Ele nos observou da cama ao lado a noite toda
As paredes eram de papel. Nós a ouvimos gemer no quarto ao lado e entendemos que ela nos escutava o tempo todo, esperando um convite.
As paredes eram de papel. Nós a ouvimos gemer no quarto ao lado e entendemos que ela nos escutava o tempo todo, esperando um convite.
Eu a observava treinar havia meses sem me atrever a nada. Numa noite, ela me convidou para sua casa e descobri que a mulher tímida da academia escondia outra bem diferente.
Eu a observava pela fechadura todos os dias às 7h15. O que eu não sabia era que ela contava meus passos atrás dos dela sempre que subia a escada.
Na primeira manhã, encontrei-a na cozinha quase nua, movendo-se como se eu não existisse. Aí entendi que o jogo do marido dela estava só começando.
Ela caminhava pelo corredor acarpetado com o coração disparado: do outro lado daquela porta a esperava o homem que passara metade da vida imaginando.
Aceitei o jogo só por uma noite: um vestido, uma peruca e um nome que não era o meu. Jamais imaginei que a garota do espelho me devolveria o olhar como se me esperasse.
Marcos achava que comandava o jogo. A esposa dele me olhou por cima do ombro, deixou a toalha cair e eu entendi que a única regra era a dela.
Cresci entendendo o naturismo como algo natural, mas nada me preparou para o dia em que o namorado da minha mãe deixou de se cobrir na minha frente.
Tínhamos pulado o gradil de uma chácara vazia. Ele marcava meu ritmo com a mão na minha nuca e eu me deixei levar sem pensar em mais nada.
Eu o observava há dias do terraço, fingindo que não. Naquela tarde de calor, decidi parar de fingir e desci com um copo de limonada na mão.
Apenas espreitei por uma fresta da porta por um segundo. Foi o tempo de aquilo se gravar para sempre e arruinar todas as noites depois.
Acordo cedo para ter a academia só para mim. Mas, há três semanas, existe um motivo muito melhor para chegar antes de todo mundo: ele, e aquele sorriso de escândalo.
Ninguém no banco, na farmácia ou na padaria imaginava o que eu escondia sob a roupa. E essa era justamente a parte que mais me excitava.
Tinha vinte e sete anos, uma namorada e uma vida regrada. Então aquele vizinho o olhou no ônibus como se soubesse algo que Tobías ainda não ousava nomear.
Cheguei à casa dela uma hora antes do jantar e a encontrei nua diante do espelho, dividida entre dois vestidos e prestes a mudar tudo.
Quando abri a porta, esperava encontrá-la sozinha no sofá, como sempre. Não contava com a segunda silhueta que me observava na penumbra da sala.
Ele me pediu que segurasse umas ferramentas de cócoras. Eu sabia perfeitamente o que ele estava fazendo, e mesmo assim não me levantei.
Você me mandou “tô com fome” e eu soube exatamente o que queria. Não somos um casal, nem você é meu tipo, mas há algo entre nós que ninguém entenderia.
Ela me pegou olhando para ela enquanto folheava um Cortázar. Sustentou o olhar por três segundos, sorriu de lado e eu soube que aquela tarde na livraria não terminaria entre livros.
Nunca contei a ninguém, mas assim que ele fecha a porta para viajar, há um nome e um corpo que ocupam toda a minha imaginação.