O desconhecido do estacionamento me pegou no banheiro
Marquei três e meia quando entrei naquele banheiro deserto. Não passei o trinco. Foi o erro — ou o acerto — que mudou para sempre o que eu achava saber sobre mim.
Marquei três e meia quando entrei naquele banheiro deserto. Não passei o trinco. Foi o erro — ou o acerto — que mudou para sempre o que eu achava saber sobre mim.
Ele se sentou ao meu lado apesar da sala quase vazia. Seu joelho roçou o meu e não se afastou. Então a boca dele buscou minha orelha e eu soube que aquela tarde me pertencia.
Quando abri os olhos na sauna a vapor, ele já estava me olhando. E eu sabia perfeitamente quem era, embora jamais tivesse imaginado tê-lo tão perto.
Saí da academia com o corpo ainda pegando fogo e entrei pela trilha de terra para fumar sossegado. Não esperava que aquele carro preto parasse justo atrás de mim.
Escolheu o mictório ao lado sem pensar. Quando seus olhares se encontraram no espelho, soube que nenhum dos dois tinha entrado ali só para lavar as mãos.
Eu tinha nadado três mil metros até a exaustão e só queria a água quente nos ombros. Então ele se virou sob o chuveiro ao lado e eu soube que aquela tarde não terminaria como as outras.
Passamos pela cortina preta e a escuridão nos engoliu: só duas luzes vermelhas, o pulso do techno e um colchão cercado por sombras que já nos esperavam.
Reconheci o sorriso de demônio encostado no balcão, com a toalha preta e o arnês vermelho, e soube que aquela noite a sauna inteira seria testemunha da nossa história.
Quando a porta se fechou e engoliu a última luz, só existiam as mãos, as bocas e a voz de Mateo dizendo que naquela noite eu era dele.
Quando entramos nus e pingando, os três caras que se ensaboavam se afastaram sem dizer nada e nos deixaram o centro, como se soubessem que a noite ainda não tinha acabado.
Saímos dos chuveiros enrolados em toalhas curtas, tremendo de frio. No jacuzzi, dois desconhecidos nos esperavam sorrindo como se tivessem acabado de encontrar o jantar.
Deitei nu sob o último sol de setembro, oferecendo meu corpo a quem quisesse olhá-lo. Então apareceu o único homem que pensei que não voltaria a ver.
Ele tinha namorada e pagava de durão, mas naquela noite, trancados no cubículo do banheiro, foi ele quem me agarrou pela nuca e pediu que eu chupasse direito.
Ele achava que estava sozinho sob a água, até que um braço lhe rodeou o pescoço pelas costas e uma voz rouca sussurrou no seu ouvido o que já era óbvio.
Assim que os pais entraram na cozinha, o rapaz agarrou o volume dele por cima do jeans. Ninguém naquela casa imaginava como o jantar ia acabar.
Pensei que só jantaria com os dois. Mas minha prima convidou os amigos dela, e naquela noite descobri até onde eu estava disposto a ir para agradar o namorado dela.
Estávamos sozinhos na sala de pesos quando ele tirou a camiseta e me mandou tocar. Eu não imaginava até onde iríamos depois de fechar a porta do vestiário.
Eu esperava nu junto à oliveira, com a mochila aos pés e o celular na mão, sem imaginar que aquela noite fria me deixaria dois sabores diferentes na boca.
Levantei os olhos do celular e os olhos dele já estavam cravados nos meus do outro lado do estacionamento. Não fez falta uma única palavra.
Baixei o zíper do macacão na penumbra, convencido de que estava sozinho. Então senti o peso de uma mão ossuda pousando devagar sobre meu joelho.