O que meu marido viu do outro lado
Foi Javier quem disse primeiro. Estávamos deitados na escuridão, o peito dele ainda agitado sob a luz alaranjada que se infiltrava da rua através das persianas. Eu tinha a cabeça apoiada no ombro dele e desenhava círculos lentos sobre o abdômen quando ele quebrou o silêncio com a única frase que podia nos travar de uma vez.
—Não paro de pensar em Rubén.
Ergui a cabeça e olhei para ele. Desde a famosa noite de junho, aquele nome era um tabu implícito na nossa cama. Tínhamos concordado que aquilo tinha sido uma concessão única, um experimento que não se repetiria. E Rubén, é preciso reconhecer, tinha cumprido a parte dele: em cada jantar de família, se comportava como o cunhado perfeito. Nenhum olhar fora de hora, nenhuma tentativa de ficar a sós comigo.
—Ele tem se comportado muito bem ultimamente —murmurei, com cautela.
—Para o resto do mundo, sim —respondeu Javier, virando a cabeça na minha direção—. Mas eu sei exatamente onde procurar quando quero vê-lo de verdade. Eu vi como ele te devora com os olhos quando acha que ninguém está olhando. Aquela noite não o curou. Só lhe mostrou a que você sabe.
Senti um golpe seco no estômago. Meu marido tinha razão, é claro. Mas o que Javier ignorava era que eu não precisava imaginar nada. Eu sabia exatamente o que o irmão dele fazia quando ele não olhava. Sabia como ele tinha se desfeito aos meus pés naquela tarde diante do computador, como tinha tremido na manhã da vasectomia quando me ajoelhei ao seu lado com a desculpa de ajudá-lo e desabotoei a calça dele, tirei a rola semi-ereta da cueca e a meti inteira na boca até ele inchar contra o meu palato, aproveitando que Javier tinha saído para o corredor. Eu o deixara com o pau trêmulo, brilhando de saliva e a um lambido de gozar, e tinha ido embora como se nada tivesse acontecido. Esses segredos pesavam cada vez mais.
—O que é que você quer, Javier? —perguntei devagar.
—Quero vê-lo a sós com você. Sem que eu imponha os limites. Quero ver como ele rompe a própria máscara quando achar que não corre nenhum perigo.
Não respondi de imediato. Mas enquanto ele falava, algo tomava forma na minha cabeça com uma clareza que me assustou um pouco. Se eu aceitasse, se eu montasse o cenário certo, eu não só daria a Javier a fantasia dele. Rubén acabaria dizendo em voz alta tudo o que eu havia escondido do meu marido. A confissão seria dele, não minha. Javier ouviria a verdade sem que eu precisasse pronunciá-la.
Era o fio de uma navalha. Mas também era minha única saída limpa.
Escorreguei para baixo sob os lençóis e agarrei a rola com a boca sem lhe dar tempo de continuar falando. Estava meio mole e senti ela crescer contra minha língua em questão de segundos. Chupei devagar, deslizando os lábios da ponta até a base, deixando-a escorregar até o fundo da minha garganta e puxando-a de volta com um estalo úmido. Lambi os ovos dele, coloquei-os na boca um por um, e voltei a subir para trabalhar o prepúcio com a ponta da língua enquanto apertava a base com o punho. Mantive-o à beira durante minutos intermináveis, saboreando o desespero dele, sentindo as coxas se tensionarem e a veia grossa que corria sob o prepúcio começar a pulsar contra meu lábio inferior. Quando enfim o deixei gozar, ele se esvaziou entre meus dentes com um grunhido longo e abafado, e eu engoli cada jato sem desviar os olhos dos dele. Ele ficou de olhos fechados e os braços caídos ao lado do corpo. Então me levantei, peguei minha camisola na cadeira e a vesti devagar.
—Dei minha palavra a Rubén —disse com calma, da beira da cama—. Não vou quebrar minha promessa simplesmente porque meu marido resolveu brincar de espião.
Deixei-o ali, aceso e sem resposta. A semente já estava plantada.
***
Quatro dias depois, esperei o silêncio da noite se assentar entre nós na sala antes de jogar a primeira pedra.
—Você se deu conta de que dia é esta sexta-feira? —perguntei de repente, com um tom quase melancólico.
Javier levantou os olhos do notebook, piscou, e ao ver meu sorriso o rosto dele relaxou por completo.
—Quinze anos desde o nosso primeiro beijo.
—Quero comemorar como merecemos —sussurrei, chegando mais perto até me sentar de pernas abertas sobre as coxas dele e enlaçar seu pescoço com os braços—. Aluguei um apartamento lindo na costa para o fim de semana. Tranquilo, bonito, só para nós dois.
Ele me deu um beijo casto e suave nos lábios.
—Me parece um plano perfeito.
—É —ronronei, injetando no tom uma gota de veneno doce—. Principalmente porque o apartamento tem uma particularidade arquitetônica que vai te fascinar. A parede lateral da sala não é de tijolo. É um espelho falso. Um vidro enorme de um só lado que esconde um quartinho atrás.
As mãos de Javier pararam de súbito sobre minhas coxas. O sorriso romântico congelou no rosto dele enquanto o cérebro processava o choque entre a nostalgia do aniversário e a perversão daquilo que eu acabara de jogar na mesa. Suas pupilas dilataram.
—Você chega primeiro —continuei, acariciando a nuca dele com a ponta dos dedos—. Vai se trancar no escuro naquele quarto. E de lá você vai me ver preparar o jantar. Vai me ver abrir o vinho. E vai ver seu irmão e eu.
Javier ficou sem palavras. O silêncio durou vários segundos. Depois, com a voz de quem leva um golpe e não sabe se deve cair ou agradecer:
—Você está falando sério?
Assenti devagar, sem tirar os olhos dos dele, antes de sair do colo dele para pegar o telefone da mesa. Disquei o número de Rubén no viva-voz e o deixei sobre o vidro, à vista dos dois. Javier se inclinou para a frente, os cotovelos apoiados nos joelhos, devorando o telefone com o olhar.
No terceiro toque, ele atendeu.
—Sara? —a voz grave e calma dele ecoou na sala.
Transformei a minha expressão no mesmo instante. Soei aflita, nervosa, quase à beira do colapso.
—Rubén, por favor, me diz que amanhã à tarde você tem um horário livre. Preciso que você salve a minha vida. Eu queria dar uma surpresa para Javier pelo nosso aniversário: aluguei um apartamento na costa para o fim de semana, mas a amiga que ia me ajudar a deixar tudo pronto acabou de me ligar com uma urgência de família e me deixou na mão.
—Nossa... sinto muito —disse ele.
—Estou desesperada, Rubén. Sozinha eu não consigo terminar tudo a tempo para montar o que eu tenho na cabeça. Juro que não te ligaria se não estivesse com a corda no pescoço. Não tenho mais ninguém a quem pedir sem que o seu irmão acabe descobrindo e estrague a surpresa.
Houve alguns segundos de silêncio do outro lado da linha. Então:
—Não se preocupa, Sara. Claro que eu ajudo. Me diz a que horas e me manda a localização por mensagem. Eu vou pra aí.
Agradeci com uma doçura tão genuína que até eu mesma acreditei. Desliguei a chamada. O toque final ecoou na sala. Ergui os olhos para Javier. Os olhos dele brilhavam, a respiração estava completamente descompassada, e um sorriso confuso lhe curvava os lábios.
A isca estava posta. Rubén acabara de engolir o anzol até o fundo.
***
Cheguei ao apartamento antes dos dois. Era um estúdio aberto e moderno: cozinha delimitada por uma bancada de quartzo branco, mesa de vidro ao centro, cama ao fundo junto a uma porta de vidro para a varanda. E bem em frente à porta do banheiro, cobrindo a parede lateral de ponta a ponta, do rodapé ao teto, o espelho.
Procurei a fresta oculta na moldura de madeira que o proprietário me indicara nas instruções, pressionei a trava e puxei com suavidade. O painel pesado deslizou sobre um trilho silencioso, revelando a pequena sala escura ao lado. Javier já estava ali, vestido inteiramente de preto, em pé na penumbra como se o instinto dele tivesse ditado o disfarce perfeito para se fundir às sombras.
Assim que abri, ele agarrou minha cintura e puxou meu corpo para dentro. Nossos lábios se chocaram com uma urgência elétrica, como o beijo de dois adolescentes prestes a cometer algo terrível e com o medo pulsando na garganta de serem pegos.
Separei-me dele apenas alguns centímetros, apoiando as mãos no peito dele.
—Espero que você tenha sido cuidadoso ao entrar —sussurrei—. Que não tenha acendido nenhuma luz principal nem deixado nada fora do lugar. Você sabe como seu irmão é, ele repara em tudo.
—Fica tranquila —respondeu, com a voz rouca, acariciando minha mandíbula—. O cenário está impecável. Só você e ele.
—Rubén está prestes a chegar —avisei, endurecendo o tom—. Aconteça o que acontecer lá fora, ouça o que ouvir... não se atreva a abrir este painel sob hipótese alguma. Nenhum ruído. Entendeu?
O sorriso que se desenhou no rosto dele no meio da escuridão foi a resposta mais eloquente que eu poderia ter recebido.
Recuei um passo, saindo outra vez para o apartamento iluminado, e puxei a moldura do espelho até encaixá-la com um leve clique metálico. Ver meu próprio reflexo, nítido e perfeito, sabendo com absoluta certeza que os olhos do meu marido me examinavam do outro lado, a centímetros do meu rosto, me provocou uma vertigem embriagadora que eu não esperava. Senti o peso físico do olhar dele sobre a minha pele.
Fui para a cozinha. Liguei a coifa no mínimo e coloquei a frigideira para aquecer. Tinha comprado filé no caminho e os ingredientes para uma redução de vinho tinto. O som da carne chiando no óleo quente começou a encher o apartamento, dando aquele toque de intimidade quente e inocente de que eu precisava como armadilha.
Sequei as mãos num pano no exato instante em que a campainha da porta quebrou o silêncio.
Abri. Rubén usava jeans escuros e uma camisa com as mangas arregaçadas até os cotovelos, com o ar cansado de quem veio direto do próprio expediente para dar uma força.
—Você chegou! —exclamei, abrindo espaço para ele entrar com um sorriso de alívio—. Você não imagina como eu fico feliz em te ver.
—É pra isso que a gente serve —respondeu, lançando um olhar geral para o apartamento—. Olha, o lugar é ótimo, Sara. Javier vai ficar de queixo caído.
Apontando para a sacola de papel com as guirlandas de luzes quentes que descansava sobre a mesa de jantar, pedi que ele as pendurasse cruzando a porta de vidro da varanda e por cima da cabeceira da cama para dar um toque íntimo. Servi uma taça do vinho que já tinha aberto. Nos vinte minutos seguintes, o apartamento se encheu de uma domesticidade tão pura que quase chegava a ser cômica dadas as circunstâncias. Rubén subia numa cadeira da sala de jantar para fixar as luzes, me contava histórias de quando Javier e eu éramos namorados, ria das próprias piadas. As defesas dele estavam completamente baixas; ele se sentia útil, seguro no papel de bom irmão que estava apenas ajudando a família.
E o tempo todo, enquanto eu mexia o molho na frigideira e ria das piadas dele, eu não conseguia tirar da cabeça que Javier estava no escuro a poucos metros de nós, devorando cada movimento do irmão através do imenso vidro espelhado.
Quando as luzes ficaram prontas, olhei o relógio da coifa e suspirei dramaticamente.
—Passei a tarde inteira carregando sacolas de um lado para o outro e sinto que absorvi cheiro de chalota e carne assada. Javier ainda demora mais de uma hora. Você se importaria de ficar no comando um instante? Só precisa ficar no fogo baixo e mexer de vez em quando para não grudar no fundo.
—Claro. Me diz o que eu tenho que fazer.
Entreguei a colher de pau para ele, pedi que vigiasse o fogo e caminhei até a cama para tirar meu nécessaire da mochila preta pesada que eu tinha deixado em cima da colcha. Fiz isso com lentidão deliberada, me certificando de deixar o zíper escancarado antes de me fechar no banheiro.
O conteúdo da mochila era uma isca dentro da isca. Em cima de tudo, quase inocente, descansava um delicado conjunto de lingerie preta de renda floral. Mas logo abaixo, surgindo entre o tecido escuro, esperava a brutalidade: uma réplica de silicone enorme, com veias marcadas e glande grossa, que Rubén conhecia muito bem de uma tarde que compartilhamos diante de um computador. E, como golpe final, no fundo, um masturbador masculino de silicone transparente, com textura interna de anéis apertados, acompanhado de um frasco de lubrificante com efeito de calor. Ver aquele estojo criado exclusivamente para espremer um pau deixaria bem claro que a noite não seria só minha.
Abri o chuveiro. Deixei a água correr e esperei.
***
Quando saí do banheiro enrolada numa toalha grande e com o cabelo úmido preso num turbante, o zíper da mochila estava perfeitamente fechado.
Sorri por dentro. Ele tinha mordido a isca.
—Como vai essa redução? —perguntei num tom leve e familiar, caminhando descalça sobre a madeira.
Através da bancada de quartzo, vi Rubén agarrado à colher de pau como se fosse uma bóia de salvação, mexendo o molho com movimentos espasmódicos próprios de um autômato. A nuca dele estava rígida e, quando virou levemente a cabeça para me responder com um murmúrio ininteligível, vi o rubor violento subindo pelo pescoço e a mandíbula travada. Ele disfarçava muito mal. O arsenal que tinha visto na mochila fritara os circuitos dele por completo.
—Está com um cheiro maravilhoso, mas eu estou torrando —continuei com total naturalidade, caminhando diretamente até o imenso espelho da parede lateral—. O banheiro virou uma sauna turca. Impossível pentear o cabelo lá dentro sem derreter.
Parei diante do vidro enorme. Eu sabia que Javier estava do outro lado, a poucos centímetros da minha pele, me devorando com os olhos desde a escuridão. Atuei com a mesma naturalidade que teria diante de uma amiga íntima. Sem um pingo de sensualidade forçada, deixei a toalha cair do meu corpo. Segundos depois, desfiz o turbante da cabeça, soltando o cabelo úmido, e as duas peças de tecido caíram no chão aos meus pés.
Completamente nua, parei por um instante diante do meu próprio reflexo.
—Vejam só a minha cabeça —murmurei, estalando a língua com irritação—. Esqueci o secador lá dentro.
Não era um esquecimento, claro. Era uma desculpa calculada. Virei nos calcanhares e caminhei de volta para o banheiro, atravessando o cômodo sem pressa nenhuma, com um balanço relaxado que fazia meus peitos pularem suavemente a cada passo. Aquele vai e vem era um presente visual para os dois: a sombra atenta do meu marido do outro lado do vidro e os olhos congestionados do meu cunhado da cozinha, que já não fingia mais onde tinha cravado a vista.
Voltei com o secador na mão, liguei na tomada e o coloquei no máximo. O zunido ensurdecedor do motor encheu o apartamento, criando uma barreira acústica que impossibilitava qualquer tentativa de conversa.
Me dediquei a secar o cabelo usando as mãos, com movimentos amplos e despreocupados. Através do reflexo, a dinâmica era perfeita: eu lhe lançava olhares rápidos e calculados; ele me devorava com os olhos assim que achava que eu estava concentrada nas mechas, mas desviava o olhar em pânico toda vez que ameaçava pegá-lo em flagrante. Eu podia ver o volume grosso marcando a costura do jeans cada vez que ele se virava de perfil para a frigideira.
De vez em quando, eu deixava de prestar atenção no cabelo e cravava as pupilas diretamente na negrura indecifrável do vidro. Eu não podia vê-lo, mas sabia exatamente onde estavam os olhos de Javier. Sustentava aquele olhar invisível através do espelho, oferecendo a ele cada milímetro da minha pele nua e compartilhando com ele, em um silêncio de cumplicidade absoluta, o maravilhoso espetáculo do próprio irmão dele desmoronando a três metros de distância.
Desliguei o secador e o deixei sobre o tapete. O motor se calou de repente, devolvendo o protagonismo sonoro ao zumbido constante da coifa.
—Rubén —disse de repente, com um tom divertido, quase zombeteiro, sem desviar o olhar do reflexo—. Se você continuar batendo essa redução, vai acabar virando chantilly.
Rubén deu um sobressalto. A colher bateu ruidosamente no metal da frigideira.
—Eu... desculpa. Só estava tentando impedir que grudasse no fundo —gaguejou.
A voz dele estava rouca, abafada. O constrangimento tingia suas bochechas e o pescoço de um vermelho intenso. Ele estava completamente vencido pela situação, sem saber onde enfiar as mãos.
Ri baixinho, uma risada cristalina que pretendia diminuir a importância de tudo. Passei creme hidratante nas mãos e continuei espalhando pelos ombros e pelo ventre diante do espelho, deslizando depois pelos seios até beliscar os mamilos sem querer sob o pretexto de espalhar bem a loção.
—Por favor, Rubén —disse com um tom leve, quase fraternal—. Não me diga que a essa altura você vai ficar com vergonha de me ver nua.
Ele engoliu em seco. Os olhos dele dançavam nervosos pela cozinha, incapazes de suportar o peso da situação.
—Não é isso, Sara. É só que... me pegou de surpresa —conseguiu articular, tentando soar racional.
Parei as mãos sobre as coxas e o encarei diretamente pelo reflexo.
—Olha, se você estiver incomodado, pego minhas coisas e me visto no banheiro. Eu não tinha dado importância, mas se te incomoda, eu vou agora mesmo.
O pânico atravessou o olhar do meu cunhado. A simples ideia de eu ir embora e lhe arrancar aquele espetáculo, justo agora que eu praticamente lhe dava permissão para olhar sem se sentir julgado, foi maior do que ele.
—Não! Não precisa —apressou-se a dizer, quase tropeçando nas palavras—. Fica aí, não tem problema.
—Ainda bem —murmurei, retomando minha tarefa. Enquanto falava, me virei para a mochila—. Além disso, eu ia te pedir um conselho e não sabia muito bem como fazer isso.
Diminuí a distância entre os dois, completamente nua, e desliguei o cooktop com naturalidade.
—A redução já está perfeita —anunciei—. Vem, acompanha-me um instante.
Peguei a mão dele. A dele estava úmida de nervosismo; a minha, macia e perfumada pelo creme recém-aplicado. Puxei-o até a beirada da cama e dei um empurrãozinho suave no peito dele para obrigá-lo a sentar sobre a colcha.
Virei-me para a mochila.
—Olha só —soltei com uma risadinha—. Que caprichoso você fechando tudo. Eu sou um desastre; jurava que tinha deixado escancarado quando tirei o nécessaire.
Pelo reflexo do armário, vi Rubén ficar branco, congelado na beirada da cama. Eu tinha acabado de confirmar que sabia que ele andara bisbilhotando, mas com um tom tão inocente que ele não podia se justificar sem se denunciar por inteiro.
Ignorando a palidez repentina dele, abri a mochila e tirei o conjunto de lingerie de renda preta. Virei-me para ele e segurei as pequenas peças diante do meu corpo nu, exatamente na altura em que deveriam ficar.
—Você sabe como o Javier é com o preto. Mas eu comprei com tanta pressa que nem cheguei a experimentar. O que você acha? Você acha que ele vai gostar ou é atrevido demais?
Rubén piscou algumas vezes, tentando manter os olhos grudados no meu rosto e não na calcinha que eu segurava exatamente diante da minha boceta.
—É muito bonito, Sara —conseguiu articular, com a voz algumas oitavas mais grave do que o normal—. Ele vai adorar.
—Ótimo! —exclamei, sorrindo—. Vou ver como fica vestido.
Sem nenhum pudor nem pressa, comecei a me vestir ali mesmo, diante dele. Ajustei o sutiã, conferi como a renda floral emoldurava meus seios, e então deslizei a calcinha preta pelas pernas. O modelo não tinha tecido nenhum na virilha, deixando meus lábios expostos e emoldurados pelas bordas rendadas.
Afastei-me alguns passos até o centro da sala para que ele tivesse uma perspectiva melhor e dei uma volta lenta sobre mim mesma.
—Está direto demais? Me diz a verdade, eu confio no seu critério.
—Não é vulgar —respondeu, com a voz visivelmente mais grave—. Ele vai amar. Com certeza.
—Então decidido. —Lhe dei um sorriso radiante—. Agora a segunda dúvida, que é a que mais me preocupa.
Virei-me para a cama para remexer outra vez dentro da mochila. O masturbador tinha ficado preso no fundo, debaixo da réplica enorme de silicone. Com um suspiro impaciente, agarrei o consolador pela base, tirei-o e o deixei cair sobre a colcha com a mesma naturalidade de quem tira um par de sapatos ao desfazer a mala.
Rubén continuava sentado na beirada da cama, de costas para mim. Em vez de se virar para ver o que eu fazia, fixou os olhos no enorme vidro à frente, usando-o como retrovisor. Foi ali, na superfície do espelho, que nossos olhares se cruzaram. Vi como a expressão dele mudou por completo. Seus olhos desceram até o reflexo do consolador enorme repousando sobre os lençóis e um brilho de inegável familiaridade cruzou suas pupilas, misturado a um rubor súbito e a uma excitação densa que lhe tensionou a mandíbula.
Ele conhecia perfeitamente aquele objeto.
—Pelo jeito como você ficou olhando, eu juraria que acabou de reencontrar um velho conhecido —disse, com uma risadinha leve, prendendo novamente o olhar dele através do vidro.
Rubén engoliu em seco com tanta força que o movimento do pomo de Adão dele se refletiu no espelho. Remexeu-se no lugar, incapaz de disfarçar o peso das próprias lembranças.
—É o que você tinha nas fotos do computador —murmurou, com a voz baixa, como se só mencionar aquilo já fosse pecado—. Daquela tarde no escritório.
Lá estava. Uma confissão limpa, direta e da própria boca dele, servida em bandeja de prata para que a sombra silenciosa do meu marido, do outro lado do vidro, a devorasse.
—O mesmo —confirmei com um sorriso cúmplice, deixando para lá como se não tivesse importância—. Mas voltando ao assunto.
Deixando o consolador para trás, dei alguns passos e me sentei ao lado dele na beirada da cama com o masturbador na mão. Estendi-o para ele.
—Me juraram que é o melhor do mercado, mas eu acho muito estreito para o tamanho do Javier. E como sei que você tem bem mais volume que ele... pensei que talvez pudesse experimentar só um segundo para me dizer se a fricção é confortável.
Rubén desviou o olhar bruscamente e negou com a cabeça. A respiração dele havia ficado irregular, pesada.
—Sara, para —suplicou, com a voz rouca, quase quebrada pela tensão acumulada—. Eu não posso fazer isso. Você não pode me fazer isso.
Ele passou as mãos pelo rosto, visivelmente derrotado, lutando para manter a sanidade. Quando voltou a me encarar, os olhos estavam carregados de uma mistura de desespero e uma reprovação inteiramente legítima.
—Você me obrigou a prometer que aquela noite seria a última vez. E eu cumpri —continuou, num tom mais duro, agarrando-se à própria frustração—. Mas agora você está aqui desfilando meio nua e me pedindo para enfiar o pau num brinquedo para o seu marido. Você tem noção de como isso é humilhante? É exatamente igual àquela manhã em que eu vim depois da vasectomia.
Meu coração deu um salto puro de antecipação. Era ali.
—Naquele dia você também sabia perfeitamente o que estava fazendo —rosnou ele, incapaz de conter o veneno das próprias lembranças—. Você se aproveitou da confiança cega de Javier, que ficou na sala enquanto nos deixava sozinhos. Ele não podia imaginar que semanas antes você já havia aberto a porta dos seus segredos no escritório. Então ele viu seus cuidados por um prisma de inocência que você se encarregou de perverter. Você me baixou a calça com a desculpa de verificar o curativo, me pegou com a mão gelada e trabalhou nela até deixá-la dura como pedra. E, quando me teve assim, ajoelhou-se entre minhas pernas e a enfiou na boca. Inteira, Sara. Até o fundo. Eu sentia como batia na sua garganta e como você engolia em volta. Me chupou com uma fome que eu nunca vi na vida, engasgando, deixando a linha de saliva escorrer pelos meus ovos. E, quando eu estava prestes a gozar na sua boca, quando o aviso já tinha disparado na base do pau, você soltou os lábios com um estalo, limpou o queixo com o dorso da mão e foi para o corredor se lambendo como se nada tivesse acontecido. Me deixou ali, explodindo de vontade, com o pau pulsando no ar e seu irmão a três passos, e agora você quer que eu volte a ser seu banco de testes.
As palavras dele ressoaram na sala como uma sentença. Do outro lado do enorme vidro, Javier acabara de receber o impacto direto da realidade: a confissão explícita e crua do que acontecera na própria casa dele, pelas costas dele.
Não fiquei na defensiva. Esbocei um sorriso suave, quase compreensivo, e deixei os braços caírem com uma languidez ensaiada.
—Você tem razão, Rubén —cedi, com uma voz incomumente tranquila—. Naquele dia eu fui egoísta, não nego. Mas nós dois sabemos que minha curiosidade não nasceu naquela manhã. Vinha de antes, da tarde no escritório. Me desculpa.
Dei um passo lento na direção dele, encurtando a distância até que meus joelhos roçassem o tecido da calça dele.
—Mas você erra em uma coisa —continuei, cravando os olhos nos dele—. Eu não estou torturando você agora. É você quem está fazendo isso. Foi você quem trouxe à tona aquela história do quarto. Foi você quem lembrou em voz alta do toque da minha boca enquanto olha para os meus peitos.
Inclinei-me um pouco para ele, invadindo o espaço íntimo dele sem o encurralar.
—Você vem fingindo há meses ser o cunhado irrepreensível, o cavalheiro perfeito. E Javier acredita nisso. Mas nós dois sabemos que essa promessa está sufocando você. Se você realmente quer continuar sendo esse cavalheiro, levante-se, saia por aquela porta e finja que isso não aconteceu. Mas, se não tem a menor intenção de ir embora, pare de rodeios e economize as reclamações. A decisão é sua.
O silêncio que se seguiu ao meu ultimato foi denso, quase palpável. Durante segundos intermináveis, Rubén manteve o olhar preso ao meu. A tempestade de ressentimento se apagou nos olhos dele, substituída pelo brilho escuro e febril da rendição.
Ele não tentou se levantar. Não fez qualquer menção de ir embora. Ergueu uma das mãos grandes e fortes, pousou-a na parte interna da minha coxa e, com uma pressão firme e deliberada, me empurrou devagar para trás sobre o colchão. Depois inclinou o corpo sobre o meu, afastou de um puxão a tira rendada da calcinha e mergulhou o rosto entre minhas pernas.
Não houve beijos prévios. Não houve preâmbulos carinhosos. Foi uma lambida de xana atropelada, desesperada e voraz: a língua dele invadindo meus lábios inchados com uma fome que beirava a loucura, lambendo-me de cima a baixo, do cu até o clitóris, chupando minha umidade diretamente da fonte com a sede de quem passou meses se proibindo água. Era um homem morto de fome a quem finalmente deixavam comer.
O susto me fez reagir por instinto. Levei as mãos à cabeça dele, enredando os dedos nos cabelos, e meus joelhos cederam ao reflexo inútil de querer se fechar. Mas a desajeitação e a brutalidade da língua dele, movida por pura necessidade e não por técnica, me atingiram com um sobressalto de prazer elétrico que apagou qualquer vontade de afastá-lo.
Pouco a pouco, fui relaxando a tensão das coxas. Deixei que ele fizesse. Abri-me para lhe dar acesso total e deixei minha mão esquerda se afundar no cabelo dele, guiando e aproveitando a devoração ansiosa, enquanto a direita subia para apertar meu próprio mamilo por cima da renda no compasso do desespero dele. Eu sabia que Javier via tudo: a cabeça do irmão dele entre minhas pernas, meu ventre subindo e descendo, minha mão puxando o cabelo dele para que não se afastasse da minha boceta nem um milímetro.
A fome inicial de Rubén não demorou a se afiar, transformando a brusquidão dos primeiros segundos numa técnica muito mais precisa. Ele se concentrou exclusivamente no meu clitóris, envolvendo-o com os lábios para criar um vácuo úmido e firme enquanto a ponta da língua batia no nervo exposto com uma rapidez frenética. Deslizou dois dedos grossos pela minha fenda e os afundou dentro de mim. O contraste foi devastador: a sucção voraz em cima e o bombeio constante dos nós dos dedos abrindo caminho pelo meu canal, entrando e saindo sem o menor esforço graças à quantidade de fluido que transbordava de mim e encharcava a mão dele até o pulso. Curvou os dedos para cima, procurou aquele ponto áspero na minha parede interna e começou a bater ali com a ponta enquanto me chupava o clitóris sem me dar trégua.
A tensão se acumulou no baixo ventre numa velocidade vertiginosa. Meus gemidos perderam qualquer resquício de pudor. Arqueei a coluna com violência quando o orgasmo explodiu dentro de mim, me sacudindo numa série de espasmos rítmicos que me deixaram cega e sem fôlego, com os joelhos tremendo ao lado da cabeça dele e as coxas apertando as orelhas dele. Senti minha buceta se fechar com força sobre os dedos dele e um jato morno escorrer pelo queixo dele até pingar na camisa.
***
Quando recuperei a respiração, me ergui devagar e cravei o olhar nele. Rubén tinha a boca brilhando, o queixo ensopado e os olhos vidrados de desejo. Passei o polegar pelo lábio inferior, recolhendo os meus próprios sucos, e coloquei o dedo na boca dele para que chupasse. Ele fez isso sem desviar os olhos dos meus.
—Agora fique de pé —sussurrei.
Peguei a mão dele e o conduzi até ficar em pé a poucos centímetros do espelho falso, calculando o ângulo com perfeição para que Javier, do outro lado, tivesse uma visão limpa do irmão visto de lado. Desapertei o cinto dele com lentidão calculada, abaixei o zíper e puxei a calça jeans e a cueca ao mesmo tempo, deixando-as cair em volta dos tornozelos. A rola de Rubén saltou livre, grossa, dura como um mastro, com a glande inchada e arroxeada e uma gota espessa de líquido pré-seminal pendurada na ponta. De fato, era consideravelmente maior que a de Javier: mais comprida, mais grossa no corpo, com uma veia central saliente correndo por todo o comprimento. Um exemplar que deixa marca.
Ajoelhei-me no chão à frente dele, apoiando o peso dos glúteos nos próprios calcanhares, com o rosto exatamente na altura do pau dele e o espelho enorme como testemunha perfeita atrás de nós.
Envolvi a base com o punho e lambi devagar dos ovos até a coroa, saboreando o suor e a tensão. Depois fechei os lábios sobre a glande e o chupei com uma sucção firme, sem ainda metê-lo até o fundo. Eu precisava dar a Javier o mesmo espetáculo lento com que passara meses me torturando na minha cabeça.
—Olhe bem para mim —murmurei, com o pau de Rubén roçando meus lábios—. Olhe para você no espelho, Rubén. Veja como a mulher do seu irmão está chupando você.
Ele ergueu os olhos e cravou a vista no vidro, vendo-se refletido com a cunhada ajoelhada, pintando o pau dele com a língua. Um gemido gutural escapou do peito dele. Coitado, não sabia que estava olhando diretamente para os olhos de Javier através do espelho.
Soltei o pau e estendi a mão até a mesinha, onde repousavam o masturbador transparente e o frasco de lubrificante. Derramei uma quantidade generosa dentro do tubo, agitei algumas vezes para espalhar e senti que ele aquecia entre meus dedos. Depois posicionei a boca do masturbador contra a glande de Rubén e o empurrei devagar, engolindo o pau dele centímetro por centímetro. O silicone transparente apertava o tronco de modo que as veias se viam marcadas contra a parede do tubo, comprimidas, e os anéis internos se deformavam em torno da carne dura.
—Me diz como você sente —sussurrei, começando a movê-lo com giros lentos do pulso.
—Aperta... aperta bastante —ofegou Rubén, com os olhos semicerrados, apoiando uma mão na moldura do espelho para não perder o equilíbrio—. Mas está bom. Está muito bom.
—Como uma boca? Como uma boceta?
—Como uma boceta apertada. Muito apertada.
Sorri e acelerei o ritmo. O som úmido do silicone chacoalhando ao redor da rola dele encheu o apartamento, misturado à respiração entrecortada de Rubén e ao som mais silencioso, mais contido, que eu intuía do outro lado do vidro: o do meu marido se masturbando na escuridão.
Trabalhei a rola de Rubén com o masturbador durante longos minutos, medindo cada aceleração, cada pausa. Quando percebia os ovos dele se tensionando contra a base e a ponta inchando dentro do tubo transparente até ficar quase preta, eu afrouxava o ritmo e deixava-o respirar. Em duas ocasiões o levei até a beira do orgasmo, com a porra já despontando na uretra, e nas duas arranquei o tubo na hora certa, obrigando-o a engolir o esvaziamento.
—Sara, porra, por favor —ofegou na terceira, com a voz partida, olhando para baixo enquanto o pau dele pulsava no ar, brilhante, inchado, pingando líquido pré-seminal no chão.
—Por favor o quê? —perguntei, olhando para ele de baixo com a língua entre os lábios.
—Me deixa terminar. Me deixa terminar de uma vez por todas.
Fingi pensar por um instante. Depois encaixei de novo o masturbador na glande dele e o desci num único movimento firme até a base. As coxas de Rubén se sacudiram.
—Goza —concedi num sussurro—. Goza e não tire os olhos do espelho.
Ele não aguentou dez segundos. Um rugido baixo e rouco lhe saiu da garganta, os quadris dispararam para a frente empurrando contra o tubo, e o pau explodiu dentro do silicone. Vi, e Javier também viu com perfeita nitidez, o sêmen espesso e branco jorrar em grossos jatos ao redor das paredes internas do masturbador, aprisionado entre o silicone transparente e a pele, encharcando a glande. Rubén continuou empurrando por inércia, se espremendo contra o brinquedo, até a última contração deixá-lo vazio e trêmulo, segurando-se na moldura do espelho para não cair.
Tirei o pau dele do tubo com lentidão. O masturbador ficou cheio da corrida dele, uma bagunça pegajosa e quente que decidi não limpar ainda. Deixei-o apoiado sobre a mesinha, à vista, como um troféu.
Lambi as últimas gotas da glande antes de soltá-lo.
Recolhi o campo de batalha em silêncio, com a lingerie preta ainda no corpo e o cheiro do sêmen do meu cunhado impregnando minhas mãos. Acompanhei-o até a porta principal com calma. No batente, ele parou, olhou nos meus olhos com uma intensidade desarmante e murmurou um “obrigado a você” que pesava muito mais do que dizia. Inclinei-me para a frente e o abracei com força, esmagando meus seios contra a camisa dele durante segundos que pareceram eternos. Queria que ele levasse o meu toque gravado a ferro antes de sair para o hall.
A porta principal se fechou atrás de mim. Apoiei-me por um instante na madeira, deixando a adrenalina começar a baixar, antes de caminhar até a parede falsa. Acionei o mecanismo oculto e empurrei o painel.
Javier estava ali, na penumbra, sentado sobre um banco baixo que servira como poltrona improvisada de primeira fila. Ele ainda estava com a camiseta, mas nu da cintura para baixo. A respiração era pesada, e a ereção imponente, avermelhada e tensa, com o prepúcio retraído e a glande brilhando de líquido pré-seminal, denunciava que ele estivera à beira do clímax por horas sem se permitir chegar lá. Tinha a mão manchada, tinha passado horas se segurando sem gozar.
Fiquei de pé no batente, observando-o. Eu esperava encontrar devastação ou raiva pelas revelações que ele ouvira. Mas o que vi nos olhos dele foi uma mistura estranha de vulnerabilidade e resignação.
—Acho que, no fundo, eu já imaginava —quebrou o silêncio, com a voz rouca—. Havia coisas que não batiam. O afastamento do Rubén, que começou quase do nada justamente depois da manhã da vasectomia dele. Sempre me pareceu coincidência demais.
Engoliu em seco antes de continuar.
—Eu queria ter descoberto de outro jeito, Sara. Acho que sempre te dei confiança suficiente para não precisar esconder nada de mim, por mais grave que isso pudesse parecer.
As palavras dele não carregavam reprovação cruel. Eram a confissão de um homem que se sentia excluído da confiança da própria mulher. Aquela vulnerabilidade apertou meu coração e, ao mesmo tempo, acendeu algo em mim de forma instintiva e possessiva.
Aproveitando a altura do banquinho, aproximei-me dele a passos lentos e me coloquei entre as pernas abertas. Acolhi o rosto dele com as mãos e o beijei. Foi um beijo doce, pausado, carregado de um arrependimento que não precisava de palavras para ser real.
—Me desculpa —sussurrei contra os lábios dele—. Aquela manhã o tesão falou mais alto que a razão. Eu me deixei levar. Quis te contar assim que você cruzou a porta, mas quanto mais eu pensava no que tinha feito, mais medo eu tinha de te perder. Preferi me convencer de que era melhor não mexer em nada.
Beijei-o outra vez, desta vez com mais urgência, mexendo sutilmente os quadris para que o pau duro dele roçasse o tecido molhado da renda entre minhas pernas. Javier gemeu na minha boca e as mãos dele ganharam vida, agarrando minha cintura com uma força possessiva que me fez engolir em seco.
Ele se afastou apenas um milímetro, respirando com dificuldade, com os olhos escurecidos de desejo e da necessidade de saber que não havia mais fantasmas entre nós.
—Você gostou do que viu? —perguntei num sussurro.
—Me deixou maluco —confessou, com a voz quebrada e arrastando as palavras—. Ouvir você chamando ele, te ver ajoelhada na frente dele, ver a rola dentro do tubo se enchendo de leite a um palmo do seu rosto... Eu quase gozei três vezes só de olhar. Tive que apertar a base para não me soltar.
Sorri na penumbra. Era a resposta perfeita.
Peguei a mão dele, o tirei do banquinho e o guiei até a beirada da mesma cama onde o irmão tinha estado sentado minutos antes. Tirei a camiseta dele pela cabeça. Empurrei o peito dele até deitá-lo e subi por cima, de pernas abertas, com a calcinha aberta roçando o ventre dele. Afastei-a para o lado e me deslizei sobre o pau dele, esfregando os lábios encharcados ao longo de todo o tronco sem deixar que entrasse. Javier rosnou e cravou os dedos nas minhas coxas, tentando forçar a penetração.
—Ainda não —sussurrei, afastando-me um pouco—. Primeiro quero te dar o que você passou horas esperando.
Desci até me ajoelhar entre as pernas dele, penduradas para fora da cama. Peguei na mesinha o masturbador de silicone transparente, ainda carregado com o sêmen espesso de Rubén dentro. Levantei-o na altura dos olhos dele para que visse bem, para que registrasse a corrida do irmão aprisionada contra as paredes do silicone. Javier arregalou os olhos.
—Sara...
—Silêncio —murmurei—. Você viu tudo. Agora é a sua vez de sentir.
Envolvi o pau dele com a mão livre, apertando a base para firmar a ereção, e encaixei o masturbador pela ponta. A corrida quente de Rubén se redistribuiu por dentro, envolvendo a glande de Javier, escorrendo pelo tronco, misturando-se ao líquido pré-seminal que ele próprio vinha segregando havia horas. Um gemido gutural, quase animal, rasgou a garganta do meu marido.
—Sente bem a textura —sussurrei, subindo e descendo o tubo com uma lentidão desesperante—. É a mesma que ele usou. Os mesmos anéis, a mesma pressão. Agora seu pau está deslizando pelo mesmo lugar onde o seu irmão gozou há dez minutos. Está sentindo como ainda está quente? Está sentindo como escorrega melhor por causa da porra dele?
—Porra, Sara —ofegou Javier, com as mãos agarradas aos lençóis, os nós dos dedos brancos—. Porra.
—E ele me pedia isso, sabia? Pedia para eu trabalhar nele assim, devagar. Para não deixar ele acabar. Para apertar a base cada vez que ele estava prestes a gozar. Exatamente como eu estou fazendo com você agora.
Apertei a base com o punho cerrado justamente quando sentia a primeira onda vir, e Javier soltou um rugido de pura frustração. Deixei ele baixar um pouco. Recomecei. Trabalhei o pau dele com o brinquedo por muito tempo, com movimentos lentos e deliberados, sussurrando no ouvido dele que era exatamente assim que o irmão tinha me pedido para fazer. Que nessa velocidade e nesse ritmo, nessa direção precisa. Que Rubén tinha gozado ali dentro me implorando para eu deixá-lo, exatamente como ele implorava agora.
—Deixa eu gozar —gemeu Javier, com os olhos fechados—. Sara, por favor, deixa eu gozar, deixa, deixa...
—Ainda não —sussurrei, e tirei o tubo dele de repente.
Antes que ele pudesse protestar, subi por cima dele, encaixei o pau dele na minha boceta e me empalei de uma única vez, firme, até a base. Os dois gememos ao mesmo tempo. Eu estava tão molhada do cunnilingus, tão escorregadia, que a rola entrou de uma vez só até o fundo. Comecei a cavalgar com vontade, apoiando as mãos no peito dele, deixando-o ver como entrava e saía de mim, como meus peitos quicavam a cada descida, como eu subia e descia com um chapejo úmido.
—Goza dentro —ordenei, cravando os olhos nos dele—. Marca-me por dentro. Agora mesmo. Deixa teu leite exatamente onde seu irmão meteu os dedos em mim.
Javier não aguentou mais. Agarrou minhas ancas com uma força brutal, me cravou contra ele e arqueou o corpo sob meu peso com um rugido que encheu o apartamento. Senti o pau dele se sacudir dentro de mim, o jato quente e espesso se estilhaçando contra minha parede interna, jato após jato, tudo o que ele vinha segurando há horas. Fiquei parada em cima dele, apertando a boceta ritmicamente para espremer dele até a última gota, enquanto ele tremia por baixo, de olhos fechados e respiração partida.
Quando enfim relaxou, desabei sobre o peito dele. O pau dele continuou dentro de mim, amolecendo devagar, enquanto o sêmen começava a escorrer pelas minhas coxas.
Depois me deitei ao lado dele, deixando a respiração dos dois se acalmar no silêncio. Acima da cabeceira, as guirlandas de luz quente que Rubén tinha pendurado com tanta paciência continuavam acesas, banhando o quarto num brilho íntimo e absurdamente doméstico.
—Feliz aniversário —murmurei, apoiando a cabeça no ombro dele.
Javier soltou uma risada baixa e gutural e me envolveu com o braço, me apertando contra ele.
—Definitivamente o presente de aniversário mais perverso da nossa vida —respondeu.
Eu não concordei. Mas também não discordei.