O que aconteceu depois do último drink no bar
Entrei sozinha no bar e senti os olhares se cravarem em mim antes de eu cruzar metade do salão. Não é vaidade: naquela noite eu tinha me arrumado para que exatamente isso acontecesse. Usava um vestido curto de courino vermelho que marcava minha cintura e botas altas até acima do joelho, com o cabelo solto, longo, ondulado, caindo pelas costas. Vários homens me acompanharam com o olhar, mas nenhum se atreveu a sair da cadeira.
Nenhum, menos um.
Percebi isso assim que me sentei no balcão. Ele me olhava com uma intensidade que quase dava para tocar, me percorrendo de cima a baixo sem disfarce e sem pressa, como quem tem todo o tempo do mundo. Levantei a mão para pedir um drink e, antes que o garçom chegasse, ele já estava sentado no banco ao meu lado. Tinha cheiro de caro. Ajustou os punhos da camisa e, com uma voz grave que senti no estômago, pediu dois uísques.
— Espero que não se importe — disse, sem realmente perguntar.
Eu não me importava nem um pouco. Olhei para ele sem pudor, devolvendo o mesmo exame que ele tinha feito em mim. Tinha o corpo definido sob a camisa branca e os braços cobertos de tatuagens que se perdiam sob o tecido. Quando seus olhos encontraram os meus, um sorriso de canto atravessou seu rosto, como se ele já soubesse como a noite terminaria.
— Uma mulher como você não deveria esperar tanto por uma bebida — acrescentou.
O garçom deixou os dois copos. Ele me entregou um e, ao passá-lo, seus dedos demoraram sobre os meus um segundo a mais do que o necessário. O vidro estava frio; a mão dele, queimando. Senti aquele calor subir pelo braço e descer direto para o ventre. Isso vai terminar mal, pensei, e eu não me importo nem um pouco.
— E o que faz uma mulher como você aqui sozinha? — perguntou, se aproximando do meu ouvido.
— Eu ia vir com uma amiga. Parece que surgiu um plano melhor — respondi, levando o copo aos lábios devagar, sem tirar os olhos dele.
Ele arqueou uma sobrancelha, divertido. Deixou o drink dele de lado, virou-se para mim apoiando um braço no balcão e, com a outra mão, desabotoou o botão de cima da camisa com uma naturalidade que me deu raiva e vontade ao mesmo tempo.
— Melhor assim. Você tem toda a minha atenção esta noite.
Os olhos dele desceram pelo meu decote, pela curva da cintura, pelos quadris. Aproximou a mandíbula do meu ouvido e baixou a voz até quase um sussurro.
— Que coincidência esses planos terem mudado, não é? Principalmente agora que apareceu uma oferta melhor.
Uma mão grande e tatuada pousou na minha lombar. O calor da palma atravessou o tecido fino do vestido.
— Sou Mateo — disse. — E quase sempre consigo o que quero. A pergunta é... — Levantou meu queixo com dois dedos, obrigando-me a sustentar o olhar dele. — Você dá conta de mim?
— Quem disse que eu quero alguma coisa com você? — ri, sem pressa, erguendo uma sobrancelha.
Ele soltou uma risada funda, daquelas que se sentem no peito do outro. Recostou-se um pouco, me dando espaço, mas manteve a mão firme nas minhas costas, marcando território.
— Eu não disse que você queria alguma coisa de mim — ronronou. — Mas eu vejo você me olhando, vejo o jeito como seu rosto muda quando eu me aproximo. Me diz, estou errado?
Ele ajeitou uma mecha atrás da minha orelha, roçando minha pele com os dedos. Um arrepio inteiro me percorreu.
— Você me pegou — admiti, erguendo o nariz com falsa dignidade. — Sou Daniela. Prazer.
— Daniela... — repetiu meu nome como se estivesse saboreando, e a mão dele escorregou até a curva do meu quadril, me apertando com uma suavidade possessiva. — Eu te peguei me olhando. Agora que tenho sua atenção, o que você pretende fazer com ela?
Ele terminou o uísque de uma vez. A outra mão subiu para acariciar minha bochecha, o polegar roçando meu lábio inferior.
— O que você acha que eu mereço por te olhar demais? — provoquei, semicerrando os olhos.
Um rosnado baixo saiu da garganta dele. O aperto no quadril ficou mais tenso.
— Uma noite que você não vai esquecer. A chance de descobrir o quanto de prazer eu posso te dar antes do sol nascer.
Não consegui evitar me estremecer. Tomei outro gole de uísque para disfarçar, embora minha mão tremesse um pouco.
— Seria bem arriscado da minha parte, não acha? — murmurei contra os lábios dele. — Não sei se estou preparada para alguém como você.
Minha mão subiu sozinha pelo braço dele, percorrendo o músculo sob a camisa.
— Eu sei que é um risco — disse, áspero, ansioso. — Mas às vezes os maiores riscos trazem as melhores recompensas.
O hálito dele estava carregado do uísque envelhecido e de outra coisa, algo que me deixava tonta. Sorri bem perto da boca dele e, sem pensar muito, passei a língua devagar pelo lábio dele sem cortar o contato visual. Um som abafado vibrou no peito dele. As mãos se apertaram contra mim, uma se enredando no meu cabelo e a outra aberta nas minhas costas, me puxando ainda mais para perto.
— Você está brincando com fogo, gata — rosnou. — Continua me provocando assim e eu vou ter que te mostrar até onde posso ir.
Então fui eu quem encostou de vez. Beijei-o com todo o desejo que vinha segurando desde que ele se sentou ao meu lado, mordendo o lábio inferior dele, marcando-o. Ele arfou dentro do beijo. Minhas mãos percorreram seu peito e suas costas; os dedos dele afundaram no meu cabelo e puxaram para me trazer ainda mais perto.
— Quero sentir mais do que isso — disse, me afastando só o bastante para puxar ar.
— Você não faz ideia do que está me fazendo, faz? — A mão grande dele desceu para me agarrar e me puxou contra o volume já endurecido que pressionava a calça. — Vem. Aqui tem gente demais.
Dei a mão a ele e me deixei levar. Ele entrelaçou os dedos nos meus e começamos a abrir caminho pela barra lotada, suas passadas longas devorando a distância. Senti os olhares curiosos e invejosos dos outros cravados na nuca, mas não me importei. Só queria ficar sozinha com ele.
***
Ele abriu uma porta com a placa “Privado” e me fez entrar no que parecia ser seu próprio escritório. Estava em penumbra, decorado com certo luxo discreto: móveis de couro, painéis de madeira escura, uma luminária baixa que mal dava conta de iluminar. Assim que a porta se fechou, ele me encostou de costas nela e me prendeu com o corpo muito maior que o meu.
— Assim está melhor — murmurou, a voz baixa e escura, enquanto se debruçava sobre mim. — Agora eu posso te mostrar do que sou capaz. Sem plateia.
— Então mostra — desafiei em sussurro. — Me mostra, Mateo.
Passei as mãos pelo peito dele, sentindo cada músculo e cada tatuagem sob as palmas. Um sorriso feroz cruzou seu rosto. Com um movimento, enfiou um braço sob meu joelho e o outro em volta da cintura e me ergueu sem esforço, como se eu não pesasse nada. Minhas pernas se enroscaram sozinhas em seus quadris enquanto ele me levava até um sofá amplo de couro.
— Uma vez que eu comece, não vou parar — disse, me deitando sobre as almofadas e se arrastando por cima de mim.
As mãos dele encontraram o zíper do vestido e o desceram, abrindo o tecido para revelar o sutiã de renda que mal me continha. Um arrepio de antecipação me percorreu inteira quando a boca dele desceu para o meu pescoço. Ele chupou e mordeu, decidido a me deixar marcada, enquanto as mãos agarravam meus quadris e ele esfregava a ereção, ainda coberta, contra mim.
— As coisas que você me faz... — murmurou contra minha pele.
Ele arrancou meu sutiã com impaciência e o jogou de lado. Arqueei as costas, pressionando os seios contra o torso dele. Uma das mãos dele segurou meu pescoço, sem apertar demais, só o suficiente para eu entender quem mandava. Ele desceu a boca e prendeu um mamilo entre os dentes, mordendo de leve e depois aliviando com a língua, alternando lambidas e sugadas enquanto eu me contorcia debaixo dele.
Enterrei as mãos no cabelo dele, mantendo-o contra o meu peito. A sensação da boca quente e úmida dele era tão boa que eu mal conseguia pensar.
— Por favor... — implorei, com a voz rouca de pura necessidade.
Meu pedido pareceu enchê-lo de satisfação. Ele soltou o mamilo com um estalo e soprou ar fresco sobre a ponta sensível.
— Tá carente, né? — provocou, em um murmúrio baixo. — Não se preocupa, gata. Vou te dar exatamente o que você está pedindo.
Num puxão só, ele terminou de tirar meu vestido e a roupa de baixo, me deixando nua diante dele. Ele se demorou um segundo me olhando, os olhos escurecidos de desejo.
— Olha isso — disse, com a voz áspera. — Tão molhada e pronta pra mim.
Abri mais as pernas, oferecendo-me ao olhar faminto dele, mordendo o lábio para não gemer ainda. Com um rosnado, ele se deixou cair entre minhas coxas. Fechou os lábios no meu clitóris e sugou com força, a língua se movendo rápido, enquanto dois dedos se enterravam em mim até o fundo, entrando e saindo num ritmo que não me deixava respirar. Ele os curvava exatamente onde precisava curvá-los.
Gritei de prazer, as costas arqueando sobre o sofá enquanto ele me devorava sem piedade. Meus quadris se moviam sozinhos contra a boca dele, buscando mais daquele atrito. Senti tudo se tensionar dentro de mim, as paredes se fechando ao redor dos dedos dele.
— Deus, sim — gemi, cravando as unhas nos ombros dele.
Ele sentiu que eu estava à beira e acelerou, os dedos firmes naquele ponto interno, a língua implacável sobre o clitóris.
— Goza pra mim — ordenou, a voz vibrando contra a minha pele. — Quero sentir.
Eu me desmanchei. Todo o meu corpo tremeu de um jeito que eu não conseguia controlar, um grito agudo escapou dos meus lábios e minhas costas se arquearam quase até doer enquanto o orgasmo me percorria em ondas. Me contraí com força ao redor dos dedos dele, e ele bebeu até a última gota como se fosse a única coisa que tinha vindo buscar.
Mal tive tempo de recuperar o ar. Ele se incorporou e tirou a roupa rapidamente, me mostrando o corpo inteiro, tatuado e duro. Agarrou minhas coxas, me abriu por completo e se acomodou na minha entrada. Um rosnado animal subiu pela garganta dele quando sentiu meu calor contra a ponta.
— Você parece ter sido feita sob medida pra mim — disse.
E, de uma só investida, ele se enterrou até o fundo. Gritei, as paredes se apertando ao redor dele como se quisessem retê-lo para sempre. Sem me dar trégua, ele começou a se mover, marcando um ritmo castigador, cada golpe chegando exatamente onde tinha de chegar. Enrolei as pernas na cintura dele para trazê-lo ainda mais para perto.
Um sorriso carregado de luxúria cruzou o rosto dele. Ele ergueu um pouco meus quadris para mudar o ângulo e entrar ainda mais fundo. As investidas ficaram mais rudes, mais rápidas.
— Isso — rosnou, os olhos cravados nos meus. — Vou te deixar uma semana sem conseguir andar direito.
Uma das mãos dele deslizou entre os dois corpos suados e encontrou meu clitóris. Me contorci sob ele, arranhando suas costas, os sons úmidos dos dois preenchendo o quarto junto com meus gritos. Quando os dedos dele começaram a me trabalhar em círculos firmes, senti que estava perdendo o controle de novo.
— Vamos, gata, goza de novo — ordenou, rouco. — Quero sentir enquanto gozo dentro de você.
O segundo orgasmo me atingiu mais forte que o primeiro, selvagem, descontrolado. Senti ele pulsar dentro de mim ao mesmo tempo, enterrando-se até o fundo uma última vez. Fiquei estendida sobre o couro, atordoada, com o corpo ainda tremendo.
***
Demorei um tempo para conseguir ficar de pé. Me vesti com desajeito, sem me importar em procurar a roupa íntima que havia ficado jogada em algum canto do escritório dele. Tirei da bolsa um cartão com meu número e o deixei devagar sobre a mesa, sorrindo para ele.
Os olhos dele me seguiram por todo o cômodo enquanto eu ajeitava o vestido, e quando viu o cartão sobre a madeira, um sorriso lento e satisfeito se desenhou em seu rosto.
— Até a próxima, linda — disse, o olhar me percorrendo uma última vez.
Saí para a rua com o cabelo desgrenhado, as pernas ainda bambas e a certeza de que eu ia usar aquele número. Não naquela semana, talvez nem na seguinte. Mas eu ia usar. Algumas noites começam com uma amiga que te deixa plantada e acabam sendo a melhor coisa que aconteceu com você em meses. Aquela foi uma dessas.





