Eu disse que a levaria para casa, mas não chegamos lá
Nos cruzamos de novo na escada, misturados com os que saíam do turno e com os retardatários que chegavam para nos render. Todos os que tínhamos passado a tarde juntos tínhamos vários dias de folga pela frente, então repetimos os típicos comentários de despedida. Quando chegamos ao estacionamento, fui em direção ao meu carro sem quase ter cruzado o olhar com ela.
—Ei, Marcos! —gritou, garantindo que todos ouvissem. Estava claro que naquela tarde o universo tinha decidido me pôr à prova—. Lembra que você ia me levar pra casa? O meu acendeu uma luzinha quando cheguei, e amanhã eu vou buscá-lo com o guincho.
Nunca fui bom ator, mas disfarcei como pude.
—Ah, sim, claro! Tava com a cabeça em outro lugar, desculpa.
Entramos no carro. Eu ainda estava um pouco impressionado com a jogada que ela tinha acabado de inventar na frente dos outros.
—Procura um beco, um terreno baldio, um estacionamento, um hotel, qualquer coisa que te vier à cabeça —me disse enquanto colocava o cinto e desabotoava o botão da calça—. Eu nem posso nem quero chegar assim em casa. Estou com a buceta encharcada há três horas e, se você não me comer logo, eu gozo sozinha no banco.
Mal tínhamos saído do terreno da empresa quando ela deslizou a mão por baixo da calcinha e se recostou no banco, de olhos fechados. Ouvi perfeitamente o barulhinho úmido dos dedos dela abrindo caminho entre os lábios da buceta. Ela ergueu a saia até a cintura e abriu as pernas o máximo que o banco permitia. Com a outra mão, enfiou-se por dentro do sutiã e começou a beliscar um mamilo que se marcava duro sob o tecido.
—Se você parar ao lado de um caminhão, me avisa —ofegou—. Não tô com vontade de dar espetáculo.
Olhei de lado. Ela estava dando círculos lentos no clitóris com dois dedos e, de vez em quando, os enfiava inteiros na buceta e os tirava brilhando, escorrendo. Levou-os à boca e chupou um por um, me encarando fixamente.
—Está uma delícia —murmurou—. Experimenta.
Ela me aproximou os dedos ensopados dos lábios e eu os lambi sem tirar os olhos da estrada. O gosto de buceta quente me deu um choque direto na rola. Dentro da minha calça jeans, alguma coisa estava acordando de novo, e não tão tímida quanto da vez anterior. Senti urgência de parar; abaixei um pouco o zíper para aliviar a pressão que me apertava contra a costura. Ela aproveitou e enfiou a mão por dentro da cueca, tirou meu pau pra fora e começou a me masturbar devagar enquanto continuava se esfregando com a outra mão.
—Rápido —sussurrou—, porque se você continuar dirigindo assim eu te chupo aqui mesmo e a gente morre os dois.
A região é cheia de estradinhas rurais que terminam em pastos. Em poucos quilômetros, estávamos com o carro estacionado numa trilha sem saída, em frente a uma cerca metálica enferrujada. Desliguei o motor e as luzes se apagaram junto com ele. Ficamos sozinhos sob a luz fraca da lua e o zumbido distante dos grilos.
Abrimos as portas quase ao mesmo tempo e descemos. Fomos até o capô. Beijos rápidos, bruscos, mãos por todo lado. Minha camiseta voou para o chão e ela desabotoou o sutiã num único movimento. As calças já nos pendiam nos tornozelos, assim como a calcinha dela e a minha cueca. Antes que eu a encostasse no capô, ela se ajoelhou na terra sem ligar para as pedras e enfiou meu pau inteiro na boca, até a garganta. Senti bater no fundo e ela não recuou. Começou a me chupar com fome, com as duas mãos agarradas na minha bunda para enfiar a rola até o fim. Chupava meus ovos, subia lambendo toda a extensão e o engolia de novo inteiro, com os olhos marejados e um fio de saliva pendendo do queixo.
—Levanta —pedi, com a voz partida— ou eu gozo na tua boca agora mesmo.
Ela limpou os lábios com o dorso da mão e se virou. Encostou as mãos no capô morno e abriu bem as pernas. Vi a buceta escancarada, brilhando sob a luz da lua, e a bunda oferecida, arqueada na minha direção. Passei dois dedos pela fenda, de baixo para cima, e os tirei escorrendo.
—Enfia logo, porra —implorou—. Mete tudo de uma vez, caralho.
Penetrei-a com um impulso firme do quadril, até o fundo. Ela soltou um grito curto, mas não encontrou nenhuma resistência. O calor acumulado durante toda a tarde, somado aos carinhos que ela tinha feito no caminho, tinha preparado tudo. Entrar nela foi como entrar numa casa aquecida em pleno inverno, com cheiro de lenha. Sua buceta me apertava, pulsava, me sugava para dentro. Eu sentia cada dobra roçando meu pau.
—Assim, assim, mais forte, me arrebenta —ofegava enquanto eu a fodia—. Me come como uma puta, não me trata bem.
Segurei-a pelos quadris e comecei a comê-la sem piedade, com investidas secas que faziam os seios dela baterem contra a lataria do carro. O som dos meus ovos chocando-se contra a buceta encharcada dela se misturava aos grilos e aos gemidos dela. Puxei seu cabelo para trás e arqueei suas costas para cravá-la mais fundo. Coloquei um dedo na boca dela e ela o chupou como tinha chupado meu pau um instante antes; depois desci a mão e enfiei-o no cu dela até a junta do dedo. Ela soltou um grito de prazer e empurrou a bunda para trás, pedindo mais.
—Aí, aí, não para, você tá me partindo —gemia—. Goza dentro, quero sentir, enche minha buceta de leite.
Continuei metendo com força, sem me conter. Ela tinha percebido desde o início que aquilo não ia durar muito, então se ajudou com as pontas dos dedos, esfregando o clitóris no ritmo das minhas investidas. Minha contenção de toda a tarde não aguentava nem mais um minuto. Agarrei-me aos quadris dela para não perder o equilíbrio e, com uma última estocada que lhe arrancou um grito rouco, senti-me derreter dentro dela. Jato atrás de jato, esvaziando-me até a última gota enquanto a buceta dela me espremia como um punho quente.
Ela aguentou o meu peso por alguns segundos. Senti os dedos dela roçando entre as minhas pernas, acariciando meus ovos já vazios, e enquanto eu sentia minha força se apagar, chegaram as contrações dela. O tesão dela tinha sido tão grande quanto o meu e ela não teve dificuldade nenhuma para gozar. Senti-a me apertar por dentro em espasmos longos, e percebi minha porra escorrendo pelas coxas dela, misturada com a dela. Nos separamos devagar para não cair, ofegando, respirando fundo aquele cheiro de campo de verão e sexo. Percebi que, desde que tínhamos entrado pela estrada, quase não tínhamos trocado palavra.
Tinha sido um encontro sujo, rápido, sem tempo para aproveitar, mas necessário. Passávamos a semana inteira acumulando desejo e precisávamos esvaziá-lo. Fizemos isso sem mais. Ela tirou uns lencinhos da bolsa e me passou um. Limpou o sêmen que corria entre suas pernas e me olhou com um sorriso cansado. Continuávamos sem falar. Nos vestimos e voltamos para o carro.
Ela pegou o telefone.
—Sim, amor, fica tranquila, a tarde se complicou muito. Sim, já estou saindo, daqui a pouco nos vemos.
Tinha acabado de falar com a filha. Eu já seguia pela estrada principal em direção ao bairro dela.
—Amanhã pego um táxi para buscar o carro na oficina, não se preocupa. E quanto falta para deixar seu apartamento pronto?
Mais do que conversa, era um monólogo, uma maneira de aterrissar depois da decolagem. Aquela semana tinha sido uma loucura, com uma excitação constante que nenhum dos dois tinha conseguido descarregar. Deixei-a na frente do prédio. Ela saiu disparada do carro; eu me detive um segundo olhando aquela bunda de que eu tanto gostava e segui para a casa do meu amigo, onde eu estava dormindo aqueles dias, para tomar banho e tentar pôr as ideias em ordem. Quando cheguei, ele já tinha se enfiado na cama, então, sem jantar, entrei no chuveiro quente e me masturbei de forma antológica pensando em como a porra dela tinha escorrido pelas coxas. Gozei contra os azulejos com a imagem da buceta aberta gravada a fogo na cabeça. Daí direto para o colchão. Apaguei na hora.
***
Na manhã seguinte, o telefone me acordou. Era a empreiteira. Em dois dias eu podia voltar ao apartamento. A obra ficaria pronta e o seguro mandaria uma empresa de limpeza. Abri um sorriso de vitória. Mal desliguei, ele tocou de novo.
—Bom dia, dormiu bem? —era ela. A voz dela terminou de me despertar.
—Pra falar a verdade, dormi muito bem, apaguei. Acabou de me ligar a empreiteira, em dois dias o apartamento fica pronto.
—Você já tomou café da manhã?
—Nem sei que horas são —respondi—, mas estou morrendo de fome.
—São nove. Fui buscar o carro e comprei uns pães doces. A menina —ela continuava chamando assim, embora já estivesse quase começando a universidade— está na casa dos avós. Inventei uma desculpa bem esfarrapada para que ela passe a manhã ajudando com uns recados. Estou sozinha em casa até a tarde. Você vem?
Ela nem me deixou responder. Desligou.
Dez segundos depois, meu celular vibrou. Era um vídeo curto que ela tinha acabado de me mandar. Estava com uma camisola fina, com desenhos infantis que, em qualquer outro corpo, pareceriam ridículos. Ela ia abaixando as alças devagar, devagar, até a peça cair sozinha pela gravidade. Nunca uma camisola com orelhinhas estampadas tinha ficado tão bem numa mulher adulta. Por baixo, estava completamente nua. Passava dois dedos pela buceta e me mostrava para a câmera, brilhantes. Escovei os dentes e desci as escadas aos tropeços, com a rola já empurrando a calça. Em poucos minutos, eu estava diante da porta dela.
Ela abriu com a mesma camisola do vídeo. Começamos a nos beijar e nos tocar no hall de entrada. A peça saiu voando, assim como a minha roupa. Não deu tempo de chegar ao quarto. Jogamo-nos sobre o tapete da sala com a mesma urgência da noite anterior, mas sem a pressa. Ela abriu as pernas, montou em mim com o rosto e apertou minha bunda contra a boca. Começou a me chupar o pau... quero dizer, começou a me chupar a rola, engolindo-a até o fundo, enquanto eu abria as coxas dela e enfiava o rosto entre suas pernas. A buceta dela cheirava a sabonete recém-usado e a fêmea quente. Passei a língua por toda a fenda, de cima a baixo, e parei no clitóris, chupando-o devagar, fazendo círculos, enquanto enfiava dois dedos e procurava aquele ponto por dentro que a fazia se contorcer. Senti-a gemer com a boca cheia, e as vibrações do gemido dela percorreram meu pau até os ovos.
Ela gozou na minha boca antes de eu gozar na dela, me encharcando o queixo, puxando meu cabelo, esmagando meu rosto contra ela até quase me sufocar. Lambi os lábios sem tirá-la de lá e, quando finalmente a soltei para respirar, me virei, me coloquei por cima e enterrei meu pau num único empurrão. Fodi-a no tapete devagar, olhando nos olhos dela, com as pernas dela cruzadas atrás das minhas costas. Ela cravou as unhas na minha bunda para marcar o ritmo.
Da sala fomos para o sofá. Coloquei-a de quatro sobre o braço do sofá e comecei a lamber sua buceta e seu cu por trás, alternando, até ela implorar que eu a penetrasse. Enfiei até o fundo e a segurei pela cintura para fodê-la assim, com os seios pendendo e batendo no peito a cada investida. Do sofá para a cozinha, onde a sentei sobre a mesa, abri suas pernas de par em par e me ajoelhei para voltar a comer sua buceta até que ela gozasse pela segunda vez, agarrada à borda de madeira e gritando sem se importar com os vizinhos. Da cozinha para o corredor, contra a parede, com uma das pernas dela sobre meu ombro. Do corredor para o quarto, onde por fim ela caiu de bruços, exausta, e eu disse que ainda não tinha terminado. Passei lubrificante e o espalhei devagar com o dedo, primeiro um, depois dois, até ela se abrir para mim e me pedir que eu a metesse ali. Fui afundando devagar, milímetro por milímetro, enquanto ela se esfregava na própria buceta com a mão. Quando me sentiu inteiro, começou a mover a bunda contra mim, marcando o ritmo, e não parou até eu gozar pela segunda vez na manhã, desta vez dentro do cu dela, enquanto ela gozava sob a própria mão pela terceira vez.
A manhã foi de beijos longos, carícias lentas, saliva, dedos, língua, brinquedos, lubrificante. Recuperamos cada carícia que a semana inteira tinha nos roubado. Houve momentos pausados, quase tímidos, como se estivéssemos nos descobrindo pela primeira vez. Houve outros frenéticos, em que nenhum dos dois podia esperar. Mordi seus ombros e mamilos até deixá-los marcados, e ela cravou as unhas nas minhas costas até me fazer sangrar. Pediu coisas que sabia que só me pedia, coisas que seu parceiro oficial nunca soube lhe dar, e eu dei tudo a ela sem pensar duas vezes.
Passado o meio-dia, descemos para a cozinha para repor as forças. Os pães doces que ela tinha comprado de manhã tinham sido invadidos por um exército de formigas e foram direto para o lixo. Rimos por um bom tempo da cena, os dois nus, com o café posto e a luz do sol entrando em cheio pela janela do quintal.
—Você percebe —disse ela, me servindo uma tigela— que esta é a primeira vez que tomamos café da manhã juntos?
Ela tinha razão. Passávamos meses com encontros furtivos em horas roubadas: estacionamentos, hotéis alugados ao meio-dia, a casa do meu amigo quando ele não estava. Nunca tínhamos compartilhado algo tão trivial quanto um café pela manhã, com a luz do sol batendo nos nossos olhos. Olhei para ela devagar e percebi que gostava dela muito além do tesão.
—Quando eu tiver o apartamento pronto —disse, sem pensar—, vem me ver. Sem pressa. Sem turnos.
Ela não respondeu na hora. Molhou um pedaço de pão torrado no café e sustentou meu olhar por um longo momento, como se estivesse medindo o peso de cada uma das minhas palavras.
—Vamos ver —respondeu por fim.
Voltamos para cima. Deitamo-nos na cama, já sem urgência. Ela deixou que eu passasse os dedos pelos cabelos, pelas costas, pelas coxas, devagar, enquanto me contava coisas que nunca tinha me contado. O quão difícil tinha sido a convivência na casa dela nos últimos anos. O quão pouco se reconhecia quando falava com o parceiro. A raiva de saber que a filha já não precisava que ela aguentasse aquilo por causa dela.
Ouvi em silêncio. Acariciei-a sem interrompê-la. Pela primeira vez naquela semana, o tesão não era a coisa mais importante. A coisa mais importante era aquela conversa, aquele tempo roubado, aquela mulher que se permitia estar nua em todos os sentidos ao meu lado.
No meio da tarde, o telefone tocou. A filha dela. A menina voltava antes do previsto. Nos vestimos sem pressa, mas sem parar. Antes de eu fechar a porta atrás de mim, ela me agarrou pelo braço e me obrigou a virar.
—Me avisa assim que tiver o apartamento. Quero te ver lá.
Sorri. Ela me beijou uma última vez, devagar, sabendo que aquele beijo precisava durar alguns dias. Desci as escadas do prédio e, ao chegar à rua, respirei fundo. O ar cheirava a terra molhada pela irrigação do jardim em frente. Alguma coisa tinha mudado entre nós naquela manhã, e nós dois sabíamos disso.

