O encontro no carro antes de jantar com minhas amigas
Cheguei tarde ao jantar, mas não por causa do trânsito. Foi pelo desvio que fizemos até aquele terreno baldio a cinquenta metros do restaurante.
Cheguei tarde ao jantar, mas não por causa do trânsito. Foi pelo desvio que fizemos até aquele terreno baldio a cinquenta metros do restaurante.
Vesti o menor biquíni que tinha e desci ao jardim só para ver a reação dele. Eu sabia exatamente o que estava fazendo, e não ia parar.
As paredes do apartamento eram de papel, e a melhor amiga da minha namorada dormia parede com parede. Naquela primeira manhã fingimos não lembrar que ela estava ali.
Saí da água tremendo de frio e a vi ajeitando o biquíni ao sol. Nenhum de nós sabia que aquela manhã mudaria tudo entre a gente.
Paguei uma fortuna para encontrar a esposa perfeita. O app me entregou um único perfil: Daniela. O que descobri no hotel não estava em nenhuma foto.
Tirei o biquíni na jacuzzi sabendo que ele me observava de soslaio do telhado. O que vim esquecer se tornou a única coisa de que me lembro da viagem.
Quando a Sara saiu da adega de Don Aurelio, as pernas dela tremiam e ela não me olhava nos olhos. Eu sabia perfeitamente o que acabara de acontecer lá dentro.
Essa noite o desafio era simples e insano ao mesmo tempo: atravessar o terreno nua, de quatro, passando bem em frente à janela de vidro onde qualquer um podia me ver.
Eu passava por trás do meu filho com ele colado às minhas costas, prendendo a respiração. Sabia que era errado, e justamente por isso não conseguia parar.
Não tinham passado nem cinco minutos do filme quando a mão dele já procurava debaixo do meu short, e eu, em vez de afastá-la, rezei para que ninguém na sala virasse para nos olhar.
Havia seis meses agarrada a uma lembrança e às minhas noites solitárias. Na sexta, tirei a calcinha numa área de descanso e dirigi o restante do caminho tremendo.
Eu passava anos engolindo as provocações dela e bancando o amigo paciente. Numa tarde de agosto, na varanda de frente para o mar, algo em mim quebrou.
Caminhei até a beira-mar com um plano idiota: passar na frente dela e gravá-la na memória. Eu não sabia que aquela desconhecida deixaria que eu a observasse como se tivesse decidido isso.
Desci para a sala meio dormindo e a encontrei no chão, de legging, vendo um vídeo. Então ela virou a cabeça, sorriu e me perguntou se eu queria acompanhá-la.
Ele arrancou de mim dois sorrisos em uma semana e eu lhe dei meu número. Naquela tarde, na escada do prédio dele, ensinei tudo o que uma mulher experiente pode fazer.
Cheguei pensando na Pilar, mas foi a amiga dela quem me deslizou o número por cima da mesa e me disse, sem rodeios, para ligar assim que eu chegasse em casa.
Aos 49 anos, minha mãe continuava sendo a mulher que todos olhavam na rua. Eu, por outro lado, aprendi cedo demais o que era me sentir invisível ao lado dela.
Ela implorara durante meses por uma única palavra dele. Na terça chegou a mensagem, e a proposta era tão temerária que aceitá-la podia custar mais do que seu orgulho.
Havíamos assinado o acordo e escolhido uma palavra de segurança, mas nada me preparou para o instante em que a sombra dele surgiu do túnel e eu deixei de saber o que era brincadeira.
Quando acordei quebrada na cama de mármore, soube que só havia uma pessoa no mundo capaz de me fazer sentir amada: o homem que me ensinou a desejar a dor.