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Relatos Ardientes

A confissão que começou na praia

Devo admitir que tudo começou em um dos meses mais estranhos da minha vida, quando o mundo parecia ter se reduzido ao tamanho da minha sala, da minha cozinha e do sofá onde eu passava horas demais olhando pela janela. Eu estava presa em casa havia tempo demais, me recuperando devagar, com as pernas fracas, a cabeça cheia de ansiedade e o corpo esquecido até por mim mesma.

Ele surgiu naquela rotina cinzenta como um novo hábito. Chamava-se Darío, embora não fosse seu nome verdadeiro, e isso também não importa. Vinha uma vez por semana deixar minhas compras, ajeitava as sacolas sobre a mesa e sempre encontrava um minuto para perguntar como eu estava.

Era um homem adulto, forte, paciente, daqueles que não precisam falar demais para se fazer notar. O que primeiro me desconcertou não foi o corpo dele, mas seu jeito de me olhar. Não com pena, nem com pressa, nem como se eu fosse uma tarefa. Ele me olhava como se ainda enxergasse em mim uma mulher inteira.

Certa tarde, enquanto guardava algumas garrafas no armário, ele me fez a proposta com uma seriedade que eu não esperava.

— Faria bem à senhora sair para caminhar um pouco — disse, apoiado no batente da porta. — A praia já está aberta e, nesse horário, quase não há ninguém.

Olhei para ele sem saber o que responder. Havia meses que eu não passava da entrada do prédio.

— Não posso ir sozinha — respondi. — E ainda não me sinto segura para pegar transporte.

— Então eu levo a senhora — disse, como se fosse a coisa mais natural do mundo. — Na quinta-feira venho cedo. A senhora só se prepare.

Quis recusar. De verdade, quis. Mas havia algo no tom dele, uma mistura de firmeza e cuidado, que foi me desarmando.

— Não sei se vou aguentar muito — murmurei.

— Não importa quanto aguente. O que importa é começar.

Naquela quinta-feira, arrumei-me mais do que seria necessário para uma simples caminhada. Passei creme, penteei o cabelo com paciência e até pintei um pouco os lábios, embora a máscara os apagasse depois. Quando me vi no espelho, tive vergonha de reconhecer a esperança no meu rosto. Eu parecia uma adolescente esperando um encontro, e fazia muito tempo que havia deixado aquela idade para trás.

Quando ele chegou, ajudou-me a descer as escadas com uma mão firme na minha cintura. Aquele contato tão simples percorreu meu corpo inteiro. Senti um arrepio limpo, brutal, como se minha pele tivesse se lembrado de repente do que era ser tocada por outra pessoa.

Durante o trajeto, falamos pouco. O rádio tocava baixo. Eu olhava pela janela e percebia, sem querer, cada vez que ele tirava a mão do câmbio e a levava ao volante, cada movimento de seus antebraços, a facilidade com que ocupava o espaço.

Quando chegamos, ele estacionou perto da areia e saiu primeiro para dar a volta no carro e abrir minha porta. Ofereceu-me o braço. Eu me agarrei a ele com mais força do que pretendia admitir.

— Devagar — disse. — Não tenha medo, não vou soltá-la.

A praia estava quase vazia. O ar cheirava a sal e a verão recém-chegado. Caminhei o pouco que consegui, apenas alguns minutos, completamente apoiada no corpo dele. Sentia o esforço nas pernas, mas também outra coisa. O calor dele colado ao meu. A tensão de seu braço sob a minha mão. O ritmo de sua respiração quando eu tropeçava um pouco e ele me segurava melhor.

Não foi um passeio. Foi um despertar incômodo e excitante.

Quando não aguentei mais, precisei parar.

— Darío... preciso me sentar.

Ele se virou imediatamente. Seus olhos percorreram meu rosto suado, minha respiração entrecortada, e, sem dizer nada, estendeu uma toalha sobre a areia. Ajudou-me a descer devagar, com uma mão nas minhas costas e a outra sob meu cotovelo, cuidando de cada gesto como se meu corpo fosse algo valioso.

Depois se ajoelhou diante de mim.

— Deixe-me ver como estão essas pernas.

Ele ergueu uma das minhas panturrilhas com naturalidade e começou a massageá-la. Primeiro devagar, pressionando com os polegares, depois subindo pela batata da perna com movimentos firmes. Fechei os olhos por um segundo. Não apenas pelo alívio. Também porque era difícil suportar a sensação de tê-lo entre minhas pernas, inclinado sobre mim, tocando-me com tanta segurança.

— O senhor tem mãos boas — falei, tentando parecer casual.

Ele soltou uma risada baixa.

— Aprendi por necessidade. Malho muito e, em casa, sempre acabei ajudando os mais velhos com contraturas. Mas a senhora está muito tensa. Muito mais do que deveria.

Eu sabia que ele não estava falando apenas dos músculos. Ou talvez fosse isso que eu quisesse acreditar.

Seus dedos continuaram amassando minha perna. Subiram um pouco mais do que o necessário antes de parar, e aquele roçar na parte interna da minha coxa, breve mas inconfundível, fez-me cerrar os dentes. Levantei o olhar. Ele também havia percebido. Seus olhos se cravaram nos meus e, por um segundo, nenhum dos dois desviou.

A volta para casa foi ainda pior. Ou melhor. Dependia de como eu quisesse contar.

Eu ia calada, com o corpo exausto e a cabeça em chamas. Ele dirigia em silêncio, mas de vez em quando me olhava de relance. Não era um olhar inocente. Era o olhar de um homem que sabe perfeitamente que mexeu com alguma coisa e quer ver até onde chega o tremor.

Quando estacionou diante do meu prédio, pensei que tudo terminaria com um “descanse” e nada mais. Mas ele se virou para mim e ficou imóvel, com uma mão sobre o volante.

— Repetimos na semana que vem?

— Sim — respondi rápido demais.

Ele apenas sorriu. Depois se inclinou. Pensei que fosse me beijar e minha boca secou. Não beijou. Apenas segurou meu rosto com uma das mãos e encostou a testa na minha.

— Por enquanto, fico satisfeito com isso — murmurou.

Por enquanto.

Aquelas duas palavras ficaram cravadas na minha cabeça.

Subi para casa tremendo. Fechei a porta, deixei a bolsa em qualquer lugar e fiquei parada no meio da sala como uma idiota, repassando várias vezes o contato da mão dele na minha bochecha, o peso do corpo tão perto, a calma insolente com que havia dito por enquanto.

Quis me distrair. Liguei a televisão. Desliguei-a um minuto depois. Fui à cozinha buscar água. Não estava com sede. Voltei ao sofá já respirando de modo alterado, sabendo muito bem o que estava acontecendo comigo e odiando não querer impedir.

Deitei-me de costas e fechei os olhos. A primeira coisa que fiz foi enfiar a mão sob a camiseta e apertar um seio por cima do sutiã. O mamilo endureceu quase imediatamente. Soltei um gemido baixo, surpresa com minha própria necessidade. Fazia tempo demais que eu não me tocava, tempo demais que não sentia aquela urgência animal no ventre.

A outra mão desceu devagar pelo meu abdômen. Eu não estava pensando em ninguém, repeti para mim mesma. Mentira. Estava pensando nele desde o primeiro segundo. Em seus dedos apertando minha perna. Na voz mandando que eu não tivesse medo. Em como ele teria me levantado da toalha se, em vez de me ajudar a ficar de pé, tivesse aberto minhas pernas ali mesmo.

Enfiei a mão dentro da calça e me encontrei molhada. Muito mais do que esperava. Passei dois dedos entre os lábios da minha boceta e um gemido seco, envergonhado, escapou de mim, embora eu estivesse sozinha. Meu clitóris estava duro, sensível, pulsando. Contornei-o com movimentos lentos, roçando apenas de leve, e minhas costas se arquearam sozinhas sobre o sofá.

— Porra... — sussurrei.

Imaginei a mão dele afastando a minha. O corpo dele ajoelhado entre minhas pernas. Aquela boca que eu não conhecia descendo pelo meu ventre. A lembrança da praia transformou-se em outra coisa: areia grudada na pele, a toalha sob a minha bunda, as mãos dele abrindo minhas pernas devagar para me olhar.

Enfiei um dedo dentro de mim. Depois dois. Entraram com facilidade, encharcados. Comecei a me foder com eles devagar, retirando-os quase por completo e voltando a afundá-los enquanto, com a outra mão, apertava o seio e puxava o mamilo até doer um pouco. A dor me excitou ainda mais.

— Assim... assim...

Minha respiração ficou desajeitada e pesada. Eu movia os quadris contra a própria mão, buscando mais atrito. Tocava-me com fome, sem delicadeza, como se quisesse arrancar de uma vez todos aqueles meses de confinamento que carregava sob a pele.

Na minha cabeça, era ele quem abria minhas pernas. Ele quem dizia que eu relaxasse. Ele quem chupava minha boceta com paciência antes de enfiar a língua, antes de levantar a cabeça com a barba úmida e me olhar como se quisesse me devorar inteira.

Comecei a esfregar o clitóris mais rápido. Os dedos dentro de mim entravam e saíam com um som molhado que encheu a sala. Minha boceta se fechava ao redor deles, quente, ansiosa, e eu não conseguia parar de imaginar que não eram meus dedos, que era a mão de Darío, larga, firme, empurrando até o fundo enquanto me ouvia gemer seu nome.

— Darío...

Disse o nome dele em voz alta. Aquilo terminou de me quebrar.

Tirei os dedos e levei-os à boca por puro instinto, saboreando minha própria umidade enquanto beliscava o clitóris com a outra mão. Depois voltei a enfiá-los, desta vez mais fundo, curvando-os, procurando aquele ponto que me fez soltar um gemido rouco. Encontrei-o. Golpeei-o repetidamente enquanto me esfregava com força, sem pudor, aberta sobre o sofá, com as pernas tremendo.

O orgasmo subiu de repente, como uma contração que fechou meu ventre e me deixou sem ar. Gozei com as coxas tensas, pressionando a mão contra a boceta, gemendo o nome dele entre os dentes. Senti o pulso entre as pernas, o calor se espalhando pelo corpo inteiro, uma descarga longa que me fez apertar os dedos lá dentro até o espasmo ceder.

Quando terminei, fiquei desfeita, com o peito subindo e descendo e a umidade esfriando nas minhas coxas. Mas não me senti satisfeita. Pelo contrário. Tive a sensação de ter aberto uma porta que já não conseguiria fechar.

***

Na semana seguinte, ele voltou a me levar à praia. Depois, mais uma vez. E outra. Cada passeio foi um pouco mais longo e cada volta para casa, um pouco mais perigosa. Comecei a esperá-lo com uma ansiedade que já não conseguia disfarçar como gratidão. Reparava em tudo: no perfume limpo que usava, no modo como arregaçava as mangas da camisa, na facilidade com que me tirava do banco sem me fazer sentir desajeitada.

Ele também mudou. Deixou de me tratar apenas com aquela correção cuidadosa do início. Às vezes falava comigo mais perto do que o necessário. Às vezes sustentava meu olhar por um segundo a mais. Às vezes suas mãos permaneciam na minha cintura mais tempo do que deviam.

Eu sabia que estava cruzando uma linha. Sabia porque comecei a me vestir para ele, não para sair. Porque me peguei escolhendo blusas mais macias, calças que marcassem melhor meus quadris, um perfume que não usava havia anos. Porque comecei a ficar molhada antes mesmo que ele tocasse a campainha.

A quarta saída foi a que mudou tudo. Havíamos caminhado pouco. O vento estava forte e quase não havia ninguém. Voltei a me cansar antes da hora, então ele estendeu a toalha numa área mais afastada, atrás de umas dunas baixas que nos davam um mínimo de abrigo.

Sentei-me. Ele se ajoelhou outra vez diante de mim.

— Hoje a senhora se esforçou demais — disse, segurando meu tornozelo entre as mãos.

Seus dedos começaram a subir pela minha panturrilha. Deixei que fizesse isso, mas desta vez não fechei os olhos. Fiquei olhando para ele o tempo todo. Vi como cerrava a mandíbula. Vi como engolia em seco quando suas mãos chegaram ao meu joelho e o afastaram um pouco para acomodar melhor minha perna.

— Darío — falei.

— Sim?

— Se continuar me tocando assim, vai perceber que o problema não está apenas nas minhas pernas.

Ele ficou imóvel. O silêncio entre nós era tão espesso que ouvi o mar mais distante do que o normal. As mãos dele continuavam sobre mim.

— Há semanas tento me comportar — admitiu enfim, com a voz mais grave. — Não torne isso mais difícil.

— Então não se comporte.

A frase saiu antes que eu pudesse me arrepender. E, assim que a disse, soube que não havia mais volta.

Ele soltou o ar pelo nariz, como um homem que finalmente deixa de se conter. Depois me segurou pela nuca e me beijou. Não foi um beijo tímido nem cuidadoso. Foi um beijo faminto, adulto, cheio de toda a tensão acumulada. Abriu minha boca com a sua e enfiou a língua até me fazer gemer. Agarrei-me aos seus ombros e devolvi o beijo com o mesmo desespero.

— A senhora não sabe quanto eu queria fazer isso — murmurou contra meus lábios.

— Então faça direito.

A resposta arrancou dele um olhar que me deixou molhada na mesma hora. Deitou-me com cuidado sobre a toalha, mas o cuidado durou apenas até ele abrir minhas pernas. Então ficou mais brusco, mais decidido. Levantou minha saia de um puxão e ficou olhando para minha entreperna por cima da calcinha.

— Veja como a senhora está — disse, passando dois dedos pelo tecido úmido. — Tudo isso, e eu nem sequer tinha beijado a senhora ainda.

Senti vergonha e tesão ao mesmo tempo.

— Cale a boca e continue.

Ele sorriu. Afastou o tecido para o lado e soltou um gemido baixo ao me ver. Eu estava completamente molhada, aberta para ele, tremendo não de fragilidade, mas de desejo. Primeiro beijou a parte interna da minha coxa, devagar, como se quisesse me torturar. Depois deu outro beijo mais acima. Então me lambeu de baixo para cima e quase me fez gritar.

A língua era larga, firme, sem medo. Chupou minha boceta com uma dedicação obscena, enfiando o rosto entre minhas pernas e segurando minhas coxas para que eu não as fechasse. Eu me contorcia sobre a toalha, enterrando os dedos em seu cabelo, sentindo-o abrir meus lábios com a boca para me lamber melhor.

— Porra... sim... assim...

Ele rosnou contra minha boceta ao me ouvir e enfiou a língua dentro de mim. Depois alternou entre ela e o clitóris, chupando-o com força, soltando-o apenas para soprar de modo úmido e voltar a capturá-lo. Cada passada disparava um arrepio direto para o meu ventre. Era demais. E justamente por isso eu queria mais.

Enfiou dois dedos dentro de mim sem parar de me chupar. Entraram facilmente. Moveu-os em ritmo constante, curvando-os, procurando o mesmo ponto que eu havia encontrado sozinha no sofá, só que melhor, muito melhor. Gemi tão alto que precisei levar uma das mãos à boca.

— Não se cubra — ordenou, erguendo o rosto por um instante. — Quero ouvi-la.

A ordem atravessou-me como uma corrente elétrica. Obedeci.

Ele voltou a mergulhar entre minhas pernas com mais fome. Eu já estava à beira, sentindo a boceta apertar-se ao redor dos dedos dele, os quadris se elevando sozinhos para foder sua mão e seu rosto. Quando gozei, meu corpo inteiro sacudiu, empurrando-se contra a boca dele, gemendo sem conseguir controlar o volume. Ele não se afastou. Continuou me lambendo durante o orgasmo, prolongando-o até me fazer tremer de verdade.

Quando ergueu a cabeça, sua boca estava brilhante e seu olhar era o mais sujo que eu já tinha visto nele.

— Agora sim a circulação está melhorando — disse.

Ri, ofegante, e quis responder algo espirituoso, mas naquele momento vi o volume duro sob a calça dele. Não precisei de mais palavras. Sentei-me e desabotoei o cinto com dedos desajeitados pela urgência.

— Deixe que eu o ajude.

Tirei seu pau para fora e senti outra onda de desejo. Ele estava realmente duro, grosso, quente na minha mão. Primeiro acariciei-o devagar, apenas para apreciar o modo como ele fechava os olhos. Depois abaixei a cabeça e coloquei-o na boca.

Ele soltou um som rouco, metade gemido, metade blasfêmia.

Chupei-o sem delicadeza, como se também estivesse esperando por aquilo havia semanas. Língua na ponta, saliva escorrendo pelo tronco, mão fechada na base enquanto eu enfiava mais dele na boca. Ele segurou meu cabelo para trás e deixou que eu marcasse o ritmo, mas percebi o tremor de suas coxas, o esforço para não empurrar meu rosto.

— Você vai me matar — murmurou.

Olhei para ele de baixo e continuei chupando-o mais fundo, engolindo até onde conseguia antes de me erguer para respirar. Tirei-o da boca com um som molhado, cuspi e masturbei-o mais algumas vezes.

— Ainda não goze — falei.

A expressão dele mudou por completo. Havia obediência, sim, mas sobretudo vontade de se vingar.

Ele me deitou novamente sobre a toalha, abaixou um pouco mais a calça e se posicionou entre minhas pernas. Senti a ponta do pau roçar minha boceta, abrindo-me de leve, lambuzando-me com toda a minha própria umidade. Ele me olhou uma última vez, como se perguntasse sem palavras.

— Enfia — falei. — De uma vez.

Ele me penetrou com uma estocada firme. Não brutal, mas completa. Entrou até o fundo e arrancou de mim um grito. Senti-o enorme, vivo, ocupando-me inteira de um modo que meus dedos e minhas fantasias não haviam conseguido. Ficou imóvel por um segundo, respirando com força, a testa encostada na minha, dando-me tempo para me acostumar.

— Merda... como você está apertada.

— Mexa-se.

Ele obedeceu. Saiu devagar, apenas para voltar a entrar com mais força. Depois outra vez. E outra. Cada estocada me afundava um pouco mais na toalha e sacudia meu corpo inteiro. Enlacei sua cintura com as pernas e agarrei-me às suas costas enquanto ele me fodia num ritmo cada vez mais duro, mais preciso.

O som do mar misturou-se ao de nossas respirações e ao impacto molhado de nossos corpos. Eu sentia a areia grudada nas coxas, o vento na pele, o pau dele entrando e saindo da minha boceta encharcada. Tudo era real demais para parecer uma fantasia e, ao mesmo tempo, intenso demais para acreditar que estava acontecendo comigo.

— Você me deixou assim durante semanas — disse entre os dentes. — Pensando na senhora. Imaginando essa boceta.

A vulgaridade me excitou ainda mais.

— Então me foda como imaginou.

Ele rosnou ao me ouvir tratá-lo por “você” pela primeira vez. Agarrou meus quadris e começou a me foder com mais força. Sua pélvis batia contra a minha num ritmo brutal e constante, fazendo meu corpo saltar e cada estocada roçar por dentro exatamente onde eu mais precisava. Eu não conseguia parar de gemer. Nem queria.

Enfiei uma mão entre nós para esfregar meu clitóris, mas ele a afastou.

— Não. Deixe comigo.

Sem parar de me penetrar, baixou a mão e me encontrou imediatamente. Começou a esfregar-me com o polegar no ritmo das estocadas, alternando círculos rápidos com pressão direta. Aquela combinação me desarmou. Senti outro orgasmo subir, mais violento que o primeiro, mais profundo, como uma corda se retesando dentro de mim.

— Não pare... não pare...

— Goze para mim.

A ordem foi suficiente. Gozei com ele dentro de mim, apertando seu pau com espasmos que o fizeram praguejar. Meu corpo se fechou e tremeu ao redor do dele enquanto ele continuava a me foder por mais algum tempo, buscando o próprio fim. Eu estava tão sensível que cada movimento extra arrancava um novo gemido.

Ele saiu bem a tempo, segurou o pau com a mão e gozou sobre meu ventre e minha saia levantada, respirando em curtos intervalos e cerrando a mandíbula. Vi aquilo e senti um prazer sujo, satisfeito, quase orgulhoso. Eu havia desejado aquele corpo e agora o tinha tremendo por mim.

Ficamos em silêncio por alguns segundos, exaustos, ouvindo apenas o mar e nossas respirações desajeitadas. Depois ele se inclinou e me beijou outra vez, agora mais suavemente, com a boca ainda salgada e quente.

— Acho que isso já não conta apenas como reabilitação — disse.

Ri, ainda com as pernas abertas e o pulso latejando na boceta.

— Não. Isso conta como confissão.

Porque essa é a verdade que vim contar: o confinamento me devolveu algo que eu julgava perdido, mas não foi o amor. Foi a fome. O desejo. A necessidade de voltar a me sentir mulher, corpo, pele, sexo. E bastou uma caminhada curta, algumas mãos firmes e um homem que não teve medo de me olhar como eu precisava ser olhada para que todo o resto desabasse.

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