Deixei que um desconhecido me examinasse no estacionamento
Eu estava meio nua no carro de um homem que eu não conhecia, em um estacionamento cheio de gente, e ele me disse para relaxar porque meu exame estava só começando.
Eu estava meio nua no carro de um homem que eu não conhecia, em um estacionamento cheio de gente, e ele me disse para relaxar porque meu exame estava só começando.
A adrenalina subia só de pensar: sair à noite para uma área afastada e deixar que homens que eu não conhecia me usassem como quisessem. Eu sabia dos riscos.
Passei a tarde inteira sem clientes quando ela entrou. Ajoelhei-me para calçar um salto nela e, com seu pé nu entre minhas mãos, soube que não ia conseguir parar.
Passamos semanas procurando plateia no Telegram, sem sorte. Numa noite, num pinhal escuro, um carro parou ao lado e alguém ficou olhando o que minha namorada me pedia para fazer com ela.
Nadie imaginaría que esos tenis gigantes y ridículos guardan mis secretos. Esa noche en la carretera, con todos dormidos, me atreví por fin a lo que tanto fantaseaba.
Nunca tinha reparado nos pés de ninguém, até aquela tarde quente em que ela estendeu o dela na minha direção e me perguntou, com um sorriso, se eu ousava tocá-lo.
Escolhi o lugar mais perto da água, deixei cair o biquíni e, antes de me deitar, procurei com os olhos quem não conseguia desgrudá-los de mim.
Ninguém se atrevia a se mover, mas ela sabia que bastava um gesto seu para que a praia inteira prendesse a respiração e o círculo deixasse de ser só areia.
Eu só queria sentar na penumbra e me tocar um pouco. Não contava que um completo desconhecido, a três poltronas de distância, me faria perder a cabeça.
Nenhuma disse em voz alta, mas ambas sabiam: cada gesto sob o sol era um desafio, um convite que ninguém na praia conseguiu ignorar naquela tarde.
Dois corpos brilhando de óleo, um círculo de homens olhando e uma pergunta sem resposta: iam brigar pela atenção ou dividi-la como cúmplices?
Ninguém ousava se mover, até que ela ergueu o frasco de óleo em direção aos desconhecidos e, sem dizer uma palavra, os convidou a entrar no jogo.
Quando o sol começou a cair, nenhuma das duas mulheres mandava com palavras: bastava um olhar para que cada mão soubesse onde devia pousar.
Quatro mãos a ergueram sobre a areia enquanto o círculo inteiro prendia a respiração, esperando ver até onde ela ousaria ir naquela tarde.
Nunca havia cruzado o limiar de um círculo assim, mas naquela tarde, com a pele coberta de óleo e sal, Daniela entendeu que certos desejos só existem quando são compartilhados.
Reservei dois ingressos para uma sala quase vazia e dei um deles a uma desconhecida que me lia. Eu não sabia se ela viria, até vê-la procurar o assento na penumbra.
O espelho do camarim devolvia uma mulher que ela não reconhecia. Em minutos, dezenas de desconhecidos a veriam nua. E, mesmo assim, ela decidiu atravessar a cortina.
Sei que não deveria, mas toda vez que caminho sozinha de madrugada eu o procuro com os olhos: aquele desconhecido que me encurrala contra a parede e não pede permissão.
Subi ao palco sem pensar, diante de uma sala cheia de desconhecidos e de um homem que já não me olhava. Naquela noite, deixei de implorar e comecei a sentir.
Mal larguei as amarras, soube que aquela tarde não terminaria com um simples passeio: ela já me olhava diferente, com aquele meio sorriso que prometia muito mais.