Pular para o conteúdo
Relatos Ardientes

A viagem em que descobri do que eu realmente gostava

Meu nome é Valeria e tenho vinte e seis anos. Antes de entrar no que quero contar, acho que vale a pena me situar um pouco: sou instrutora de yoga e treinamento funcional, então meu corpo reflete esse trabalho diário. Morena de cabelo longo e liso até os ombros, pele clara que bronzeia com facilidade, seios pequenos e firmes com mamilos rosados que endurecem com qualquer coisa, cintura marcada, pernas fortes, uma bunda redonda que é a parte de mim que os caras mais encaram na rua. Não menciono isso por vaidade; menciono porque esses detalhes tiveram peso no que aconteceu.

Eu estava com Diego havia três anos quando tudo isso aconteceu. Nossa relação era do tipo que as pessoas chamam de “aberta”, embora na verdade fosse mais nuançada do que isso: não havia regras escritas, mas havia conversas honestas desde o começo. Nós transamos com outras pessoas sem pudor desde os primeiros meses: jogos de papéis, gravações em que eu chupava ele olhando para a câmera, alguma visita compartilhada em que outro cara me pegava enquanto Diego enfiava o pau na minha boca. O que Diego ainda não sabia era o detalhe que eu carregava havia tempo.

Minha curiosidade por mulheres não era nova. Tinha surgido devagar, com a sutileza de algo que sempre esteve ali e que a gente demora a nomear. Nunca tinha colocado em prática. Não por falta de desejo, mas porque a oportunidade certa, a pessoa certa, não tinham chegado ao mesmo tempo. Mas muitas noites, enquanto Diego dormia, eu enfiava a mão entre as pernas e imaginava a buceta de outra mulher na minha boca, outra língua me trabalhando até me fazer gozar.

Uma noite, no meio de uma das nossas fodas, eu contei isso para Diego. Ele estava por cima de mim, a rola dele enterrada até o fundo, e eu, entre um gemido e outro, soltei de uma vez. Disse que me imaginava com uma mulher. Que eu tinha curiosidade de verdade, não como fantasia abstrata, mas como algo concreto que eu queria viver algum dia. Diego gozou dentro de mim assim que ouviu.

Depois, com o sêmen ainda escorrendo pelas minhas coxas, ele me olhou por um bom tempo antes de sorrir.

—E se você pudesse escolher alguém, quem escolheria? — perguntou.

A pergunta me pegou de surpresa. Processei aquilo em silêncio enquanto ele esperava, e então, sem pensar demais, respondi:

—Natalia.

Natalia era a melhor amiga dele desde a faculdade. Quatro anos mais velha que eu, corpo trabalhado com disciplina, pele morena, cabelo preto cortado na altura da orelha. Confiante a ponto de beirar o intimidador. Seios grandes e bunda firme, aqueles que marcam qualquer vestido. Exatamente o tipo de mulher que me deixava nervosa de um jeito bom.

Diego assentiu devagar. Acho que a ideia agradou mais do que ele esperava. Senti o pau dele, ainda dentro de mim, voltar a endurecer.

—Tem que parecer espontâneo — eu disse, mexendo o quadril contra ele—. Nada planejado. Nada forçado.

—Perfeito — respondeu, começando a me foder de novo—. Porque no próximo fim de semana todo mundo vai viajar.

***

O destino era uma cidade litorânea a quatro horas de trem. Diego e o grupo de amigos organizavam essa viagem uma vez por ano: sempre o mesmo lugar, sempre o mesmo hotel de frente para o mar. Natalia fazia parte do grupo central havia anos. Eu já tinha ido uma vez antes e conhecia o formato: chegada na sexta, volta no domingo, dias de praia e noites longas.

Decidi viajar no mesmo trem que o grupo, mas sentada separada de Diego. Dei a ele uma desculpa vaga — queria ler, precisava descansar um pouco — e ele entendeu sem perguntar mais. Sentei na fileira de trás de Natalia, que viajava sozinha com fones de ouvido e o olhar perdido na paisagem passando pela janela.

Inclinei-me para a frente.

—Posso fazer companhia? — perguntei.

Ela se virou, me viu e tirou um fone com um gesto despreocupado.

—Claro — disse, apontando o assento livre ao lado dela.

Conversamos durante quase todo o trajeto. Primeiro sobre trabalho, depois sobre música, depois sobre coisas que normalmente a gente só conta depois de conhecer alguém há mais tempo. Natalia tinha um jeito de perguntar que fazia a pessoa dizer mais do que tinha planejado dizer. Quando o trem entrou na última estação, eu já tinha contado coisas que costumo guardar por semanas antes de compartilhar.

Em um momento, o trem atravessou um túnel e a escuridão nos cobriu por alguns segundos. Não sei bem por quê, mas estendi a mão e encostei na dela sobre o apoio de braço. Ela não a retirou. Quando a luz voltou, nós duas continuávamos olhando para a frente, como se nada tivesse acontecido. Eu sentia a buceta molhada sob o jeans.

***

Ao chegar ao hotel, a distribuição dos quartos foi simples: meninos com meninos, meninas com meninas. Natalia e eu acabamos dividindo o mesmo quarto sem que ninguém questionasse.

Era um quarto amplo com vista para o mar. Natalia largou a bolsa na cama da direita e sentou na beirada, esticando os braços acima da cabeça. A camiseta subiu por um instante e eu vi a linha do abdômen, perfeitamente definido. Depois ela se recostou para trás, apoiando-se nos cotovelos, e me olhou.

—Vou tomar banho antes de a gente sair — avisou.

Sentei na outra cama e tirei a jaqueta devagar.

—Se importa se eu entrar também? — falei—. Para economizar tempo. Podemos tomar banho juntas.

Natalia me olhou por um segundo longo. Uma fração de segundo em que li algo que não era rejeição.

—Não me importo — respondeu por fim.

Ela entrou primeiro. Eu esperei ouvir a água antes de tirar a roupa e abrir a porta do banheiro. O vapor já embaçava o espelho. A silhueta de Natalia era visível através do box translúcido.

Abri o box. Ela se virou, e a mão dela apareceu estendida para me ajudar a entrar, o mesmo gesto usado para ajudar alguém a subir um degrau. Peguei a mão dela e entrei sob o jato de água quente.

Natalia era exatamente como eu tinha imaginado. A água escorria pela pele morena, por aquele corpo que era resultado de anos de disciplina. Seios grandes e firmes, mamilos escuros e tensos pelo contraste da água, uma buceta depilada quase por completo, exceto por uma pequena faixa de pelos pretos na parte de cima. Tentei não olhar demais. Falhei nisso bem rápido. Senti meus próprios mamilos endurecerem sob a água e, entre minhas pernas, algo começou a pulsar que não tinha nada a ver com o calor do chuveiro. E quando ergui o olhar para o rosto dela, ela também não estava me olhando nos olhos: os dela estavam cravados nos meus seios pequenos, escorregadios de sabonete.

Nos lavamos sem falar muito, nos roçando quando o espaço exigia. Em um momento, o quadril dela bateu no meu e nenhuma de nós se afastou. Nenhuma fez qualquer movimento claro. Quando saímos e nos enrolamos nas toalhas, a tensão entre nós era tão palpável que quase tinha textura própria. Minha buceta estava encharcada e não era água.

***

O resto do dia passou com o grupo: praia, cervejas geladas, um restaurante barulhento onde Diego me lançou um olhar do outro lado da mesa que era metade pergunta, metade sorriso. Eu respondi com algo que não dizia nada e dizia tudo.

Quando a noite caiu, Natalia e eu nos trocamos para sair um pouco sozinhas. Ela vestiu um vestido curto que marcava cada curva; eu, um short escuro e uma camiseta fina sem sutiã. As duas sabíamos o que estávamos fazendo, mesmo sem dizer.

Fomos andando até a orla. O frio do mar deixava o ar mais denso do que o habitual para aquela época do ano. No meio do caminho, Natalia pegou no meu braço sem cerimônia, como se fosse algo que sempre fizesse.

—Estou com frio — disse.

—Mentira — respondi, e nós duas rimos.

Encontramos um café pequeno com as janelas embaçadas e pedimos algo quente. Ficamos quase uma hora ali sentadas. Falamos de relações, de liberdade, do que cada uma buscava naquele momento da vida. Natalia era mais direta do que eu esperava; eu acabei sendo mais honesta do que tinha planejado. Em algum ponto, ela mencionou de passagem que gostava de mulheres tanto quanto de homens, que tinha tido três namoradas e que, na cama, era ela quem costumava conduzir o ritmo. Disse isso com a mesma naturalidade com que diria que preferia café preto.

Eu não respondi nada. Só olhei para ela.

Ela sustentou o olhar.

—E você? — perguntou por fim—. Já ficou com uma mulher?

—Não — falei—. Mas faz muito tempo que eu quero.

Natalia sorriu de leve. Debaixo da mesa, o joelho dela encostou no meu e não se moveu.

Quando saímos do café, o frio era definitivo. Voltamos para o hotel andando coladas, o braço dela entrelaçado no meu, nossos quadris se roçando a cada passo. No elevador, as portas se fecharam e ficamos em silêncio olhando os números subirem. Não havia nada que dissesse melhor do que o que já estava sendo dito sozinho. Eu apertava as coxas porque a buceta estava pingando dentro da roupa.

***

No quarto, Natalia foi para o banheiro. Eu aproveitei para tirar o short e a camiseta e colocar o que usava para dormir: só uma camiseta curta de alça e uma calcinha branca de algodão que grudava na minha buceta molhada.

Quando Natalia saiu do banheiro, ela usava um top esportivo preto e uma calcinha fio-dental de renda da mesma cor. Parou ao me ver. Sorriu.

—Estamos praticamente iguais — disse.

—Quase — respondi.

Tiramos as mantas da segunda cama sem combinar. Nenhuma sugeriu dormir separada. Entramos na mesma cama sem comentar, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Natalia apagou o abajur do lado dela; eu apaguei o meu.

A escuridão do quarto não era total: pela janela entrava a luz difusa da avenida à beira-mar. Eu podia ver o contorno de Natalia a centímetros de mim. Estávamos de lado, frente a frente, embora nenhuma de nós tivesse decidido exatamente assim.

A mão dela encontrou a minha debaixo dos lençóis.

O silêncio durou o tempo que um coração leva para acelerar.

Fui eu quem se aproximou primeiro. Só um pouco, o suficiente para nossos lábios quase se tocarem. Esperei. Ela fechou os últimos centímetros.

O beijo foi curto no começo. Quase uma pergunta. Depois ela respondeu com outro que não era pergunta nenhuma, e a língua dela entrou na minha boca com uma lentidão calculada, buscando a minha, girando em torno dela. As mãos dela foram para minha cintura, subiram por baixo da camiseta, e o espaço entre nossos corpos desapareceu de vez. Senti os dedos dela roçarem meus mamilos e soltei um gemido dentro da boca dela.

Beijá-la era diferente do que eu tinha imaginado. Mais suave na forma, mais intenso no fundo. As mãos dela sabiam exatamente o que faziam; as minhas aprenderam rápido. Levei as mãos dela até meus seios por cima do top e os apertei, sentindo o peso, a firmeza, os mamilos duros marcando o tecido. Ela suspirou e mordeu meu lábio inferior.

—Tira — sussurrou.

Ergui o top até tirá-lo pela cabeça e os seios dela ficaram livres diante de mim na penumbra. Grandes, redondos, com aqueles mamilos escuros que eu vinha imaginando desde o banho. Desci a boca direto em um deles e suguei forte. Natalia soltou um gemido longo e agarrou meu cabelo, me prendendo ali. Passei para o outro mamilo, mordi com cuidado, lambi em círculos. Ela arqueava as costas contra a minha boca.

Empurrei os lençóis totalmente para o lado. Natalia se ergueu sobre mim e me percorreu com os olhos por um momento antes de baixar a boca de novo para o meu pescoço. Ela tirou minha camiseta com um único puxão. Senti os lábios dela se moverem devagar até minha clavícula, mordendo sem deixar marca, sugando a pele entre os dentes. Quando chegou ao meu mamilo, envolveu-o inteiro com a boca e trabalhou com a língua, depois com os dentes, depois sugando como se quisesse arrancá-lo. Deixei escapar um som que não tinha planejado, um gemido rouco que me surpreendeu a mim mesma.

—Silêncio — murmurou ela contra a minha pele, sorrindo—. Vão nos ouvir.

—Não consigo — respondi, porque literalmente não conseguia.

Ela desceu me beijando o esterno, o ventre, a linha do púbis. Os dedos dela trabalharam o tecido da minha calcinha para baixo com uma calma que me deixou louca. Não havia pressa. Aquilo era a primeira coisa que eu aprendia com ela: que não havia pressa nenhuma, e que a espera fazia parte de tudo. Ela a puxou pelas coxas, pelos joelhos, até tirá-la por completo e jogá-la no chão. Parou para me olhar entre as pernas. Eu estava completamente encharcada, com os lábios da buceta inchados e brilhantes.

—Você está pingando — disse baixinho, quase para si mesma.

Ela abriu minhas pernas com as mãos e se acomodou entre elas. Soprou primeiro, um ar fresco contra minha buceta molhada que me fez tremer. Depois passou a língua inteira, de baixo para cima, bem devagar, recolhendo tudo o que eu tinha derramado. Gritei contra a minha própria mão.

Quando a boca dela chegou ao meu clitóris, o mundo se reduziu àquilo. Àquela boca, àquela língua que sabia exatamente onde ir e em qual ritmo. Ela chupava, soltava, desenhava círculos ao redor, voltava a chupar. Depois enfiou dois dedos dentro de mim e começou a movê-los procurando aquele ponto por dentro enquanto continuava me trabalhando com a língua por fora. Minhas mãos buscaram o lençol, o travesseiro, o cabelo dela, qualquer coisa para me agarrar. Os gemidos que saíam de mim eram baixos, contidos pelo hotel e pelo grupo dormindo nos quartos próximos, mas reais. Completamente reais.

—Isso — eu sussurrava—. Isso, não para, não para.

Os dedos dela entravam e saíam fazendo um som úmido e obsceno. Senti meu interior se apertar ao redor deles. Senti o orgasmo se formando dentro de mim desde o fundo da barriga, subindo pelas pernas até me transformar em um único cabo tenso.

O orgasmo veio antes do que eu esperava e me deixou tremendo por um bom tempo. Minhas coxas se fecharam sobre a cabeça dela sem que eu pudesse controlar. Ela continuou me lambendo devagar, arrancando o último tremor, até eu ter que empurrar a cabeça dela porque não aguentava mais.

Natalia subiu devagar, beijando meu abdômen, meu peito, minha mandíbula, antes de chegar aos meus lábios de novo. Eu provei dela na boca dela — provei a mim mesma na boca dela — e alguma coisa em mim acabou de se render por completo.

Me sentei. Fiz ela deitar com delicadeza. Tirei a calcinha fio-dental preta com os dentes, puxando, e fiquei um momento olhando para ela nua. A luz da orla iluminava a curva do ombro, a linha da cintura, o tom escuro da pele, o brilho entre as pernas. Era exatamente a imagem que eu tinha na cabeça havia meses.

—É sua primeira vez com uma mulher? — perguntou ela em voz baixa.

—Sim — respondi.

—Faça o que tiver vontade — disse ela—. Não tem nada que possa ser feito errado.

Comecei pelos seios porque era o que eu mais tinha imaginado. Peguei-os com as mãos, aprendi o peso, beijei devagar, chupei um mamilo e depois o outro, mordiscando até ficarem duríssimos. Natalia se arqueava sob minhas mãos, deixando-me explorar sem me conduzir demais. Lambi entre os seios, desci pelo estômago, beijei o quadril dela. Ela abriu as pernas para mim sem eu pedir.

E ali estava: a buceta escura e perfeita, brilhando de desejo, com o clitóris inchado já aparecendo entre os lábios. O cheiro me atingiu de uma vez e me deixou ainda mais molhada.

Quando baixei a boca pela primeira vez sobre uma buceta que não era a minha, tive um segundo de dúvida que se desfez no primeiro contato. Lambi tudo, aprendendo a geografia com a língua, buscando a reação. Os sons que Natalia fazia apagaram qualquer resto de insegurança que eu ainda tinha. Lambi mais forte, mais rápido, até encontrar o ritmo que a fazia apertar as mãos contra os lençóis.

—Aí — ela arfou—. Justo aí. Chupa meu clitóris.

Obedeci. Peguei-o entre os lábios e chupei como ela tinha me chupado, girando a língua ao redor. Enfiei um dedo dentro e senti o calor úmido apertando em torno de mim. Enfiei outro. Movi-os buscando o mesmo ponto que ela tinha encontrado em mim.

Ouvi o corpo dela se tensionar e depois se soltar. Senti a buceta dela se contrair ritmicamente em volta dos meus dedos. Ouvi ela dizer meu nome bem baixinho, uma única vez, como se não quisesse dizer, mas não pudesse evitar.

—Valeria... caralho...

Continuei lambendo até ela também me afastar, rindo baixinho, arfando.

Depois disso, ela puxou meus quadris e me fez subir sobre ela. Cruzou uma perna sobre a minha e me posicionou de modo que nossas bucetas ficassem coladas, molhado contra molhado, clitóris contra clitóris. O atrito foi tão direto que nós duas gememos ao mesmo tempo. Eu nunca tinha feito aquilo, nunca tinha sentido aquilo: o calor de outra mulher diretamente contra o meu, sem nada no meio.

Nos movemos juntas, encontrando um ritmo que não precisou ser explicado. Eu empurrava os quadris para baixo, ela para cima, as bucetas deslizando uma contra a outra com um som úmido que enchia o quarto. Peguei um seio dela com a mão, apertei. Ela me puxou pelo cabelo para baixo e me beijou enquanto continuávamos nos movendo.

—Não para — arfei na boca dela—. Vou gozar de novo.

—Eu também — disse ela—. Goza comigo.

Aceleramos o ritmo, nós duas encharcadas, nós duas arfando dentro da boca uma da outra. O segundo orgasmo me atingiu mais forte que o primeiro, e senti Natalia gozar ao mesmo tempo debaixo de mim, tremendo, com as unhas cravadas nas minhas nádegas.

Ficamos quietas, respirando forte, coladas uma na outra sem nos mover, com nossas bucetas ainda juntas e pulsando. Apoiei a cabeça no ombro dela. Ela passou a mão pelo meu cabelo molhado de suor.

***

De manhã, acordei com o sol entrando pela janela e Natalia ainda dormindo ao meu lado, nua, com uma perna sobre as minhas. Olhei para ela por um momento antes de me levantar em silêncio para pegar minha roupa do dia anterior.

Ela abriu os olhos quando ouviu eu me mexer.

—Bom dia — disse com uma voz rouca que eu ainda não tinha ouvido antes.

—Bom dia.

Ela se sentou e começou a procurar a roupa entre os lençóis. Encontrou a calcinha fio-dental preta, ainda úmida, e me estendeu. Eu estendi a mão e peguei a dela em vez disso.

—Essa fica comigo — falei.

Natalia me olhou por um segundo e depois sorriu sem dizer nada. Pegou a minha, a branca de algodão manchada da noite anterior, e guardou na bolsa dela. Nos vestimos em silêncio, aquele silêncio confortável que não precisa ser preenchido.

No trem de volta, Diego me perguntou com o olhar como tinha sido tudo. Contei o suficiente. O resto era meu.

Guardei a calcinha fio-dental preta no bolso lateral da mochila e, durante o resto da viagem, toda vez que eu pensava na noite anterior — na língua de Natalia entre minhas pernas, no gosto da buceta dela na minha boca, no atrito dos nossos clitóris juntos — sentia algo que não era exatamente culpa nem exatamente saudade. Era mais como a certeza de ter confirmado algo que eu sempre soube sobre mim, algo que tinha vivido só na imaginação por anos.

Só que agora já não era fantasia.

Ver todos os contos de Confissões

Avalie este conto

Comentários

Seja o primeiro a comentar.

Deixe um comentário

Entrar ou criar conta

Escolha como quer continuar.