Confissão da inspetora grávida
Sempre achei que minha vida começaria de verdade quando eu pudesse ver o mar todos os dias. Cresci longe do litoral, numa cidade seca onde o verão cheirava a asfalto quente, e durante anos imaginei que as ondas tinham algo capaz de pôr minha cabeça em ordem. Quando terminei a faculdade e juntei algum dinheiro, larguei meu emprego de escritório, mudei-me para Puerto Salobre e abri um restaurante pequeno de frente para a praia.
No começo, não era grande coisa: oito mesas, uma cozinha estreita e um terraço que dependia do vento. Mas deu certo. Aprendi a comprar peixe antes do amanhecer, a sorrir mesmo depois de passar doze horas em pé e a fingir segurança quando as contas não fechavam. Dois anos depois, aceitei entrar numa franquia regional que prometia fornecedores estáveis, publicidade e inspeções mensais.
Foi assim que conheci Valeria Navas, a inspetora que bagunçou minha vida. Tinha trinta e oito anos, uma voz tranquila que podia se tornar cortante num segundo e um jeito de olhar que não perdoava nem uma mancha no chão nem uma mentira mal contada. Na primeira vez que entrou pela porta de serviço, com uma pasta debaixo do braço e o cabelo preso, pensei que ela tivesse vindo fechar meu estabelecimento.
—Bom dia. Sou Valeria Navas, supervisora da região —disse, estendendo a mão.
—Damián Rivas —respondi—. Dono, cozinheiro e, quando falta alguém, lavador de pratos.
Ela sorriu de leve. Aquele gesto mínimo bastou para eu saber que, por trás da seriedade, havia algo mais perigoso que um relatório negativo. Durante meses, ela foi ao restaurante com a mesma pontualidade. Conferia câmeras, estoque, temperaturas e notas fiscais. Eu a seguia pela cozinha fingindo irritação, mas, na verdade, esperava o roçar do ombro dela ao passar por um corredor estreito, o aroma de seu perfume ou aquele jeito de apoiar uma mão na cintura quando alguma coisa não lhe agradava.
No começo, foi um jogo. Uma piada sussurrada ao ouvido enquanto ela fazia anotações, um comentário dela sobre minha camisa manchada de molho, um olhar longo demais quando ficávamos sozinhos no depósito. Éramos adultos e ambos sabíamos interpretar o que estava acontecendo. Mesmo assim, Valeria resistia a cruzar a linha. Dizia que eu era impulsivo, que não misturava trabalho e desejo, que não queria virar uma história constrangedora para contar nas reuniões da empresa.
Certa tarde, tranquei-a comigo na despensa, sob o pretexto de mostrar algumas caixas etiquetadas incorretamente. A luz automática demorou a acender e, por um segundo, a escuridão nos deixou respirando perto demais.
—Não comece, Damián —disse antes mesmo de me ver.
—Eu nem fiz nada.
—É isso que me preocupa.
Encurralei-a contra uma prateleira sem chegar a tocá-la. Ela não se afastou. Vi sua garganta ficar tensa, os dedos apertarem a pasta contra o peito e seus olhos baixarem até minha boca.
—Venha jantar quando eu fechar —propus—. Sem uniforme, sem relatório e sem cara de inspetora.
—Você é um problema.
—Mas quer vir.
Valeria ficou calada. Depois me empurrou com dois dedos no peito, abriu a porta e saiu para o salão como se nada tivesse acontecido. Naquela noite, voltou. Havia vestido um vestido verde, justo e elegante, com sandálias de salto alto e os lábios vermelhos. Eu estava tão afundado num defeito da câmara frigorífica que mal consegui sentar-me com ela por dez minutos. Mandei-a para casa de táxi, prometendo outro jantar, e cometi o erro de achar que um pedido de desculpas bastaria.
Não bastou. Durante semanas, ela me tratou como um processo. Fria, correta, impecável. Depois pediu transferência de região e desapareceu. Soube por uma funcionária em comum que ela havia pedido uma licença longa, mas ninguém me contou mais nada. Tentei ligar várias vezes. Ela não atendeu. Mandei flores, mensagens, uma garrafa do vinho que ela havia elogiado. Nada.
Quase um ano se passou. O restaurante cresceu, o terraço ficava lotado todas as noites e eu aprendi a conviver com aquela frustração absurda de ter estado prestes a tocar em algo importante e perdido tudo por ser um desajeitado. Então, numa manhã de fevereiro, desci para caminhar na praia antes de abrir o restaurante e a vi.
Valeria vinha pela beira da água com um vestido azul solto, as sandálias na mão e uma barriga redonda de grávida que mudava completamente sua silhueta sem lhe tirar nada da força. Continuava sendo ela: as costas retas, o queixo erguido, o olhar que parecia decidir antes de perguntar. Fiquei imóvel. Ela também me viu e sorriu como se tivesse escolhido exatamente aquele momento para aparecer.
—Não faça essa cara —disse quando chegou perto—. Tenho trinta e nove anos, estou grávida de sete meses e meio e não sou uma aparição.
—Você está linda —escapou-me.
Valeria baixou os olhos para a barriga e depois voltou a me encarar.
—Estou enorme, desconfortável e com mais tesão do que consigo controlar. Mas aceito o elogio.
A sinceridade me deixou sem resposta. Caminhamos junto à água, falando de coisas pequenas: sua cidade nova, meu restaurante, o calor, a maré. Ela me contou que o pai do bebê não fazia parte da vida dela, que haviam terminado antes de ela descobrir a gravidez e que não queria explicações tristes. Disse aquilo com uma calma tão firme que entendi que não buscava piedade. Buscava outra coisa.
—Eu vi você do calçadão —confessou—. Pensei em continuar andando.
—E por que não continuou?
Valeria se aproximou um passo. O vento colou o tecido do vestido ao corpo, marcando a curva da barriga, dos quadris e das coxas. Ela tinha a pele dourada e os olhos acesos.
—Porque passei meses pensando no que não aconteceu no seu depósito.
Beijei-a ali mesmo, com o mar molhando nossos tornozelos. Não foi um beijo tímido. Valeria abriu a boca contra a minha com a fome acumulada, agarrou minha nuca e mordeu meu lábio como se quisesse me castigar por todo o tempo perdido. Eu a envolvi com cuidado, sentindo seu corpo quente contra o meu, e, ainda assim, a força do desejo me atingiu como uma onda.
—Diga para eu parar —sussurrei.
—Nem pense.
Afastamo-nos da parte mais visível e caminhamos até algumas pedras baixas, onde a praia fazia uma curva e ficava meio escondida pelas dunas. Não era exatamente um lugar privado. Ao longe, havia um casal de idosos passeando e uma mulher lendo sob um guarda-sol, mas Valeria não parecia preocupada. Pelo contrário, a possibilidade de sermos vistos afiava seu sorriso.
—Sempre tão correta nos relatórios —eu disse—, e olhe só para você agora.
—Cale a boca e me beije.
Encostei-a numa pedra morna e voltei a beijá-la. Minhas mãos subiram pelos braços dela, desceram por suas costas e pararam em seus quadris. Ela respirava mais depressa. Enfiou uma mão por baixo da minha camiseta, arranhou meu abdômen e soltou uma risada baixa ao sentir minha ereção contra a coxa.
—Então você ainda reage rápido.
—Com você, nunca tive defesa.
Valeria abriu minha calça sem mais conversa. Fez isso com uma segurança obscena, olhando ao redor apenas por um instante antes de enfiar a mão e agarrar meu pau. Apertou-o com os dedos, devagar, medindo minha dureza, e seus lábios se curvaram numa expressão satisfeita. Fechei os olhos por um segundo, mas ela puxou-me.
—Olhe para mim —ordenou—. Quero ver sua cara.
Ela me masturbou devagar no começo, com o pulso firme e o polegar espalhando a umidade que já surgia na ponta. Depois se ajoelhou na areia com certa dificuldade por causa do peso da barriga, mas sem perder a elegância nem a ousadia. Arrumou o vestido sobre as coxas e abriu a boca. A primeira passada da língua arrancou de mim um gemido que o vento levou para o mar.
Valeria chupava como se tivesse imaginado aquele momento por tempo demais. Lambia-me da base até a ponta, colocava meu pau na boca até onde conseguia e voltava a tirá-lo com um som molhado, sujo, deliberado. Seus olhos não deixavam os meus. Uma mão estava na minha coxa e a outra envolvia o que não cabia, movimentando-se no ritmo dos lábios.
—Porra, Valeria —murmurei, enterrando os dedos em seu cabelo.
Ela respondeu com um gemido em torno do meu pau. A vibração atravessou-me. Por cima do ombro dela, vi que a mulher do guarda-sol havia baixado o livro. Não se aproximava, não dizia nada, mas olhava. Valeria também a viu. Em vez de parar, sorriu de boca cheia e chupou com mais força, como se aquele olhar alheio lhe desse permissão para ficar ainda mais indecente.
Afastei-a antes de gozar. Ela protestou estalando a língua.
—Não seja egoísta —disse.
—Não vim para terminar tão rápido.
Ajudei-a a se levantar e beijei-a com o gosto salgado da minha pele na boca dela. Levantei seu vestido até a cintura. Ela não usava nada por baixo. Aquele detalhe me deixou sem ar. Sua buceta estava molhada, quente, aberta para meus dedos como se tivesse passado a manhã inteira esperando aquele contato. Toquei-a devagar no início, separando seus lábios com dois dedos, encontrando o clitóris inchado e sensível.
Valeria jogou a cabeça para trás e agarrou meus ombros.
—Mais forte —pediu—. Não me trate como se eu fosse de cristal.
Obedeci. Esfreguei seu clitóris com movimentos curtos e firmes, enquanto enfiava dois dedos nela e os curvava dentro de seu corpo. Ela estava encharcada. Cada vez que eu a penetrava com a mão, seu corpo respondia com um tremor que subia pela barriga até a garganta. Beijei-a para abafar um gemido, mas ela se afastou.
—Quero que me ouçam se ele escapar —disse, ofegante.
Ajoelhei-me diante dela e afundei a boca entre suas pernas. Valeria soltou um grito breve, mais de surpresa que de pudor. Chupei seu clitóris com fome, alternando língua e lábios, enquanto minhas mãos seguravam suas coxas. Ela abriu-se o máximo que pôde, apoiada contra a pedra, uma mão na minha cabeça e a outra sobre a própria barriga. A imagem era tão crua e bonita que doía olhar para ela.
Seu gosto era intenso, salgado pelo mar e pela excitação. Lambi-a até suas pernas começarem a falhar, até seus dedos puxarem meu cabelo e sua respiração se quebrar em sons cada vez mais altos. A mulher do guarda-sol continuava olhando. Agora, o casal que caminhava pela praia também havia parado a certa distância. Valeria os viu de relance e estremeceu.
—Não pare —disse—. Eu vou gozar.
Apertei a boca contra ela e acelerei. Seus quadris empurraram contra meu rosto com uma necessidade desajeitada e furiosa. O orgasmo chegou numa longa convulsão. Ela se curvou sobre mim, gemeu meu nome e manteve-me colado à sua buceta enquanto se contraía contra minha língua. Continuei lambendo até que ela me afastou com uma risada trêmula.
—Agora sim —disse, respirando como se tivesse corrido—. Agora me foda.
Não podíamos fazer aquilo direito ali, não do jeito que queríamos. A areia grudava em tudo, o sol começava a subir e os espectadores improvisados já eram evidentes demais. Valeria baixou o vestido, eu ajeitei a calça como pude e caminhamos até meu carro sem parar de nos tocar. Ela ria da minha pressa. Eu mal conseguia dirigir.
O apartamento dela ficava a cinco quarteirões do calçadão, num prédio branco com varandas cheias de plantas. Assim que fechou a porta, voltou a se ajoelhar na sala, como se não tivesse terminado o que começara na praia. Baixou minha calça e chupou-me outra vez, com mais urgência, mais sujeira, usando saliva, língua e mão, engolindo-me até se engasgar e soltando uma gargalhada rouca quando precisei me apoiar no encosto do sofá.
—Você passou meses bancando a séria —eu disse.
—E você passou meses se achando irresistível. Nós dois tínhamos razão.
Levantei-a e tirei seu vestido com cuidado para não enroscá-lo na barriga. Ela me despiu aos puxões. Ficamos frente a frente, adultos, suados, sem nenhuma elegância possível. Seus seios estavam cheios, pesados, com os mamilos escuros e duros. Segurei-os com as duas mãos e beijei-os, primeiro suavemente, depois com mais fome, mordiscando de leve, chupando até Valeria gemer e cravar as unhas nos meus ombros.
Deitei-a de lado no sofá, com uma almofada sob o quadril. Ela abriu as pernas e me guiou com a mão. Quando entrei em sua buceta, nós dois ficamos imóveis. Ela estava tão molhada e apertada que precisei respirar fundo para não perder o controle. Valeria fechou os olhos, sorriu e empurrou-se contra mim.
—Assim —sussurrou—. Devagar primeiro. Depois a gente vê.
Fodi-a devagar, entrando até o fundo com movimentos longos, ouvindo sua respiração mudar cada vez que minha pélvis batia contra suas coxas. Ela tocava o próprio clitóris enquanto eu a penetrava, e aquela imagem terminou de me enlouquecer. Agarrei uma de suas pernas, levantei-a o suficiente para abri-la mais e comecei a me mover com mais força.
—Damián, porra... assim, não pare.
O sofá rangia. Seu corpo balançava a cada estocada, a barriga redonda subindo e descendo, os seios sacudindo sob minha boca quando eu me inclinava para chupá-los. Valeria não fingia nada. Gemia de um jeito feio, real, com a garganta aberta, e entre arfadas dizia que havia se tocado pensando em mim, que tinha imaginado meu pau na boca, na buceta, em toda parte.
Aquela ousadia me deixou mais bruto. Agarrei sua bunda, abri-a com as mãos e continuei fodendo-a até que gozasse de novo, desta vez com um gemido quebrado e os dedos enterrados nas minhas costas. Senti sua buceta me apertar em ondas, molhando-me ainda mais, obrigando-me a parar por um segundo para não gozar dentro dela antes da hora.
Valeria olhou para mim por cima do ombro, ainda tremendo.
—Quero mudar.
Achei que ela estivesse falando de posição. Ela se ergueu calmamente, apoiou-se de joelhos no sofá e me deu as costas. Depois pegou meu pau com a mão, esfregou-o contra sua umidade e levou-o para baixo, entre as nádegas.
—Aí —disse.
Penetrei-a devagar, atento a cada som. Valeria cerrou os dentes, respirou pelo nariz e empurrou-se para trás pouco a pouco. Não pediu que eu parasse. Pelo contrário, levou uma mão ao clitóris e começou a se tocar enquanto me deixava entrar. Quando eu já estava dentro, ficou imóvel por alguns segundos, tremendo, com a testa apoiada no encosto.
—Mova-se —pediu—. Mas não se contenha tanto.
Fodi-a pela bunda num ritmo profundo, primeiro controlado, depois mais firme, segurando-a pelos quadris. O som do meu corpo batendo contra suas nádegas encheu a sala. Valeria gemia num tom diferente, mais agudo, mais desesperado, e se tocava sem parar. Eu a via se abrir para mim, receber cada estocada, procurá-la mesmo quando arrancava dela um gemido.
—Você é uma inspetora muito exigente —disse entre os dentes.
—Então cumpra.
Cumpri. Peguei-a com mais força, inclinado sobre suas costas, beijando seu pescoço, apertando seus seios enquanto ela se masturbava. Seu terceiro orgasmo veio desordenado, quase furioso. Ela se contraiu ao redor do meu pau, soltou um grito rouco e ficou tremendo sob mim. Aguentei mais alguns segundos, até o prazer subir pelas minhas costas e eu me esvaziar numa gozada intensa e longa, enterrado nela, segurando-a como se o mundo tivesse se reduzido àquele sofá quente e úmido.
Ficamos imóveis, respirando. O apartamento cheirava a sal, suor e sexo. Valeria soltou uma risadinha, cansada, e deu um tapinha suave na minha coxa.
—Agora você arruinou o relatório.
—Faz um ano que você não é minha inspetora.
—Que pena. Eu gostava de ter autoridade sobre você.
Eu ia responder alguma bobagem quando sua expressão mudou. Primeiro, franziu a testa. Depois levou uma mão entre as pernas e ficou olhando para os dedos. Um fio de líquido escorreu por sua coxa e caiu sobre o sofá.
—Não pode ser —murmurou.
—O que foi?
Valeria respirou fundo. Outro jorro de líquido molhou suas pernas. Seu rosto passou do prazer a uma concentração feroz.
—Minha bolsa rompeu.
Senti todo o sangue abandonar meu corpo.
—Agora?
—Não, Damián, na semana que vem. Claro que agora.
Vesti-me como um idiota, tropeçando na própria calça. Ela, por outro lado, movia-se com uma calma prática que me humilhou. Foi ao banheiro, limpou-se, vestiu um vestido largo e gritou do corredor para que eu procurasse sua bolsa e as chaves.
—Ligo para uma ambulância?
—Leve-me você. E dirija como uma pessoa normal.
No carro, Valeria respirava de olhos fechados, uma mão na barriga e a outra agarrada ao cinto. Eu dirigia para a clínica com o coração disparado, ainda sentindo o cheiro de sua pele nos dedos, ainda incapaz de juntar na cabeça o sexo selvagem de meia hora antes com a mulher que agora contava as contrações ao meu lado.
—Desculpe —disse, porque não me ocorreu nada melhor.
Valeria abriu um olho.
—Não leve tanto crédito. Isso ia acontecer em breve.
—Mas aconteceu comigo.
Ela sorriu apesar da dor.
—Sim. Essa parte não vou colocar em nenhum relatório.
Ao chegarmos à emergência, uma enfermeira nos recebeu com uma cadeira de rodas e perguntou se eu era o pai. Valeria olhou para mim, esperando minha reação, com aquele mesmo sorriso perigoso da praia. Engoli em seco, segurei sua mão e respondi a única coisa que, naquele momento, me pareceu verdadeira.
—Ainda não. Mas pretendo ficar.