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Relatos Ardientes

Confissão: o fim de semana que mudou tudo

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Já fazia vários meses que Rodrigo e eu tínhamos o que nenhum dos dois ousava nomear. Tudo começou numa tarde de quinta-feira, no apartamento dele, no centro, com uma taça de vinho que se arrastou até as duas da madrugada. Ninguém foi embora antes. Ninguém ficou para morar. E, desde então, cada encontro tinha sido exatamente o que nós dois procurávamos: sem calendário fixo, sem ligações de controle, sem a pressão de ter de ser algo mais do que éramos.

Tínhamos nos visto algumas vezes, sempre no apartamento dele, naquele espaço pequeno e arrumado com vista para os telhados do bairro antigo. Mas ainda não tínhamos marcado de nos encontrar no meu. Não que houvesse um motivo específico. Simplesmente, colocar alguém no seu próprio espaço cotidiano é um passo diferente. Não sei se mais íntimo ou apenas mais doméstico. Provavelmente as duas coisas ao mesmo tempo.

Naquele fim de semana, a oportunidade surgiu sozinha. Eu estava com a casa livre, o tempo prometia calor, e a piscina do jardim estava há semanas esperando para ser usada. Mandei uma mensagem para ele numa quarta-feira à tarde: «Quer vir no fim de semana? Tenho jardim, piscina e nada urgente para fazer.» Ele respondeu em menos de três minutos. Na sexta-feira chegou no horário, com uma garrafa de vinho branco gelada e um sorriso que eu já conhecia bem.

***

Jantamos tarde, no jardim, nas cadeiras de plástico que eu nunca troquei porque funcionam e pronto. Tinha pedido umas pizzas numa trattoria do bairro, daquelas com massa fina e bordas tostadas na medida certa. Colocamos na mesa junto com as cervejas e uma salada improvisada com o que encontrei na geladeira. Ele chegou de sunga e regata, eu com uma canga e uma calcinha de biquíni e nada mais por baixo.

A noite estava grudenta daquele jeito particular que as noites do começo de junho têm, quando o calor ainda tem algo de novidade e ainda não ficou tedioso. Conversamos durante horas. Sobre trabalho, sobre viagens que nenhum dos dois tinha feito ainda, sobre um filme que ele tinha visto e do qual eu só conhecia o título. Conversas sem muita substância, mas que fluíam sozinhas, sem esforço, sem silêncios constrangedores.

Quando o calor apertou, entrei na água. Ele me seguiu. A piscina estava iluminada por baixo e a água tinha aquele verde elétrico que torna as coisas irreais. Espirramos água um no outro como dois idiotas. Nos beijamos encostados na borda, com a água até a cintura e o canto dos grilos ao fundo. A mão dele encontrou primeiro a minha cintura por baixo d’água, depois desceu até a minha bunda e me puxou contra ele. Senti o pau duro contra o meu ventre, marcando sob o tecido molhado da sunga. Mordi o lábio inferior dele e ele respondeu enfiando a língua até o fundo da minha boca enquanto arrancava a parte de cima do biquíni e a deixava boiando à deriva.

—Aqui não —eu disse no ouvido dele, com a voz já diferente—. Aqui eu não aguento.

Saímos da água pingando. Entramos no quarto deixando um rastro de poças e roupas molhadas pelo corredor. Ele arrancou a calcinha do biquíni de mim num puxão antes de chegarmos à cama e me deitou de costas sobre o edredom sem me dar tempo para nada. Se ajoelhou no chão, agarrou minhas coxas e me arrastou até a beirada. Abriu minhas pernas bem abertas e enfiou o rosto na minha buceta sem preâmbulos.

Começou com a língua esticada, longa, me percorrendo inteira de baixo para cima, uma e outra vez, até o ritmo se tornar enlouquecedor. Depois se concentrou no clitóris. Contornava com a ponta, chupava inteiro, soltava justamente quando eu começava a arquear as costas. Agarrei o cabelo dele e pressionei a boca dele contra mim. Ele soltou uma risada abafada e enfiou dois dedos, curvando-os para cima, procurando aquele ponto que aprendeu a encontrar na segunda vez que ficamos juntos e que nunca mais deixou de acertar.

Gozei assim, com os dedos dele dentro e a língua em cima, mordendo o dorso da mão para não acordar a rua inteira. Ele não me deu trégua. Se levantou, baixou a sunga e me penetrou de uma vez, aproveitando que eu ainda estava tremendo. Me fodia devagar, mas até o fundo, olhando nos meus olhos, com as mãos nas minhas coxas abrindo-as até onde dava. Cada investida chegava num lugar que eu sentia no estômago.

—Vira —eu disse depois de um tempo.

Empurrei o ombro dele e subi em cima. Enfiei nele eu mesma, sentando devagar até sentir todo o peso dele dentro de mim. Comecei a me mexer apoiada com as mãos no peito dele, marcando eu mesma o ritmo, deixando os seios baterem no rosto dele toda vez que eu me inclinava. Ele chupava meus mamilos alternando um e outro, com aquela insistência que sabia perfeitamente o que fazia comigo. O pau dele se movia dentro de mim em ângulos que eu mesma escolhia. Gozei uma segunda vez cavalgando nele, agarrada à cabeceira, com a boca aberta e sem me importar com a cara que eu estivesse fazendo.

Ele aguentou ainda um pouco mais. Me virou e me pôs de bruços, subiu em cima e me fodeu por cima com investidas curtas e rápidas, segurando meus punhos contra o travesseiro, até sentir o corpo dele endurecer e ele gozar dentro de mim com um gemido longo que vibrou no peito dele contra as minhas costas.

Dormimos enroscados, com as persianas mal fechadas e o barulho dos grilos entrando pelo jardim. Ele de barriga para cima, com um braço sobre minhas costas. Eu meio em cima dele, com o cabelo colado na testa por causa do calor e sem me importar absolutamente com nada.

***

Acordei quando o sol já estava no quarto havia um bom tempo.

As persianas não fechavam totalmente, e a luz das nove da manhã de junho não tem nenhuma compaixão. Rodrigo continuava deitado ao meu lado, ou era o que eu pensava. Me espreguicei com os braços para cima, arqueando as costas, tentando acordar o corpo de uma vez.

Senti a mão dele antes de ele dizer qualquer coisa.

Um movimento lento, sem pressa, que começou na minha lateral e subiu até cobrir um seio inteiro. Ele beliscou meu mamilo entre o indicador e o polegar, girando devagar até ele ficar duro contra a palma da mão dele. Ele tinha aprendido meus pontos fracos desde as primeiras vezes e os usava com uma paciência que me irritava levemente justamente porque sempre funcionava. Meus mamilos são meu ponto de partida. Ele sabia disso e não fingia não saber.

Fiquei quieta, com os olhos semicerrados. O sol batia de frente em mim. Virei um pouco para tirar aquilo de cima de mim e então consegui vê-lo contra a luz, de joelhos sobre a cama, com os lábios no meu peito, a língua contornando meu mamilo, e mais embaixo a mão enfiada entre as próprias pernas, batendo punheta com aquela lentidão tentadora que acompanha as manhãs quando o corpo ainda está a meio caminho entre o sono e a vigília. Ele já estava completamente duro, brilhando na ponta.

Observei-o por um momento sem que ele soubesse que eu já estava totalmente acordada. Há algo nesse instante anterior, quando o sexo ainda não começou de verdade e você já sabe exatamente para onde tudo vai, que me agrada tanto quanto o sexo em si. A antecipação. A promessa do que vem depois.

Me sentei de repente e o virei de costas.

—Bom dia —disse.

Ajoelhei-me entre as pernas dele. Não sou daquelas que gostam especialmente de sexo oral, reconheço isso sem drama, mas há momentos em que ter alguém completamente à sua mercê tem um prazer que não tem nada a ver com o ato em si. Peguei o pau dele com a mão primeiro, devagar, avaliando o peso, apertando a base até ele inchar um pouco mais. Depois desci e contornei a ponta com os lábios, deixando minha língua encontrar o próprio ritmo ao redor da glande. Chupei inteiro, bem devagar, até senti-lo bater no fundo da minha garganta. Tirei com um estalo e o coloquei de novo, desta vez mais rápido, marcando um vai e vem com a mão na base ao mesmo tempo.

As mãos dele buscaram o meu rosto. Não para me agarrar, que é o que eu detesto. Só para me tocar, para afastar meu cabelo, para sentir que eu estava ali. Isso fazia toda a diferença.

Continuei sem pressa. Lambi da base até a ponta, seguindo a veia grossa que corre por baixo, e depois me demorei nos ovos, chupando um por um enquanto continuava a masturbar o pau dele com a mão. Ouvi a respiração dele mudar, ouvi os quadris dele fazerem aquele movimento involuntário que o corpo não consegue controlar por mais que tente. Eu variava o ritmo de propósito: chupada lenta e profunda, depois língua rápida na glande, depois uma pausa quase total em que eu só soprava por cima. Eu via o pau dele pulsando sozinho contra a minha bochecha. Quando senti que ele estava chegando rápido demais, parei de vez.

—Ei —ele disse, com a voz ainda rouca de sono.

—O quê?

—Nada. Continua.

—Ainda não —respondi, com um sorriso.

Deitei ao lado dele sem dizer nada.

—Você tem camisinha? —perguntei.

—Na mochila.

—As suas também estão na gaveta da mesinha.

***

O que aconteceu depois foi menos organizado e mais direto do que a noite anterior. As noites têm uma coreografia, um ritmo marcado. As manhãs não. Fiquei de quatro no colchão, com os joelhos abertos e a bunda levantada, e ele foi até a gaveta da mesinha sem eu precisar dizer, porque, nessa altura, já sabia onde as coisas estavam.

Demorou um momento para colocar a camisinha. Antes de me penetrar, senti o pau dele roçar por fora, deslizando para cima e para baixo entre os lábios da minha buceta, lambuzando-o com o quanto eu já estava encharcada. Esfregou a glande no clitóris duas, três vezes, até eu empinar a bunda para trás à procura dele. Senti a mão firme dele no meu quadril, um aperto que não pretendia ser suave, e depois aquele começo lento que sempre exige seu próprio tempo. Rodrigo não era especialmente comprido, mas era largo, e isso se sente de um jeito diferente: não como uma invasão, mas como uma presença que preenche e estica. Levei algumas respirações profundas para me acomodar enquanto ele ia entrando centímetro por centímetro. Quando estava inteiro dentro, ficou quieto por alguns segundos. Depois deixei o corpo se adaptar e comecei a me mexer também.

O ritmo que ele tomou foi constante e decidido. Minha cara enterrada no travesseiro, os braços dobrados sob o peito, e cada investida dos quadris dele contra os meus era exatamente o que eu queria naquele momento. Sem enfeites. Sem me perguntar a cada dez segundos se eu estava bem. O som das coxas dele batendo na minha bunda enchia o quarto, úmido, rítmico, misturado à minha própria respiração ofegante. Ele agarrou meu cabelo com uma mão, não com força, só para ter algo para segurar, e com a outra apertou uma nádega até deixar a marca dos dedos.

—Mais forte —eu disse contra o travesseiro.

E ele me fodeu mais forte, tirando quase tudo para fora e voltando a enfiar de uma vez, repetidamente, até as molas do colchão começarem a reclamar. Ele enfiou um polegar na minha boca e eu chupei. Depois desceu esse mesmo polegar, ainda úmido da minha saliva, e o colocou bem na entrada do meu cu, pressionando sem chegar a entrar, só girando ali com uma insistência que me fez gemer num tom que eu não reconheci como meu.

Eu estava chegando a alguma coisa. Sentia isso no modo como minha respiração encurtava, no modo como me custava acompanhar o ritmo dele, naquele calor que começa num ponto específico e vai se espalhando para fora.

E então ele parou.

Senti que ele saía de mim. Um instante depois, arrancou a camisinha de um puxão e senti o calor da porra dele caindo sobre meu ventre e a região lombar em vários jatos, acompanhado de um som meio abafado que escapou dele sem controle. Fiquei parada, ainda de quatro, com a pele escorregadia e a certeza absoluta de que eu não tinha terminado.

Já ia me virar para terminar sozinha, com meus próprios meios, quando ouvi a voz dele.

—Não se mexe.

Não sei exatamente por que obedeci. Confiança, suponho. Ou curiosidade. Provavelmente as duas coisas.

Houve um silêncio de talvez vinte segundos. Ouvi a gaveta da mesinha ser aberta de novo, aquele ruído característico da madeira raspando. E então senti algo que não era a mão dele: algo mais consistente, de superfície lisa, que deslizou com cuidado pelos lábios da minha buceta. Completamente lubrificado por eu estar tão molhada. Completamente inconfundível para quem conhece bem aquilo.

Abri os olhos.

A vibração veio um segundo depois.

—Isso é seu? —ele perguntou por trás, com uma voz que deixava claro que ele já conhecia a resposta.

Ele tinha encontrado o vibrador que eu guardava no fundo da gaveta, debaixo de um livro que ninguém abria há meses. Estava manejando o brinquedo com a mão, passando-o pela fenda de cima a baixo com uma lentidão calculada que me fazia querer pedir que fosse mais rápido. Encostou-o no clitóris e o deixou ali, parado, vibrando na intensidade mais baixa, enquanto com a outra mão enfiava dois dedos em mim e os curvava para cima. Mas eu me calei, porque quando você se cala nesses momentos e a outra pessoa entende e usa isso direito, o resultado sempre vale a espera.

Aumentou um nível na vibração. Depois outro. Começou a mover o vibrador em pequenos círculos sobre o clitóris enquanto me fodia com os dedos, tirando-os e enfiando-os com um ruído úmido que se ouvia por cima do zumbido do aparelho. Eu me concentrei em cada sensação: no peso, na textura, em como tudo mudava quando ele virava o pulso ou variava o ângulo. Minhas pernas já começavam a não me obedecer. Eu tinha a testa apoiada no colchão, a bunda empinada e a mandíbula travada. A vibração combinada com o movimento dos dedos dentro de mim não me dava um único instante de descanso.

Então senti o hálito dele sobre meu ventre. Ele tinha se deitado abaixo de mim, de barriga para cima, sem parar de me trabalhar com o vibrador e os dedos. A língua dele, quente e deliberada, percorreu minha pele. Ele estava lambendo o que tinha deixado antes em mim, com uma mistura de ousadia e precisão que eu não esperava. Vi o rosto dele de cima, com a minha própria porra brilhando no queixo dele, enquanto ele continuava me enfiando os dedos e aumentava mais um nível na vibração. E alguma coisa nessa imagem, nessa sobreposição de sensações, me levou ao limite de uma vez só.

—Para —disse eu—. Para, para, para.

Ele não parou. Pelo contrário. Apertou o vibrador com mais força contra o clitóris e curvou os dedos exatamente onde tinham que se curvar. Gozei gritando em cima dele, com as coxas tremendo descontroladas dos dois lados da cabeça dele, e senti o líquido escapar em jatos, molhando o rosto e o peito dele. Nunca tinha acontecido comigo daquele jeito, com aquela intensidade. Ele tirou o vibrador devagar enquanto o orgasmo se espalhava do centro para fora, em ondas que demoraram bastante para se acalmar por completo. Deixei-me cair de lado sobre o colchão, encharcada e sem força nas pernas. Não disse nada durante quase um minuto. Só ouvi a minha própria respiração voltando ao normal.

Ele se deitou ao meu lado sem dizer nada ainda, passando o dorso da mão pelo queixo.

—Nossa —disse eu por fim.

—É —ele respondeu.

—Não sabia que você tinha esse talento para mexer em gavetas alheias.

—A sua é uma coleção séria.

—Uma coleção com critério —corrigi—. Tem diferença.

Ele riu. Eu também.

***

Tomamos café da manhã tarde e sem pressa, com as roupas que tínhamos encontrado jogadas pelo quarto em diferentes momentos do fim de semana. Ele fez os ovos. Eu coloquei a cafeteira para funcionar e tirei o pão. Havia algo nessa divisão espontânea e sem negociação prévia que me pareceu genuinamente confortável: aquela naturalidade que duas pessoas têm quando já não estão tentando impressionar ninguém.

Passamos o sábado entre a piscina e a rede, com o barulho ao fundo de algum vizinho cortando a grama e o rádio da casa em frente. Falamos do que ainda não tínhamos falado: do que éramos, do que não queríamos ser, dos limites exatos desse acordo sem nome que estávamos construindo sem que nenhum dos dois o tivesse decidido de maneira consciente.

—Não quero um relacionamento —eu disse, olhando o teto de tecido da rede.

—Eu também não —ele respondeu.

—Mas quero continuar com isso.

—Sim.

—Com condições.

Ele me olhou então.

Expliquei o que tinha em mente. Nós dois éramos livres para transar com quem quiséssemos. Isso não era negociável para nenhum dos dois. Mas, se isso acontecesse, a responsabilidade era de cada um: exames periódicos, proteção sempre, honestidade quando fosse necessária e sem necessidade de dar explicações que ninguém tinha pedido. Não por ciúme. Por bom senso. O desejo não entende acordos informais, mas as consequências para a saúde respeitam.

Ele ouviu sem interromper, sem fazer cara de que aquilo lhe parecia exagerado ou desnecessário.

—Tudo bem —disse quando terminei.

—Assim tão fácil?

—É razoável. Eu pensava a mesma coisa e ainda não tinha dito.

***

Na segunda-feira seguinte, fui à minha ginecologista, que há anos é mais minha aliada do que minha médica e nunca me julgou por nada. Fiz o exame de rotina. Rodrigo fez o dele por conta própria, sem eu precisar pedir mais de uma vez. Uma semana depois, trocamos os resultados por mensagem, como se fosse a coisa mais natural do mundo. Porque, no nosso caso, era.

O que Rodrigo e eu tínhamos não tinha nome, nem calendário, nem expectativas concretas de futuro. Mas tinha regras. Não as de nenhum manual nem as de nenhuma comédia romântica de sábado à tarde. As nossas. As que tínhamos combinado naquele fim de semana de junho, deitados numa rede com a piscina à frente e o cheiro de protetor solar ainda na pele.

Isso, descobri, era exatamente o que eu vinha procurando sem saber como pedir.

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