar. Mas não disse nada disso.

—Tá bom —respondeu—. Eu faço.

—Sem questionar —acrescentou ele, sustentando o olhar dela.

—Sem questionar.

***

Encheu o balde com água morna e uma boa dose de detergente com cheiro de limão. Ajoelhou-se no centro da cozinha com o pano nas mãos e começou pelo canto junto à geladeira, avançando em faixas organizadas até a porta.

O piso estava frio mesmo através do tecido da calça. O cheiro de limão tomava o ar e se misturava ao aroma do café que ainda restava nas xícaras sobre a mesa.

Isso não me humilha, pensou enquanto esfregava. Isso me sustenta.

Seria difícil explicar isso a qualquer pessoa que não vivesse aquilo. Suas amigas do trabalho veriam como uma degradação, como algo de que ela deveria se envergonhar. Mas, para Valeria, havia uma clareza estranha em obedecer sem uma razão aparente. Ela não precisava decidir se o chão estava sujo ou não. Não precisava avaliar se o pedido era justo ou injusto. Só precisava fazer, e nesse fazer sem perguntas encontrava uma paz que no resto da vida lhe custava muito alcançar.

Andrés passou pela cozinha duas vezes. Na primeira, com o café na mão, sem dizer nada. Na segunda, parou junto à porta e a observou de cima com aquela expressão que ela reconhecia como uma mistura de satisfação e vigilância. Não disse nada em nenhuma das duas passagens. Só olhou. Ela continuou esfregando, sentindo o olhar dele percorrer sua bunda empinada, os quadris oferecidos para cima naquela postura que os dois sabiam não ser casual. Notou a xana se contraindo sob a roupa, já úmida, respondendo a ser observada assim, de quatro, útil.

Seus joelhos começaram a doer por volta dos vinte minutos. O chão era duro e a posição não era generosa com os ossos, mas ela ignorou o incômodo e continuou avançando canto por canto. Às vezes se perguntava se o que sentia era vergonha ou alívio, e sempre chegava à mesma conclusão: eram as duas coisas, entrelaçadas de um jeito que ela já não tentava separar.

Quando chegou ao fim da cozinha, levantou-se devagar, pegou o balde e foi para o banheiro repetir o processo.

Ajoelhar-se pela segunda vez foi mais difícil. A dor se instalou na hora, mais aguda do que antes, mas não a ponto de ser insuportável. Era uma sensação concreta, presente, que a lembrava exatamente do que estava fazendo e por quê. Esfregou o chão do banheiro com a mesma atenção que havia dedicado à cozinha, passando o pano pelos cantos junto ao vaso, sob o radiador, ao redor da base da banheira.

Levou quase quarenta minutos no total. Quando terminou, sentou-se na borda da banheira, os braços apoiados sobre os joelhos avermelhados. Os dedos doíam. As costas também. Mas ela não pensava nisso. Pensava em como a calcinha se colava aos lábios da xana, encharcada de um fluxo espesso que ela havia soltado durante toda a tarefa, sem conseguir evitar, cada vez que sentia os passos dele se aproximando pelo corredor.

Andrés entrou sem avisar e caminhou devagar pelo banheiro, examinando cada canto com aquela atenção meticulosa que Valeria achava ao mesmo tempo exasperante e hipnótica.

—Aqui tem duas áreas que ficaram mais fracas —disse, apontando junto ao vaso e sob o radiador—. Não são falhas graves, mas quero que você refaça.

—Agora mesmo.

Ela se ajoelhou de novo. A dor foi mais aguda dessa vez, mas ela não reclamou. Refazendo os dois cantos com movimentos lentos e concentrados, sem tirar os olhos do chão.

Quando terminou, ele inspecionou outra vez. Abaixou-se, passou o dedo na borda do radiador e examinou. Depois pegou o balde vazio com uma mão e o ergueu no ar por um instante —naquele gesto que sempre apertava alguma coisa no peito de Valeria— e o colocou no chão sem derrubá-lo.

—Muito bem feito —disse finalmente—. Você trabalhou bem hoje. Levante-se e abaixe a calça. Quero ver como está sua xana depois de duas horas esfregando de joelhos.

Ela soltou o ar, se pôs de pé com as pernas trêmulas e abriu o botão. Deixou a calça cair até os tornozelos e depois a calcinha, que se descolou da carne com um puxão úmido. Andrés abaixou o olhar, sorriu de leve.

—Encharcada. Como eu pensei. Abra-se.

Valeria se apoiou com uma mão na pia e, com a outra, afastou os lábios da xana. O clitóris apareceu inchado, brilhante. Ele esticou um dedo e o passou pela fenda, de baixo para cima, recolhendo o líquido que escorria até o interior das coxas.

—Tudo isso por esfregar um chão —murmurou ele, levando o dedo à boca dela—. Chupa.

Ela fechou os lábios ao redor do dedo e o limpou com a língua, saboreando-se. Ele retirou o dedo devagar, passando-o pela bochecha dela.

—Pegue a roupa e venha para a sala nua da cintura para baixo. Vamos fazer uma pausa antes de continuar com a casa.

Ela assentiu e o seguiu pelo corredor com o macacão meio vestido e a calcinha pendurada na mão. Na sala, Andrés se sentou na poltrona e abriu o cinto sem pressa. Tirou o pau, já meio duro, grosso, com a veia de cima marcada. Fez um gesto com o queixo.

—Vem cá. De joelhos de novo. Mais um pouco não vai te matar.

Valeria percorreu os três passos que a separavam dele e se ajoelhou outra vez sobre o assoalho. Os joelhos reclamaram, mas ela se posicionou bem e agarrou o pau pela base. Beijou a ponta primeiro, deixando um fio de saliva pendurado quando se afastou. Depois abriu a boca e o levou inteiro, até sentir bater no fundo da garganta.

—Assim —disse ele, puxando o cabelo dela—. Quero você mamando assim. Sem as mãos. Coloque as mãos atrás das costas.

Ela obedeceu, cruzou os pulsos atrás das costas e deixou que ele segurasse sua cabeça com as duas mãos. Andrés começou a foder sua boca devagar no início, marcando o ritmo, afundando até ela precisar respirar pelo nariz para não se engasgar. Os olhos dela lacrimejavam. Um fio de baba pendia do canto da boca e caía sobre os seios ainda cobertos pelo macacão branco.

—Olha pra mim enquanto mama —disse ele, e ela ergueu os olhos turvos sem parar de engolir—. Isso. Aí. Essa cara.

Ele tirou o pau da boca dela de uma vez e passou a glande brilhante pelos lábios, lambuzando-os.

—Cospe. Muita saliva.

Valeria cuspiu sobre a ponta e voltou a levá-lo para dentro, desta vez chupando a coroa com os lábios cerrados e descendo pelo tronco com a língua achatada. Ele gemeu baixo. Agarrou o cabelo dela e começou a mover sua cabeça mais rápido, deixando-a sem ar.

—Para —disse de repente, afastando-a—. Ainda não. Levante-se e vire-se. Mãos na mesa.

Ela se ergueu, apoiou as palmas na mesa de centro da sala e afastou as pernas. Sentia a xana pulsando entre as coxas, se abrindo sozinha com a postura. Andrés se pôs de pé atrás dela e passou o pau, ainda brilhando de saliva, primeiro pela fenda do cu e depois pelos lábios da xana, de cima a baixo, sem enfiar.

—Pede.

—Me enfia —sussurrou ela.

—Mais forte.

—Me enfia, por favor. Me fode.

Ele a penetrou de uma só vez, até o fundo, e Valeria precisou morder o lábio para não gritar. O pau entrou tão fundo que ela sentiu bater no colo do útero. Andrés ficou ali, imóvel por um segundo, segurando-a pelos quadris.

—Como você aperta —disse—. A manhã inteira quente por isso, é?

—Sim.

—Sim o quê?

—Sim, senhor. A manhã inteira quente por sua pica.

Ele começou a fodê-la com estocadas longas e fundas, puxando quase tudo para fora e voltando a afundar de golpe. O som do choque entre as peles encheu a sala. Os joelhos de Valeria ainda ardiam, mas agora esse ardor se misturava a outro, mais fundo, que subia do ventre e a fazia apertar os dentes.

—Me separe mais as nádegas —ordenou ele.

Ela levou as duas mãos ao cu e se abriu, oferecendo tudo. Andrés cuspiu no buraquinho e passou o polegar por cima, empurrando só um pouco.

—Aqui também um dia. Mas hoje não.

Ele agarrou o cabelo dela, puxou o rabo de cavalo para trás e arqueou suas costas. Fodia-a agora com a mão livre estalando na sua bunda, primeiro de leve e depois com palmadas que deixavam a pele vermelha. Cada palmada fazia a xana se fechar ao redor da pica, e ele percebia e sorria.

—Você gosta que eu te foda assim, sua puta.

—Eu adoro.

—Diz direito.

—Eu adoro que você me foda assim. Como uma puta.

Andrés passou a mão por baixo do ventre dela, encontrou o clitóris com dois dedos e começou a esfregá-lo enquanto continuava a estocá-la. Valeria sentiu as pernas cederem. Agarrou a borda da mesa com as duas mãos, os nós dos dedos brancos, e gozou com um grito abafado que lhe saiu do peito. A xana se fechou em espasmos ao redor da pica, escorrendo pelo interior das coxas.

—Boa menina —sussurrou ele ao seu ouvido sem parar de se mover—. Outra.

—Não consigo.

—Consegue, sim.

Ele continuou a esfregar o clitóris com mais pressão, ainda inchado e sensível, e a penetrava com estocadas curtas e rápidas que lhe tiravam o ar. Valeria começou a tremer dos pés à cabeça. Um segundo orgasmo a atravessou, mais lento que o primeiro, mais profundo, e ela se dobrou sobre a mesa, os seios esmagados contra a madeira e a bochecha apoiada nela.

Andrés tirou a pica, agarrou o cabelo dela e a virou.

—De joelhos. Abra a boca.

Ela se deixou cair, abriu a boca e pôs a língua para fora. Ele se masturbou com as duas mãos, apontando para o rosto dela. Os primeiros jatos caíram na língua, nos lábios, no queixo. O último, mais fraco, sujou seu pescoço e escorreu até a clavícula.

—Engole.

Ela fechou a boca e engoliu. Depois esticou a língua de novo, limpa. Andrés passou a glande pelos lábios, pintando-os com o resto que ainda havia.

—Perfeita.

Ele se deixou cair na poltrona, a respiração pesada. Valeria ficou de joelhos diante dele, com o sêmen escorrendo pelo pescoço, esperando a próxima ordem.

—Vá lavar o rosto. Mas não lave o pescoço. Quero que fique secando aí enquanto seguimos com o resto.

—Sim, senhor.

***

Quando terminou de guardar os utensílios, foi até a sala. Andrés estava no sofá, com o laptop aberto, digitando com aquela testa concentrada que ele fazia quando revisava o e-mail do trabalho. Valeria se ajoelhou aos pés dele em silêncio e esperou. Ainda sentia a pele do pescoço repuxada onde o sêmen tinha secado numa crosta fina, um lembrete permanente durante todo o tempo em que esteve terminando as tarefas.

Ele a olhou por um momento.

—Posso massagear seus pés? —perguntou ela em voz baixa.

Andrés assentiu sem tirar os olhos da tela.

—Pode.

Ela tirou os sapatos dele com cuidado e começou a massagear com as pontas dos polegares, aplicando pressão no arco e nos calcanhares. Sentia sob as mãos a tensão acumulada da semana, e foi desfazendo aquilo com paciência, nó por nó. O silêncio entre os dois tinha uma textura particular, densa mas confortável, daquelas que não precisam de palavras para existir.

Depois de um bom tempo, Andrés fechou o laptop.

—Vamos sair. Está um dia ótimo e você mereceu. O e-mail pode esperar até a tarde.

Valeria sorriu e foi até o armário buscar o conjunto que vinha considerando desde a manhã: um macacão branco curto com pequenos corações estampados, justo, daqueles que pedem tempo bom. Mostrou a Andrés antes de vestir, esperando o gesto de aprovação dele. Ele assentiu, e ela se vestiu depressa, com uma alegria que não precisava de justificativa. Não colocou calcinha. Ele percebeu quando passou a mão na bunda dela antes de sair e sorriu sem dizer nada.

***

O parque estava cheio de gente que tinha saído para aproveitar o sol do meio-dia. Caminharam devagar, falando de coisas cotidianas, até Andrés parar no meio da trilha e encará-la de frente.

—Estou orgulhoso de você —disse, sem preâmbulos—. Do seu modo de se entregar. Não falo isso sempre, mas penso.

Ela sentiu o calor subir pelo pescoço.

—Obrigada —respondeu, com uma voz que saiu menor do que queria.

Continuaram andando. Valeria estava virando aquelas palavras na cabeça quando ouviram uma voz conhecida do outro lado da fonte.

Era Félix, colega de Andrés no departamento de sistemas. Estava acompanhado de Isabella, sua namorada italiana: cabelo escuro e ondulado até os ombros, olhos castanhos e grandes que davam a impressão de não perder nada, um jeito de se mover que atraía sem que ela parecesse procurar isso. Félix era largo de ombros e usava uma camisa apertada demais no tronco, que não lhe favorecia em nada.

Depois de se cumprimentarem com o entusiasmo de quem não se vê há tempos, decidiram entrar num bar da esquina para tomar alguma coisa. O terraço estava quase cheio, mas encontraram mesa ao fundo, com uma sombrinha e uma vista decente da rua.

—Valeria, pede quatro canecas e alguma coisa para petiscar —disse Andrés enquanto se acomodava na cadeira com aquela naturalidade com que sempre exercia a autoridade: sem ênfase, sem precisar que ninguém notasse.

—Agora mesmo.

Enquanto ela ia até o balcão, Isabella observou a cena com uma expressão que não era totalmente legível. Quando Valeria voltou com as bebidas e um prato de batatas bravas, Andrés comentou sem cerimônia:

—Isabella, você também podia ter dado uma força, não?

A italiana franziu levemente a testa.

—Estamos aqui para relaxar. Não vejo por que eu teria que levantar.

—Claro —respondeu Andrés, sem confronto algum—. Valeria faz isso porque gosta, não porque tenha que fazer. Tem algo em cuidar desses pequenos detalhes que muda a forma como você se sente num relacionamento. Talvez você se surpreendesse ao experimentar isso um dia.

Félix assentiu, embora com o incômodo de quem não sabe bem de que lado ficar.

Isabella olhou para Valeria com algo que podia ser curiosidade ou avaliação, ou as duas coisas ao mesmo tempo.

—Não sei —disse, sem muita convicção.

A conversa deslizou para outros assuntos. Valeria aproveitou para falar a Isabella das rotas de bicicleta que faziam nos fins de semana, do caminho pela costa cantábrica que planejavam para a primavera, de como no começo lhe custara acompanhar o ritmo de Andrés, mas que agora era uma de suas atividades favoritas.

Isabella ouvia com interesse genuíno, fazendo perguntas, contando que Félix preferia o sofá e os videogames a qualquer coisa que implicasse calçar tênis.

—Eu adoraria tentar algum dia —disse a italiana—, embora convencer o Félix exigisse um milagre.

As duas riram. Foi aquele tipo de riso fácil que surge entre duas pessoas que acabaram de descobrir que se gostam.

Quando chegou a hora de Valeria ir embora para casa, despediu-se com naturalidade.

—Andrés, vou preparar a comida. O que você quer hoje?

Ele deu algumas ideias. Ela anotou mentalmente, assentiu e se despediu do grupo.

Isabella, que vinha observando-a, falou antes que Valeria dobrasse a esquina.

—Não consigo acreditar que ela prepare a comida todos os dias e ainda pergunte o que ele quer. Eu não faço isso com o Félix nem de longe.

Andrés respondeu sem levantar a voz.

—Ela faz porque gosta. Não porque deva. Há uma diferença enorme entre essas duas coisas.

Félix assentiu. Isabella pensou a respeito.

No fim, entre risadas e com mais graça do que ela mesma esperava, Isabella acabou se levantando para buscar uma segunda rodada. Quando voltou com os copos, Félix lhe deu um tapinha carinhoso no braço.

—Obrigado, amor. Hoje à noite, que tal me fazer aquela massa que sei que você prepara tão bem?

—Uma vez —respondeu ela, rindo—. E que fique claro que isso não vai virar costume.

Andrés negou com a cabeça, divertido.

—Isso é o que todas dizem no começo.

Isabella corou levemente. Quando Félix foi um instante ao banheiro, ela se virou para Andrés com um sorriso que tinha algo mais do que simpatia por trás.

—A gente devia repetir esse programa mais vezes —disse—. Gostei muito.

—Com prazer —respondeu Andrés—. Embora só se você mantiver o nível de serviço.

Ela riu, e o calor que subiu às suas bochechas não era totalmente por causa da brincadeira.

***

O almoço foi tranquilo. Andrés abriu uma garrafa de vinho tinto enquanto Valeria servia os pratos, e os dois conversaram com aquela comodidade que só anos de convivência diária proporcionam. Com o vinho, ele foi relaxando aos poucos, e a conversa ficou mais lenta e mais quente.

Quando terminaram e Valeria retirou os pratos, voltou à sala e se deslizou para o chão diante dele sem dizer nada. Só o olhou de baixo, esperando.

Andrés a sustentou com o olhar por alguns segundos e então deixou que as mãos pousassem em seu cabelo.

—Tira ele de novo. Devagar.

Ela desabotoou a calça devagar, baixou o zíper dente por dente e libertou a pica, que caiu pesada contra a palma da mão. Ainda mole, grossa, com o cheiro dele. Ela a colocou na boca assim, sem pressa, chupando como se fosse um doce, fazendo-a crescer com a língua e o calor. Sentia-a endurecer entre os lábios, sentia a glande começar a inchar contra o palato. Tirou a língua e lambeu da base até a ponta, parando para chupar os ovos um por um, levando-os à boca com cuidado.

—Assim —murmurou ele—. Com calma. Não temos pressa.

Valeria tomou a pica na boca com a mesma concentração que tinha colocado em esfregar o chão naquela manhã: total, sem reservas. Seus lábios se fecharam com firmeza, a língua traçou o caminho que ela já conhecia de memória, e sentiu a respiração de Andrés parar por um instante antes de se tornar mais profunda. Ela chupou até o fundo, deixou que ele tocasse sua garganta, recuou engolindo saliva e voltou a descer. Um fio espesso de baba pendia de seu queixo. Ela não limpou.

As mãos dele se fecharam em seu cabelo, guiando-a, marcando o ritmo com uma pressão que não deixava dúvidas. Valeria se adaptou, tomando-o mais fundo, sem tirar os olhos do rosto dele. Apertava-lhe os ovos com uma mão e, com a outra, acariciava a base, movendo-o no mesmo tempo em que a boca subia e descia.

—Olha pra mim —disse ele, com a voz baixa e rouca.

Ela obedeceu, com os olhos brilhando de água e a boca cheia. Ele encostou o polegar em sua bochecha e percebeu como a pica se abria por dentro, enchendo o interior da face.

—Levanta. Sobe o macacão. Sobe até a cintura.

Valeria tirou a pica da boca com um estalo e se pôs de pé. Ergueu a barra do macacão branco e o enrolou na cintura, deixando a xana e o cu expostos. Ela não tinha colocado calcinha de novo depois da manhã. Andrés viu a carne rosada, ainda marcada pelas palmadas de antes, e estendeu a mão.

—Vem. Por cima.

Ela subiu no sofá, um joelho de cada lado dos quadris dele, e desceu devagar até se empalar. A pica a abriu outra vez, já mais solta do que de manhã, mas igualmente sensível, e o gemido lhe escapou sem que conseguisse controlar. Ficou imóvel por um segundo, com ele até o fundo, e depois começou a se mover para cima e para baixo, apoiando-se nos ombros dele.

—Assim, com calma —disse ele, agarrando-lhe os seios por cima do tecido do macacão, beliscando os mamilos através do algodão—. Cavalga você. O quanto quiser.

Valeria foi marcando seu próprio ritmo, mordendo o lábio, com a respiração cada vez mais entrecortada. Inclinou-se para a frente e procurou a boca dele. Beijaram-se enquanto ela se movia por cima, com a língua dele provando o sal da própria pica na boca dela. Depois Andrés agarrou as nádegas dela com as duas mãos e começou a erguê-la e abaixá-la ele mesmo, mais rápido, mais fundo.

—Goza de novo —ordenou, passando uma mão à frente para esfregar-lhe o clitóris—. Em cima da minha pica, goza.

Ela gozou com a boca aberta contra o ombro dele, mordendo-o para abafar o grito. As coxas tremiam, a xana se fechava em ondas ao redor dele. Andrés não aliviou. Ergueu-a do sofá sem tirá-la, colocou-a de bruços com os joelhos na borda e as mãos no assento, e a montou por trás outra vez.

Fodia-a agora sem cerimônia, agarrado aos quadris, puxando-a quase toda para fora e voltando a afundar. A bunda dela batia contra a pélvis dele com um som plano e úmido que enchia todo o cômodo.

—Aguenta mais um pouco.

—Não consigo, não consigo...

—Consegue. Mais um pouco.

Ela gozou de novo, um espasmo entrecortado que lhe esvaziou as pernas. Andrés não demorou muito depois disso. Quando chegou ao limite, apertou os dedos na nuca dela e soltou um som grave, profundo, que Valeria havia aprendido a ler tão bem quanto uma palavra. Afundou até o fundo e gozou dentro, em jorros grossos que ela sentiu bater por dentro. Não se afastou. Sustentou-o até que ele relaxasse por completo, até que as mãos em seu cabelo afrouxassem a pressão.

Quando Andrés retirou a pica, um fio espesso de sêmen veio atrás e escorreu pelo interior da coxa dela. Ele se abaixou, passou o dedo no rastro e levou-o à boca de Valeria, que o chupou sem precisar que lhe dissessem.

—Boa menina.

Ele se recostou devagar e se sentou ao lado dela no sofá, ainda com o macacão branco enrolado na cintura e a xana escorrendo sobre o estofado. Ele a envolveu com um braço.

O silêncio era diferente do da manhã. Mais macio, mais completo.

—Valeria —disse ele por fim.

Ela ergueu o olhar.

—Eu não digo isso o suficiente. —Fez uma breve pausa—. Mas eu prefiro você a qualquer outra. Não porque você faz o que faz, mas porque é você quem faz.

Ela ficou com aquelas palavras e as deixou pousar.

—Eu também te amo —disse por fim, com a voz um pouco rouca—. Ainda não entendo tudo. Mas sei que isso me faz bem.

Ele beijou a têmpora dela sem acrescentar mais nada.

A tarde caiu devagar sobre a sala. O sol deixou de entrar pela janela e a luz ficou amarela e imóvel. Valeria permaneceu apoiada no ombro dele, com os joelhos ainda avermelhados sob o macacão branco, e Andrés leu mais um pouco sem se mexer, com a mão sobre o cabelo dela, sem fazer nada além de sustentá-la.

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