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Relatos Ardientes

Acordei encharcada e não consegui parar o dia todo

3.6 (50)
Ilustração do conto erótico: Acordei encharcada e não consegui parar o dia todo

Meu nome é Sofia, pelo menos nestas páginas. Nome real, não; para isso já tenho exposição suficiente no trabalho. O que vou contar é real, ou pelo menos tão real quanto pode ser algo que aconteceu na intimidade de um quarto com a persiana meio fechada e ninguém para quem prestar contas.

Estou de férias esta semana. As primeiras em quase um ano. Quando me avisaram que eu tinha sete dias livres, pensei em mil planos: sair, ver amigas, aproveitar a cidade, que fica boa nessa época do ano. Não pensei nisso. Em passar os dias trancada no quarto, nua na maior parte do tempo, com a buceta encharcada sem que ninguém tivesse acionado o interruptor, os dedos enfiados até os nós dos dedos de tantas em tantas horas, como se fosse mais uma necessidade biológica.

Mas foi assim. E não me arrependo de nada.

***

Tudo começou anteontem à noite. Fiquei lendo até tarde, não lembro bem o quê, algum relato que encontrei por aí que começou discreto e terminou com uma cena de três páginas em que uma mulher chupava um cara de joelhos numa cozinha enquanto ele puxava o cabelo dela e dizia sacanagem. Fui dormir por volta de uma da manhã, com a cabeça ainda girando e a buceta pulsando sob a calcinha.

Acordei às quinze para as seis. Ainda estava escuro lá fora. O quarto tinha aquela temperatura particular das madrugadas de primavera, nem frio nem calor, o tipo de temperatura que convida a ficar debaixo dos lençóis mais um pouco, sem pensar em nada.

Os lençóis estavam úmidos.

Não de suor. De outra coisa. Eu tinha a calcinha colada na buceta, encharcada pelos fluidos que tinha soltado durante o sono. Do sonho só restavam fragmentos: um quarto desconhecido, umas mãos grandes apertando meus peitos por trás, uma pica grossa entrando e saindo da minha boca, uma voz grave dizendo coisas sujas no meu ouvido que eu não conseguia decifrar, mas que o corpo tinha registrado com toda a clareza. Esse tipo de sonho que não deixa imagem, mas deixa rastro físico.

Fiquei quieta por alguns segundos. De barriga para cima, olhando para o teto que começava a se separar da escuridão. Sentia o pulso nos lugares errados: nos mamilos, que tinham ficado duros sob a camiseta, e entre as pernas, onde eu tinha o clitóris inchado e pedindo atenção sem ter recebido nem um só roçar ainda.

Levei a mão entre as pernas quase sem pensar. Sem urgência, sem pressa, sem o peso de uma decisão. Do mesmo jeito que a gente se espreguiça ou procura outra posição quando não consegue dormir: como algo que o corpo faz porque precisa e não tem motivo nenhum para não fazer.

Arrastei a calcinha para baixo até as coxas e me toquei diretamente. Estava tão molhada que os dedos escorregaram sem esforço. Desenhei círculos sobre o clitóris, devagar, deixando a sensação se acumular. Depois enfiei dois dedos. Entraram de uma vez, sem a menor resistência, até os nós dos dedos. A buceta se fechou ao redor deles imediatamente, como se estivesse horas esperando alguma coisa lá dentro. Comecei a bombear devagar enquanto continuava massageando o clitóris com o polegar, abrindo bem as pernas sob o lençol.

Cena 1 do conto: Acordei encharcada e não consegui parar o dia todo
La mañana empezó extraña.

Demorei pouco. Cerrei os dentes para não fazer barulho no silêncio da madrugada e gozei com um espasmo longo que me fez arquear as costas contra o colchão. Senti a buceta se fechando em ondas ao redor dos dedos e um fio de fluido escapando, que terminou no lençol, somando-se à mancha já existente. Tirei os dedos brilhando e os deixei repousar sobre a barriga.

Quando terminei, já havia luz entrando pela persiana em faixas finas. Fiquei mais um pouco na cama, com os dedos ainda pegajosos, olhando aquele retângulo de claridade no chão, antes de me levantar para preparar um café.

***

Achei que era só isso. Que o corpo tinha descarregado o que precisava e o dia podia seguir normalmente.

No meio da manhã eu estava na cozinha lavando os poucos pratos do café. Estava com o rádio baixo. Pensava em nada em particular, naquele estado de piloto automático que é o único jeito de funcionar antes do segundo café. Usava só uma camiseta velha e a calcinha limpa que eu tinha vestido ao levantar.

A borda da bancada roçou na parte de baixo do ventre, quase sobre o monte de Vênus, através do tecido fino do pijama. Só isso. A borda da bancada, sem intenção, sem significado, um contato acidental de meio segundo bem em cima do clitóris.

Tive de me apoiar com as duas mãos na pia por um instante.

Foi uma onda de calor que subiu da buceta até a nuca quase sem escalas. Uma resposta completamente desproporcional a um contato que, por si só, não tinha nada de erótico. Mas o corpo não estava distinguindo. Estava naquele estado em que qualquer roçada vira outra coisa, em que a pele parece ter mais terminações nervosas do que o normal e os mamilos endurecem com a corrente de ar do ventilador.

Antes de pensar duas vezes, voltei a apoiar os quadris na borda da bancada. Devagar, sem me convencer de todo de que estava fazendo aquilo. Mexi um pouco para frente e para trás, esfregando o clitóris por cima do tecido contra aquela borda fria de granito. Fechei os olhos. Senti a calcinha encharcar pela segunda vez em menos de cinco horas.

Me obriguei a dar um passo para trás antes de continuar. Respirei. Segui com a louça com as mãos tremendo um pouco. Disse a mim mesma que era hormonal, que ia passar, que era preciso ter um pouco de compostura.

Coloquei mais música. Fiz outro café. Sentei no sofá para ler o livro que estava há semanas sem avançar. Li a mesma página quatro vezes sem guardar nada, sentindo como a umidade entre as pernas continuava manchando a calcinha mesmo depois de eu ter gozado duas vezes naquela manhã.

O corpo não estava para livros naquela manhã. O corpo queria outra coisa.

Cena 2 do conto: Acordei encharcada e não consegui parar o dia todo
Pensé en Ramiro.

***

Existe uma fantasia que tenho há bastante tempo. Não é elaborada nem particular no sentido de exigir cenário especial ou muitos personagens. É mais uma fantasia sobre as regras: sobre como seria o mundo se o desejo não precisasse de privacidade para existir.

Eu me imagino num lugar onde sexo fosse tão normal quanto qualquer outra coisa. Um passeio, um shopping, tanto faz. Caminhar com Ramiro, que é o homem com quem estou há alguns meses, embora a gente more em cidades diferentes, e naquele lugar hipotético ele pudesse se aproximar de mim por trás no meio de um corredor e enfiar as mãos sob a camiseta para apertar meus peitos. E eu pudesse me inclinar para trás e esfregar a bunda na pica que já estaria dura dentro da calça. E ninguém parasse para olhar porque isso é simplesmente o que as pessoas fazem quando se desejam.

Na versão mais detalhada dessa fantasia, ele me vira ali mesmo, baixa minha calça até os joelhos, me faz abaixar sobre alguma superfície e me come ali, no meio do corredor, com as pessoas passando ao redor sem se incomodar. Sinto a pica entrando por trás, grossa, abrindo a buceta que já está encharcada há um bom tempo, e ele me agarra pelos quadris e me mete com força enquanto me diz no ouvido que sou uma puta, que como eu gosto de ser comida assim, em qualquer lugar, sem aviso. E eu confirmo isso com cada gemido, peço que meta mais forte, que deixe tudo lá dentro, e ninguém olha para a gente porque é a coisa mais normal do mundo.

Não há violência nessa fantasia. Também não é exibicionismo de quem quer plateia. É mais uma fantasia sobre a honestidade do desejo, sobre um mundo em que o prazer não precise se justificar nem se esconder atrás de portas fechadas para ser legítimo. Um mundo em que poder ser uma mulher que adora ser comida não precise ser segredo.

Às vezes eu imagino que o chamo por videochamada daqui, da cama, e ele me vê assim, sem nada em cima, com os mamilos duros e a mão entre as pernas, e ele abaixa a calça e tira a pica da cueca e me mostra dura enquanto eu me masturbo para ele. Que ele se punhetaria olhando para mim e eu mostraria a buceta bem aberta com os dedos, e que terminaríamos os dois ao mesmo tempo, ele disparando a porra na mão e eu encharcando os lençóis a vários quilômetros de distância.

A fantasia, pensada friamente, tem algo de ridículo. Mas naquele dia, com o corpo no estado em que estava, não tinha nada de ridículo. Era urgente, concreta, quase dolorosa de tanto querer.

***

Ao meio-dia tomei a decisão mais sensata do dia: banho frio.

Sem rodeios. Sem água morna como etapa intermediária. Direto fria, o mais fria que a torneira permitisse, pelo tempo que fosse necessário. Uma espécie de protocolo de emergência para situações em que a mente já não basta.

Funcionou, enquanto durou. Debaixo daquela água o corpo entrou em modo de sobrevivência e esqueceu tudo o que vinha processando nas últimas horas. Não pensei em nada erótico. Não pensei em Ramiro, nem na pica dele, nem na bancada da cozinha. Só pensei em como a água estava gelada e em como eu precisava respirar.

Três minutos, mais ou menos. Foi o que aguentei.

Fechei a torneira. Peguei a toalha. O ar do banheiro estava mais quente que a água e essa diferença de temperatura tem uma textura particular na pele: algo entre alívio e sensibilidade, como quando a gente sai do mar e o vento de verão faz o corpo inteiro ficar subitamente presente. Eu tinha os mamilos tão duros que doíam ao roçar na toalha.

Me sequei devagar. Braços, ombros, costas. Parei para esfregar os peitos com a toalha por mais tempo do que o necessário, sentindo como a fricção do tecido fazia minha respiração falhar.

Quando cheguei às coxas, me detive um segundo a mais.

Passei a toalha pela parte interna, subindo, e deixei que a borda do pano roçasse de leve a buceta ainda inchada pela água fria. Um segundo. Mas o corpo registrou, e a buceta se fechou sobre si mesma numa contração que me deixou respirando de boca aberta.

O frio não tinha servido para nada.

Cena 3 do conto: Acordei encharcada e não consegui parar o dia todo
Dejé de resistirme.

***

Fui ao quarto buscar o creme corporal. O plano era simples e direto: creme, vestir alguma coisa e seguir o dia como uma pessoa funcional.

O creme é um que me deram há alguns meses, daqueles que cheiram bem e têm uma textura densa que precisa de um pouco de trabalho para espalhar. É preciso massagear. É preciso insistir. Não é um creme de passar e pronto.

Comecei pelos pés, que é o que sempre faço. Subi pelas panturrilhas, pelos joelhos. Quando cheguei às coxas, o plano original já tinha se dissolvido por completo.

Sentei na beira da cama. O pote de creme em uma mão. A outra apoiada na coxa. A tarde entrava filtrada pela persiana e dava ao quarto uma luz quente, quase dourada. Eu tinha as pernas abertas e a buceta completamente exposta ao ar, os lábios ainda inchados, brilhando de umidade própria.

Tirei mais creme e passei pela barriga, pelos quadris, subindo até os peitos. Amassei os dois com as mãos cheias de creme, brincando com os mamilos entre os dedos, apertando-os como eu imaginava que Ramiro apertaria se estivesse ali. Escapei um gemido sem querer, o primeiro do dia em voz alta.

Decidi não lutar mais.

Não foi uma decisão dramática nem um momento de fraqueza. Foi o reconhecimento de algo bastante óbvio: eu vinha resistindo havia horas a algo que aconteceria de qualquer forma, e o único efeito concreto de continuar resistindo era o incômodo. Então deixei o creme na mesa de cabeceira, me deitei na cama e me rendi com toda a calma do mundo.

Ninguém estava me esperando. Eu não tinha nada urgente. Era o primeiro dia de férias de verdade em quase um ano. O corpo tinha toda a razão.

***

Me deitei de barriga para cima, sem me cobrir com nada, as pernas abertas e os pés plantados no colchão. Peguei o celular e procurei algo para ler.

Há textos que são corretos, mas não fazem nada de especial, que a gente lê, termina e pronto. Depois há textos que deixam a buceta pingando desde a primeira linha, que alguma coisa no ritmo ou nos detalhes conecta com algo que já existe dentro da gente, e então a coisa muda completamente. Naquela tarde encontrei um desses: uma mulher casada que deixava o jardineiro da casa comê-la às quintas de manhã, contado com um detalhe de como ele a metia e de como a deixava que me fez morder o lábio na primeira página.

Li devagar, acompanhando o ritmo das palavras. Comecei a me tocar com a outra mão, sem pressa, sem objetivo específico. Primeiro por cima, desenhando círculos nos grandes lábios, sentindo como eles iam se abrindo sozinhos. Depois um dedo, deslizando entre as pregas até o clitóris, brincando com ele, apertando-o de leve entre o indicador e o médio. Eu estava tão molhada que minha mão ficou ensopada em segundos.

Isso é algo que se diz pouco e acho que vale a pena dizer: se masturbar sem pressa é completamente diferente de se masturbar com urgência. Quando há tempo e não existe motivo algum para apressar, a buceta funciona de outro jeito. A tensão sobe mais devagar e vai mais longe. Os detalhes se tornam importantes: a textura exata do clitóris sob a ponta do dedo, a pressão certa que aquele ponto na parede frontal, a três centímetros para dentro, precisa, o momento exato antes do ponto sem retorno que pode ser sustentado por cinco, dez, quinze segundos antes da entrega.

Enfiei dois dedos. Curvei-os procurando aquele ponto que conheço bem, aquela área áspera que incha quando estou chegando perto. Mexi devagar enquanto continuava lendo no celular com a outra mão. A protagonista do relato estava de joelhos no jardim chupando a pica do jardineiro, descrevendo o gosto do esperma misturado com o suor, a saliva escorrendo pelo queixo. Eu seguia o ritmo embaixo, enfiando e tirando os dedos enquanto ela engolia.

Pensava em Ramiro enquanto lia. Em como seria se ele estivesse aqui naquele momento. Em ele entrar no quarto e me encontrar assim, aberta sobre a cama, com três dedos dentro e a outra mão segurando o celular. Em ele abrir a calça sem dizer nada e me fazer chupá-lo, afundando a pica na minha boca até o fundo enquanto eu continuava me fodendo com os dedos embaixo. Em como seria quando ele subisse na cama e me metesse com uma só estocada, grossa, abrindo a buceta que já estava havia horas pedindo algo maior que meus próprios dedos.

A imaginação fazia um trabalho bastante convincente. A intimidade à distância tem suas próprias regras. Não é a mesma coisa que tê-lo aqui, isso está claro, não é a mesma coisa que sentir o peso real de um homem sobre mim nem a pressão de uma pica real entrando em mim. Mas os dedos sabem fazer sua parte quando a cabeça está no lugar certo.

Gozei pela primeira vez sem aviso. O orgasmo me pegou no meio de uma frase do relato, os dedos enterrados até o fundo, o polegar firme contra o clitóris. Apertei as pernas contra a mão e arqueei o corpo, gemendo alto porque não havia ninguém que pudesse me ouvir. Senti a buceta se fechar em contrações longas ao redor dos dedos e o fluxo escorrer até a bunda, até o lençol, deixando uma mancha morna sob as nádegas.

Fiquei respirando de boca aberta por alguns segundos. Mas não tirei a mão. Sabia que uma só não bastava.

Continuei lendo. A protagonista agora estava encostada em uma árvore, com o jardineiro metendo nela por trás, e eu continuei me tocando mais devagar, mantendo o clitóris quente sem terminar ainda. Levei os dedos à boca, os que estavam encharcados de mim, e os chupei com calma, sentindo meu próprio gosto. Imaginei que era a porra de Ramiro que eu estava engolindo.

Voltei lá embaixo. Desta vez experimentei outra coisa: com a mão esquerda, abri os lábios da buceta bem escancarados e, com a direita, trabalhei o clitóris em círculos rápidos, sem parar. É uma técnica que exige resistência porque a sensação fica quase insuportável depois de alguns minutos, mas, se a gente se obriga a não parar, o que vem depois é brutal.

Obrigi-me a não parar. Cerrei os dentes, senti a pele das coxas se arrepiar toda, o clitóris ficar duríssimo sob os dedos, quase dolorido. Pensava em Ramiro me chupando, na língua dele exatamente ali, sem trégua, segurando minhas coxas para que eu não pudesse fugir. Arqueei de novo e soltei um grito que me surpreendeu a mim mesma.

O segundo orgasmo foi mais longo e mais fundo que o primeiro. Me deixou vibrando do umbigo aos joelhos, com o lençol encharcado sob a bunda e os mamilos tão sensíveis que mal os toquei com o dorso da mão e outra onda percorreu minhas costas.

Terminei uma vez. Continuei lendo. Terminei outra vez.

E outra. Quando larguei o celular já haviam se passado quase duas horas e eu havia perdido a conta exata. Três, talvez quatro. O lençol estava um caos. Eu tinha as coxas pegajosas até os joelhos e os dedos enrugados como quando alguém passa muito tempo na água.

Fiquei um tempo olhando para o teto, com a respiração ainda um pouco acelerada e os braços soltos ao lado do corpo, pensando em nada em particular. A buceta pulsava suave, ainda inchada, mas saciada por um tempo. Esse tipo de vazio agradável que vem depois e dura exatamente o tempo certo antes de o barulho da cabeça voltar.

***

Mais tarde, já de noite, comecei a escrever isto.

Porque há algo em contar que produz seu próprio efeito. Não é só exibicionismo, embora eu também não vá negar isso completamente. É mais a mesma lógica de falar do que sentimos: que, ao nomear, aquilo se torna mais real, mais aceitável, mais nosso. Menos coisa para esconder.

Passei o dia com o corpo em um estado de excitação quase contínua. Me masturbei cinco vezes, contando. Não saí, não falei com ninguém, não fiz nada particularmente produtivo do ponto de vista externo. E foi um dos dias mais honestos de que me lembro há muito tempo.

Por que deveria ser estranho dizer isso? Por que deveria escrever com eufemismos? A buceta ficou escorrendo o dia todo e eu gozei tantas vezes quantas tive vontade. Não há outra forma de contar isso que não seja essa.

O desejo não é uma anomalia nem um sintoma de nada que exija explicação. É o corpo sendo honesto sobre o que precisa, assim como a fome ou o cansaço. A diferença é que a fome e o cansaço têm um espaço legítimo em qualquer conversa, e o desejo, por sua vez, ainda precisa se justificar ou ser apresentado com cuidado para não incomodar ninguém.

Não sei se é porque estou ovulando, se são as férias, se é porque Ramiro e eu já estamos há tempo demais sem nos ver e sem transar. Provavelmente é tudo isso junto. O corpo não distingue causas, só resultados.

***

Agora são onze e meia. Continuo na cama. O creme segue na mesa de cabeceira, onde eu o deixei esta tarde. Troquei os lençóis há pouco porque os anteriores estavam impróprios. Lá fora há silêncio e o quarto tem aquela temperatura perfeita das noites de primavera.

Enquanto escrevia estas últimas linhas, me ocorreu mandar para Ramiro um áudio contando uma parte de tudo isso. Um curto, sem muitos detalhes, só o suficiente para ele imaginar o resto. Ele me respondeu com duas palavras e um emoji que não deixa dúvidas. Vamos fazer videochamada daqui a pouco.

A buceta já começou a despertar de novo só de pensar. Tenho o celular apoiado ao lado da cama, pronto. A calcinha eu já não vou vestir.

Amanhã tenho outro dia de férias. Não tenho grandes expectativas sobre o que ele vai trazer. Mas, se o corpo decidir continuar assim amanhã, eu não vou oferecer resistência nenhuma. Já aprendi a lição.

Para quem lê isto e se reconhece em algum momento do que contei: não estamos sozinhas. Esses dias existem, são completamente normais, e não há nada a explicar para ninguém.

Às vezes o corpo simplesmente sabe o que quer.

E às vezes o que ele quer dura o dia inteiro.

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