O que acontecia na loja do engraxate
Eu ia à loja do engraxate para lustrar os sapatos e ler quadrinhos. Nenhum dos dois imaginava o que ele acabaria guardando no bolso da camisa, nem até onde chegaríamos.
Eu ia à loja do engraxate para lustrar os sapatos e ler quadrinhos. Nenhum dos dois imaginava o que ele acabaria guardando no bolso da camisa, nem até onde chegaríamos.
Cheguei primeiro ao quarto, de boné e óculos, e me sentei na beirada da cama sem saber o que ia fazer quando aquele desconhecido tocasse a porta.
As duas taças de vinho sobre a mesa de centro e a luz suave do quarto me avisaram que naquela noite eu veria algo que jamais deveria ter visto.
Dividimos quarto para economizar. Eu era casado, pai de dois filhos. Até aquela noite no hotel, quando ele decidiu que seríamos outra coisa.
Eu estava havia um mês sem tocar em ninguém quando ele apareceu no meu corredor com uma calça esportiva que deixava pouquíssimo para a imaginação. E eu estava de cueca.
Eu estava com a boca cheia dele quando ouvi a porta. E então ela apareceu, com aquele meio sorriso que sempre soube me dizer tudo sem abrir a boca.
Eu vinha pensando nisso há meses. Numa noite, num hotel longe de casa, abri o app e deixei subir ao meu quarto o primeiro cara que apareceu a um metro.
Naquele dia na empresa, vimos vídeos estranhos no computador dele. O que eu não esperava era que, meses depois, essa mesma curiosidade acabasse no sofá, debaixo do cobertor.
Subi no elevador de salto e peruca, rezando para não cruzar com ninguém. Ele abriu de roupão e me chamou de puta antes de eu dizer oi.
Achei que fosse só curiosidade. Até ver a foto dele, sentir meu pulso acelerar e entender que eu vinha fugindo havia três anos do que já estava decidido.
Buscar sexo pela internet sempre tinha dado certo, até aquela sexta-feira no quarto 207, quando entendi que nunca se sabe o que esperar de desconhecidos.
Havíamos recusado três casais. Quando enfim encontramos o casal perfeito, eles impuseram uma condição que nem nos nossos sonhos mais estranhos esperávamos.
Quando saí do banheiro com saltos, meias e baby doll vermelho, a cara dele disse tudo: eu já não era a «filha» do seu melhor amigo, era outra coisa.
Fazia meia hora que eu o olhava de soslaio quando ele me falou. Atrás das rochas, nenhum dos dois tinha intenção de voltar a se vestir no resto da tarde.
Às onze eram só dois casais rindo em volta de uma garrafa; às três da manhã já éramos quatro corpos que não sabiam a quem pertenciam.
Voltávamos da praia para o camping quando uma garota pediu carona no meio do caminho. Eu não sabia que naquela noite descobriria outra coisa.
Quando o vi entrar no dark room atrás de mim, soube que a noite não terminaria na minha cama. Ele tinha o corpo que só se vê em revista.
Passei anos imaginando isso vendo vídeos às escondidas. Numa tarde, uma mensagem em uma página de encontros, e um desconhecido entrou no meu carro pronto para mudar tudo.
Eles eram jovens, abertos e queriam algo diferente. O que não sabiam é que naquela noite no hotel eu também descobriria uma parte de mim que vinha escondendo havia anos.
Minha mulher saiu com as «amigas» e eu fui para a casa de Mauricio. Uma câmera, dois casais e a pergunta de qual dos dois seria a melhor puta naquela noite.