O que nós três descobrimos diante da lareira
A neve caía devagar do outro lado das janelas panorâmicas da cabana, desenhando um véu branco sobre os pinheiros do vale. Lá dentro, a lareira ardia com aquela intensidade calma da madeira de carvalho, e a sala cheirava a resina e a brasa. Helena continuava estendida sobre o tapete, com os cabelos loiros colados à testa e um sorriso pairando no rosto. Mateo, ao lado dela, se apoiava nos cotovelos no chão, ainda com a respiração descompassada e os olhos cravados em mim, como se eu tivesse acabado de abrir uma porta cuja existência ele jamais suspeitara.
—Que diabos foi isso, Carolina? —perguntou, com a voz seca, tentando organizar o que o corpo acabara de viver.
Aproximei-me descalça sobre as peles do tapete, sentindo como a minha própria umidade se anunciava a cada passo. Aquela cena me tinha levado ao limite sem que ninguém me tocasse. Ajoelhei-me ao lado dele e acariciei sua bochecha com o dorso dos dedos.
—Você acabou de descobrir o seu ponto P —disse baixinho—. A próstata responde igual ao ponto G das mulheres. O seu corpo nunca tinha aprendido a ouvi-la.
Mateo me olhou como quem acaba de entender que o mapa que conhecia estava incompleto. Ao seu lado, Helena começava a recuperar a fala. Passou a língua pelos lábios, ainda inchados, e sorriu sem abrir totalmente os olhos. Seus seios se moviam no compasso de uma respiração que não se serenara, os mamilos tensos, as clavículas brilhando de suor.
—É incrível —disse Mateo, e o pau lhe deu outro salto contra a coxa, despertando—. Temos que testar os dois. Agora.
—Respira um pouco, meu amor. Temos a noite toda —respondi, e me deslizei até Helena para beijá-la. Sua língua tinha gosto do prazer recente, de algo doce e áspero ao mesmo tempo. Mordi seu lábio inferior e ela respondeu cravando os dedos nos meus seios, apertando-os com aquela maravilhosa falta de jeito de quem ainda não voltou totalmente do orgasmo. Abafei um gemido contra sua mandíbula.
***
Vinte minutos depois, estávamos os três nus sobre o tapete. A lenha crepitava com uma constância hipnótica e o brilho alaranjado dançava sobre a nossa pele, recortando músculos e curvas com uma luz quase teatral. Mateo estava deitado de costas, os braços abertos, oferecido. O pau descansava contra o ventre, mas já prometia despertar. Helena lhe acariciava as coxas com as unhas, parando em cada veia, enquanto eu me acomodava entre suas pernas com o frasco de lubrificante na mão.
—Dessa vez você vai mais longe —sussurrei.
O gel estava frio. Deixei-o cair sobre os meus dedos e esfreguei as pontas para aquecê-lo antes de buscar o anel de músculo entre suas nádegas. Mateo não se assustou como da primeira vez. Relaxou, apoiou a nuca no travesseiro e soltou o ar devagar. Helena, enquanto isso, tinha se deslizado até o próprio centro e se acariciava com os dedos em círculos lentos sobre o clitóris já brilhante, observando tudo de lado, mordendo o lábio.
—Vou entrar bem devagar —avisei.
Meu dedo indicador afundou macio e, depois de alguns centímetros, encontrou aquele pequeno inchaço arredondado escondido para a frente. Comecei a pressioná-lo com um movimento curto e firme, como quem bate à porta sem pressa. Mateo arqueou as costas com tanta força que as omoplatas se levantaram do tapete. Um som grosso, baixo, subiu do peito até a garganta. Seu pau se sacudia contra o abdômen a cada batida do coração. Uma gota espessa de líquido transparente escorria pela glande e caía sobre o umbigo.
—Carolina… eu não sabia… —murmurou, com os olhos fechados, sacudindo a cabeça em pequenos espasmos.
Helena não aguentou mais. Inclinou-se sobre ele e levou o pau à boca com um movimento limpo, quase devoto. A língua lhe contornava o freio, os lábios subiam e desciam, e no fundo da garganta o engolia até onde podia. A combinação do meu dedo dentro dele e da boca quente dela por cima lhe arrancou o ar. Começou a gemer sem pudor, com aqueles sons partidos que só aparecem quando alguém para de pensar.
—Mais, por favor, mais… —pedia com a voz quebrada, as mãos enredadas no cabelo loiro de Helena, sem ousar empurrá-la mas sem querer soltá-la.
Aumentei o ritmo. Meus dedos trabalhavam com uma precisão aprendida em outros corpos, em outras noites, enquanto Helena se desdobrava a garganta com uma avidez que eu não conhecia nela. O crepitar do fogo, o estalo úmido da boca dela, a respiração entrecortada dele: era uma música íntima, feita só para nós três.
—Vou gozar… vou gozar —avisou Mateo com urgência.
—Ainda não —disse, e retirei o dedo num só movimento. Helena soltou o pau com um som úmido e ficou suspensa sobre ele, com os lábios brilhantes, esperando meu sinal.
Mateo abriu os olhos, incrédulo. O corpo inteiro tremia de frustração, os músculos do abdômen marcados como cordas, o pau pulsando num ritmo quase doloroso.
—Carolina, por favor… eu te peço…
—Confia —respondi.
Voltei a afundar o dedo, desta vez com um movimento mais rápido e deliberado, encontrando sua próstata sem hesitar. Helena retomou a chupada com a mesma devoção de antes, agora com duas mãos: uma envolvendo a base, a outra apoiada na coxa. Acrescentei um segundo dedo e comecei a massagear com pequenos círculos firmes, alternando pressão e velocidade. Era uma técnica que eu havia aprendido com os anos, usando-a com cuidado, medindo cada respiração dele.
Os gemidos de Mateo se transformaram em gritos curtos, primais, que perdiam toda a forma de palavra. Suas costas se arquearam num ângulo que parecia impossível, os calcanhares se enterraram no tapete, e então ele explodiu. O orgasmo sacudiu seu corpo inteiro, uma convulsão longa que não acabava. Helena engoliu o que pôde, e o que não pôde salpicou no queixo, no pescoço, nos meus seios. Ela mesma, ao ver aquilo, se sacudiu num orgasmo menor, abafado, mordendo o dorso da mão para não gritar.
***
Quando os três recuperamos o fôlego, ficamos quietos, olhando para o teto. Mateo tinha os olhos vidrados, abertos, como se ainda estivesse voltando. Apoiou a mão na minha coxa e apertou-a.
—Nunca senti algo assim —disse, com a voz rouca—. Não sabia que meu corpo podia fazer isso.
—E ainda não terminamos —respondi com um sorriso, antes de me inclinar sobre Helena para limpar o peito dela com a língua. Ela se estremeceu sob a minha boca, soltou um gemido baixo e cravou as unhas na minha nuca.
Lá fora a neve continuava caindo, indiferente. Lá dentro, o fogo começava a diminuir e ninguém fez nada para atiçá-lo, porque o calor vinha de outro lugar.
***
O descanso foi curto. Quando Helena se sentou, o clima havia mudado. Já não éramos um casal com uma convidada experiente. Éramos três corpos que haviam cruzado juntos uma linha e queriam descobrir o que havia do outro lado. Helena tinha uma faísca nova nos olhos, aquela mistura de curiosidade e poder que só aparece quando alguém entende que também pode conduzir a cena.
Ela se aproximou de Mateo e começou a beijá-lo no peito, devagar, percorrendo-lhe os mamilos com a ponta da língua. Ele suspirou, passou a mão no cabelo dela e deixou que ela continuasse.
—Quero sentir você outra vez —murmurou ela contra a clavícula dele—. Mas desta vez, eu mando.
Mateo abriu os olhos e a encarou com um sorriso cansado e feliz.
—Toda sua.
Eu fiquei sentada, com as coxas abertas e os dedos perdidos entre os meus lábios. Não tinha pressa de entrar em cena de novo. Ver Helena assumir as rédeas era um espetáculo que eu não queria interromper.
Helena montou sobre ele com os joelhos dos dois lados da cintura. Seu sexo, já inchado e brilhante, pousou sobre o pau semiereto. Começou a se esfregar em círculos lentos, sem pressa, despertando-o. Cada vai e vem era um golpe macio contra seu clitóris e uma saudação ao pau dele, que respondeu rápido. Em menos de um minuto, ele ficou duro outra vez.
Helena se ergueu um pouco, apoiou-se numa mão e, com a outra, guiou a cabeça do membro até a sua entrada. Permaneceu assim por alguns segundos, com os olhos fechados, deixando entrar só a ponta. Depois, com um longo suspiro, se deixou cair.
O som que ela fez foi quase um grito. Ficou imóvel por instantes, se ajustando, e começou a se mover. No começo, devagar. O ritmo era de alguém que não quer desperdiçar nada, que quer sentir cada centímetro entrando e saindo. Apoiava as mãos no peito de Mateo, se erguia sobre as coxas e descia com uma precisão serena.
—Assim… assim —repetia com a voz quebrada—. Você é enorme.
O ritmo aumentou. Helena começou a cavalgar com mais força, as nádegas batendo contra as coxas dele com um som úmido que se misturava ao da lenha. Seus seios balançavam a cada movimento. Não me contive mais. Arrastei-me até eles e tomei um mamilo na boca. Ela gritou outra vez, arqueando-se contra o meu rosto.
Enquanto eu chupava, deslizei os dedos até o clitóris dela e comecei a friccioná-la em círculos rápidos. O pau preenchendo-a, minha boca em seu peito, meus dedos em cima: foi demais. Helena foi à loucura. O ritmo dela se quebrou, os movimentos ficaram erráticos, e um orgasmo enorme a atravessou. As paredes dela apertaram Mateo com uma força que ele sentiu, porque ele gemeu fundo e a segurou pelas ancas.
Mas ela não parou. Presa na própria onda, continuou cavalgando, buscando o próximo orgasmo e depois o outro. Era uma mulher sem freio. Mateo cerrava os dentes, tentando aguentar, querendo prolongar aquilo.
—Não vou parar —disse ela com uma voz que eu nunca tinha ouvido—. Vou cavalgar você até você gozar dentro de mim.
Aquela frase foi o gatilho. Mateo arqueou as costas com um gemido longo e gozou dentro dela, em ondas que a fizeram fechar os olhos e morder o lábio. Helena recebeu cada espasmo e se deixou cair sobre ele, ofegante, rindo baixinho contra o pescoço dele.
***
Afastei-me devagar, observando-os como quem se distancia de uma fogueira. Mas Helena ainda não tinha terminado. Separou-se de Mateo, o sexo ainda brilhando com a mistura dos dois, e deslizou para baixo. Acomodou-se entre as pernas dele e levou o pau à boca.
Mateo gemeu, sensível demais, mas ela não lhe deu atenção. Limpou-o com a língua, devagar, com uma atenção quase terna. Saboreava o dele e o dela juntos, sem nojo, sem teatro. Quando terminou, encolheu-se ao lado dele e ele a abraçou com o que lhe restava de força. Juntei-me a eles, me deixando cair do outro lado, e ficamos os três como um nó de braços e pernas, ouvindo o fogo que já não crepitava com tanta força.
—Isso mudou alguma coisa —disse Helena em voz muito baixa, contra o peito de Mateo.
—Sim —respondeu ele, rouco—. Tudo.
Eu não disse nada. Não era preciso. A neve continuava caindo lá fora, branca e teimosa, mas lá dentro a noite estava longe de terminar, e nós três sabíamos disso.