O casal que nos observava da cama ao lado
Tínhamos jurado que no playroom seria só sexo oral. Não contávamos com o olhar do homem da cama ao lado, nem com as mãos da mulher dele nas minhas costas.
Tínhamos jurado que no playroom seria só sexo oral. Não contávamos com o olhar do homem da cama ao lado, nem com as mãos da mulher dele nas minhas costas.
Conversamos durante semanas sem trocar uma única foto, até ela me dizer que queria ser a primeira a fazer isso comigo, pessoalmente, na cama dela.
Havia dias que eu me escondia entre os arbustos, vendo-a cavalgar outro homem todas as noites. Quando ele faltou por causa de uma febre, deitei-me em seu lugar.
Queria que olhassem para ela. Que a devorassem com os olhos. O que eu não esperava era que um dos desconhecidos do fundo ousasse procurá-la no chuveiro.
Essa pasta não devia existir. Mas eu a abri e, entre centenas de fotos minhas dormindo e nua, encontrei algo pior: o e-mail onde ele as entregava.
Estava casada havia quinze anos e nunca tinha olhado para outro homem. Até que Lorenzo se ofereceu para mostrar-lhe a oficina às sete da manhã e trancou a porta.
Eu tinha a casa só para mim, quatro doses no corpo e a certeza de que quatro homens me observavam do andaime. Não desperdiçaria aquela manhã.
Fechei os olhos no vestiário vazio e deixei a fantasia me levar mais longe do que eu imaginava. Quando os abri, não havia mais volta.
Quando ele amarrou a máscara preta em mim e abriu a porta do reservado, eu não imaginava que por trás de uma daquelas máscaras me esperava alguém que eu conhecia desde a infância.
Eu já levava metade da vida com a mesma mulher quando aquela desconhecida de estampa de leopardo sentou ao meu lado e me olhou como ninguém me olhava havia anos.
A campainha tocou às sete e meia e eu soube que meu casamento tinha acabado de mudar para sempre. Ela desceu sem sutiã, olhou para eles e sorriu.
Quando abri a porta ele não vinha sozinho: atrás dele, com aquele sorriso ensaiado de michê, vinha um homem que eu nunca tinha visto no bairro.
Quando o temporal nos deixou encharcadas, ela me mandou tirar a roupa molhada e começou a se despir sem pudor. Tentei disfarçar o tremor nas mãos.
Quando a mão dele pousou na minha cintura e ele sussurrou «oi, bebê», achei que fosse para alguma das minhas amigas. Ao me virar, entendi que aquela noite não terminaria como eu esperava.
Saí para fumar no escuro e vi: agachado atrás da palmeira, com o olhar cravado na janela onde ela se despia sem saber que estava sendo olhada por dois.
A cortina grená me separava da rua vazia. Mara se inclinou para fechar os colchetes do body e, sem avisar, seus dedos ficaram um instante a mais.
A toalha mal me cobria quando bati na porta do vizinho do sétimo. Ele aceitou me ajudar a abrir o apartamento só se eu deixasse cair a única coisa que me cobria.
Quando o primeiro se aproximou do carro, minha mulher já estava com a saia levantada e a blusa aberta. O que veio depois eu vi tudo de um sofá, copo na mão, sem respirar.
Às duas da manhã, naquela sala com luzes vermelhas, parei de fingir que tinha ido só acompanhar meu marido. Eu estava olhando. E estava gostando demais.
Cruzei olhares com ele na lanchonete da área de serviço. Soube que ele ia me seguir até o banheiro, e soube que dali eu não sairia igual a como entrei.