Voltei da festa e deixei de ser a mulher decente
Por fora eu era a namorada perfeita, a que apaga a luz e geme baixinho. Nessa madrugada voltei da pista incendiada e decidi que não ia mais fingir.
Por fora eu era a namorada perfeita, a que apaga a luz e geme baixinho. Nessa madrugada voltei da pista incendiada e decidi que não ia mais fingir.
Subi para ver por que a moça do quarto do fundo estava gritando. Não imaginei que ela fosse soltar a toalha e me pedir para olhar, como se fosse a coisa mais natural do mundo.
Há anos ela sovava o pão de olhos baixos, até que numa tarde de verão ficou a sós com o homem que a olhava de um jeito diferente.
Eu lhe ofereci trabalho e um teto, nada mais. Mas naquela primeira noite na casa do rio nenhum dos dois fingiu que aquilo ainda era só um acordo.
Eu tinha vestido a saia mais curta que tinha, e quando aquele universitário apoiou a mão na minha coxa, soube que a viagem seria muito mais longa do que dizia a passagem.
O atrito do lençol me acordou e, ao virar a cabeça, encontrei-a dormindo ao meu lado. Eu não lembrava da noite anterior, mas meu corpo lembrava.
Jamais havia visto uma mulher nua até aquela tarde junto à cascata. O que ele não sabia era que esse desejo acabaria embarcando-o rumo ao fim do mundo.
Achei que era o mais disciplinado da faculdade. Até ela se encostar na porta da sala vazia e deixar claro que sabia tudo o que eu escondia.
Conheci-a num bar decadente e, aos trinta, eu achava que sabia tudo sobre sexo. Essa mulher me mostrou, numa única noite, que eu não sabia nada.
Conheci-o entre quadros que pareciam sussurrar e, duas horas depois, estava contra a porta da casa dele me perguntando como cheguei tão longe sem dizer uma palavra.
Baixei o olhar para a janela da frente e entendi que naquela noite, entre caminhões estacionados, ninguém ia fechar as cortinas.
Nunca pensei que um comentário sobre como sua cadela era obediente pudesse acender algo assim entre dois velhos conhecidos no sofá da casa dela.
Coloquei o vestido vermelho sem nada por baixo e achei que seria só um jantar de agradecimento. Não fazia ideia de como a noite terminaria.
Levei um copo de shot vazio ao sair da pista. Nem eu entendia por quê, até ficarmos sozinhos no carro dele e eu saber exatamente o que faria com ele.
Toca uma balada antiga no rádio e eu paro de ouvir a letra. Começo a ver outra coisa, uma cena que eu não deveria contar, mas confesso mesmo assim.
Ela tinha quarenta e sete anos e uma sede que nenhum homem jamais saciara. Naquela madrugada, no parque deserto, decidiu não fingir mais o contrário.
Eu tinha acabado de erguer o maior troféu da minha carreira. O que fiz depois, com ele encostado nos azulejos, não aparece em nenhuma crônica esportiva.
Mandei mensagem para meia dúzia de garotas pedindo a mesma coisa. Só uma respondeu, e naquela tarde, no banheiro de um shopping, descobri algo que não esperava.
De dia tinha um nome comum e passos práticos. À noite, entre luzes vermelhas, escolhia um desconhecido e nunca falhava.
Fechou a porta sem trancar e ficou olhando para ele, sem saber ainda que aquele homem estava prestes a desmentir tudo o que ela acreditava sobre o sexo casual.