A desconhecida do ônibus noturno me ensinou a olhar
Havia cinco assentos vazios no ônibus e mesmo assim ela escolheu o meu. Sorriu, ajeitou o xale sobre o colo, e eu soube que algo ia começar antes de sair.
Havia cinco assentos vazios no ônibus e mesmo assim ela escolheu o meu. Sorriu, ajeitou o xale sobre o colo, e eu soube que algo ia começar antes de sair.
Eu a observava havia semanas da mesa do canto, com uma calma que bagunçava algo dentro de mim. Quando ela se sentou na minha frente no meu descanso, não veio sozinha.
Naquela manhã decidi sair sem nada sob a saia. Eu não queria ser tocada, só observada. E na sorveteria do segundo andar alguém percebeu.
Quando ele tirou a camisa para trocar de roupa, eu soube que não ia conseguir me concentrar em nada do que ele dissesse sobre parafusos e prateleiras.
Achei que a escuridão do cinema ia me distrair do fracasso com ela. Não contava com que o mesmo senhor que nos surpreendera meses atrás estivesse lavando as mãos ao meu lado.
Vi o motorista nos observando pelo retrovisor e, em vez de me cobrir, deixei que ele abaixasse meu top. Às três da manhã, meu ex e eu éramos um espetáculo grátis.
Ele mantinha o aplicativo aberto havia meses sem escrever nada. Na noite em que finalmente respondi, havia um hotel discreto e um homem chamado Iván me esperando.
A loja estava vazia às três da tarde. Quando ele baixou a porta e me levou ao provador, eu soube que aquela sesta não seria como nenhuma outra.
Quando levantei os olhos entre o capim, dois faróis se apagaram a trinta metros. Dentro do carro, uma sombra imóvel não parava de nos observar.
Nunca tinha reparado em outro homem até os olhos dele se cruzarem com os meus naquele bar. Três copos depois eu estava na casa dele, sem saber o que fazer com as mãos.
Passei o verão inteiro esperando a enseada esvaziar. Encontrei-a deserta, sim, mas o vento me trouxe uns gemidos atrás das dunas que precisei ir buscar.
Quando me agachei para pegar uma revista na prateleira mais baixa, senti o ar frio entrar inteiro entre minhas pernas. Três pares de olhos se ergueram ao mesmo tempo. Não baixei a saia.
Cada vez que entro num provador, deixo a cortina só um pouco aberta. Quem olha do outro lado nunca imagina que eu estou esperando por ela. E quase sempre alguma entra no jogo.
Entrei nu e caminhei entre corpos sem saber o que procurava. Quando subi na rede com uma taça de vinho, um homem de quarenta anos se sentou ao lado e perguntou se me incomodava.
Estava sentada no sofá redondo do fundo, de pernas cruzadas e com o copo meio vazio, quando vi o rapaz de cabelo cacheado largar a bebida e ir direto na minha direção.
Parei na esquina delas sem saber direito o que procurava. Na primeira vez que um desconhecido me perguntou o preço, minha voz tremeu mais do que eu esperava.
Ela aceitou o programa como uma fantasia única, mas nunca imaginou que aquele desconhecido a levaria a descobrir orgasmos que nem sabia que existiam no corpo.
Quando abri a porta do 412 pensando que estivesse vazio, encontrei-o nu no sofá, me olhando como se soubesse quem entraria.
Ofereci meu assento quando ela entrou e, poucas estações depois, a mão dela já buscava o zíper da minha calça, enquanto a enfermeira da frente olhava sem disfarçar.
Eram duas da manhã, abri a janela procurando ar e a vi estendida no sofá da sala da frente, sem a menor ideia de que alguém a observava.