A estrada de terra onde ninguém devia me ver
Saí de bicicleta sem calcinha, com o celular vibrando de mensagens que eu não devia ter aberto. O caminho estava vazio, mas eu me sentia observada por todos.
Saí de bicicleta sem calcinha, com o celular vibrando de mensagens que eu não devia ter aberto. O caminho estava vazio, mas eu me sentia observada por todos.
Cheguei em casa, joguei os saltos pelo ar e deixei minha imaginação fazer o que eu jamais me atreveria a fazer no escritório.
Há um banheiro que ninguém usa no fundo do estacionamento. Há dias imagino você ali, contra o espelho, enquanto sussurro tudo o que penso fazer com você.
A loja estava fechada e ela tinha a manhã livre. O motorista percebeu antes dela, e aquele sorriso no espelho fez ela pensar coisas que não devia.
Compartilhávamos corredor, elevador e cafeteira, mas nunca uma palavra de verdade. Só o que cada um imaginava quando o outro virava as costas.
Desci descalça à capela à meia-noite para pedir perdão pelos meus sonhos. Não imaginava que algo me esperava enroscado nas sombras, pronto para me ensinar o que meu corpo calava.
Tropecei na raiz e, antes de me levantar, ela já estava sobre mim. Sua pele fria roçou a minha e eu soube que aquela noite eu não sairia da floresta sendo o mesmo.
Ela não buscava amor nem companhia. Buscava ser olhada, desejada, imaginada nua sob o vestido. Naquela noite, decidiu ser puro fogo.
Convencido de que uma criatura tinha roubado sua fortuna, Damián a amarrou à perna da mesa. O que ele não esperava era que ela lhe oferecesse saldar a dívida com o próprio corpo.
Bastava usar um certo tom de voz e meu filho largava o controle; minha mulher se despia. Levei duas semanas para entender o que fazer com algo assim.
Ele abriu a porta sem olhar pelo olho mágico e reconheceu aquele sorriso de mil telas. Sua vizinha era ela. E acabara de lhe pedir um favor inocente demais.
Ela foi ao claro em busca de silêncio e encontrou tochas, corpos nus e dezenas de máscaras de cervo que a esperavam como se sempre soubessem que naquela noite ela voltaria.
Eram três da manhã, a casa em silêncio, e eu com o telefone colado ao peito esperando que aquela voz sem corpo me dissesse, enfim, tudo o que eu vinha imaginando havia semanas.
Ninguém acreditou que a besta existia. Por isso ele voltou ao monte para procurá-la, mesmo que isso significasse se perder para sempre na neve e nas garras dela.
Dei dois beijos na frente da mãe dele e, sem que ninguém notasse, decidi entrar no jogo até onde nenhum de nós dois imaginava chegar naquela manhã.
Vi-o me olhar pelo reflexo no espelho do elevador e algo se acendeu. Nessa noite soube que eu não queria só que ele me olhasse: queria que ele visse absolutamente tudo.
Sou tímida com quase todo mundo, menos com meu marido. Por isso me surpreendi tanto ao desejar aquela desconhecida que se sentou na minha frente, como se me esperasse havia meses.
Esperava um marido mirrado para desprezar. Quando o rei se inclinou para beijar-lhe a mão, a ponta da língua roçou sua pele e ela soube que havia se enganado.
Chegou ao covil reduzido a pouco mais que um esqueleto acorrentado. A loba prometeu ensinar-lhe o que significava servi-la... e ele aprendeu melhor do que ela esperava.
Mal eu chegava à altura do cotovelo quando ele me pegou pela mão. Em seis minutos, descobri que meu corpo não entendia as regras que eu mesma tinha imposto.