Minha escapada do meio-dia com um desconhecido
Eram onze e eu já não conseguia me concentrar. Abri o app sem esperança, mas trinta minutos depois eu caminhava até o prédio dele com uma caixa de camisinha no bolso.
Eram onze e eu já não conseguia me concentrar. Abri o app sem esperança, mas trinta minutos depois eu caminhava até o prédio dele com uma caixa de camisinha no bolso.
Eu vinha fingindo há meses que homens já não me interessavam. Bastou uma voz no telefone e a promessa de um presente para eu cair de novo.
Eram duas da manhã, eu estava entediada e com tesão, e desci ao lobby do jogo sem esperar nada. Então vi o avatar dela se inclinar para o meu.
Eu não subi para aquele motel pensando que seria eu quem acabaria de quatro, implorando para ela não parar. Mas ela sabia exatamente o que eu não tinha coragem de admitir.
Naquela manhã raspei as pernas, calcei as plataformas brancas e saí do carro sabendo que todo mundo na rua ia me olhar. E olharam mesmo.
Por trás da duna, achávamos que ninguém nos via. Eu tinha dois dedos dentro de Sofia quando a morena do aparelho virou a cabeça, sorriu e caminhou até nós.
Sou casada. Sou hétero. Era isso que eu era quando entrei no banheiro do shopping. O que eu era quinze minutos depois, já não tenho tanta certeza.
Senti a mão dela ao cumprimentar e foi como uma descarga. Ofereci carona e, naquela estrada de terra, descobri algo que neguei por anos.
Mal dei alguns passos, meu celular começou a vibrar sem parar. Era ela, e não ia deixar eu ir embora tão fácil naquela noite.
Quando empurrei a porta de metal, achei que ia encontrá-lo sozinho, como sempre. Mas sob aquela lâmpada pendurada havia mais quatro homens, e nenhum parecia ter pressa.
Carlos não via a cortina entreaberta. Eu via. E a loira que me olhava do outro lado também não desviava os olhos de mim. Meu corpo decidiu antes de mim.
Tirei a calça no corredor, guardei-a na mochila e empurrei o portão. Eu sabia exatamente o que me esperava lá em cima, e isso me deixava ainda mais excitada.
Os chuveiros da academia não têm portas. Naquela manhã, descobri que o detalhe não era um problema, mas exatamente o que eu procurava havia anos sem saber.
Entrei procurando um canto onde ninguém me olhasse. Levantei os olhos do livro ao ouvir sua risada, e soube que aquela tarde eu não sairia dali sendo a mesma.
Cheguei à porta dele tremendo, sem saber que naquela noite um vestido barato e saltos de plástico mudariam tudo o que eu pensava saber sobre mim.
O número não estava na minha agenda, mas as duas primeiras frases me obrigaram a ler até o fim. O que veio depois mudou tudo o que eu lembrava de sábado.
Entrei no banheiro como um homem e saí com um minivestido e plataformas. Minha namorada me esperava na sala com três desconhecidos e um sorriso que dizia tudo.
Usava minissaia, meias pretas e óculos de sol que me impediam de saber quando ela me flagrava. Até que parou de disfarçar e começou a brincar comigo.
O recepcionista piscou para ele ao entregar a toalha. Aquele gesto foi só o começo: em cada sala, um corpo diferente e uma tesão nova o esperavam.
Desci do ônibus com a cabeça quente e as calças apertadas. Sabia por que ia ao baldio, mas não que sairia fodido três vezes seguidas.