O círculo na praia despertou minha maior fantasia
Quatro mãos a ergueram sobre a areia enquanto o círculo inteiro prendia a respiração, esperando ver até onde ela ousaria ir naquela tarde.
Quatro mãos a ergueram sobre a areia enquanto o círculo inteiro prendia a respiração, esperando ver até onde ela ousaria ir naquela tarde.
Tranquei a porta e foi como apertar um interruptor: pela primeira vez eu ia me despir diante da câmera para que alguém, do outro lado, me desejasse.
Reservei dois ingressos para uma sala quase vazia e dei um deles a uma desconhecida que me lia. Eu não sabia se ela viria, até vê-la procurar o assento na penumbra.
Peguei a primeira saída da rodovia sem pensar. O que ela acabara de me contar não me deixava dirigir, e eu ainda não tinha confessado o que realmente queria.
Llevávamos dois horas bebendo quando ele me contou, meio de brincadeira, o que eu vinha imaginando havia anos. Ele riu. Eu não.
Eu ia com pouca roupa, quase nua, quando algo enorme e úmido se soltou da mata e me prendeu os braços antes que eu pudesse gritar.
Quando vi a foto dela, soube que aquela noite não dormiria: despirei-a com a mente e deixei minha imaginação cruzar os quilômetros que o corpo não podia.
Faltava pouco para fechar quando o sininho tocou. Entraram ele e ela, pediram renda preta e, sem saber, me ofereceram a tarde com que eu vinha fantasiando sozinha havia meses.
Sei que não deveria, mas toda vez que caminho sozinha de madrugada eu o procuro com os olhos: aquele desconhecido que me encurrala contra a parede e não pede permissão.
Ela atravessou meio reino por uma relíquia lendária; o que não esperava era se ajoelhar diante de quem a guardava — nem desejar isso com cada fibra do corpo.
«Moro dentro do lago», disse ela sem pestanejar. Damián a tomou por excêntrica e foi mesmo assim. O que encontrou no fundo não era nenhum céu.
Nessa noite desci para pegar um copo d'água e ele estava acordado no sofá. O que aconteceu depois na minha cama, com meu padrasto respirando do outro lado da porta, ainda me queima.
Segui um rastro de sangue até uma clareira onde algo me esperava pendurado entre as árvores. Não imaginei que a criatura da floresta me escolheria como presa.
Ela nadou até mim sem deixar de me olhar e, na água morna do entardecer, entendi que aquilo que sentimos quando crianças nunca tinha ido embora de verdade.
A agarrada ao corrimão do vagão, eu só podia olhá-lo de canto e imaginar tudo o que nunca aconteceria entre nós.
Quando abri a mochila que ele me entregou no lobby daquele hotel de quinta, entendi que a reunião não era o que eu imaginava. E já era tarde para voltar atrás.
Quando chegou meu último desafio da noite, eu sabia que podia dizer não. O que ninguém esperava era que eu dissesse sim com esse sorriso nos lábios.
Voltava ao confessionário toda semana pelo mesmo motivo, e sempre calava a parte mais importante: o homem do outro lado da grade era dono de todos os seus pecados.
Mal larguei as amarras, soube que aquela tarde não terminaria com um simples passeio: ela já me olhava diferente, com aquele meio sorriso que prometia muito mais.
Há meses eu repito a mesma cena na cabeça durante a volta para casa. Hoje, quando o assento ao lado foi ocupado, quase perdi o fôlego.