O transe que transformou minha fantasia em desejo real
Pedi que ele imaginasse minha mão sobre a perna dele. Não esperava sentir a dele tremendo sob a minha, nem que o transe acabasse sendo também o meu.
Pedi que ele imaginasse minha mão sobre a perna dele. Não esperava sentir a dele tremendo sob a minha, nem que o transe acabasse sendo também o meu.
Vinte anos casados e cada um escondia seu próprio segredo: ele em banheiros alheios, eu ainda sem saber o que aquela mulher da ioga estava prestes a despertar em mim.
Ninguém ao meu redor desconfia, mas o dia inteiro eu obedeço ordens que só existem na minha cabeça… e cada vez desejo mais que se tornem reais.
Subi para pegar ar porque não aguentava o calor. Ouvi os passos dele na escada e soube, antes de me virar, que aquela noite eu não ia conseguir dormir.
Não houve gritos nem acusações. Só o calor pegajoso da cidade e dois corpos que sabiam estar se tocando pela última vez, embora ninguém dissesse isso em voz alta.
Nunca tinha deixado tantos olhos me percorrerem ao mesmo tempo. E o pior — ou o melhor — é que meu marido aproveitava cada segundo do bar.
Saí do trabalho sem calcinha e com a blusa entreaberta. Só queria sentir o ar entre as pernas. Não imaginava quem encontraria no vagão.
Meu pai me ensinou que os monstros ficam no armário se você não abrir a porta. O que eu nunca confessei é o quanto desejo que o meu tenha coragem de sair.
Sob o hábito austero, ela escondia um segredo de renda preta. E cada vez que ele chegava com as provisões, esse segredo a queimava mais.
Fechei os olhos sob a água quente sem imaginar que, naquela tarde, sozinha no banheiro, descobriria algo sobre mim que não conseguiria mais deixar de buscar.
Fechei a porta, abaixei as persianas e, pela primeira vez, decidi não ter pressa. Nessa tarde, o silêncio da minha casa virou meu cúmplice.
Não quero que você me respeite à distância. Quero ser aquilo que você abre em segredo, às duas da manhã, com a mão já enfiada sob o lençol e meu nome preso na garganta.
Eram seis e quarenta. Ela olhou o relógio, pediu que eu parasse junto ao beco e, antes que eu pudesse perguntar qualquer coisa, já estava me beijando.
Eu brinquei dizendo que ela dormisse comigo naquela noite. Não imaginava que, depois da meia-noite, a porta do meu quarto se abriria de verdade.
Com a maquiagem borrada de tanto chorar, ela pegou minha mão e me guiou escada acima, decidida a fazer o que sentíamos deixar de ser segredo.
Disse a ele que só queria praticar umas fotos. Era mentira. O que eu queria era que ele me olhasse de uma vez como eu vinha olhando para ele há semanas.
“A paciência é uma virtude”, ele disse sem erguer os olhos do café. E eu, que estava havia um mês sem permissão para terminar, soube que o teste começava ali.
Naquela noite eu não levava camisinha na bolsa nem intenção de pedir que ele colocasse uma. Só queria sentir até onde éramos capazes de ir.
Éramos novatos e estávamos nervosos, mas aquele casal sentado ao fundo do local nos olhava como se soubesse exatamente o que viemos procurar.
Ninguém naquela casa sabia o que eu escondia sob o vestido preto. Ninguém, exceto ele, o desconhecido de máscara a quem eu entreguei isso num corredor escuro.