O que começou diante da câmera terminou no carro dele
Subir o vídeo foi só o começo. Naquela madrugada de sábado, entendi que olhar já não me bastava: eu queria que um desconhecido me tocasse de verdade.
Subir o vídeo foi só o começo. Naquela madrugada de sábado, entendi que olhar já não me bastava: eu queria que um desconhecido me tocasse de verdade.
Bastou um sussurro junto ao meu ouvido para que toda a minha vida de homem correto começasse a desabar sob o clique de saltos que ainda não eram meus.
Paguei a entrada, procurei a cabine do fundo e achei que seria um minuto. Então ouvi aquela voz grave perguntar se havia alguém do outro lado da parede.
Tínhamos pulado o gradil de uma chácara vazia. Ele marcava meu ritmo com a mão na minha nuca e eu me deixei levar sem pensar em mais nada.
Ninguém no banco, na farmácia ou na padaria imaginava o que eu escondia sob a roupa. E essa era justamente a parte que mais me excitava.
Passei anos cuidando para que ninguém a olhasse demais. Naquele fim de tarde, escondido entre as ervas altas, eu não conseguia parar de olhar.
Nunca pensei que me sentir observada por completos desconhecidos me excitasse tanto. Naquela noite, atrás do vidro, descobri o que eu realmente gostava.
Cheguei à casa dela uma hora antes do jantar e a encontrei nua diante do espelho, dividida entre dois vestidos e prestes a mudar tudo.
Desliguei o motor no canto mais escuro do posto, retocando os lábios no retrovisor, e soube que aquela noite eu não ia embora sozinha.
Acreditávamos que brincávamos às escondidas na areia, até que um estranho se aproximou e confessou que nos observava havia horas. E trazia uma proposta.
No escuro, a poucos metros do meu portal, o pau dele brilhava sob o único poste da rua. E eu já sabia que ia baixar a cabeça de novo.
Não me importou que ele tivesse trinta anos a mais. Com o balanço da estrada, a mão dele encontrou minha cintura na escuridão e eu parei de fingir que não gostava daquilo.
Eram mais de onze da noite, todos dormiam e a chuva caía forte. Achei que só ia me molhar um pouco no quintal. Não imaginava até onde eu iria naquela noite.
Só havia um cara no fundo, lavando as mãos. Ele me olhou pelo espelho e, sem dizer uma palavra, os dois soubemos que a espera tinha acabado.
Essa noite o desafio era simples e insano ao mesmo tempo: atravessar o terreno nua, de quatro, passando bem em frente à janela de vidro onde qualquer um podia me ver.
Quando abri a porta de casa, soube que aquela senhora ia acabar com a minha noite. Não imaginava o quanto, nem onde ela terminaria, ajoelhada diante de mim.
Não tinham passado nem cinco minutos do filme quando a mão dele já procurava debaixo do meu short, e eu, em vez de afastá-la, rezei para que ninguém na sala virasse para nos olhar.
Fazia meses que eu não comia uma boa pica, então, quando aquele daddy da Mercedes branca me escreveu, não pensei duas vezes.
Ele arrancou de mim dois sorrisos em uma semana e eu lhe dei meu número. Naquela tarde, na escada do prédio dele, ensinei tudo o que uma mulher experiente pode fazer.
Quando me entregou o cartão e disse para eu levar fome, soube que aquela mulher não queria conversa: queria alguém capaz de acompanhá-la até o amanhecer.