A confissão que não contei a ninguém até hoje
Meu nome é Andrés. Trinta e dois anos, um metro e oitenta e cinco, trabalho com distribuição e levo uma vida muito parecida com a da maioria das pessoas: cumpro horários, verifico e-mails, participo de reuniões em que nada muda demais. Não reclamava. Não era infeliz. Só era previsível. Até conhecer Valeria.
Foi numa festa no apartamento de alguns amigos em comum, no começo do outono. Um apartamento pequeno no centro, gente demais, música mais alta do que seria razoável. Eu estava na cozinha procurando gelo quando notei que alguém tinha parado bem atrás de mim. Ela se inclinou um pouco e falou no meu ouvido com uma voz baixa e direta, sem rodeios:
— Passei a noite inteira olhando para a sua bunda. Você vai me convidar para alguma coisa ou vou me servir sozinha?
Eu me virei. Era baixinha, com o cabelo castanho bem curto e olhos claros que avaliavam você antes que abrisse a boca. Vinte e sete anos, descobri mais tarde. Chamava-se Valeria e tinha aquele tipo de confiança que não se aprende, que vem de saber exatamente o que se quer.
Naquela mesma noite, acabamos no banheiro da casa.
Ela trancou a porta, ergueu a saia até a cintura e apoiou-se na pia. Não usava calcinha. Olhou para mim pelo espelho enquanto abria meu cinto com uma mão e tirava meu pau já duro com a outra.
— Enfia — disse, sem baixar a voz. — Tudo de uma vez, não tenha paciência comigo.
Eu a segurei pelos quadris e a penetrei com um único impulso. Ela estava encharcada, tão molhada que escorreguei até o fundo sem resistência, e ela soltou um gemido gutural que abafou mordendo o lábio. Vi seu rosto no espelho, os olhos semicerrados, a boca aberta. Comecei a fodê-la depressa, sem cuidado, batendo contra sua bunda com um ruído molhado que, no silêncio do banheiro, soava obsceno. Ela se apoiava com as duas mãos e empurrava para trás cada vez que eu empurrava para a frente, procurando sentir mais fundo.
— Mais forte — ofegou. — Fode comigo como se não me conhecesse.
Agarrei seus cabelos curtos pela nuca e acelerei. Seus peitos pequenos batiam contra a louça fria da pia por baixo da blusa. Eu sentia sua boceta se apertar em ondas, sugando meu pau por dentro. Ela gozou dois minutos depois, mordendo o antebraço para não gritar, e o orgasmo dela me arrastou junto: gozei dentro dela com três estocadas finais que lhe arrancaram um gemido comprido. Quando saí, um fio de porra escorreu pelo lado interno de sua coxa. Ela puxou a calcinha para cima, enfiando o líquido para dentro com dois dedos, como se aquilo fizesse parte de um ritual particular, e lambeu os dedos olhando para mim.
Arrumou a saia, beijou minha bochecha e me disse seu número de telefone de memória, como se nos conhecêssemos havia anos.
— Me liga quando não estiver ocupado demais sendo tão sério — disse, e voltou para a festa como se nada tivesse acontecido.
***
Valeria morava sozinha num apartamento bem organizado, com estantes cheias de livros que ela realmente tinha lido. Liguei para ela no dia seguinte. Dez dias depois, eu dormia ali metade da semana. Três semanas depois, praticamente tinha me mudado.
Ela era insaciável de um jeito que não tinha nada de encenado. Acordava-me às duas da manhã com a boca já no meu pau, chupando-o devagar até eu abrir os olhos; então subia em cima de mim e se empalava até o fundo sem dizer uma palavra. Esperava por mim no chuveiro, com os peitos ensaboados e a mão entre as pernas. Mandava mensagens durante o trabalho — fotos da boceta aberta com dois dedos dentro, áudios ofegantes dizendo meu nome — que me obrigavam a fechar o notebook antes que alguém as lesse por cima do meu ombro. Ela vivia o sexo com a mesma naturalidade com que outras pessoas praticam esportes, e isso, para alguém que vinha de relacionamentos em que tudo era negociado e calculado, era completamente viciante.
Ela gostava que eu a comesse por horas. Abria as pernas no sofá e empurrava minha cabeça contra sua boceta com as duas mãos, cavalgando meu rosto enquanto assistia à televisão, gozando três ou quatro vezes seguidas até ficar com as coxas tremendo e o cabelo grudado na testa. Depois montava em mim e cuidava de mim com a mesma dedicação, chupando meu pau até o fundo da garganta, deixando a saliva escorrer pelo queixo, sempre olhando nos meus olhos.
Mas a conversa que mudou tudo não aconteceu na cama. Aconteceu no sofá, numa terça-feira à noite, estirados com um filme pela metade e uma taça de vinho cada um.
Valeria estava com a cabeça no meu peito e brincava distraidamente com meus dedos. Sem me olhar, disse com voz tranquila:
— Às vezes vejo pornô gay quando estou sozinha. Isso me excita muito.
Não respondi imediatamente. Esperei.
— Fico excitada imaginando que é você ali. — Ela ergueu os olhos. — Não precisa fazer essa cara. Só estou contando porque me interessa mais a sua reação verdadeira do que aquela que você acha que deveria ter.
— O que exatamente você imagina? — perguntei.
Ela sorriu. Era o sorriso de alguém que já sabe a resposta e simplesmente espera o outro chegar sozinho até ela.
— Que você fica de joelhos. Que abre a boca. Que um cara enfia o pau dele até a sua garganta e você chupa porque quer. Que outro está fodendo a sua bunda ao mesmo tempo. E que eu estou olhando, e isso importa tanto para você quanto o que está fazendo.
Algo se mexeu no meu estômago de um jeito que ainda não tinha nome. Não era medo. Era outra coisa. Meu pau começou a endurecer, e ela percebeu sem olhar.
— Entendi — disse, colocando a mão na minha virilha sem parar de sorrir.
***
O que veio depois foi lento e deliberado. Valeria não tinha pressa. Nunca tinha.
Começou com algo pequeno, certa noite, enquanto ela me chupava. Ela estava com meu pau inteiro dentro da boca, uma mão brincando com meus ovos, quando senti o dedo lubrificado procurando minha bunda. Ela parou por um segundo, esperou, e entrou bem devagar até a junta. Curvou o dedo para a frente e encontrou algo que me fez soltar um som que não reconheci como meu, um gemido grave, quase surpreso. Ela não disse nada. Continuou me chupando enquanto me fodia com o dedo, encontrando aquele ponto repetidamente, até eu gozar em sua boca com uma intensidade que me fez dobrar os joelhos. Ela engoliu cada gota sem se afastar, tirou o dedo devagar e limpou a boca com as costas da mão.
— Aquele ponto — disse tranquilamente. — Você tem isso aí. É seu. Vamos usá-lo.
À noite, falava comigo no escuro. Não dava instruções; conversava, e essa diferença fazia o tempo passar de outra maneira. Você imagina como seria um pau aí dentro? Grande, duro, empurrando até você sentir que não cabe mais? Só de pensar nisso você fica excitado? Eu ouvia sem saber o que responder, mas meu corpo respondia por mim, e isso era suficiente para nós dois. Muitas noites, ela batia uma punheta em mim enquanto sussurrava aquilo no meu ouvido, e quando eu gozava, jorrava em longos esguichos, respingando até meu peito.
Uma semana depois, ela chegou com uma sacolinha pequena. Dentro havia um plugue anal de silicone preto e uma garrafa de lubrificante. Deixou tudo sobre a mesa de cabeceira com a mesma calma com que teria deixado um livro.
— Quero que você se acostume — explicou. — Não temos pressa. Isso é para as próximas semanas, não necessariamente para esta noite.
Mas naquela noite aconteceu. Ela me despiu devagar, colocou-me de bruços sobre a cama, com um travesseiro sob meus quadris, e passou muito tempo antes que qualquer coisa entrasse. Começou chupando minha bunda, separando minhas nádegas com as mãos e afundando a língua entre elas, pressionando a ponta contra o buraco até ele se abrir o suficiente para deixá-la entrar. Eu estava com o pau esmagado contra o travesseiro, duríssimo, escorrendo líquido pré-ejaculatório. Depois vieram o lubrificante, frio, e seus dedos: um, dois, movendo-se em círculos, abrindo-me devagar.
Quando finalmente senti o plugue atravessar aquela resistência inicial e ficar completamente dentro de mim, com a parte mais larga me esticando ao máximo antes de se estreitar na base, soltei um gemido longo e baixo que me surpreendeu. Era uma sensação nova, densa, que me preenchia de um jeito para o qual eu não tinha referência.
— Assim — murmurou, com uma mão aberta sobre minhas costas. — Fique quieto. Só sinta.
Ela enfiou os dedos na boceta diante do meu rosto para que eu os chupasse e acariciou o clitóris com a outra mão até gozar sobre meu ombro, ainda com o plugue dentro de mim, apertando-se contra o meu corpo. Depois montou no meu rosto, sentou-se sobre a minha boca, e eu gozei sozinho, sem tocar no pau, sentindo o plugue se mover dentro de mim toda vez que eu me contraía.
Dormi com aquilo dentro de mim. Na manhã seguinte, ela o retirou com cuidado, fez café e o deixou na mesa de cabeceira. Um dia completamente normal.
Exceto pelo fato de que eu já não era o mesmo do dia anterior.
***
Na quinta-feira da semana seguinte, ela chegou com uma caixa preta. Um arnês de couro ajustável, um dildo de silicone grosso e comprido, consideravelmente maior que o plugue, e duas garrafas de lubrificante.
— Hoje à noite eu vou foder você — disse. Sem pergunta. Sem preâmbulo.
O que me surpreendeu foi descobrir que minha primeira reação não era resistência. Era algo mais parecido com o alívio de finalmente ouvir em voz alta aquilo que vínhamos construindo havia semanas.
Ela me colocou no centro da cama, com os quadris elevados sobre dois travesseiros, o rosto contra o colchão, a bunda erguida e aberta para ela. Passou muito tempo preparando o terreno antes de colocar o arnês. Lambeu minha bunda, abriu-me com os dedos — um, dois, três, quatro —, trabalhou em mim até o buraco permanecer aberto sozinho quando tirava os dedos. Eu ofegava contra os lençóis, com o pau pingando entre as pernas.
— Olhe para você — disse, dando um tapa suave na minha nádega. — Todo aberto para mim. Você tem uma bunda faminta.
Ela colocou o arnês. Ouvi o estalo das fivelas se ajustando em seus quadris. Quando senti a ponta grossa do dildo, carregada de lubrificante, pressionar contra minha entrada, prendi a respiração.
— Respire — disse, empurrando devagar.
Foi lento. Centímetro por centímetro. O alongamento era intenso, no limite do suportável, mas controlado. Senti cada milímetro do silicone abrindo caminho, me alargando, empurrando mais fundo do que qualquer coisa já tinha feito. Quando a base tocou minhas nádegas, soltei um som comprido que veio de algum lugar que eu ainda não tinha explorado. Valeria ficou imóvel por alguns segundos, sem se mexer, deixando-me sentir como eu estava cheio, como seu pau falso ocupava todo o espaço dentro de mim.
— Como você está? — perguntou, inclinando-se sobre minhas costas para beijar o espaço entre minhas omoplatas.
— Bem — respondi. E era verdade.
Ela começou a se mover. No início, saídas curtas, retirando apenas alguns centímetros e voltando a entrar. Depois, saídas mais longas, quase até a ponta, e entradas profundas e firmes. Inclinou-se sobre minhas costas, beijou meu ombro, mordeu suavemente meu pescoço. Foi construindo o ritmo sem pressa. Começou a me foder de verdade, com estocadas completas, batendo contra minha bunda. Eu sentia o arnês me golpeando a cada impulso.
— Toma, toma, toma — murmurava no ritmo das estocadas. — Assim. Essa bunda é minha. Olha como ela engole.
Ela atingia minha próstata a cada estocada, um golpe seco e elétrico que subia pela minha coluna. Eu estava gozando por dentro sem ejacular, em ondas que não terminavam de chegar nem de ir embora. Em algum momento, deixei de pensar e me entreguei completamente ao que estava acontecendo, algo sem nome preciso, mas muito claro no corpo. Enfiei a mão por baixo para me tocar, e ela a afastou.
— Não. Assim. Sem as mãos. Goze com o meu pau dentro de você.
E eu gozei. Sem que ninguém me tocasse. Meu pau saltando sozinho, disparando jatos grossos de porra contra os travesseiros sob mim, com uma intensidade que me deixou sem fala por vários minutos. Ela continuou empurrando durante o meu orgasmo, prolongando-o, até eu ficar tremendo.
Valeria saiu devagar — senti o enorme vazio que deixou —, tirou o arnês e deitou-se ao meu lado. Olhou para mim com uma expressão que misturava satisfação e algo mais suave, mais pessoal. Passou os dedos pelo meu cabelo suado.
— Na sexta-feira vem um amigo — disse depois de um longo silêncio. — Alguém de confiança. Só quero que você fique ali conosco. Se em algum momento não quiser continuar, é só parar.
Levei menos tempo do que esperava para assentir.
***
A sexta-feira chegou com uma névoa de antecipação ocupando meu peito o dia inteiro. No escritório, não consegui me concentrar em nada útil. Saí mais cedo.
Valeria me recebeu no apartamento com aquela calma característica dela, que não era indiferença, mas o contrário: uma atenção absoluta disfarçada de naturalidade. Pediu que eu estivesse nu, de joelhos na sala, quando ele chegasse. Pensei por um momento. Decidi que queria fazer aquilo. A diferença entre fazer porque alguém pede e fazer porque você escolhe importa, mesmo que o resultado externo seja idêntico.
Rodrigo entrou às dez da noite. Trinta e cinco anos, alto, barba malcuidada, o tipo de homem que não precisa preencher o silêncio. Quando me viu ajoelhado no centro do tapete, assentiu brevemente, sem dramatização, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
— Valeria me falou de você — disse.
Ele se despiu sem pressa. Tinha o corpo de alguém que se exercita, mas não vive para isso, o peito com alguns pelos escuros, e um pau já meio duro entre as pernas que foi crescendo enquanto ele se aproximava. Grosso, com as veias marcadas, a cabeça congestionada. Maior que o meu. Valeria ficou atrás de mim, colocou as mãos nos meus ombros e beijou minha têmpora.
— Só quero que você experimente — murmurou. — Abra a boca para ele. Quando quiser parar, você para.
Rodrigo se aproximou até a ponta do pau tocar meus lábios. Estava completamente duro, à altura do meu rosto, com uma calma que eu não tinha. Cheirava a pele limpa e a algo que acabou sendo mais familiar do que eu esperava. Ele o segurava pela base, apontando-o para mim.
Abri a boca.
Os primeiros segundos foram pura calibragem: a temperatura, o peso, a textura da pele, o gosto levemente salgado do líquido pré-ejaculatório que já aparecia na ponta. Ele enfiou o pau devagar, alguns centímetros, deixou que eu me acostumasse e empurrou um pouco mais. Concentrei-me em me mover com atenção, em não pensar demais, em usar a língua ao redor da cabeça como eu sabia que gostava. Valeria me guiava com a voz, sem me tocar, indicando como me mover, como respirar.
— Isso — dizia. — Mais devagar. Chupa tudo. Aí, assim. Deixa ele enfiar mais fundo.
Rodrigo mantinha uma mão na minha nuca, sem pressionar, apenas segurando-a. Começou a se mover dentro da minha boca com estocadas curtas, entrando e saindo, deixando-me respirar entre uma e outra. De vez em quando, empurrava mais fundo e chegava à minha garganta, e eu aprendia a engolir, a não me fechar, a deixar a boca ser um buraco para ele. Às vezes soltava um som grave do peito, e eu entendia que estava fazendo tudo certo. Esse sinal, descobri, tinha um efeito que eu não esperava: meu pau ficou duro como pedra, pingando sobre minhas próprias coxas, só de sentir um homem sentindo prazer com a minha boca.
Valeria ficou atrás de mim e começou a me preparar com os dedos enquanto eu continuava. Primeiro a língua, fria; depois o lubrificante; depois dois dedos que entraram sem resistência, porque ela já sabia como me abrir. A combinação dos dois focos de atenção foi algo para o qual eu não tinha referência. Um pau na boca, dois dedos na bunda, e eu entre os dois, respirando pelo nariz, entregue. Meu corpo respondia nos dois lugares ao mesmo tempo, e isso era impossível de ignorar.
Quando Rodrigo estava perto do limite — percebi pelo modo como seu pau inchou ainda mais contra meu palato e pelo tremor das suas coxas —, Valeria fez um gesto suave e ele se afastou. Um fio de saliva e líquido pré-ejaculatório pendia da minha boca até a ponta do pau.
— Por esta noite chega — disse ela. — Deixe-o ficar com vontade.
Rodrigo se vestiu, nós nos despedimos e Valeria me levou para a cama. Antes de dormir, subiu em cima de mim e fodeu meu pau duro e frustrado até gozar duas vezes, enquanto sussurrava no meu ouvido o quanto eu tinha ficado bem de joelhos. Quando finalmente me deixou gozar dentro dela, foi quase doloroso de tão intenso.
Ficamos deitados em silêncio por um bom tempo, com as luzes apagadas.
— Como você está? — perguntou.
— Bem — respondi. — Quando ele volta?
Ela sorriu no escuro.
— No sábado, com um amigo dele.
***
No sábado, Valeria passou a tarde me preparando com uma atenção que não tinha nada de mecânica. Colocou-me na banheira, lavou-me por dentro com calma e depilou as últimas áreas que eu vinha adiando. Fez-me deitar de bruços e trabalhou minha bunda com os dedos e com o plugue maior, aumentando o tamanho aos poucos, para que eu chegasse à noite já aberto. Falou comigo durante todo o processo. Não dava instruções; conversava, e isso fazia o corpo relaxar sozinho, sem que eu percebesse que estava respirando mais devagar.
— Hoje à noite serão dois — dizia no meu ouvido, com os dedos se movendo dentro de mim. — Um na frente e outro atrás. E eu vou ficar olhando tudo. Quero ver você cheio dos dois lados. Quero ver você gozar sem que ninguém toque no seu pau. Consegue imaginar?
Eu assentia contra o travesseiro, com o pau duro sob o meu corpo.
Rodrigo chegou às onze com o amigo, Tomás. Mais corpulento, braços tatuados, poucas palavras e aquele tipo de presença física que não precisa se anunciar. Quando se despiu, vi que ele era ainda maior que Rodrigo, grosso desde a base, com os ovos pesados. Os dois me olharam sem julgamento, com a mesma naturalidade que Valeria colocava em tudo.
Ela se sentou no sofá com as pernas cruzadas, de calcinha e sem nada na parte de cima, com os peitos pequenos à mostra e os mamilos duros.
— Hoje à noite quero ver os três — disse simplesmente. — Sem pressa. Eu aviso quando terminarem.
Fiquei de quatro no centro do tapete. Rodrigo se posicionou à minha frente, com o pau já duro diante do meu rosto. Tomás ajoelhou-se atrás, entre minhas pernas. Senti-me aberto, exposto, disponível, e descobri que era exatamente isso que queria sentir.
Abri a boca para Rodrigo sem que fosse necessário ele pedir. Ele enfiou o pau até a garganta no primeiro impulso, aproveitando que eu já o conhecia da noite anterior, e começou a foder minha boca num ritmo firme, segurando minha cabeça com as duas mãos. Relaxei a mandíbula e deixei que ele entrasse e saísse, saboreando-o, sentindo a veia grossa da parte inferior contra a minha língua.
Atrás de mim, Tomás me lubrificava. Senti seus dedos grossos me abrirem, primeiro um, depois dois, depois a ponta do pau pressionando contra minha entrada. Enorme. Muito mais grosso que qualquer coisa que já tivesse estado dentro de mim. Prendi a respiração.
— Relaxe — disse ele, com voz grave, pela primeira vez falando. — Calma. Empurre contra mim, não se afaste.
Empurrei para trás e ele empurrou para a frente, e seu pau começou a entrar. O alongamento foi mais intenso que com o arnês de Valeria, queimava na borda, mas ele sabia o que estava fazendo: avançou por etapas, esperando em cada uma até meu corpo se abrir sozinho. Quando finalmente senti seus quadris contra minhas nádegas e seus ovos pesados pendendo contra meu períneo, soltei um gemido abafado ao redor do pau de Rodrigo. Eu estava cheio dos dois lados. Empalado.
O ritmo entre os dois surgiu sem que fosse necessário negociá-lo, como se já tivessem feito aquilo juntos antes. Quando um saía, o outro entrava. Quando um entrava até o fundo, o outro me dava tempo para respirar. Tomás me fodia com estocadas longas e profundas, batendo contra mim com um som molhado a cada vez, dando-me tapas ocasionais que me faziam apertar ao redor de seu pau. Rodrigo usava minha boca, alternando entre estocadas rápidas e momentos em que permanecia no fundo da minha garganta e me obrigava a mantê-lo ali por alguns segundos, até meus olhos lacrimejarem.
Valeria gemia no sofá. Tinha tirado a calcinha e estava com os dois dedos enfiados na boceta, tocando-se devagar, sem pressa, olhando com aquela expressão de satisfação serena que me excitava tanto quanto qualquer outra coisa naquele quarto. Com a outra mão, apertava um mamilo.
— Assim — dizia de vez em quando. — Exatamente assim. Olhe para ele, olhe como ele gosta. Olhe o pau do coitado, vai explodir sem que ninguém toque nele.
E era verdade. Meu pau pendia entre minhas pernas, duríssimo, escorrendo um fio contínuo de líquido sobre o tapete, saltando sozinho a cada estocada de Tomás contra a próstata.
Não sei quanto tempo durou. O tempo funciona de outra maneira naquele estado. O que sei é que, em algum momento, deixei de ficar preocupado comigo mesmo, se estava fazendo tudo certo, com o que pensariam de mim, e simplesmente me vi presente. Sem vigilância. Sem distância entre o que estava acontecendo e eu. Um pau na garganta, outro cravado até o fundo da bunda, e eu inteiro transformado no buraco onde os dois encontravam prazer.
Gozei sem que ninguém me tocasse. O orgasmo começou por dentro, naquele ponto que Tomás não parava de castigar com a cabeça grossa do pau, e se espalhou para fora em ondas. Meu pau saltou sozinho, disparando jatos grossos de porra sobre o tapete sob mim, e tive consciência de cada segundo de uma maneira que nunca havia experimentado. Longo, limpo, sem ressaca. Gemi ao redor de Rodrigo com a boca cheia.
Rodrigo gozou na minha boca pouco depois, segurando minha cabeça com as duas mãos e empurrando até o fundo enquanto enchia minha garganta de porra espessa e quente. Engoli tudo o que pude, sentindo o gosto salgado e denso escorrer para dentro, enquanto o que escapava escorria pelo meu queixo. Quando ele se retirou, lambi os lábios sem pensar.
Tomás segurou meus quadris com as duas mãos e acelerou. Senti seu pau inchar dentro de mim, como empurrava cada vez mais fundo, até soltar um rosnado animal do peito e me encher por dentro. Foi uma descarga longa, em ondas, cada uma acompanhada por uma estocada mais lenta. Senti o calor se espalhar por dentro. Quando ele saiu, um jato grosso de porra escorreu pelas minhas coxas até os joelhos.
Valeria gozou olhando, mordendo o lábio, com os dedos encharcados. Veio até mim, agachou-se e beijou minha boca com o gosto de Rodrigo ainda ali, sem nenhuma resistência. Depois, sem dizer nada, agachou-se atrás de mim e lambeu a porra que escorria das minhas nádegas, chupando o que Tomás tinha deixado dentro de mim. Meu corpo inteiro estremeceu.
Quando os dois foram embora, Valeria me levou ao banheiro. Lavou-me com água quente e paciência, trouxe água para mim, colocou-me na cama e deitou-se ao meu lado. Abraçou-me pelas costas, com um braço cruzado sobre meu peito, e beijou minha nuca várias vezes.
— Como você está? — perguntou pela terceira vez em duas semanas.
Pensei na resposta por um momento.
— Diferente — respondi.
Ela assentiu como se aquilo fosse exatamente o que esperava ouvir.
Não dormi até tarde. Fiquei olhando para o teto no escuro e pensando no homem que eu era quando entrei naquela cozinha procurando gelo, acreditando que tinha tudo mais ou menos claro. O mesmo homem, em tudo o que importava. Só que com as fronteiras do possível desenhadas em outro lugar.
Valeria tinha me perguntado desde o começo o que eu queria. Não o que se supõe que alguém deva querer, nem o que seria razoável querer. O que eu realmente queria.
Essa pergunta, descobri, muda tudo quando alguém a faz de verdade.