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Relatos Ardientes

A noite em que não consegui dizer não à minha esposa

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Meu nome é Marcos. Tenho trinta e sete anos, sou magro, com o cabelo castanho cortado curto e uns olhos escuros que naquela noite não eram capazes de esconder nada. Eu estava enchendo taças de vinho branco e circulando entre os convidados como se fosse uma noite qualquer, mas nada do que acontecia naquela noite era ordinário.

Eu já estava há vinte e um dias com a gaiola de castidade de aço. Não é algo que se explique facilmente para quem não viveu: é uma presença constante, dura, que acompanha cada passo e cada pensamento. A cada movimento, o metal me lembrava exatamente quem tomava as decisões naquela casa. Minha rola estava há três semanas apertada dentro daquele tubo de aço, sem conseguir endurecer de verdade, sem conseguir gozar uma única vez. Cada tentativa de ereção virava uma dor surda que me lembrava, outra vez, que aquilo já não era meu.

A chave minha esposa Valeria usava pendurada no pescoço, numa corrente fina de prata. Naquela noite, com seu vestido verde-escuro, justo na cintura e decotado no limite do razoável, a chave descansava bem entre os seios. Toda vez que ela se mexia, eu a via brilhar. E ela sabia que eu a via.

Valeria tem trinta e quatro anos e aquela segurança que não precisa ser explicada. Cabelo castanho com ondas soltas sobre os ombros, lábios escuros, um jeito de olhar que transforma qualquer instrução na única opção possível. Nós nos casamos há cinco anos. A gaiola veio no segundo.

Naquela noite ela tinha convidado suas três amigas mais próximas. Laura chegou primeiro: alta, com pernas longas e um vestido vermelho que não deixava adivinhar nada, mas insinuava tudo. Ela tem aquela língua afiada que usa sem aviso. Pilar apareceu logo atrás, miúda e sempre com cara de que alguma coisa a diverte, mesmo quando ainda não sabe qual é a piada. Daniela chegou por último, com um vestido preto justo e aquela calma de quem já viu de tudo.

Para o jantar, Valeria tinha contratado serviço de catering: dois garçons jovens com uniforme preto e uma cozinheira de aparência severa com avental branco. O primeiro era loiro, alto, com um sorriso permanente que não desaparecia nunca, mesmo quando não havia nada a comemorar. O segundo era moreno, mais calado, com olhos que observavam mais do que falavam. A cozinheira comandava tudo da ilha da cozinha com eficiência e sem fazer perguntas.

O jantar transcorreu com aquela elegância calculada que Valeria constrói quando quer que algo pareça normal. O peixe, o vinho, as sobremesas pequenas servidas com precisão. Eu circulava entre os convidados fazendo exatamente o que se esperava: encher taças, retirar pratos, agir como se não houvesse nada acontecendo por baixo da roupa. Toda vez que eu me movia, a gaiola se movia comigo. O frio do aço já vinha esquentando contra a minha pele há semanas, mas nunca deixava de ser sentido.

Três semanas. Toda vez que eu me excitava, o metal apertava mais. E naquela noite eu não parava de me excitar.

***

Depois do jantar, as mulheres se acomodaram no sofá grande da sala. O champanhe substituiu o vinho e a conversa ficou mais solta, mais íntima. Eu permaneci de pé ao lado da lareira, sem saber direito se devia ficar ou desaparecer discretamente.

—Sabem, meninas — disse Valeria, naquele tom suave que ela usa justo antes de fazer alguma coisa —, Marcos é o marido mais obediente que vocês vão conhecer. Eu peço qualquer coisa a ele, literalmente qualquer coisa, e ele faz. Sem discutir. Sem condições.

Laura ergueu uma sobrancelha perfeita.

—Qualquer coisa? Isso é dizer muito.

—Muito — confirmou Valeria, sem baixar o olhar.

Pilar se virou para mim com os olhos brilhando.

—Então prova. Faz ele fazer alguma coisa que realmente comprove isso.

Daniela se inclinou para a frente, com os cotovelos nos joelhos.

—Que ele se despe. Aqui. Agora mesmo, na frente de todo mundo.

Pilar tapou a boca com os dedos para conter a risada.

—Isso. Vamos ver se ele é mesmo tão obediente quanto a tua mulher diz.

Laura assentiu, me olhando com uma curiosidade clínica que me arrepiou a pele.

—Vai, Valeria. Põe ele à prova.

Eu estava de pé junto à lareira e sentia as chamas atrás de mim e os quatro olhares à frente. O garçom loiro tinha parado com uma taça na mão. O moreno fingia arrumar alguns guardanapos perto do aparador. A cozinheira observava com os braços cruzados, vinda da cozinha. Ninguém dizia nada. O ar estava carregado de expectativa.

Ela não vai pedir. Não com eles aqui.

Valeria me olhou. Um olhar direto, sem enfeite.

—O que acha, querido? Quer provar para minhas amigas do que você é feito?

Minha garganta fechou.

—Valeria... por favor... não com todo mundo aqui. Os garçons também estão.

Laura sorriu, sem se surpreender.

—Já está reclamando. Tão rápido.

Pilar soltou uma risadinha, leve e aparentemente sem malícia.

—Vamos, Marcos. Sua mulher diz que você faz qualquer coisa. Prova.

A voz de Valeria não subiu de volume. Não precisava.

—Marcos. Vem aqui agora.

Atravessei a sala devagar. Os passos ecoavam na madeira como se o silêncio os amplificasse. Meu coração batia nos ouvidos.

—Minhas amigas querem ver até onde vai a sua obediência — disse Valeria —. Então você vai tirar tudo: a camisa, a calça, a roupa de baixo. Dobra cada peça sobre a mesa de centro e fica onde eu mandar.

—Valeria, por favor. Na frente de todos... isso é demais.

Enquanto eu dizia isso, senti a gaiola apertar mais. O corpo me traindo em voz alta.

Ela inclinou levemente a cabeça.

—Você tem duas opções. Se despe agora ou eu acrescento um mês ao seu confinamento. Talvez dois. Você decide.

Mais um mês. A gaiola já era uma tortura. Mais um mês eu não suportaria.

A sala ficou em silêncio, exceto pelo estalar da lareira. Levantei as mãos e comecei a desabotoar a camisa.

Botão por botão. O tecido se abriu e o ar da sala roçou meu peito. Minhas mãos tremiam levemente, mas não pararam. Dobrei a camisa com cuidado, como ela tinha dito, e a coloquei sobre a mesa de vidro.

A fivela do cinto tilintou no silêncio. A calça caiu ao redor dos meus tornozelos e eu a dobrei em cima da camisa. Fiquei um instante de cueca, sabendo exatamente o que vinha a seguir.

—As meias você deixa — disse Valeria, com um meio sorriso —. Você sabe como ficam bem em você.

Daniela abafou uma gargalhada. Pilar nem se deu ao trabalho de abafá-la.

Eu abaixei a cueca e a coloquei sobre o monte.

De pé no centro da sala, com as meias pretas e a gaiola de aço visível para todos, senti cada olhar como uma coisa física. O ar frio nos braços, os mamilos endurecendo, o calor da lareira atrás contrastando com o frio do metal apertado em volta da minha rola enjaulada. Meus ovos ficavam nus, inchados e pesados sob o aço, e eu sentia o suor começar a descer pela nuca.

Pilar foi a primeira a falar.

—Meu Deus. A gaiola.

Laura se aproximou um pouco mais, me estudando com a cabeça inclinada.

—Ele reclamou o quanto pôde, mas está completamente excitado. Olha isso.

Daniela apontou com o queixo e riu.

—O corpo nunca mente. Vejam como a ponta dele está ficando roxa.

Valeria se levantou e começou a me rodear devagar. Seus saltos ecoaram na madeira. Seu perfume me envolveu como uma rede. Ela se abaixou ao meu lado, com o decote na altura do meu rosto, e deu uma batidinha seca no metal com um dedo.

—Exatamente — disse, dirigindo-se mais às amigas do que a mim —. Toda essa resistência, e uma ordem simples deixa ele assim. Patético. E absolutamente perfeito.

A batida reverberou dentro do aço e eu cerrei os dentes. Minha rola tentou inchar contra as paredes do tubo e o resultado foi o de sempre: dor, pressão, humilhação líquida. Senti uma gota espessa surgir na ponta e ficar pendurada no metal sem chegar a cair.

—Olhem isso — disse Valeria, recolhendo a gota com a unha e mostrando às outras —. Nem preciso tocar.

Ela limpou o dedo no meu lábio.

—Chupa.

Obedeci. Tinha gosto de mim mesmo, salgado e levemente amargo. Elas riram todas ao mesmo tempo.

***

Os vinte minutos seguintes foram uma lição de paciência que ninguém tinha me pedido para aprender.

Os garçons retiraram os pratos da sobremesa sem pressa, movendo-se ao meu redor como se eu fizesse parte do mobiliário. O loiro me olhou uma vez, diretamente, com aquele sorriso que nunca desaparecia, e eu desviei os olhos para a parede.

Valeria me pediu que fosse buscar guardanapos no aparador. Atravessei a sala nu até o móvel, peguei os guardanapos e levei de volta. Ela me ordenou que me virasse para que suas amigas pudessem me ver de todos os ângulos. Fiz isso, devagar, sem dizer nada.

A unha de Laura traçou um círculo lento na minha coxa e desceu até envolver um dos meus ovos, pesando-o entre dois dedos como se estivesse decidindo se era fruta madura. Daniela deu um tapa leve na gaiola, o que me fez ofegar e dar um passo involuntário para trás. Pilar se aproximou por trás, abriu minhas nádegas com as duas mãos sem pedir permissão e passou um dedo pela fenda, parando bem no anel.

—Fica quieto — disse Valeria sem tirar os olhos da taça.

Fiquei quieto. O dedo de Pilar ainda estava ali, pressionando de leve, sem entrar. Laura soltou meus ovos e agarrou a gaiola inteira com a mão, sacudindo-a de um lado para o outro para que eu sentisse cada milímetro de aço contra a carne inchada. Eu cerrava os dentes e respirava pelo nariz.

—Ele está tremendo — disse Daniela, satisfeita.

—E continua escorrendo — acrescentou Laura, mostrando o fio transparente que tinha ficado pendurado no polegar.

As mulheres continuavam conversando entre si como se eu não estivesse ali. Os comentários chegavam em pedaços: “os mamilos dele ainda estão duros”, “a gaiola parece apertadíssima, deve doer”, “que curioso que quanto mais o humilham, mais ele se excita”, “olha, está escorrendo outra gota”. O garçom loiro passou mais uma vez e sua colônia, intensa e limpa, ficou pairando no ar um segundo depois que ele saiu.

A cozinheira observava da posição habitual, com os braços cruzados e uma expressão que não era exatamente desaprovação. Vi quando ela passou a língua pelo lábio superior enquanto me examinava dos pés à cabeça.

Quanto tempo mais?

O metal me apertava sem trégua. Eu já tinha passado por situações parecidas antes, só em casa. Mas nunca diante de ninguém. Nunca com quatro mulheres e dois homens que não eram eu me observando dessa forma.

***

A conversa entre as mulheres mudou de tom sem que eu percebesse exatamente quando.

Pilar suspirou com uma expressão sonhadora que eu nunca tinha visto nela antes.

—Valeria, você tem muita sorte. Poder fazer o que quiser enquanto ele fica aí, quieto e obediente.

Laura assentiu lentamente.

—Deve ser muito libertador. Sem ciúmes, sem negociação, sem precisar dar explicações a ninguém.

Daniela girou a taça entre os dedos e olhou para Valeria com um sorriso oblíquo.

—E quem é o próximo da sua lista?

Valeria não respondeu de imediato. Vi para onde o olhar dela apontava: o garçom loiro, que empilhava copos perto do aparador, com as costas largas tensionando o uniforme preto.

—Na verdade, eu já tenho alguém em mente.

Ela o chamou com um gesto.

—Você. O loiro. Venha aqui.

Ele se aproximou sem hesitar. O sorriso agora era diferente, mais direto, como o de alguém que acabou de entender as regras de um jogo novo.

—Senhora?

Valeria passou um dedo pela gola da camisa dele, desceu pelo peito até a fivela do cinto e agarrou o volume por cima da calça sem nenhuma delicadeza. Apertou, avaliou, sorriu.

—Aqui tem bastante material — disse, sem soltar —. O que acham de um pouco de entretenimento de verdade? Os três.

Ao dizer “os três” ela também olhou para o garçom moreno e para a cozinheira, que já tinha começado a desabotoar o avental branco.

A mim ela apontou para o canto mais afastado da sala.

—Vai para ali e assiste — me disse —. Sem se mexer. E, se eu te vir fechar os olhos, acrescento dois meses.

Fui para perto da parede e fiquei parado.

O que veio depois não foi elegante nem cerimonioso. O garçom loiro abriu a calça ali mesmo e tirou para fora uma rola grossa, longa, com a veia central marcada e a glande já congestionada. Eu a olhei. Todas olharam. Era exatamente o tipo de rola que Valeria escolheria. Ela fez um som baixo na garganta, curto e aprovador, e se ajoelhou diante dele sem pensar duas vezes.

Ela o chupou inteiro. A ponta lhe bateu no fundo da garganta e ela não recuou. Eu ouvi ele prender o ar e enfiar os dedos no cabelo dela. Valeria chupava com a eficiência de sempre, subindo e descendo a cabeça num ritmo firme, com fios de saliva pendendo do canto da boca. Toda vez que tirava a rola para respirar, a ponta brilhava molhada e ela a esfregava nos lábios escuros antes de torná-la a engolir. Eu a conhecia fazendo aquilo. Sabia exatamente o som que ela fazia quando gostava do que tinha na boca. Soava igual agora, como quando fazia isso comigo, há três semanas, da última vez antes da gaiola.

O loiro a ergueu puxando-a pelo cabelo, a colocou de bruços no sofá e subiu o vestido verde de um único movimento. Debaixo ela não usava nada. Nem calcinha, nem meia. Nada. Ela tinha planejado tudo desde antes de o jantar começar. Eu vi suas nádegas arredondadas e o cuzinho já brilhando, inchado, entreaberto. O cara cuspiu na mão, passou na própria rola e a penetrou de uma só estocada.

Valeria gritou. Não foi um grito contido. Foi aquele que ela solta quando é aberta de uma vez. As molas do sofá rangeram. Ele agarrou as ancas dela com as duas mãos e começou a foder no ritmo de quem sabe que tem permissão para tudo. O traseiro dela batia contra as coxas dele e fazia um som úmido, chapado, seco, cada vez que as peles se chocavam. Eu pressionei as costas contra a parede. A gaiola estrangulava minha rola e senti que começava a pingar outra vez sem conseguir evitar.

Pilar se enroscou com o garçom moreno no tapete grosso da sala. Ela tinha arrancado a calça dele aos tapas. A rola do moreno era mais curta que a do loiro, mas muito mais grossa, curvada para cima, com os ovos apertados. Pilar se sentou por cima, com a saia amassada na cintura, e a enfiou de uma vez, com os olhos fechados e a boca aberta num O mudo. Começou a montar nele com as mãos apoiadas no peito dele, subindo e descendo, os seios pequenos saltando dentro do vestido. O tapete rangia suavemente sob o peso combinado. Ele a segurava pelas ancas e a empurrava para baixo toda vez que ela subia, forçando o ritmo, obrigando-a a levar tudo.

—Enfia toda, putinha — ele rosnou, com sotaque marcado —, assim, até os ovos.

Pilar respondia com gemidos agudos e roucos ao mesmo tempo, rebolando o cu sobre a rola.

Laura e Daniela cercaram a cozinheira, que tinha deixado o avental cair no chão para mostrar um harness preto ajustado, que apertava a cintura e os quadris. Um dildo de silicone emergia da armação com uma solidez claramente funcional. Era longo, grosso, preto e brilhante, com veias marcadas para dar realismo.

Ela estava usando isso desde o início da noite?

O pensamento apareceu e sumiu sozinho, irrelevante no contexto de tudo o resto.

A sala se encheu de sons concretos: a respiração de Valeria no ouvido do loiro, as batidas rítmicas no tapete, os gritinhos curtos de Pilar que não eram de dor, o barulho úmido de três bucetas sendo trabalhadas ao mesmo tempo. O cheiro mudou, ficou mais denso, mais quente, mais fechado. Cheiro de sexo, de suor, de saliva, de porra que ainda não tinha caído, mas estava prestes a cair.

Eu estava encostado na parede com a gaiola me apertando sem poder fazer nada. Assistindo a cada detalhe. Sem conseguir desviar os olhos, mesmo que quisesse.

Laura se despiu com pressa. Tirou o vestido vermelho pela cabeça e ficou completamente nua, com os seios pequenos e os mamilos já duros, o cu depilado, brilhante. Ela se inclinou sobre o braço do sofá e abriu as pernas.

—Enfia logo — disse à cozinheira, com voz áspera —. Não me faz implorar.

A cozinheira se posicionou atrás e a penetrou por trás com um impulso firme. O dildo preto entrou inteiro até o harness bater nas nádegas de Laura. Os saltos de Laura arranharam levemente o chão. Os dedos dela procuravam alguma coisa para agarrar no sofá. A cozinheira a segurava pela anca com uma mão e esfregava o clitóris com a outra, em movimentos circulares e constantes, enquanto a fodia num ritmo mecânico e perfeito. Cada estocada arrancava um ofego cortado da garganta de Laura, até que ela arqueou as costas, abriu os dedos dos pés dentro dos saltos e deixou escapar um longo som abafado. Um jorro fino escorreu pela parte interna da coxa.

—Ela gozou — comentou Daniela, com a voz plana de quem registra um dado.

Daniela se ajoelhou diante de Laura e se ofereceu à língua faminta dela. Tinha levantado a saia até a cintura, sem calcinha, e empurrou o cu para a boca dela sem cerimônia. Laura agarrou as nádegas dela com as duas mãos e afundou o rosto. Ela a lambeu com fome, sem respirar, a língua trabalhando em círculos e os lábios selados em torno do clitóris. Daniela puxava o cabelo dela e rebolava as ancas contra o rosto. As duas mulheres encontraram um ritmo entre si enquanto a cozinheira marcava o compasso por trás, continuando as estocadas mesmo enquanto Laura engolia Daniela.

O grupo trocou de posição com uma naturalidade que não parecia improvisada. Valeria terminou deitada de costas no tapete, com o loiro por cima, as pernas abertas de par em par e os tornozelos apoiados nos ombros do homem. Ele a penetrava longo, fundo, deliberado. Valeria se agarrava nos seios por cima do vestido abaixado, apertava os mamilos entre os dedos e falava com ele num tom que eu nunca tinha ouvido.

—Mais forte. Assim. Me arrebenta. Na frente dele, me arrebenta.

“Ele” era eu. Ela não me olhava, mas era eu.

O loiro obedeceu. Entrou com toda a força do quadril, apoiando as mãos no chão ao lado da cabeça dela. Os seios de Valeria sacudiam a cada golpe. Os ovos do homem batiam contra a bunda dela. Eu ouvia o som chato do sexo se chocando e sentia a gaiola me enterrando, a carne tentando se expandir contra o metal que não cedia. Escorreu outra gota, desta vez maior. Caiu no chão entre os meus pés.

Valeria chegou ao primeiro orgasmo com as costas arqueadas e os dedos do loiro cravados em suas ancas. Ela arranhou as costas dele com as duas mãos. A voz dela me chegou do outro lado da sala como um golpe direto no peito, um gemido longo e grave que terminou num grito curto. O loiro não parou. Saiu, virou-a de quatro e voltou a meter sem transição, com Valeria ainda tremendo do orgasmo. Ele a fodeu assim até gozar também, rosnando, afundando o máximo que podia. Vi quando ele se contraiu três, quatro vezes, como apertava as nádegas enquanto esvaziava dentro da minha mulher. Vi também, quando ele a retirou, o fio branco e espesso que ficou pendurado na glande antes de pingar nas costas de Valeria.

Ela ficou de quatro por um momento, com o cu aberto e a porra do loiro começando a escorrer pela parte interna da coxa.

O moreno terminou poucos segundos depois, tirando o pau do cu de Pilar no último instante e gozando sobre os seios e o rosto dela. Pilar abriu a boca e pôs a língua para fora para receber o que conseguisse. Um jato cruzou sua bochecha. Outro caiu bem nos lábios, e ela o recolheu com a língua sem abrir os olhos.

A cozinheira continuou trabalhando Laura e Daniela até deixá-las as duas ofegantes, largadas no sofá, com as pernas ainda abertas e as bochechas vermelhas. Depois tirou o harness com a mesma tranquilidade com que o havia colocado, deixou-o dobrado sobre o braço do móvel e sentou para beber água.

Finalmente, Valeria me olhou. Os olhos semicerrados, a voz cortada, ainda de quatro.

—Aqui, Marcos. É hora de trabalhar.

***

Me aproximei com os joelhos tremendo. O chão de madeira estava frio sob os meus pés, as meias pretas eram o único pedaço de roupa que me restava. A gaiola escorria. Senti uma gota deslizar pelo interior do aço e cair no chão enquanto eu caminhava.

Valeria primeiro me guiou até Pilar, que estava deitada no tapete com a pele úmida, a respiração ainda acelerada e o sêmen do moreno secando entre os seios.

—Seja educado com a minha amiga — disse Valeria —. Comece por cima e termine embaixo. Quero ver você engolir.

Pilar me olhou de baixo com um sorriso que misturava diversão e algo mais difícil de nomear.

—Não fica parado aí. Você sabe o que tem que fazer.

Baixei a cabeça e obedeci.

Comecei pelos seios. Recolhi com a língua as gotonas espessas que o moreno tinha deixado nela. O sabor me atingiu de imediato: salgado, denso, com um fundo amargo que encheu minha boca. Passei a língua em torno do mamilo, chupando até ficar limpo. Depois a bochecha, o canto dos lábios, o queixo. Ela me observava sem piscar, com um meio sorriso, enquanto eu lambia obedientemente os restos de outro homem da pele dela.

Desci depois pelo ventre, deixando um rastro úmido com a língua, até separar suas coxas.

O calor era intenso e o cheiro, almiscarado e salgado ao mesmo tempo, chegou antes de eu tocar nela. Sua buceta estava inchada, entreaberta, brilhando. E na entrada, entre os lábios, um fio branco e espesso tinha aparecido, denunciando exatamente o que havia dentro. Minha língua recolheu obedientemente o que o garçom moreno havia deixado. Grosso, ácido, com o gosto particular de algo que não era meu. Eu engoli enquanto o grupo observava. Alguém aplaudiu. Alguém fez um comentário baixo que eu não consegui distinguir entre as minhas próprias batidas do coração.

Enfiei a língua o máximo que pude, procurando lá dentro. Pilar ergueu as ancas e me pressionou o rosto contra ela com a mão na nuca.

—Mais fundo, querido. Tudo. Não deixa nada.

Trabalhei com a língua como se fosse uma rola pequena, entrando e saindo, enquanto chupava os lábios e o clitóris. Engoli mais duas vezes, sentindo a porra do moreno descer espessa e morna pela minha garganta. Pilar gozou enquanto eu a limpava, apertando meu rosto com as coxas e soltando um gemido agudo que reverberou pela sala.

Quando ela me deixou respirar, meu rosto estava encharcado. Saliva, sêmen, fluidos, tudo misturado, brilhando do queixo até a testa.

—Bom trabalho — disse Pilar, me dando um tapinha na bochecha que soou úmido —. Muito educado.

Depois Valeria me trouxe até ela. Tinha se deitado de costas no tapete, as pernas abertas, o vestido verde levantado até a cintura. A porra do loiro continuava escorrendo da buceta dela, formando uma pequena poça sobre a pele.

—Agora eu. Como deve ser.

O cheiro dela era familiar, mesmo misturado com todo o resto. Eu a conhecia há anos. Sabia exatamente o que ela esperava de mim. Ajoelhei-me entre as pernas dela, coloquei as mãos sob as nádegas para levantá-la um pouco e enfiei a língua.

O gosto do loiro encheu minha boca de imediato. Grosso, salgado, mais denso que o do outro, com aquele fundo particular que a porra fresca deixa na boca. Comecei devagar, passando a língua lisa por toda a vulva, de baixo para cima, recolhendo tudo. Depois enfiei a língua entre os lábios e trabalhei com calma, em silêncio, extraindo o que o loiro tinha deixado dentro dela. Senti aquilo se acumular na minha boca, senti que precisava engolir a cada poucos segundos para poder continuar.

—Bom garoto — disse ela baixinho, enquanto os dedos acariciavam meu cabelo com uma suavidade que contrastava com tudo o que tinha acontecido nas últimas horas —. Isso. Engole tudo. Não deixa nem uma gota.

Desci mais, até o cuzinho, e também limpei ali com a língua. Ela soltou um suspiro longo. Depois subi de novo e me concentrei no clitóris, chupando devagar, com os lábios macios, enquanto introduzia dois dedos e os curvava para cima, procurando o ponto que eu conhecia de cor.

Valeria gozou sem parar de me olhar. Sua buceta apertou meus dedos, suas coxas prenderam minha cabeça. Ela me obrigou a continuar chupando mesmo depois, com aquela crueldade calma que aparece quando o prazer se mistura ao poder. Eu continuei até ela mesma me afastar com a mão, exausta.

A gaiola estava me matando. Sentia a rola tentando inchar dentro do aço, pulsando num ritmo doloroso que não levava a lugar nenhum. E essa dor era exatamente o que a deixava excitada.

É assim que essas noites terminam. E é assim que eu as espero.

***

A chave da gaiola continuava pendurada no pescoço dela quando tudo terminou. A sala cheirava a algo fechado e humano: sêmen, suor, buceta, lenha queimada. As mulheres se recomodaram com as taças quase vazias e a conversa voltou a ser o que era antes, como se nada tivesse mudado tanto assim. Os garçons se vestiram em silêncio e terminaram de arrumar tudo. A cozinheira guardou o avental sem fazer comentários, com o harness dobrado dentro da bolsa.

Eu me sentei no chão ao lado do sofá, com as costas encostadas no tecido do móvel, enquanto Valeria passava os dedos pelo meu cabelo de forma distraída, falando com suas amigas de outra coisa completamente diferente. Ainda tinha o gosto de dois homens na boca e a gaiola pulsando sem parar entre as pernas.

Em algum momento daquela noite, enquanto eu estava ajoelhado no tapete ou de pé encostado na parede ou atravessando a sala nu com os guardanapos na mão, fiz a mesma pergunta que faço sempre.

Como cheguei até aqui? E por que não quero que isso mude nunca?

Não tenho uma resposta que soe razoável. Só sei que, da primeira vez que Valeria fechou a gaiola, fui eu mesmo quem colocou a chave na mão dela. E que, toda noite como essa, quando a chave volta a ficar entre os seios dela e eu volto a ficar onde ela manda, entendo um pouco melhor por que fiz isso.

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