A noite em que saí para me vingar do meu namorado infiel
Saí disposta a que ele me visse com outros, mas acabei entre dois carros, numa rua vazia, me deixando usar por alguém que mal conhecia.
Saí disposta a que ele me visse com outros, mas acabei entre dois carros, numa rua vazia, me deixando usar por alguém que mal conhecia.
Saí da academia com a mesma roupa de sempre e todos os olhos em cima de mim. Naquela noite entendi que não queria mais esconder o quanto me excitava ser desejada.
Sei que deveria sentir vergonha, mas, naquela hora, apertada contra corpos que não conheço, deixo de fingir que o roçar é um acidente.
Voltei ao colégio naquela tarde com a desculpa de estudar na biblioteca, mas nenhuma de nós ia abrir um único livro. Íamos por eles.
Eram seis da manhã e ele me olhava pelo retrovisor como se já soubesse o que eu ia permitir. Isso aconteceu de verdade e eu não me arrependo de nada.
Sempre achamos que ninguém nos via. Foi essa mentira que contávamos a nós mesmos o começo de tudo o que veio depois, noite após noite.
Naquela segunda-feira a academia estava quase vazia. Eu só queria tomar banho em paz, mas entrei pela porta errada… e ele já estava lá, me olhando sem dizer nada.
Damián vinha a cada três dias; Adrián apareceu na sexta com sua moto. Nessa semana, descobri até onde eu era capaz de ir quando ninguém me via.
Minha amiga me prometeu uma noite de fantasias e descontrole. Vesti a fantasia mais ousada da sex shop e saí sem imaginar o que me esperava naquele bar.
Ninguém na festa suspeitava de nada: para todos nós éramos só amigos. Mas naquela madrugada Adrián desviou o carro para a fazenda na colina, e eu soube que já não íamos mais fingir.
Sempre disse a mim mesma que meus deslizes eram culpa do álcool. Nessa manhã, sóbria e em plena luz, soube que eu estava me enganando.
Estacionei ao lado do carro dela sem saber que aquela tarde livre terminaria com ela entrando no meu, no canto mais escuro do estacionamento.
Juro que é uma história real, daquelas que não se contam em voz alta. Ela surgiu entre os arbustos quase nua, me pediu fogo e o resto veio sozinho.
Sempre tive nojo de banheiros públicos, mas naquele dia não tive escolha. O que eu não imaginava era o que encontraria ao voltar correndo pelo celular que tinha esquecido sobre a caixa d’água.
Levei duas semanas para admitir que queria que acontecesse de novo. E, numa madrugada, em vez de fugir, sentei naquela escada e esperei por eles.
Naquela madrugada, perdi meu dinheiro, minha calcinha e a ideia que eu tinha de mim mesma. O que aconteceu depois naquele parque vazio eu nunca tinha contado a ninguém.
Ele me passou um papelzinho na mão ao recolher o prato. Li no quarto: era o número dele. E soube que aquela noite eu não ia ficar sozinha.
Me escondi no beiral do vestiário com Bruno colado nas minhas costas. Lá embaixo, minha mãe e a amiga dela se despiram entre os operários, e eu não consegui tirar os olhos.
Estou nua enquanto escrevo isso. E quero que você saiba exatamente o que passa pela minha cabeça quando fecho a porta e ninguém pode me ouvir.
Guardei isso por mais de uma década. Tudo começou por um par de meias brancas e terminou num carro, às duas da manhã, com a última pessoa com quem eu devia me envolver.