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Relatos Ardientes

O ano em que fingimos que não voltaria a acontecer

Valeria havia construído uma caixa mental para guardar aquela noite. Bem fechada. Com chave.

Não a primeira mensagem, que chegou numa terça-feira à noite, quando ainda trabalhavam na mesma empresa e Marcos lhe escreveu com a desculpa de uma apresentação para a segunda-feira. Nem as horas de conversa que vieram depois, que começaram profissionais e terminaram sendo outra coisa, sem que nenhum dos dois nomeasse exatamente que coisa era.

Não o chalé na montanha para o qual acabaram indo em novembro, quando a equipe teve aquele retiro de fim de semana e a chuva os manteve acordados até as três da manhã com uma garrafa de vinho e a certeza de que o que estava acontecendo não deveria estar acontecendo.

Não a forma como Marcos a olhou antes do primeiro beijo. Como se estivesse prestes a cometer o melhor erro da vida dele e já tivesse assumido as consequências.

Tudo isso ficou guardado. Selado. Um acordo sem palavras: o que aconteceu no chalé terminou no chalé.

Durante doze meses, eles cumpriram.

Ou foi isso que disseram a si mesmos.

***

O congresso de comunicação digital acontecia todo mês de outubro no mesmo hotel do centro, com o mesmo buffet medíocre, as mesmas conversas de sempre embrulhadas em vocabulário novo e a mesma certeza coletiva de que estar ali era importante, embora ninguém soubesse explicar direito por quê.

Valeria estava há seis meses numa agência nova. Time novo, clientes novos, uma versão de si mais organizada. Ou era isso que repetia quando alguém perguntava. Ela avançava entre os grupos com a credencial pendurada no pescoço e uma taça de água na mão — sem álcool, porque tinha decidido que naquela noite precisava da cabeça fria — e revisava mentalmente os contatos que ainda tinha pendentes.

Ela não esperava vê-lo.

Ninguém espera o momento exato em que o passado decide atravessar uma sala cheia de gente.

—Valeria.

Seu nome. A voz dele. Só isso.

O salão desapareceu. O ruído virou fundo. Valeria sentiu o estômago cair exatamente um centímetro antes de o cérebro terminar de processar quem tinha dito seu nome.

Marcos.

Um ano exato desde a última vez em que tinham se visto pessoalmente. Um ano desde o amanhecer no chalé, quando se olharam com a clareza desconfortável de quem acabou de cruzar uma linha sem volta e decidiu, sem dizer, se afastar. Conversas breves depois disso, mensagens escassas, o silêncio gradual de duas pessoas que sabem que o contato frequente é perigoso.

Durante um segundo, nenhum dos dois soube o que fazer com o corpo.

—Uau —disse ele, com um sorriso que era metade surpresa, metade algo que Valeria preferiu não identificar—. Isso não estava no programa.

Ela soltou uma risadinha. O tipo de riso que sai quando você precisa ganhar dois segundos para se reorganizar.

—Definitivamente não.

Se aproximaram. Dois beijos. Automático, correto, inofensivo à primeira vista. Mas, ao se roçarem, algo se ativou. Não era o incêndio do chalé, não de imediato. Era uma brasa reconhecível, daquelas que não se apagam mesmo depois de um ano sem sopro.

—Também te mandaram pra isso? —perguntou Valeria.

—Empresa nova, cargo novo. —Ele deu de ombros—. Continuamos orbitando os mesmos lugares.

—Parece que sim.

Silêncio breve. Não incômodo. Denso.

Acabaram se afastando do grupo principal sem que nenhum dos dois propusesse isso em voz alta. Uma mesa alta perto da janela, duas taças — no fim, Valeria aceitou o vinho —, a desculpa perfeita para continuarem conversando sem que ninguém interpretasse nada que não quisessem que fosse interpretado.

—Como você está? —perguntou Marcos. Desta vez com um tom mais real. Sem a formalidade do primeiro contato.

Valeria demorou um segundo.

—Bem. Mais tranquila. Diferente, eu acho.

—Dá pra notar. —Ele a observou com a mesma intensidade de antes, ainda que mais contida—. Você está mais você do que no ano passado.

Ela sustentou o olhar. Esse era exatamente o problema: com Marcos, sempre se sentia mais ela mesma. Era o motivo pelo qual tinham chegado ao chalé. E também o motivo pelo qual precisaram se afastar.

—E você? —perguntou.

—Também bem. Mudei algumas coisas.

Não era preciso especificar quais. Os dois entenderam que não estavam falando só de trabalho.

As palavras fluíam com uma facilidade que deveria ter parecido estranha, dado o ano que se passara, mas não pareceu. Contaram o essencial, o superficial, as mudanças de empresa, os projetos novos. E, no meio disso, o importante se infiltrava nos silêncios, nos olhares que duravam um segundo a mais do que o necessário, na forma como as mãos se aproximavam sobre a mesa sem nunca se tocar.

—Achei que a gente não fosse se encontrar de novo —disse Valeria, girando a taça entre os dedos.

Marcos apoiou os cotovelos na mesa e se inclinou levemente na direção dela.

—Eu também achei.

Pausa.

—E você já pensou nisso alguma vez? No chalé.

Não era preciso esclarecer o que era “isso do chalé”.

Valeria respirou fundo. Não fazia sentido mentir.

—Sim.

Ele assentiu devagar.

—Eu também. Mais do que deveria.

O mesmo pulso sob a pele. A mesma tensão contida que os dois vinham administrando separadamente havia meses e que agora, juntos a menos de um metro um do outro, se recusava a continuar sendo manejável.

—Você continua provocando exatamente a mesma coisa —disse Marcos, sem rodeios.

—Você também não ajuda —respondeu ela.

Tentaram se comportar como adultos razoáveis por mais vinte minutos. Conseguiram até pararem de tentar.

Os olhares se buscavam. Se sustentavam tempo demais. Diziam em silêncio o que a situação não permitia dizer em voz alta.

Até que deixou de fazer sentido continuar resistindo.

—Vem —disse ele.

Não perguntou. Não esperou resposta.

Valeria o seguiu.

***

O guarda-volumes ficava no fundo de um corredor de serviço, depois da área do buffet. Uma porta discreta, sem placa. Marcos a abriu com uma naturalidade que contrastava com a situação, e Valeria entrou atrás dele sem pensar demais no que estava fazendo, porque quando começava a pensar demais era quando as coisas complicavam.

A porta se fechou.

Silêncio.

E então, impacto.

Marcos a empurrou suavemente contra a parede de casacos e Valeria respondeu na mesma hora, puxando-o para si, colando o corpo ao dele com a urgência de quem passou doze meses contendo algo que não tem nome preciso, mas que o corpo reconhece sem precisar de um.

O beijo não foi suave.

Foi fome. Foi memória. Foi um ano de imagens que ela não tinha conseguido apagar por completo, transbordando de uma vez num espaço de quatro metros quadrados cercado de casacos de desconhecidos.

As mãos deles percorreram corpos já conhecidos com uma familiaridade que não deveria existir ainda, reconhecendo cada curva, cada ponto que provocava uma mudança na respiração do outro. A roupa era um obstáculo parcial que não impediu que as mãos encontrassem pele, que o contato fosse tão direto quanto a situação permitia.

—Eu não parei de pensar em você —murmurou ele contra o pescoço dela.

Valeria fechou os olhos.

—Não fala isso.

—É a verdade.

Então ele mudou o ritmo.

E a intenção também.

Marcos a tirou da urgência inicial com uma calma que a desmontou mais do que qualquer brusquidão. Afastou o cabelo do pescoço dela, beijou a linha da mandíbula, a boca, a cavidade sensível atrás da orelha, como se tivesse todo o tempo do mundo e soubesse exatamente por onde começar para fazê-la perdê-lo. Valeria segurou a nuca dele, guiando-o pelos dedos, puxando apenas quando queria mais, quando precisava sentir que não era uma fantasia reciclada, mas ele, de verdade, ali, com a respiração já quebrada e as mãos cada vez menos pacientes.

Marcos desceu devagar pelo pescoço e pela clavícula dela, deixando uma trilha de beijos úmidos que tornava cada vez mais difícil respirar normalmente. Enfiou a mão sob a blusa dela, e o contraste entre o ar frio do corredor e a palma quente arrancou dela um gemido breve, involuntário. O tecido do sutiã não foi barreira nenhuma para a maneira como ele a tocou, firme, concentrado, como se lembrasse cada resposta do corpo dela e quisesse conferir uma por uma.

—Assim —murmurou ele, notando como ela se arqueava contra a mão dele—. Exatamente assim.

Valeria engoliu em seco. A cabeça estava cheia de ruído, mas o corpo ia à frente, respondendo ao roçar, à pressão, à forma como Marcos apertava sua cintura e deixava claro que não pensava em deixá-la escapar assim que começasse de verdade.

Ele desabotoou a blusa dela com rapidez controlada, sem nenhuma desajeitação, e abriu espaço para beijar os seios por cima da renda. Depois mais abaixo, uma mão percorrendo a lateral do corpo, a outra segurando-a pela cintura para mantê-la imóvel enquanto ele decidia qual parte dela merecia a próxima atenção. Valeria se agarrou aos ombros de Marcos quando sentiu ele levantar a saia o suficiente para enfiar a mão entre as coxas e encontrar, sem hesitar, o ponto já úmido e sensível que vinha respondendo desde o primeiro beijo.

—Porra —soltou ela, quase sem voz.

—Isso —disse ele, seco, contra a boca dela—. Isso mesmo.

Não houve delicadeza desnecessária, mas houve precisão. Marcos afastou a calcinha o bastante para tocá-la diretamente, primeiro com dois dedos lentos, medindo a forma como o ventre dela se tensionava, depois com uma insistência mais firme que a fez cerrar as coxas por puro reflexo. Valeria arqueou as costas e enterrou o rosto no pescoço dele para não fazer barulho, embora já fosse tarde: um gemido baixo lhe escapou de qualquer jeito, seguido de outro quando ele encontrou o ritmo que a fazia tremer.

—Olha pra mim —ordenou Marcos, com a voz baixa e áspera.

Valeria o fez. O rosto dele estava perto, o olhar fixo no dela, e isso deixou tudo mais cru, mais exposto. Ele a observava como se soubesse exatamente o que estava construindo dentro dela, como se gostasse de vê-la perder a compostura a cada movimento dos dedos. Segurou-a pela mandíbula quando percebeu que ela ia virar o rosto e a obrigou a sustentar o olhar enquanto a penetrava com a mão, devagar primeiro, mais forte depois, até arrancar dela ofegos cada vez mais desordenados.

A umidade entre as pernas dela virou um caos. O atrito dos dedos dele na entrada da buceta a fez estremecer por inteiro. Marcos parou de ir com suavidade quando ela começou a gemer o nome dele e a levou ao limite com uma confiança quase obscena: dois dedos entrando e saindo com uma cadência profunda, o polegar pressionando o clitóris com a pressão exata, sem piedade, sem pausa. Valeria se desfez contra a parede, as pernas tremendo, a respiração em farrapos, a boca aberta numa série de sons que ela já nem tentava controlar.

—Isso aí —disse ele, vendo-a se quebrar—. É assim que eu queria te ter de novo.

A frase a atravessou. Não por ser romântica. Por ser honesta. Porque não era uma promessa bonita; era uma confissão indecente, dita com a naturalidade de quem já tinha aceitado que não sairia dali intacto. Valeria agarrou a camisa dele com força e o beijou com fúria, engolindo a própria voz na dele enquanto as carícias continuavam, cada vez mais rápidas, mais precisas, cada vez mais sujas.

Quando sentiu o orgasmo subir de repente, primeiro como uma onda de calor no ventre, depois como uma maré que lhe incendiava as pernas e esvaziava o peito, Marcos não aliviou. Pelo contrário: sustentou o ritmo, manteve-a ali, exatamente no ponto em que o prazer já não era suportável e, ainda assim, ela não queria terminar. Valeria se contraiu com um gemido sufocado, os dedos cravados nele, o corpo inteiro convulsionando contra a parede enquanto o orgasmo explodia entre as coxas em ondas curtas, sujas, intensas.

Marcos continuou olhando para ela como se aquele fim não tivesse feito mais do que confirmar algo que ele já sabia. Beijou o pescoço dela, a clavícula, o canto da boca, e só então retirou a mão devagar, permitindo que ela recuperasse o ar.

Valeria demorou vários segundos para voltar a falar.

—Você não perdeu a prática —murmurou, com uma risada quebrada.

Marcos sorriu, mas a expressão durou pouco. Os olhos dele estavam escuros, o corpo tenso de desejo contido, o pau claramente duro sob a calça, empurrando sem disfarce contra o tecido. Valeria baixou o olhar por um instante e soltou uma expiração lenta, carregada de intenção.

—Agora é sua vez.

Ele soltou uma risada baixa, incrédula.

—Você sempre foi uma pessoa muito ruim.

—E você muito obediente quando convém.

Marcos a beijou de novo, mais breve, mais sujo, e começou a se livrar da roupa com uma pressa que não escondia mais nada. A afastou da parede o suficiente para que ambos pudessem se mover, baixou a calça, libertou o pau tenso e quente, grosso, já úmido na ponta, e Valeria ficou olhando para ele com a respiração suspensa por um segundo antes de se aproximar e fechar a mão em volta dele. Estava duro, pesado, pulsando na palma dela, e Marcos soltou uma praga entre os dentes quando ela começou a mover a mão de cima a baixo, devagar no início, saboreando a reação imediata.

—Merda, Valeria…

—Assim? —perguntou ela, acariciando-o com mais pressão, espalhando o pré-gozo pela glande com o polegar.

Ele fechou os olhos por um instante. Quando os abriu de novo, a expressão era quase feroz.

—Sim. Assim.

Ela se ajoelhou diante dele sem tirar os olhos dele. Não houve cerimônia; só decisão. Pegou o pau dele pela base com uma mão e abriu a boca para lamber a ponta, primeiro devagar, saboreando o gosto salgado e quente, depois entrando com mais língua, envolvendo-o com a boca até Marcos apoiar uma mão na parede para não se inclinar demais sobre ela.

Valeria começou a chupá-lo com vontade. Percorreu o comprimento com a língua, passou a ponta no freio, sugou a cabeça até ouvir o som úmido da pele contra os lábios, e depois foi mais fundo, engolindo o máximo que conseguia, tomando-o em pulsos, deixando que ele marcasse o ritmo com pequenos empurrões de quadril toda vez que a boca dela ficava curta. Marcos segurou o cabelo de Valeria sem machucá-la, só guiando-a, e o tremor na respiração dele lhe disse exatamente o quanto ele estava gostando.

—Isso, porra… não para —murmurou ele, com a voz quebrada.

Valeria alternou entre chupá-lo na ponta com a língua rápida e enfiá-lo mais fundo até tocar a garganta. Engasgou só de leve, sorrindo em volta do pau, e o pequeno som que Marcos fez ao senti-la confirmou que ela estava levando a situação ao limite que ele mesmo queria. A saliva escorria pelo canto dos lábios dela. Ele estava cada vez mais tenso, o abdômen duro, a respiração desfeita em golpes curtos. Valeria o masturbou com a mão enquanto continuava chupando, usando boca e palma ao mesmo tempo, até notar a mudança exata no corpo de Marcos: aquele instante anterior, inevitável, em que o controle começa a se desfazer.

—Vou gozar na sua boca —disse ela, afastando-se só o suficiente para dizer isso, olhando para ele de baixo com a boca molhada e a expressão completamente sem vergonha—. Quero que você me encha a boca.

Marcos soltou um som que não era palavra.

Ele a pegou pelo queixo, a levantou devagar e a beijou com uma brutalidade que tinha gosto da própria excitação. Depois a virou contra a parede sem violência, só com urgência, e levantou a saia dela de novo, desta vez mais alto, até deixar a bunda exposta e a buceta aberta para a mão que voltou a se enfiar entre as pernas dela, encharcada, quente, fácil. Valeria apoiou as mãos na parede, sentindo a madeira fria do corredor de serviço e o corpo de Marcos colado às suas costas, o pau roçando sua bunda, duro, insistente, como uma promessa grosseira.

—Quero te comer —rosnou ele no ouvido dela—. E depois quero que você me deixe gozar onde eu quiser.

Valeria inclinou a cabeça, sorrindo apesar do tremor das pernas.

—Então para de falar e faz.

Isso foi suficiente.

Marcos abriu as pernas dela com o joelho, se posicionou atrás e a penetrou devagar no começo, só a ponta, sentindo a resistência quente da buceta antes de entrar de uma vez, fundo, até o fim. Valeria soltou um gemido sufocado, batendo a testa contra o braço quando ele a preencheu por completo. Ele estava duro de um jeito quase doloroso, empurrando com uma fome antiga que não perdera nada em um ano. Marcos ficou parado por um segundo, respirando forte, como se aproveitar a sensação fosse tão importante quanto a urgência de se mover.

Depois começou a fodê-la.

Primeiro com investidas lentas, largas, profundas, puxando-a quase por completo para depois entrar de novo até que o som úmido entre os dois se tornasse obsceno. Depois mais forte. Mais rápido. Marcos a segurou pelos quadris e a foi usando contra a parede, levantando o corpo dela a cada impulso para encontrar um ângulo mais profundo, mais brutal, que arrancava de Valeria pequenos gritos entre os dentes. O pau dele enchia a buceta dela com uma precisão selvagem, roçando aquele ponto interno que a fazia perder toda a compostura. Ela se agarrava à parede e deixava escapar palavras cortadas, insultos e gemidos, enquanto ele a castigava com um ritmo cada vez mais feroz.

—É assim que você gosta, não é? —disse Marcos no ouvido dela, empurrando mais fundo—. Assim, tão forte.

Valeria nem conseguia responder direito. Só assentia, arqueada, partida, empurrando a bunda para trás para receber mais. Ele percebeu o gesto e soltou uma risada rouca, completamente perdido já qualquer ideia de controle elegante.

—Olha pra você —murmurou—. Toda molhada. Toda minha.

A frase, grossa e direta, lançou outra onda de calor pela coluna dela. Valeria virou a cabeça só um pouco e o beijou como pôde, desajeitada, voraz, engolindo a respiração dele enquanto Marcos continuava a fodê-la sem diminuir o ritmo. O som de pele contra pele se misturava aos ofegos deles e ao roçar da saia levantada, da roupa desarrumada, do hotel inteiro funcionando a poucos metros como se nada estivesse acontecendo.

Marcos enfiou uma mão entre as coxas de Valeria e esfregou o clitóris dela com dois dedos úmidos, ao mesmo tempo em que continuava a empurrar dentro. Foi demais. Ele percebeu na hora pela forma como o corpo dela se tensionou e como ela começou a apertá-lo com a buceta, contraindo-se em torno do pau dele com espasmos cada vez mais urgentes. Valeria gemeu o nome dele de um jeito quase quebrado, e o orgasmo a atravessou de novo, mais fundo que o primeiro, arrancando dela um tremor completo de pernas e ventre enquanto Marcos a sustentava, continuava a fodê-la e a levava até o limite da perda de controle.

—Isso, porra —rosnou ele, cerrando os dentes—. Você vai gozar de novo com meu pau dentro de você.

A ideia bastou para fazê-la tremer ainda mais. Marcos acelerou, sem qualquer intenção de suavizar nada, e Valeria se deixou ir por completo, afundando o rosto no braço enquanto ele a comia com uma força que fazia cada investida parecer um golpe limpo e delicioso. As paredes estreitas do guarda-volumes, o corredor de serviço, o risco de serem descobertos, tudo dava à cena um contorno sujo, quase obsceno, que só intensificava o prazer.

Marcos se enrijeceu de repente, o corpo inteiro endurecido atrás dela. Valeria sentiu isso pela forma como os dedos dele se cravaram no quadril e pela respiração áspera que ele despejou em sua nuca.

—Vou gozar em você —disse ele, mais como aviso do que pergunta.

Valeria apoiou melhor as mãos e abriu um pouco mais as pernas.

—Goza.

Ele investiu mais uma vez, duas, três, e depois ficou dentro dela enquanto gozava com uma praga quebrada, longo e profundo, o pau pulsando ao soltar a porra quente dentro da buceta de Valeria. Ela sentiu o jato espesso enchê-la por dentro, a pulsação final do corpo dele contra o dela, e estremeceu de cima a baixo com um gemido sufocado que mal conseguiu conter. Marcos continuou tremendo por alguns segundos atrás dela, respirando como se tivesse corrido uma hora inteira, a testa encostada nas costas dela, os dedos marcando sua pele.

O silêncio depois foi feroz.

Valeria ficou apoiada na parede, com as pernas quase sem força e a cabeça em branco, sentindo o sêmen de Marcos escorrer lentamente dentro dela enquanto ele se retirava com cuidado. Ficaram assim por um instante, respirando, recompondo corpos e roupas com a dificuldade de quem sabe que acabou de cruzar de novo uma fronteira que não dá para fingir.

Marcos beijou a têmpora dela, suave pela primeira vez naquela noite.

—Não fica aqui —disse ele outra vez, mais baixo.

Valeria virou o rosto só um pouco na direção dele. Tinha a boca inchada, o cabelo despenteado, a saia mal ajeitada e um sorriso que não se parecia em nada com calma.

—Não —respondeu—. Desta vez, não.

Silêncio.

Mas não era o silêncio da dúvida. Era o da certeza.

—Temos a noite toda —disse ela.

Marcos sorriu devagar. Um sorriso que Valeria tinha guardado naquela caixa mental que nunca deveria ser aberta de novo e que agora, em pé num guarda-volumes de hotel, com a respiração ainda irregular, decidiu que já não fazia sentido manter selada.

—Então eu tenho um ano inteiro de imaginação para compensar —disse ele.

Valeria deu um passo em direção a ele e roçou de leve.

—É bom começar logo.

***

Eles voltaram ao congresso separados por três minutos e dois corredores de distância. Impecáveis. Distantes. Irrepreensíveis.

Cada olhar era uma promessa. Cada gesto, a continuação de algo que não terminou quando acreditaram que tinha terminado.

Já não era impulso.

Era escolha.

Nessa noite, num quarto do mesmo hotel que nenhum dos dois tinha reservado pensando no outro, mas que acabou sendo dos dois, Valeria entendeu algo que vinha resistindo a admitir havia meses.

Algumas coisas não cabem em caixas.

Algumas coisas continuam acesas não importa quanto tempo passe, esperando o momento em que duas pessoas parem de fingir que conseguem apagá-las com força de vontade suficiente.

Não foi um erro repetido.

Foi uma escolha tardia.

E essa diferença, que no ano anterior teria sido impossível de sustentar, naquela noite acabou sendo exatamente suficiente.

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