O que aconteceu na varanda da cabana naquela noite
Estávamos sozinhos na montanha, ou eu achava, até sentir uns olhos cravados em nós da cabana ao lado e não querer que parasse.
Estávamos sozinhos na montanha, ou eu achava, até sentir uns olhos cravados em nós da cabana ao lado e não querer que parasse.
Diego se tocava pensando em Nadia quando seu desejo abriu uma porta fechada havia mil e oitocentos anos. O que cruzou tinha fome, e a cidade seria seu banquete.
Ninguém sabia por que eu sempre estacionava no mesmo trecho deserto. Naquela tarde, um corredor virou o rosto para minha janela e percebeu tudo.
Eu estava grávida, sozinha e mais quente do que nunca; quando aqueles dois homens se ofereceram para me acompanhar até em casa, eu já sabia o que ia deixar acontecer entre nós três.
Ele tinha vinte e poucos anos, uma esposa magra nadando lá embaixo e uns olhos famintos que me imploravam sem saber. Naquela tarde, eu lhe ensinei quem manda.
No banheiro me esperava um nécessaire com um bilhete: «vista tudo e ligue». A partir desse instante deixei de decidir sobre o meu próprio corpo.
Saí de casa com a calcinha dobrada no bolso e três frases que eu não escolhi escritas na pele. Cada aula me deixava mais perto do limite, sem permissão para gozar.
Me deram a escolher entre três anos de cadeia ou me tornar o cachorro submisso da minha mulher. Escolhi errado, e naquela noite no O Reservado eu entendi tudo.
Ela só ia aconselhá-lo sobre um avental. Não imaginou que, diante do vendedor, ele a apontaria como se fosse a criada que vieram vestir.
Entrei no carro com cada peça escolhida por ele e soube que naquela tarde meu único trabalho seria obedecer enquanto as pessoas passavam sem desconfiar de nada.
O táxi avançava no escuro quando Lena tirou o lenço e cobriu seus olhos. Bruna confiou na melhor amiga sem imaginar aonde aquela noite a levaria.
Quando Bárbara deixou a sandália pendurada na ponta dos dedos, eu soube que obedeceria ali mesmo, no hall, passasse quem passasse.
Três dias aguentando seus caprichos foram suficientes: desta vez Renata não pretendia deixar passar nem mais uma, e Daniela estava prestes a descobrir até onde ia sua paciência.
Renata vinha aguentando havia semanas os olhares do vizinho do segundo andar. Naquela tarde, decidiu que ele e a mulher aprenderiam, de uma vez, quem mandava no prédio.
Eu a citei às seis com uma única condição: saia curta e a lingerie que eu escolhesse. O resto eu decidiria quando ela cruzasse a porta.
Subi de robe, descalça e furiosa, disposta a gritar com ele. Ele abriu a porta, me olhou de cima a baixo e eu soube que era eu quem estava encrencada.
Quatro manchas violáceas nos meus quadris tinham o formato exato dos dedos dele. Vesti-me como uma executiva impecável, mas os dois sabíamos a quem meu corpo já pertencia.
Nos conectamos por semanas através de uma tela, mas e se, pessoalmente, não sobrasse nada daquela faísca? Então o vi cruzar o bar e meu corpo respondeu antes da minha cabeça.
Eu era o cara sério do terno e do utilitário. Bastava uma mulher me desafiar com o olhar para o animal despertar, e aquela feira de interior o soltou de vez.
Sentei no centro da sala fingindo ser uma paciente inconsciente. Ninguém sabia que, a cada mão que me imobilizava, eu me desfazia por dentro pensando nele.